Destaques

Opinião

PremiumQuem é que entra?

Tentando explicar o Brexit ao meu filho de 6 anos, ele não teve dúvidas, percebeu tudo, talvez porque eu explicasse bem, talvez porque ele é mais esperto do que nós, que não percebemos, talvez uma conjugação das duas, parou, olhou para mim e disse "OK, pai" (ele diz muito OK, pai), e depois perguntou: "Se a Inglaterra sai, quem é que entra?" E aí está uma bela pergunta, que ninguém anda a fazer, toda a gente preocupada com a parte subtrativa da coisa, não vendo a oportunidade de ocupar os espaços vazios. Podia ser a Turquia, mas também podia ser Israel, que assim como assim já está na Eurovisão, ou até mesmo a Google.

João Taborda da Gama

O Brexit não é só como eles quiserem

Ao longo das últimas semanas, o Brexit tem ocupado os jornais e televisões com a intensidade, o drama e a paixão de um reality show. As perdas de voz de May, a hesitações de Corbyn, os trânsfugas, tudo é visto e comentado. Até as gravatas do Speaker of the House conhecemos (ainda não repetiu nenhuma). É a democracia, dizem-nos. Será. Mas como em todos os divórcios há (pelo menos) duas partes. E se é certo que não podemos, não queremos, nem temos interesse em pôr-lhes as malas à porta, também é verdade que não podem continuar a precisar de tempo para pensar todas semanas.

Henrique Burnay

Pensas que estás na barraca onde vives?

No outro dia, uma professora perguntou isto à minha filha, que tem 12 anos e está no 6º ano. "Pensas que estás na barraca onde vives?" Ela contou-me, ao jantar, olhar crítico, mas descontração saudável, que tanto me descansa. "Achas bem, mãe?" Primeira (e estúpida) reação minha: "O que é que fizeste para a professora perguntar isso?" Ela, com aquele ar incrédulo dos pré-adolescentes: "Só estava torta na cadeira, mãe. Achas bem uma professora perguntar isso?"

Catarina Pires

Praguejar é um alívio

"Puta que pariu..." De todas as asneiras do vernáculo português, esta é a minha preferida. Não é a que gritamos quando nos salta a tampa, não é para este sítio que mandamos alguém que se atravesse à má fila num cruzamento quando o sinal está verde para nós. Esta é a que deixamos escapar de mansinho, entre dentes, acompanhada de um abanar de cabeça quando estamos desapontados com o mundo, quando olhamos para a cagada que acabámos de fazer por entornar a água toda do esparguete em cima da bancada, quando reparamos que há 35 pessoas à nossa frente na fila das Finanças ou quando percebemos que, apesar de serem oito e meia da manhã, já não há mais senhas para renovar o Cartão de Cidadão.

Paulo Farinha

Os troncos de Doha

Como tudo no Qatar, atravessa-se algum deserto para lá chegar. E o Centro Nacional de Convenções de Doha, nos arredores da capital do emirado, não escapa a esse destino de saltar do fundo da areia e ficar a pairar como uma verdadeira miragem arquitetónica sobre a paisagem. Quando se o vê pela primeira vez fica-se como aqueles saloios que se deslumbram com maravilhas nunca vistas no seu território, é que ao aproximar-se da enorme estrutura descobre-se que está apoiada em dois grandes troncos.

João Céu e Silva

Insider

"Digitalização da indústria vai revolucionar a eficiência e reduzir preços." Bosch Braga em testes

Reportagem na fábrica da multinacional Bosch, em Braga, para conhecer o seu novo projeto de Indústria 4.0 com tecnologia RFID para digitalizar todos os processos, que promete mudar a relação com os consumidores. Veja o vídeo. Chama-se RFID, tem mais de 40 anos e é uma tecnologia que permite identificar de forma automática objetos por radiofrequência - o exemplo mais atual é as passagens de carros pela Via Verde. Depois de muitos anos algo esquecido, o RFID (do inglês "Radio-Frequency Identification"), surge de novo como um método acessível e barato para digitalizar as operações. É essa tecnologia que a Bosch [...]

Oodi. É finlandesa a biblioteca mais high tech do mundo e estivemos lá

Visitámos o novo hub social (e não comercial) da cidade de Helsínquia, a sua biblioteca municipal, num projeto de 100 milhões de euros. E se fosse em Portugal? Reimaginar a biblioteca, como centro social de uma comunidade, com serviços variados e beneficiando do melhor que o design e a tecnologia permite fazer. É este o propósito da mais recente biblioteca finlandesa. Chama-se Oodi - o mesmo de ode, o estilo de poema lírico -, custou 100 milhões de euros, foi construída para celebrar o centenário do país e é "um espaço de experimentação de conceitos para a biblioteca do futuro". [...]

Google Docs está a transformar-se na app favorita dos jovens para conversar

Aparentemente, o Google Docs está a conquistar muitos adolescentes - e não é só à conta da facilidade em tirar notas para fazer os trabalhos de casa. No século XXI, até a passagem de pequenos papéis nas aulas evoluiu, com muitas das conversas a ser partilhadas nos documentos da plataforma da Google. O The Atlantic mostra que isto já é uma realidade em muitas escolas norte-americanas, com o Google Docs a servir para dar a volta a pais e professores. Na voz de alguns adolescentes, é dito que "já ninguém tira notas em papel nas aulas", preferindo os computadores ou [...]

Gacha. Conheça o autocarro-robô que pode ser quiosque e mercearia itinerante

Veículo autónomo desenhado pela MUJI e desenvolvido na Finlândia é o primeiro que circula com mau tempo e pode levar serviços básicos a populações idosas de áreas mais dispersas. Testes já em abril. É pequeno, totalmente elétrico, leva 10 pessoas sentadas e seis em pé, tem um conceito modular e apregoa ser o primeiro autocarro autónomo do mundo que circula em todo o tipo de condições climatéricas - neve, chuva intensa e nevoeiro. "Os veículos autónomos atuais simplesmente não conseguem circular com muito mau tempo e, na Finlândia, está quase sempre mau tempo". Quem o diz é Harri Santamala, o [...]

O método Desperdício Zero de Bea Johnson

“Por definição, quanto menos temos, menos temos de guardar, limpar e manter.” A ideia de Bea Johnson – que graças ao seu livro e conferências se tornou numa espécie de guru da reciclagem – parece simples. Mas num mundo em que estamos habituados a acumular bens, dos mais valiosos aos mais básicos, seguir os seus conselhos já não é assim tão simples. Exige, para começar, uma forte dose de contenção em relação ao futuro do nosso planeta e, claro, também de vontade para mudar de hábitos. E é precisamente neste segundo aspeto que esta francesa é uma verdadeira perita, tanto que conseguiu converter os seus conselhos num livro: “Desperdício Zero, Simplifique a sua vida reduzindo o desperdício em casa”. Um guia doméstico que já foi traduzido para 20 línguas e que chegou a ser um bestseller em vários países. Uma prova, assegura Johnson, de que o tema da redução de resíduos em casa interessa (e muito), “ainda que, no início, se tenham rido de nós”. Quando fala no plural, Johnson refere-se à sua família, que se converteu no seu aliado mais forte e com quem protagoniza fotografias e vídeos, tanto no Instagram como no Youtube, onde acumula subscritores e centenas de milhares de visualizações.Cada um de nós gera cerca de 1,5 kg de resíduos diariamente. Cerca de 440 kg anualmente. Chamamos resíduos a tudo aquilo que acaba no lixo ou na incineradora sem possibilidade de ser reciclado. Quase meia tonelada de embalagens de plástico, peças, bolsas, latas, pilhas, aparelhos eletrónicos, etc. Segundo um relatório do Banco Mundial, publicado em 2016, em todo o mundo produzimos cerca de 1300 milhões de toneladas por ano. Um número que não para de crescer e que se poderá tornar insustentável se não fizermos algo para o evitar rapidamente. Obviamente que são necessárias medidas políticas públicas e uma consciencialização por parte das grandes empresas – os gigantes da alimentação, por exemplo, oferecem, atualmente, soluções de compromisso para reduzir as embalagens plásticas – para reverter esta tendência. Mas também é certo que o que cada um faz em casa pode ajudar muito. E é aqui que entram em jogo as práticas que Bea Johnson tem desenvolvido desde há uma década. O resultado, segundo a própria no seu website, é chamativo: todos os resíduos gerados pela sua família ao longo ano cabem num frasco de vidro. Ao vermos as centenas de sacos que cada um de nós deposita no lixo, damo-nos conta de que, pelo menos, vale a pena escutar o que Johnson nos quer propor. Porque o que nos propõe é do nosso interesse.O método Desperdício Zero que a autora francesa propõe resume-se a cinco regras: Rejeitar (“esta é a mais importante, aprender a dizer não àquilo que não precisamos”), Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Compostar. Há dez anos que a sua família segue estas regras e parecem funcionar bem: “Concentramo-nos em ser, em vez de ter”, diz Johnson.

André Ferreira, o melhor piloto de drones de Portugal

Acontece com os drones algo parecido com o que, no seu tempo, aconteceu com os videojogos e a sua variante competitiva, os e-sports.Para o público em geral, estes veículos voadores que raramente aparecem nas primeiras páginas da comunicação social (por exemplo, quando forçaram o encerramento do aeroporto de Gatwick em Londres, pouco antes do último Natal), são um simples entretenimento. Um jogo de crianças ou de jovens apaixonados pelas novas tecnologias e pela velocidade. É verdade que os mais informados sabem que os drones são usados ​​para trabalhos de vigilância, tarefas militares, funções logísticas e muito em breve habituar-nos-emos a vê-los fazer as funções dos “entregadores”. Mas daí a considerar que podem ser um desporto ou um espetáculo de massas, ainda falta um pouco, a não ser que alguém grite, como o Tom Cruise fez no seu papel de Jerry Maguire - "mostra-me o dinheiro". E esse momento já chegou: 3 000 espectadores lotaram o local onde ocorreu a final da Drone Racing League, realizada na Arábia Saudita em setembro do ano passado. O número é importante, mas os 115 milhões de espectadores que, segundo os organizadores, acompanharam a competição online, são muito mais impressionantes. Com estes números, as corridas de drones são muito apetecíveis para os patrocinadores e não é de admirar que o vencedor do campeonato tenha embolsado um prémio de 100 000 dólares. Parece, assim, que as competições de drones, tal como um dia aconteceu com os e-sports, vieram para ficar.André Ferreira, o melhor piloto de Portugal, está longe destes números estonteantes, mas as suas capacidades permitem-lhe sonhar em aproximar-se deles um dia: "Comecei a pilotar drones com os meus amigos em Portimão, no Algarve, mas nunca pensei em competir. Até que há dois anos, um amigo disse-me um dia: "André, inscrevi-te numa prova do campeonato do mundo que se vai realizar em Setúbal.” Eu achei que ele estava a brincar.” Mas não era brincadeira. Alguns dias depois, o André Ferreira competia pela primeira vez numa corrida e mostrou duas coisas: que o seu amigo tinha um excelente olho para reconhecer o talento e que ele estava mais do que pronto para desafiar os melhores. Naquele primeiro campeonato realizado há dois anos, o André ficou em terceiro e o vício da competição apanhou-o de tal forma que não deixou mais as corridas.Atualmente, o André Ferreira está entre os dez melhores pilotos do mundo, embora ainda não se possa dedicar exclusivamente à pilotagem. Mas isso não importa, porque o português reconhece que esta é a sua paixão: "além do prazer de voar, aqui encontrei uma família".

O desafio de alcançar o Polo Sul apenas com o impulso do vento

O objetivo é chegar ao Dumo Fuji, que se encontra a 3810 metros de altitude , sem a ajuda de qualquer motor. A equipa irá suportar temperaturas extremas e ainda irá realizar dez projetos de investigação.A Antártida é sinónimo de aventura. É também lenda. E drama. É a última grande conquista dos exploradores que, durante o século XIX e princípios do século XX, se lançaram, com mente científica e coração aventureiro, à descoberta do último recanto do nosso planeta. É sobretudo a história de uma rivalidade entre o norueguês Amundsen e o britânico Scott que ficou retratada em livros, filmes e canções. A tragédia de Robert Falcon Scott é por demais conhecida. Quando, após vários meses de uma dura travessia alcançou o Polo Sul, a 17 de janeiro de 1912, juntamente com quatro dos seus homens, descobriu que ali, sobre o paralelo 90, estava já a bandeira da Noruega que Roald Amundsen lá colocara, cinco semanas antes. O explorador britânico morreu, bem, como os restantes membros da sua expedição, quando tentavam regressar ao acampamento. Meses depois, foi encontrado o seu diário, onde, a 26 de março, dois dias antes de morrer, escrevera: "Haveremos de perseverar até ao fim, mas estamos cada vez mais fracos, claro, e o fim pode já não tardar. É uma pena, mas creio que não poderei escrever mais. Por amor de Deus, cuidem dos nossos." Aquele diário e a sua morte, envolta na poesia que atribuímos sempre aos derrotados, fizeram de Scott um herói e transformaram-no num ícone da cultura popular.Certamente que, quando alcançou o Polo Sul, exatamente um século após o infeliz Scott, o aventureiro espanhol Ramón Larramendi não deixou de pensar no britânico. Naquela expedição de 2012, a sua segunda ao coração da Antártida, Larramendi e a sua equipa percorreram 4300 quilómetros num trenó impulsionado apenas pelo vento, um veículo idealizado e concebido pelo próprio Larramendi e que pode ser considerado "o primeiro veículo polar movido por energias renováveis, capaz de se deslocar eficazmente pela Antártida e Gronelândia. É também o primeiro veículo de investigação de facto totalmente "limpo". O trenó, já utilizado em diversas expedições desde há quase uma década, pode funcionar com ventos entre 6 e 60 quilómetros por hora. Ao fim de dez versões, o veículo atual é um autêntico comboio, com 12 metros de comprimento e 3,30 de largura, composto por vários módulos (módulo locomotor, módulo científico e módulo habitacional) e capaz de transportar quatro tripulantes e 2500 quilos de carga.Larramendi, explorador experiente em inúmeras e diversas expedições, é também um apaixonado pela divulgação científica, autor daquele que é considerado o melhor livro sobre as condições de vida e a história dos Inuítes (Esquimós), com quem conviveu durante vários anos, e colaborador habitual de vários meios de comunicação. Na nova expedição, que terá início em dezembro deste ano, o seu objetivo é alcançar, juntamente com Ignacio Oficialdegui, Hilo Moreno e Manuel Olivera, o Domo Fuji, a 3810 metros de altitude, sem recurso a meios motorizados. Irão suportar temperaturas inferiores a 50 graus negativos e, nestas condições extremas, irão realizar dez projetos de investigação pioneiros nas áreas de biologia, geologia, telecomunicações, ciência espacial e meio ambiente. Trata-se de um projeto científico extremamente importante que, no entanto, não consegue abafar o sentimento poético do aventureiro que Larramendi e os seus companheiros sentem sempre que iniciam um novo desafio, nunca esquecendo, claro, o aviso de Roald Amundsen, que conseguiu regressar daquela expedição pioneira: "A vitória espera por quem tiver tudo em ordem - as pessoas chamam a isto sorte. A derrota é garantida para quem descurar tomar as devidas precauções a tempo - a isto chama-se azar."

DN Ócio

A raiva, o nojo e a alegria de Rodrigo Leão deram músicas (e isto não é ficção)

Conversa solta, com os pés em Lisboa, o gravador ligado enquanto passam carros e pessoas, em várias camadas de sons. Rodrigo Leão em conversa franca, antes de seguir para outros afazeres - e, quem sabe, levar esta entrevista para uma música. Entrevista de Marina Almeida/ Fotografias de Reinaldo Rodrigues (Global Imagens) O músico português fez uma banda sonora para o cérebro. A porta de entrada da exposição Cérebro - Mais Vasto do Que o Céu, na Fundação Calouste Gulbenkian (inaugura-se no dia 16), faz-se ao som da sua música, sobre imagens produzidas digitalmente pelo neurocientista e artista norte-americano Greg Dunn [...]

Na Gulbenkian joga-se à bola com o cérebro e há robôs artistas

Um derby em que ganha o jogador mais calmo, uma orquestra feita com os nossos cérebros, os deliciosos robôs pintores de Leonel Moura. A partir de sábado e até 10 de junho, arte e ciência cruzam-se numa exposição, em que o cérebro dá muito que pensar. Reportagem de Marina Almeida Rui Oliveira saiu do laboratório e trouxe algumas das experiências dos cientistas para a sala de exposições. O investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência e do ISPA é o comissário de Cérebro - Mais Vasto que o Céu e leva-nos por uma viagem ao interior das nossas cabeças. Uma viagem [...]

Feira de Artes e Antiguidades de Lisboa muda de nome e quer ser mais internacional

A pensar no mercado internacional a Feira de Artes e Antiguidades mudou de nome e passa agora a chamar-se LAAF - Lisbon Arts and Antiques Fair. O evento, organizado pela Associação Portuguesa de Antiquários (APA) realiza-se entre 6 a 14 de abril na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Texto de Filipe Gil Na apresentação do evento à imprensa, os responsáveis da APA indicaram que serão 29 expositores a comporem a feira, dos quais quatro estrangeiros. A Galeria F.Cervera e a Montagut Gallery, ambas de Barcelona. E as galerias PLA e Phillipe Mendes de Paris. Sendo que um dos objetivos é trazer [...]