Atualidade

Opinião

Sebastião Bugalho

A encruzilhada de Augusto Santos Silva

Nas últimas 48 horas, o leitor foi já suficientemente massacrado pela Câmara Municipal de Lisboa e pela vergonhosa entrega de dados de ativistas às autoridades de Moscovo. Escuso-me a elencar os danos reputacionais que um país de economia largamente dependente do turismo, como o nosso, sofreu nesta semana à conta do caso. Também não creio ser necessário explicitar o desastre que é, para António Costa, abrir a sua presidência europeia com a morte de um ucraniano às mãos do Estado português e encerrar a mesma presidência com a exposição de dissidentes russos aos ouvidos de Vladimir Putin. O silêncio do primeiro-ministro foi meia-palavra que para bom entendedor bastou. Deixemos, por isso, a humilhação internacional e o tumulto autárquico para outras núpcias. É de política externa que este texto tratará e, em concreto, do seu titular na passada meia década.

Sebastião Bugalho

Mário Cordeiro

O coronavírus e a necessidade de verdade epidemiológica

Às vezes fico com a sensação de "estar em contramão na autoestrada". Todos os dias "lemos e ouvimos" os dados revelados pela DGS. Casos, óbitos, internamentos, cuidados intensivos e "recuperados". Depois, desdobrados por regiões, e sem qualquer taxa relativa à população (tão diferente!) de cada região. Vemos esta ligeireza científica nos telejornais, nos colunistas, nos participantes de n painéis dos canais de televisão, nas redes sociais, nos políticos que comentam a pandemia, encartados como epidemiologistas - coisa que, para mim, requereu anos e anos de especialização e aprendizagem constante - ou de epidemiologistas que, depois, vêm a ser candidatos autárquicos, etc. Ainda hoje tive a oportunidade de ver alguém a dizer que se vacina mais no centro do que em Lisboa e vale do Tejo sem ter o cuidado (e o respeito pelos espectadores) de falar do processo e de como, em vilas ou cidades com menos habitantes, uma "caixa" de vacinas dá para vacinar idades mais jovens, para não haver desperdício de vacinas.

Mário Cordeiro

Adriano Moreira

Entre a utopia e o desastre

São numerosos os exemplos de as guerras chegarem a uma paz cobertas por uma utopia de novo futuro, o que se verificou no fim de cada uma das Guerras Mundiais que feriram o mundialismo ocidental. Por vezes consentindo que o pessimismo lúcido afaste as esperanças das propostas. Quando da paz da guerra de 1914-1918, circulou o comentário atribuído a um general alemão segundo o qual o que se assinava era uma suspensão provisória dos combates. A paz da guerra mundial de 1939-1945 determinou uma esperança de futuro que possibilitou a criação da ONU, a confiança nas Declarações dos Direitos Humanos e o programa notável da UNESCO, embora a adesão ao anticolonialismo tenha frequentemente provocado combates militares que causaram custos humanos severos.

Adriano Moreira

Viriato Soromenho Marques

'O Príncipe' na ilha da Páscoa

Quando analisamos as mudanças no sistema partidário seria prudente procurarmos os padrões e não inovações, mais aparentes do que reais. António Costa (A.C.) é claramente o político luso que nas últimas décadas mais estritamente segue as regras prudenciais expostas por Maquiavel para os governantes que querem conservar o seu lugar. O seu discurso tem a planura do campo tático, onde é o mestre incomparável. Não tem rugosidades utópicas nem tabus ideológicos. É um pragmático em estado puro, pronto a colaborar com toda a gente, à esquerda e à direita, desde que o interesse nacional e a continuidade governativa possam coincidir. Quando construiu a geringonça, nos tempos em que o diabo da austeridade parecia poder regressar para vingar qualquer erro, A.C. soube mudar o estilo mantendo a substância. A tal ponto que o seu ministro das Finanças foi alcandorado a chefe do Eurogrupo. Hoje, neste intervalo entre a pandemia e a presumível turbulência social que o fim das moratórias - combinado com o eventual regresso das regras europeias do tratado orçamental - tenderá a provocar, A.C. e o PS resistem, tenazmente, às mudanças no sistema partidário. Mesmo sem grande crescimento eleitoral, o PS poderá ganhar lugares no parlamento pela erosão que o Chega e a Iniciativa Liberal irão causar sobre o desmoralizado eleitorado do PSD.

Viriato Soromenho-Marques 

Anselmo Borges

Küng e a fé

1 Hans Küng, um dos maiores teólogos católicos e um pensador de influência mundial, deixou-nos. Fica a sua teologia com os novos horizontes que abriu no sentido de uma esperança que formulou assim na sua última lição na Universidade de Tubinga, em 1996: "Spero unitatem ecclesiarum, espero a unidade das Igrejas. Spero pacem religionum, espero a paz entre as religiões. Spero communitatem nationum, espero uma verdadeira comunidade das nações." Fica também como inspiração a sua reflexão epistemológica, introduzindo na Teologia "a teoria de mudança de paradigmas", a partir da obra famosa de Thomas Kuhn: The Structure of Scientific Revolutions, sobre o desenvolvimento da ciência (lembro a definição de paradigma de Kuhn: "Uma constelação total de crenças, valores, técnicas, etc., partilhada por uma determinada comunidade"). Também na Teologia há paradigmas: o paradigma paleocristão apocalíptico, o helenístico da Igreja antiga, o católico-romano medieval, o protestante reformado, o iluminista moderno, estando presentemente a esboçar-se um novo paradigma, o paradigma de uma "teologia ecuménica crítica", com duas constantes ou pólos, em "correlação critica" - a primeira constante, pólo ou horizonte é "o nosso mundo presente de experiência em toda a sua ambilvalência, contingência e mutabilidade"; a segunda constante, pólo ou norma essencial é "a tradição judeo-cristã, que, em última análise, se funda na mensagem cristã, no Evangelho de Jesus Cristo" -, e duas orientações: ad intra, isto é, ecuménica, no sentido do ecumenismo intracristão, e ad extra, enquanto dirigida para as religiões do mundo e para toda a Terra habitada.

Anselmo Borges

Mais atualidade

Entrevista a António Calçada de Sá

"O português chega a qualquer lugar e tem uma integração admirável"

Entrevista a António Calçada de Sá, recém-eleito presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa e que é um alto quadro da Repsol em Espanha, em que fala da imagem positiva que Portugal tem lá fora, da sua experiência de emigrante na Europa e na América Latina e ainda das relações entre portugueses e espanhóis, até na hora de abastecer o carro no outro lado da fronteira.

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