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Paulo Baldaia

O triunfo da irracionalidade

Antigamente, os malucos ficavam a falar sozinhos, hoje, abrem os telejornais. A extrema-direita agradece a atenção que damos aos seus malucos, sejam juizes, médicos, historiadores, candidatos autárquicos ou simples anónimos. Por ocuparem cada vez mais o nosso tempo, não significa que haja cada vez mais malucos, significa "apenas" (com muitas aspas) que o politicamente correcto alargou até ao infinito o conceito de liberdade de expressão e os malucos sairam das catacumbas.

Paulo Baldaia

Javier Solana

Três lições de um fracasso de duas décadas

Há 20 anos, os ataques terroristas de 11 de setembro chocaram o mundo. "Somos todos americanos" tornou-se um slogan global de solidariedade. De repente, a invulnerabilidade pós-Guerra Fria do Ocidente ficou exposta como a ilusão que era. A globalização, que se tornou o paradigma reinante e estabeleceu o domínio económico ocidental na década de 1990, acabou por mostrar um lado negro. Duas décadas após os ataques, é difícil exagerar as suas consequências para o Ocidente e o mundo em geral. Um violento protagonista não-estatal determinou a agenda internacional num grau extraordinário. Embora a hegemonia do Ocidente, liderada pelos Estados Unidos, permanecesse inquestionável, o momento unipolar da década de 1990 parecia estar a chegar ao fim, e a política externa dos EUA seria fundamentalmente remodelada pela "guerra global contra o terrorismo".

Javier Solana

Margarita Correia

Dos anos letivos, os velhos e o novo

Comecei a dar aulas de português e francês, em março de 1981, i.e. há mais de 40 anos, no então Liceu Gil Vicente, em Lisboa. Fui professora do ensino básico público (com passagem de dois anos por um colégio privado) durante cerca de 10 anos, sucessivamente como eventual (não recebia salário nos meses de julho, agosto e setembro), provisória, efetiva-provisória e efetiva, estatuto que adquiri poucos dias antes de abandonar o ensino básico público, em dezembro de 1990, para iniciar funções de assistente estagiária na Faculdade de Letras, onde ainda hoje sou professora auxiliar. Gostei muito de ter sido professora do básico, mas não voltaria a essa condição, porque, para tal, teria que ter uma energia e uma vitalidade que já não tenho.

Margarita Correia

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Rogério Casanova

Um holocausto de Sally Rooneys canceladas

O nome pode não ser imediatamente reconhecível para toda a gente, ou será reconhecível apenas na mesma medida em que fenómenos recentes de dimensão comparável são reconhecíveis ("Ferrante", "Knausgaard"), mas é nesse perímetro de familiaridade que reside a sua mais-valia. "Sally Rooney" cumpre hoje a mesma função que "Jonathan Franzen" cumpria por volta de 2010. Ao nível mais elementar, as palavras designam a autora de três livros de ficção que atingiram níveis anómalos de sucesso crítico e comercial. Ao nível simbólico, são forçados a sustentar outros pesos.

Rogério Casanova

Anselmo Borges

O elogio da alegria verdadeira

1 "Faço o elogio da alegria, porque o único bem do Homem é comer e beber e alegrar-se; isto acompanhá-lo-á durante os dias da vida que Deus lhe concede viver debaixo do Sol. Vai, come o teu pão com alegria e bebe contente o teu vinho, porque, desde há muito tempo, Deus aprecia as tuas obras. Em todo o tempo sejam brancas as tuas vestes, e não falte o perfume na tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias que dure a tua vida fugaz que Deus te concedeu debaixo do Sol, os anos todos da tua vida efémera."

Anselmo Borges

António Araújo

No pasarán

A culpa foi toda de um padre. No dia 9 de Julho de 1931, com tremendo aparato mediático, uma chusma de gente acorreu à Gare du Nord, em Bruxelas, para esperar um jovem repórter acabado de chegar das Áfricas. Na varanda da gare, um adolescente louro, fardado de branco e de chapéu colonial, dirigiu-se à multidão expectante, de megafone em punho, agradecendo-lhe a presença e o apoio nessa sua nova aventura. Nas fotografias da época, vemos crianças de colo, jovens iguais ao repórter, mulheres de sorriso aberto, senhores de chapéus de palhinha. Talvez ele ainda não fosse o fenómeno de popularidade mundial entre os "jovens dos 7 aos 77 anos", como viria a tornar-se mais tarde, mas Tintim já tinha à época uma quantidade apreciável de fãs, que acorreram prontamente ao chamamento do jornal Le Vingtième Siècle. Num golpe de génio, o seu director, o padre Wallez, decidira promover o novo álbum do herói organizando uma grande festa e publicando como suplemento daquela revista um convite para celebrar o regresso de Tintim a casa. A campanha publicitária passou pela contratação do actor Henri De Doncker, um jovem sósia do repórter, e pela oferta de "uma valiosa peça artística congolesa" aos primeiros compradores do livro, além de um cortejo com animais exóticos alugados a um zoo. Não era, contudo, uma novidade absoluta, pois no ano anterior já se ensaiara um regresso hollywoodesco de Tintim à Bélgica, vindo do País dos Sovietes, com um sósia de carne e osso a desembarcar na place Rogier. Agora, no entanto, a coisa funcionou melhor, com mais adesão de público, e Tintin au Congo converteu-se num best-seller juvenil da década de 30, sendo reeditado várias vezes. Em 1934, a editora Casternan assumiu a publicação das obras de Hergé e, dez anos depois, deu-se à estampa a última edição do álbum a preto e branco.

António Araújo

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V Digital

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.