Atualidade

Opinião

Daniel Deusdado

Se este texto for sobre a Europa, alguém lê?

A pergunta que me inquieta é esta: o mundo está numa corrida em pelo menos três sectores-chave - inteligência artificial, digitalização e biotecnologia. Em qual destes a União Europeia está à frente? Em nenhum. Não temos a Google nem a Apple, dependemos no 5G da tecnologia norte-americana ou chinesa, estamos atrás da China e dos norte-americanos em dados/chips e, como se tornou evidente, só conseguimos marcar algum ponto na corrida à vacina porque um turco, Ugur Sahin, casou com a filha de uns emigrantes turcos (a investigadora Ozlem Tureci) e ambos criaram na Alemanha a BioNtech (que se aliou a um gigante norte-americano, Pfizer).

Daniel Deusdado

Rogério Casanova

A Verdade continua por aí, com metade do tamanho

A veemente rapidez com que o público se desinteressou do programa de exploração espacial é uma das curiosidades sociológicas do séc. XX. J. G. Ballard costumava declarar que a "Era do Espaço" tinha durado pouco mais de quinze anos - entre o primeiro "blip" do Sputnik e a última expedição ao Skylab. Há margem para discutir as datas exactas, mas a atenção mediática mostra uma inegável curva descendente. Em Dezembro de 1972, três anos depois de a triunfante pegada de Neil Armstrong ter sido vista por milhões, a última missão Apollo tripulada não teve sequer honras de transmissão em diferido; as principais cadeias de televisão americanas decidiram nem comparecer à conferência de imprensa posterior, deixando o último ser humano a caminhar na Lua, Eugene Cernan, numa sala quase deserta, a falar para alguns representantes entediados da imprensa escrita.

Rogério Casanova

João Lopes

A arte de ser ou não ser

Ser espectador. Eis a expressão mais simples que, a meu ver, pode definir o paradoxo de avidez e serenidade inscrito na arte de Julião Sarmento (1948-2021). Lembro-me de, um dia, nos tempos heróicos da Secretaria de Estado na Cultura no prédio do restaurante Galeto, na avenida da República, em Lisboa, ele me falar do filme que tinha visto na véspera através de uma confissão em suspenso: "Não sei se gostei ou não gostei..." Não era blague. Não era bluff. Tão só uma manifestação da disponibilidade de quem, sendo espectador, sabe ser também o paciente cultivador das suas próprias dúvidas. E avançar, duvidando.

João Lopes

Sebastião Bugalho

Muito mais é o que os une… 

Não há maneira de 2021 conceder paz eleitoral aos portugueses. Depois de um ciclo presidencial prolongado pela confirmação de Marcelo, pelo surgimento de Ventura e por algum desnorte na esquerda, o prenúncio das autárquicas também veio mexer com o sistema partidário. O modo como Rui Rio utilizou o caso Sócrates contra o governo do Partido Socialista, acusando-o de "hipocrisia" e "demagogia", já o dava a entender. Rio, cometendo a originalidade de propor uma reforma da Justiça atacando simultaneamente o Presidente da República e o primeiro-ministro, deixou-o à vista de todos: vêm aí eleições e, com pandemia ou sem pandemia, haverá combate político.

Sebastião Bugalho

Shiv Kumar Singh e Paulo Feytor Pinto

O regresso da Índia mais de 500 anos depois

Quando, em 1998, Portugal quis festejar com a Índia os 500 anos da chegada de Vasco da Gama a Calecute, as autoridades indianas preferiram não o fazer. Esta comemoração era o motivo central da Exposição Internacional de Lisboa, no Oriente da cidade, com a ponte, a torre e o posterior centro comercial Vasco da Gama, ladeado pelas torres São Rafael e São Gabriel, o nome das naus com que os portugueses restabeleceram, depois de Alexandre, os contactos diretos entre europeus e indianos, desta vez, cruzando os oceanos.

Shiv Kumar Singh e Paulo Feytor Pinto

Pedro Afonso

O que a senhora da praça deve saber!

Às vezes tratamos de temas da vida de todos como se fossem temas económicos ou técnicos. Talvez possamos recuperar melhor e mais rápido dos desafios que nos têm assombrado, se tivermos os cidadãos e as famílias a bordo. Emprego é muito mais que um tema económico: é um tema de dignidade, e de sociedade. O Emprego - qualificado, especializado - é também a melhor forma de partilhar riqueza, que vem do valor previamente criado, e por isso, sustentável.

Pedro Afonso

José Mendes

A Europa Covid, orgulhosamente só

Há cerca de dois meses assumi, nesta coluna, a defesa da suspensão dos direitos de propriedade intelectual das vacinas anti-covid, de forma a evitar o cenário de um aumento da mortalidade de dimensões bíblicas nas geografias do globo onde a vacina não chega. Os acontecimentos das últimas semanas na Índia, que é o país mais populoso do mundo, trazem à evidência que está ainda quase tudo por fazer e que a atual produção de vacinas é manifestamente insuficiente.

José Mendes

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