Atualidade

Opinião

Leonídio Paulo Ferreira

Cuidado com a máquina multiplicadora de países

Não vale a pena procurar a Finlândia, a Polónia, a Albânia, a Eslovénia, nem sequer a Noruega ou a Irlanda com cores próprias. Quem olhar para um mapa da Europa datado de 1900 vai ter dificuldade em contar 20 países independentes, e de certeza não encontrará 24, que será o número daqueles que participarão no próximo ano na fase final no Europeu de Futebol. Hoje o continente conta com mais de meia centena de países, com a última vaga de novidades a ter surgido na década de 1990, quando três federações comunistas implodiram, uma delas, a Jugoslávia, de forma violenta, outra, a Checoslováquia, por via pacífica, e a terceira, a gigantesca União Soviética, de forma híbrida, com conflitos nacionalistas mais ou menos localizados, alguns a perdurar até hoje. Sim, houve a reunificação alemã, uma exceção.

Leonídio Paulo Ferreira

Bernardo Ivo Cruz

Poderá Boris ter sucesso onde outros falharam?

Sábado, pela quinta vez seguida, um acordo assinado pelo Governo Britânico e pela União Europeia não obteve a maioria necessária do lado de lá do Canal da Mancha. Desde as propostas desenhadas com David Cameron ainda antes do Referendo de 2016, passando pelas 3 derrotas sofridas por Theresa May às mãos do Parlamento de Westminster e até ao adiamento da votação prevista para a primeira reunião da Câmara dos Comuns a um sábado desde a Guerra das Falkland (ou das Malvinas) há mais de 30 anos, nada que diga respeito ao futuro das relações entre Londres e Bruxelas tem merecido o apoio maioritário da Câmara dos Comuns.

Bernardo Ivo Cruz

Maria João Caetano

Governantas

"Um homem não se consegue governar sozinho", resignava-se a minha avó, que passou grande parte da vida a cozinhar, a limpar e a arrumar. Dizia governar-se como quem queria dizer arranjar-se ou orientar-se. E dizia-o com uma certa condescendência. Coitados dos homens, como haveriam eles de se governar sem uma mulher em casa a passar-lhes as camisas a ferro e a fazer-lhes o almoço? Um homem tinha de pensar em assuntos importantes, tinha de trabalhar e ganhar dinheiro, tinha lá "as coisas dele" para fazer, precisava de alguém que lhe cuidasse das minudências. Alguém que tratasse do "governo da casa", essa arte cultivada pelas mulheres que (ainda há pouco tempo) liam os livros da Laura Santos, com títulos como Noiva, Esposa, Mãe ou A Mulher na Sala e na Cozinha, livros com capas duras e imagens de mulheres perfeitas, que ensinavam a tratar de bebés e a limpar os estanhos.

Maria João Caetano

João Céu e Silva

"Não estou a fazer nada"

As oito letras da palavra "governar" correspondem, segundo o dicionário, a "exercer o governo de, administrar, gerir, dominar ou imperar", entre outras possibilidades. É verdade que estes significados não são desconhecidos da maioria dos portugueses, no entanto, as recentes eleições explicaram melhor que, ao verem surgir os resultados eleitorais, "exercer o governo" não era a primeira preocupação dos eleitores (e comentadores), preferindo antes conjugar os dois últimos significados: dominar ou imperar. Era só disso que se falava face aos números que o governo precisava para ser o dono do país durante quatro anos enquanto se faziam apostas sobre os partidos que teriam de se deixar "dominar" para que houvesse um futuro a quatro anos.

João Céu e Silva

Miguel Marujo

Blasfemos, graças a deus

Os Monty Python entraram algures nos ecrãs da RTP, talvez ainda a preto e branco - falha-se-me a memória e o Dr. Google não ajuda -, com aquele pé a esmagar um homem num genérico que antecipava já o humor desconcertante de travo surrealista e maluco, verdadeiramente louco, que ainda hoje nos faz rir a bandeiras despregadas. Monty Python's Flying Circus está cheio de episódios desses, como a Inquisição Espanhola, Spam ou as Avozinhas do Inferno, entre dezenas e centenas de outros, que ocupariam páginas e páginas.

Miguel Marujo

Filomena Naves

A salto

Um dia desapareceu. Não fez avisos, não deixou carta, nenhuma explicação. Simplesmente deixou de aparecer na loja de tecidos do velho tio que, mais por piedade, o acolhera. António atendia às vezes ao balcão e até encantava as senhoras da boa sociedade provinciana, mas quando a conversa passava para os tecidos a coisa descarrilava. António não distinguia um tweed de um algodão, uma seda de um linho fino, ou de uma chita barata. E o pior, invetivava o tio, irrepreensível no seu fato de bom corte, era que António não queria aprender. O jovem olhava-o com um olhar sonhador, dizia "sim, meu tio", e calava-se.

Filomena Naves

O estúdio de efeitos especiais que criou a personagem Benjamin Button

O estúdio de efeitos especiais que criou a personagem Benjamin Button

Muitos dos filmes que melhores (e também piores) momentos proporcionaram aos espectadores têm como elemento comum a utilização dos efeitos visuais ou efeitos especiais para criar a ilusão de mundos ou criaturas imaginárias. Por vezes belos, por vezes terríveis, mas sempre – mesmo com recurso a tecnologias muito rudimentares – assombrosos. Já num ano tão longínquo como 1933, Merian C. Cooper conseguiu aterrorizar meio mundo com o seu King Kong, o gigantesco símio que se tornou, desde então, um ícone da cultura popular. Diz-se mesmo que, numa primeira edição do filme, o público desmaiava ou saía espavorido da sala perante algumas cenas que foram posteriormente eliminadas. Na verdade, a lenda soa melhor do que a realidade, dado que, ao que parece, as míticas cenas foram cortadas por Cooper por um motivo muito mais prosaico: abrandavam o ritmo da história. Outros pioneiros, como George Pal ou Ray Harryhausen, conseguiram criar autênticas fantasias visuais com marionetas, desenhos, miniaturas, látex, maquetas e explosões. Hoje em dia, todos estes truques foram substituídos por software muito sofisticado e por potência de computação, mas há algo que permanece: a imaginação para fazer parecer real algo que não existe. Darren Hendler, diretor do Digital Human Group na Digital Domain, dedica-se há 25 anos aos efeitos especiais no cinema, tendo participado em alguns dos maiores sucessos de bilheteira das últimas décadas. Pelas suas mãos – e pelos seus computadores – passaram monstros e personagens que fazem parte da nossa memória cinematográfica. Precisamente para se manter na vanguarda da indústria, o seu trabalho teve de evoluir: "Nos dois últimos anos, centrei-me mais na parte tecnológica do cinema, no que é possível fazer, e, sobretudo, na chegada da aprendizagem automática e no modo como podemos transformar o que fazemos e levá-lo mais longe."As proezas tecnológicas da Digital Domain incluem ter tornado credível um Brad Pitt idoso na notável fantasia de David Fincher "O Estanho Caso de Benjamin Button" ou ter permitido que Josh Brolin desse alma a Thanos, um personagem incontornável da saga Vingadores, graças aos sofisticados sistemas de captura de movimento com que registaram todos os gestos do ator. Porém, uma das mais comentadas contribuições do estúdio para a história recente do cinema foi, sem dúvida, ter "ressuscitado" uma Carrie Fisher jovem para fazer uma aparição estelar em "Rogue One: Uma História de Star Wars". Por trás do rosto de Fisher, escondia-se a atriz norueguesa Ingvild Deila, que garante ter enfrentado o desafio de interpretação de uma forma "muito mais técnica" do que o habitual, concentrando-se "nas coisas que Carrie fazia com os olhos ou no modo como mexia a boca."A possibilidade de voltar a contar com rostos icónicos da história do cinema graças à tecnologia, apesar de os atores ou atrizes já terem falecido, abriu um debate na indústria que, pelos vistos, não terá fim tão cedo. Entretanto, Darren Hendler acredita que as possibilidades dos efeitos visuais continuarão a crescer: "Vai demorar algum tempo até alcançarmos os 5% que faltam para que alguém possa entrar em cena e interpretar em direto uma pessoa diferente." Quando esse limite for superado, todos teremos de começar a preparar-nos para a invasão de ressuscitados que nos cairá em cima.Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Noelia Núñez, Douglas BelisarioTexto: José L. Álvarez Cedena

A programadora prodígio de 11 anos que já tem a sua própria empresa

A programadora prodígio de 11 anos que já tem a sua própria empresa

O verão é a época alta das contratações futebolísticas. À falta de outras notícias relevantes, os meios de comunicação social dedicam muito tempo aos vaivéns do mercado de jogadores. Nomes importantes e números milionários entretêm os adeptos de futebol até ao início do campeonato. Mas o tema das contratações não é exclusivo do desporto. No mundo empresarial em geral, e no das grandes empresas tecnológicas em particular, a busca de talento jovem é uma constante. Descobrir os mais novos com aptidões especiais e convidá-los a entrar para as suas empresas é um investimento de futuro que pode marcar a diferença em relação aos concorrentes dentro de alguns anos. Nesta corrida, Samaira Mehta, uma pequena programadora de onze anos, é uma das estrelas mais cobiçadas. Não é em vão que os seus passos já são seguidos de perto por dois gigantes como a Google e a Microsoft.Os feitos que levaram Samaira a estar em todas as listas de futuras figuras relevantes na tecnologia são impressionantes devido à sua tenra idade. É a fundadora e diretora executiva da CoderBunnyz, uma empresa que se dedica a ensinar programação através do jogo, já deu mais de 50 aulas a cerca de 2000 raparigas e rapazes, os seus jogos são utilizados em mais de cem escolas dos Estados Unidos e foi a vencedora do prémio Youth Entrepreneur. A sua história até chamou a atenção de Michelle Obama, que lhe enviou uma carta em 2016 para a felicitar e incentivar a continuar a progredir.Se, com o seu primeiro jogo de tabuleiro, o objetivo de Samaira era conseguir que as crianças aprendessem a escrever código, com o segundo (chamado CoderMindz) quer ensinar-lhes noções de inteligência artificial. E nada parece deter esta pequena programadora que se afeiçoou aos computadores e às linguagens informáticas aos seis anos, graças ao seu pai Rakesh Mehta, engenheiro na Intel. Samaira continua a inventar e a espremer tudo o que acontece ao seu redor para o transformar numa aprendizagem contínua que lhe permita avançar. O seu objetivo é ajudar o mundo através da tecnologia e já demonstrou que não é das que se rendem, tal como expressa na sua frase preferida: "Não te preocupes com o fracasso. Preocupa-te com as oportunidades que perdes por não tentares."Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Azahara Mígel, Pedro García Campos, Cris López Texto: José L. Álvarez Cedena

V Digital

Jean-Claude Juncker chora na despedida

Jean-Claude Juncker chora na despedida

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, emocionou-se hoje no final da última cimeira do seu mandato ao dizer que ficará orgulhoso "até ao fim da vida"de ter servido a Europa. "Ficarei orgulhoso até ao fim da minha vida de ter podido servir a Europa, obrigado", disse, com a voz embargada e visivelmente emocionado, numa declaração em que também se referiu ao trabalho dos jornalistas, sendo que alguns deles o acompanham "desde há séculos". Apesar de o seu mandato terminar oficialmente no próximo dia 31 de outubro, a 'Comissão Juncker' deverá continuar em funções mais um mês, por dificuldades de Ursula von der Leyen em formar a sua equipa, depois de o Parlamento Europeu ter rejeitado três comissários indigitados: da França, da Hungria e da Roménia.

Tem 50 anos, 2 lugares, 3 rodas e um motor de 300 cv

Tem 50 anos, 2 lugares, 3 rodas e um motor de 300 cv

O Bond Bug foi um dos veículos de três rodas mais carismáticos da indústria automóvel britânica do século passado. O veículo de dimensões muito compactas estava pensado para desenrascar as voltinhas urbanas de todos os dias, a custo muito acessível. No lançamento, o Bug contava com económico motor de 700 cc, a debitar 29 cv. Agora, a mecânica foi totalmente revista e adaptada com sistema de sobrealimentação da BorgWarner para debitar uns incríveis 300 cv.