Atualidade

Opinião

Miguel Romão

Extinguir o SEF é honrar Abril

A morte lenta de um estrangeiro em pleno aeroporto de Lisboa, à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e às mãos de seus inspetores, acabou com a indiferença e a impunidade de que este serviço público beneficiou, ao longo de demasiado tempo, alimentado por todos os governos e parlamentos e, desde logo, pelo PSD e pelo PS. Desde o cavaquismo, quando o SEF recebeu boa parte do que é o controlo de fronteiras, substituindo a PSP, processo aliás reforçado em 2000, com um governo PS, regressando assim à sua matriz original de departamento da PIDE/DGS, e até aos nossos dias: foi demasiada a inércia.

Miguel Romão

Victor Ângelo

Novas incertezas aqui ao lado, no Grande Sahel

Em 1990, o chefe rebelde chadiano Idriss Déby regressou ao país, vindo do Sudão. Dirigia uma coluna de homens armados, composta sobretudo por combatentes originários da sua região natal. Dias depois conquistou o poder em Ndjamena, com o beneplácito de François Mitterrand. O presidente francês sabia de geopolítica. Via o Chade como o nó essencial para os interesses, a influência e a segurança da França e dos seus Estados clientes naquela parte de África. Por isso, era fundamental que fosse controlado por um homem forte, consistente e amigo da França. Déby tinha esse perfil. E os sucessivos presidentes franceses habituaram-se a fechar os olhos às violações sistemáticas dos direitos humanos, à corrupção em alta escala e à tribalização do poder, para não enfraquecer o seu aliado em Ndjamena.

Victor Ângelo

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Sebastião Bugalho

O primeiro vice

Não há tanto tempo quanto isso mas numa era bem diferente, o Capitólio dos Estados Unidos da América era capaz de momentos de clamor, graça e reciprocidade. Foi assim em 2007, quando o presidente republicano George Bush (filho) introduziu o seu discurso do Estado da União "com a honra e o privilégio de ser o primeiro a poder começar por dizer: Madam speaker", pois a democrata Nancy Pelosi era a primeira mulher a assumir o cargo na Câmara dos Representantes. E foi também assim em 1981, com o vice-presidente Walter Mondale, um dia após celebrar o seu 53.º aniversário, a ler os resultados da primeira vitória de Ronald Reagan, em que havia sido derrotado como recandidato a vice-presidente de Jimmy Carter. Com equivalente sentido de humor e solenidade, Mondale leu os números do colégio eleitoral que davam a maioria de Reagan contra Carter e, logo a seguir, os que davam a maioria de George Bush (pai) contra si próprio. "Walter F. Mondale recebeu 49 votos", declarou, com um sorriso bem-disposto mas resignado. "Consegui, hein? Uma grande cabazada", ironizou para o lado, sendo apanhado pelo microfone. A Câmara, munida de respeito, levantou-se toda para o aplaudir e rir com ele. E Mondale, rindo de volta, declarou a sessão por encerrada.

Sebastião Bugalho

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Ataques em Cabo Delgado

João Honwana

“É preciso derrotar os jihadistas e conquistar o povo”

Entrevista a João Bernardo Honwana, consultor na área de Resolução de Conflitos, Mediação Política e Diplomacia Preventiva, em Nova Iorque. Foi funcionário das Nações Unidas entre 2000 e 2016, tendo servido como Representante do Secretário-Geral para a Guiné-Bissau e Diretor de Divisão (África I e África II) no Departamento para Assuntos Políticos. É Coronel Piloto Aviador na reserva e antigo Comandante da Força Aérea de Moçambique. Participou a 1 de julho na Speed Talk do Clube de Lisboa sobre o jihadismo em Cabo Delgado.

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