Opinião

PremiumA Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Ferreira Fernandes

Praguejar é um alívio

"Puta que pariu..." De todas as asneiras do vernáculo português, esta é a minha preferida. Não é a que gritamos quando nos salta a tampa, não é para este sítio que mandamos alguém que se atravesse à má fila num cruzamento quando o sinal está verde para nós. Esta é a que deixamos escapar de mansinho, entre dentes, acompanhada de um abanar de cabeça quando estamos desapontados com o mundo, quando olhamos para a cagada que acabámos de fazer por entornar a água toda do esparguete em cima da bancada, quando reparamos que há 35 pessoas à nossa frente na fila das Finanças ou quando percebemos que, apesar de serem oito e meia da manhã, já não há mais senhas para renovar o Cartão de Cidadão.

Paulo Farinha

Leonardo também é fake

Não sabia exatamente por onde pegar neste Mural, agora temático. Fiz umas pesquisas sobre o génio renascentista e depois fixei-me em A Última Ceia. Pesquisei sobre a relação entre Da Vinci e a gastronomia, e deparei-me com o livro Apontamentos de Cozinha de Leonardo da Vinci: o Caderno de Apontamentos de Leonardo Da Vinci sobre Gastronomia e o Estar à Mesa, de Shelag e Jonathan Routh. Editora Atena, primeira edição em 1997, traduzido por Ana Duarte. No dia 1 de abril sentei-me na Biblioteca Nacional a consultar o livro.

Marina Almeida

Às malvas com as convenções

Quando Salvatore recebe a notícia da morte de Alfredo, o projecionista do pequeno cinema da sua aldeia natal, a sua vida passa-nos no grande ecrã: desde os tempos da infância, quando o pequeno Totó, como chamavam a Salvatore, se apaixonou pela magia do cinema, à adolescência em que se enamora de Elena. Mas a melhor síntese da sua vida está num pequeno filme que Alfredo lhe deixou e que não é mais do que uma extraordinária montagem de cenas cortadas dos filmes que eram exibidos no Cinema Paradiso e o padre mandava censurar ao som de um sino.

Miguel Marujo

Os polémicos beijos no anel papal

Durante séculos, a tradição mandava beijar o pé do Papa nas audiências privadas com o sumo pontífice. Depois passou a ditar que os fiéis fizessem uma vénia e beijassem o anel da autoridade máxima da Igreja Católica, como demonstração de respeito e obediência. Hoje em dia, é este o cumprimento oficial. Ou melhor, era. Francisco decidiu quebrar o protocolo perpetuado pelos seus antecessores. E os conservadores não perdoaram. Uma polémica com beijos que parece "divertir" o Papa.

Joana Capucho

Ver Tudo

A adolescente capaz de conectar o seu cérebro a um computador

O delicioso livro de Roald Dahl, “Matilda”, é uma ode à curiosidade infinita que todos temos na infância – e este é o segredo. Dahl lança aqui as suas farpas sempre certeiras e irónicas aos adultos, que castram tanto esta ânsia de conhecimento que acabam por tornar as crianças iguais a eles, ou seja, fazem com que parem de inventar, de criar, de questionar o que as rodeia, até que se tornam seres planos e conformados. Na sua história, Dahl dota Matilda de poderes extraordinários, como mover objetos com a mente, com os quais castiga os adultos medíocres que a rodeiam. A sua telecinesia é vingativa e brincalhona. Porém, mover objetos com a mente – uma antiga aspiração esotérica e ainda no âmbito da ficção científica à data da publicação do livro, em 1988 – é hoje (quase) uma realidade. Uma das pessoas que mais aposta em fazer desta uma tecnologia tangível é pouco mais velha do que a própria Matilda. Aos 16 anos, Ananya Chadha descreve-se a si mesma, na sua página na Internet, como “uma rapariga de Toronto que acredita que o único caminho para criar um futuro melhor para a Humanidade é aumentar a nossa própria inteligência. É por isso que estou tão interessada e empenhada na área das interfaces cérebro-computador”.A descrição de Chadha dificilmente encaixa na da adolescente que é, porque a adolescência, supostamente, é dominada pelas hormonas, desprezando tudo o que interfira com a hipótese de ter uma conta no Instagram com o maior número possível de seguidores. Mas, claramente, Ananya não é uma rapariga comum, como se comprova pelo facto de ser uma especialista na tecnologia Blockchain ou pela sua colaboração regular com empresas como a Microsoft. Uma das áreas que mais lhe interessa é, precisamente, a da possibilidade de controlar objetos – robôs ou computadores – com o nosso cérebro: “O problema é que o hardware que temos é muito mau, pelo que é difícil captar boas ondas cerebrais”. Chadha trabalha com interfaces que ela própria criou, que depois liga ao cérebro através de elétrodos para mover pequenos robôs. O motivo que a levou a escolher uma tecnologia que promete ser disruptiva é o facto de se tratar de uma área com enormes potencialidades de desenvolvimento no prazo de 20 anos “e ter todo o futuro pela frente”. Chadha acredita que as suas investigações podem ter uma grande repercussão no âmbito da Saúde, daí as suas últimas invenções estarem direcionadas para a construção de próteses que, uma vez ligadas ao cérebro, permitem ao doente movimentar, por exemplo, um braço protésico como se fosse o seu próprio.Esta possibilidade de comunicarmos com as máquinas (e até entre nós) diretamente através do cérebro abre também a porta a possíveis acessos indevidos aos pensamentos ou a informações de outra pessoa. Por isso, Chadha, em vez de se preocupar, como a maioria dos jovens da sua idade, em qual será a próxima série de sucesso da Netflix, questiona-se sobre a possibilidade de alguém poder controlar as nossas emoções através da tecnologia e, mais importante, se todos estes avanços vertiginosos nos fazem realmente felizes. Mas, por mais extraordinárias que sejam as suas competências, Ananya Chadha é uma adolescente que se identifica com a sua geração, e acha que, graças à Internet, que permite o livre acesso à informação e a ligação entre milhões de pessoas, os jovens estão mais do que nunca preparados para mudar o mundo.Entrevista e edição: Azahara Mígel, Cristina LópezTexto: José L. Álvarez Cedena

Os carros autónomos elétricos fabricados em Coimbra

Até há pouco tempo, a entrada na maioridade significava, acima de tudo, poder conduzir. Mais do que votar, os adolescentes dos anos 90 ansiavam por tirar a carta de condução. O automóvel era sinónimo de liberdade e maturidade e também, muitas vezes, de oportunidades de trabalho. Atualmente, as coisas mudaram tanto que o interesse dos millennials em ter um carro baixou para níveis que os fabricantes de automóveis consideram preocupantes. Aliás, algumas marcas nos Estados Unidos estão já a incluir outras opções na sua oferta, como por exemplo, a possibilidade de subscrever uma viatura através de uma assinatura mensal, o equivalente a ver uma série na Netflix ou HBO em vez de comprar o DVD. Jorge Saraiva, um dos fundadores da Tula Labs, tem consciência desta mudança de hábitos: “O automóvel elétrico atual não vai resolver o problema dos engarrafamentos. A nossa aposta vai claramente para a utilização dos transportes públicos e para a possibilidade de, depois de usarem o comboio, as pessoas terem acesso a um sistema modal que lhes permita percorrer o último troço do trajeto para chegarem a casa ou ao trabalho. A nova geração de jovens já não quer um automóvel, não lhes interessa comprar um automóvel nem possuir viatura própria.”Fiel a esta ideia, a empresa de Coimbra, pioneira e especialista no mercado de veículos autónomos, desenvolveu um sistema versátil e dinâmico que permite transportar pessoas e mercadorias em espaços públicos ou privados tais como hospitais, hotéis, fábricas ou universidades. Os seus veículos sem condutor são elétricos, disponibilizando assim uma solução limpa, e estão especialmente indicados para ligar diferentes espaços ou edifícios dentro de um mesmo complexo, tal como acontece já no hospital Rovisco Pais.A equipa da Tula Labs é composta por especialistas em diferentes áreas tecnológicas (robótica, software, eletrónica), disponibilizando soluções inteligentes e fluidas que permitam, acima de tudo, uma poupança nos custos. Embora, para já, os seus sistemas só funcionem em espaços controlados (com trajetos e paragens pré-definidos), a Tula Labs espera que, muito em breve, veículos como os seus se tornem habituais nos bairros das grandes cidades. Se as expectativas se cumprirem, esta não será apenas uma boa notícia para a empresa, já que será algo que nos beneficiará a todos.Texto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Digital Insider: Do smartphone todo o terreno ao Surface Laptop 2

Bem-vindo ao 39.º episódio do Digital Insider, o seu programa semanal de informação onde a tecnologia é rainha. Esta semana fomos por à prova o smartphone mais todo o terreno que existe, um verdadeiro Caterpillar, analisamos o novo portátil profissional da Microsoft e ouvimos os conselhos de Herman José para brilhar no Instagram. Tem uma câmara térmica, capacidade de fazer medições e resiste a quase tudo. Fomos para a rua testar o novo smartphone todo o terreno da Caterpillar, o Cat S61. Leia também | Novo Nokia X71 tem câmara de 48 megapíxeis e design minimalista A Microsoft está cada vez [...]

Mesmo sobre pressão, Huawei cresce no 5G. Só na Europa já existem 23 contratos

O esforço norte-americano para fazer com que mais países, sobretudo os europeus, bloqueassem a infraestrutura 5G da Huawei acabou ter um efeito contrário e fez aumentar procura pela tecnologia da empresa. A polémica em torno da segurança das redes 5G da Huawei abriu portas à tecnológico para falar com vários governos e empresas de todo o mundo "e o crescimento aumentou desde então". Quem o diz é John Suffolk, responsável máximo de segurança informática da tecnológica, e há números que o provam. Até ao final de março, a Huawei já tinha assegurado 40 contratos para a criação de redes 5G, [...]

Conheça os "ovos" da Páscoa da Google escondidos no motor de busca

Há jogos e funções escondidos na pesquisa da Google que deve experimentar, incluindo o jogo Pac Man. Boa Páscoa. É uma tradição antiga da Google. A gigante tecnológica já foi apenas um motor de busca e sempre foi lá que, para festejar efemérides, deu asas à imaginação. Vai daí, a empresa reuniu alguns dos chamados Ovos da Páscoa mais engraçados que os engenheiros da empresa foram escondendo ao longo dos últimos 20 anos. Em baixo tem lista dos 7 "Easter Eggs" que estão na pesquisa Google incluindo jogos, ferramentas úteis (um nível de bolha - só funciona em pesquisas no [...]

Galaxy S10+: uma bateria cheia de capacidade e quase, quase só ecrã

Passámos algum tempo com o S10+, o telefone de maiores dimensões da linha Galaxy. A faixa de preço pode ter crescido, mas o telefone de maiores dimensões traz a bateria de considerável capacidade e um ecrã quase sem margens como trunfos fortes. O S10+ consegue ter praticamente as mesmas dimensões do antecessor, mas ter um ecrã que visualmente o faz parecer bem maior. Trata-se de um telefone com 6,4 polegadas, mas que consegue parecer ainda maior graças à quase ausência de molduras nas laterais do equipamento. Apesar de isto ser um ponto a favor, a falta de margens nas laterais [...]

DN Ócio

De Caravaggio a Van Gogh, exposições a não perder

Nos próximos meses, há exposições que merecem uma visita. De Munique a Londres, com escala em Madrid ou Amesterdão. Num passeio de Páscoa, feriados de abril ou outro pretexto qualquer (ou sem pretexto). Texto de Marina Almeida O espanto do encontro de três jovens pintores de Utrecht com Caravaggio em Roma dá o mote a uma exposição na Alte Pinakothek, em Munique. Até julho, estes "caravaggistas" - Hendrick ter Brugghen, Gerard van Honthorst, e Dirck van Baburen - encontram-se agora com o mestre. O milagre da inspiração transposto para 70 obras de arte, de Caravaggio e dos seus seguidores em [...]

Uma edição exclusiva de um tawny com 50 anos

A Taylor"s acaba de lançar o primeiro tawny de uma colheita com 50 anos e só há 8.000 garrafas. Foi envelhecido em cascos de madeira durante meio século e engarrafado este ano. É um vinho do Porto premium, um colheita que tem um perfil diferente do notável 1968 - que está em 5.º lugar no Vivino e é o vinho português mais bem classificado naquela app de vinhos - mas que é também um "grande vinho". O enólogo da Taylor"s, David Guimaraens, descreve-o como fresco e complexo, com "um fim de boca que nunca mais acaba".Custa 250 euros, já está [...]

MAAT e Embaixada de Portugal em Berlim inauguram exposição da artista Ana Guedes

O MAAT e a Embaixada de Portugal na Alemanha inauguram, no próximo dia 26 de abril, uma nova exposição na galeria do Instituto Camões em Berlim, apresentando o trabalho da artista portuguesa Ana Guedes. Com curadoria de Joana Valsassina, a exposição, no âmbito do Berlin Gallery Weekend apresenta a obra da artista portuguesa que conjuga som, instalação e performance. O novo trabalho foi desenvolvido no âmbito da residência artística que realizou durante o último ano na prestigiada Van Eyck Academie, em Maastricht, nos Países Baixos, e Eexplora crónicas de êxodo e privação associadas à sua história familiar e ao passado [...]

"Todo o produto que o cozinheiro quer ter em sua casa, encontra-o em Portugal"

Paolo Casagrande é um dos braços direitos do chef espanhol Martín Berasategui. O italiano está à frente do Lasarte, em Barcelona, um três estrelas Michelin, da constelação Berasategui - que, em novembro passado em Lisboa, chegou às dez estrelas. Esteve em Portugal, a conhecer os produtos portugueses. Entrevista de Marina Almeida Tem 40 anos e quase metade da vida passou-a nos restaurantes de Martín Berasategui. Atualmente é o chefe executivo do Lasarte, três estrelas Michelin, no Passeio de Gracia, em Barcelona (é um dos restaurantes do Hotel Monument, a par do Oría, com uma estrela). Paolo Casagrande é italiano e [...]