Atualidade

Opinião

Afonso Camões

Madrinhas de guerra

Não precisamos recuar mais de 50 anos para encontrarmos nos nossos cartórios o registo de milhares de casamentos por procuração. Ela cá e ele lá, uns emigrados nas américas e outros a combater em África, num tempo em que atravessar o atlântico eram dias de juízo. A procuração era passada em nome de uma terceira pessoa, que assumia a responsabilidade e atestava o enlace à distância. Muitos desses casamentos resultaram do noivado entre soldados -- desde os combatentes na Flandres aos da guerra colonial -- e as suas "madrinhas de guerra", as jovens debutantes a quem se pedia que ajudassem a "levantar a moral das tropas", enviando cartas e mimo aos "afilhados".

Afonso Camões

João Melo

Não, não nos resta apenas chorar

O Papa Francisco acaba de realizar uma digressão por vários países africanos, a maioria dos quais, se não todos, assolados com crises e guerras que constituem a principal razão para o estado lamentável em que se encontram. Na República Democrática do Congo (RDC), um dos maiores países católicos do continente, disse ele, depois de ter escutado os relatos de algumas das vítimas do conflito que grassa no leste do país: "Só nos resta chorar, sem quaisquer palavras, permanecendo, pois, em silêncio".

João Melo

Guilherme de Oliveira Martins

Antonio Tabucchi

A palmeira não está lá, mas está a lembrança dela. Naquele pequeno jardim juntaram-se os amigos de Antonio Tabucchi numa destas manhãs de Lisboa, com céu azul, o frio próprio de fevereiro e o calor da memória. E lembrámos, nas proximidades da rua do Monte Olivete, a S. Mamede, alguns passeantes que teríamos gostado de voltar a encontrar por ali, deambulando - além do próprio Antonio, Alexandre O"Neill, José Cardoso Pires, Ruben A. ou Fernando Lopes. E a placa descerrada por Maria José de Lancastre e pelo Presidente do Município ficará a assinalar que aquele espaço invoca a cultura e a literatura, mas também a justiça e a liberdade, num encontro de sonhos e espíritos. E a Presidente da Junta de Freguesia, Carla Madeira, tornou claro o compromisso de que a memória do escritor italiano, europeu, cidadão e homem de cultura, português por escolha do coração, que ali se invoca, continuará a ser referência e exemplo, e motivo para que se não esqueça que não há palavra viva sem partilha de pensamento. "Quem sabe se um romance escrito numa língua que não é a nossa não poderá nascer de uma minúscula palavra que, essa sim, é exclusivamente nossa e não pertence a mais ninguém. Às vezes uma sílaba pode conter o universo". E que melhor referência do que um jardim para representar a cultura, mesmo nestes dias de inverno quando se prepara a renovação da natureza?

Guilherme d'Oliveira Martins

Mais atualidade

"Falta de condições"

Presidente da Agência Nacional de Inovação demite-se

Em carta dirigida ao presidente da Mesa da Assembleia Geral e ao ministro da Economia, Joana Mendonça refere "uma série de questões de interesse crítico para o futuro da Agência Nacional de Inovação", que considera aliás "serem do maior interesse nacional", mas para quais não conseguiu ter "qualquer interação com as (...) tutelas".

Mais Opinião

Jorge Barreto Xavier

Semanologia: Quem com ferro mata

No passado dia 4, Pacheco Pereira escrevia no Público o artigo que intitulou O que os clássicos nos dizem sobre os que andam à caça dos outros. Para ilustrar o seu ponto de vista apresentou uma fábula - O falcão e o rouxinol - atribuída a Esopo (c. 620-560 a.C), personagem de que pouco se conhece, que terá vivido na antiga Grécia. Dizia Pacheco Pereira: "Aqui vai uma fábula dedicada aos predadores que por aí andam muito contentes a distribuir gasolina, e aos irresponsáveis que os ajudam a 'gastar' a democracia e atacar a liberdade."

Jorge Barreto Xavier

Fórum da Sustentabilidade e Sociedade

Pedro Adão e Silva

"Nós pertencemos a algo porque partilhamos uma cultura"

O conhecimento da nossa identidade cultural é essencial para sentirmos que pertencemos a algo; e, a partir daí, para termos abertura para outras culturas, outros diálogos e sermos peças de uma comunidade mais sustentável. A crença é do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, que, a propósito dos "Diálogos de Sustentabilidade", fala-nos também sobre a importância do investimento na preservação do património cultural e natural, como elementos cruciais da memória coletiva.

Da Inclusão Social às Comunidades Sustentáveis

Da Inclusão Social às Comunidades Sustentáveis

A quarta conferência da série "Diálogos de Sustentabilidade", que junta as marcas de informação da Global Media Group e a Fundação INATEL, decorreu na Costa da Caparica e foi dedicada ao tema "Inclusão Social". Contou com a participação da secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Isabel Almeida Rodrigues, e com o bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar. Veja aqui o vídeo que resume o evento. A quinta sessão, sobre "Comunidades Sustentáveis", junta o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e o compositor e escritor cabo-verdiano Mário Lúcio, e está marcada para 9 de fevereiro, às 16 horas, em Lisboa. Pode inscrever-se para assistir ao debate na plateia do Teatro da Trindade, ou seguir através a transmissão através das plataformas digitais do JN, DN, TSF e Dinheiro Vivo.

As reações no final do debate sobre Economia Azul

As reações no final do debate sobre Economia Azul

Vejas as reações de Cristina Coelho, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável e Energia Ambiental, e de Pedro Ponte, administrador do Porto de Setúbal, à terceira conferência da série "Diálogos de Sustentabilidade", que junta as marcas de informação da Global Media Group e a Fundação INATEL. Os "Diálogos" estão inseridos no Fórum de Sustentabilidade e Sociedade, uma iniciativa a que se somam parceiros como a Câmara de Matosinhos, o Grupo Bel, a CGD e a Galp.

Entrevista Makoto Ota

"O nosso encontro em 1543 é conhecido pela maioria dos japoneses através da escola"

Foi em Tanegashima que os portugueses estabeleceram o primeiro contacto com o Japão, e ao longo de todo o ano de 2023 esses 480 anos de relações vão ser celebrados através de múltiplos eventos culturais. O embaixador Makoto Ota conversou com o DN sobre as iniciativas já conhecidas, mas também do investimento japonês em Portugal, da ambição do seu país em ter assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ainda do anunciado aumento da despesa militar em reação à invasão da Ucrânia.

Foi preciso navegar por três oceanos

Vamos falar um pouco de Portugal e do Japão, dois países que celebram este ano 480 anos desde o primeiro contacto, começando por desfazer o mito de que o arigato japonês resulta do nosso obrigado. Não só não é verdade como nem sequer é necessário para mostrar como foram estreitas as relações luso-japonesas nos séculos XVI e XVII. A nível de palavras de origem portuguesa, os japoneses continuam a usar no quotidiano copo, pão, botão, tabaco ou carta, como explica em entrevista hoje no DN o embaixador Makoto Ota. Mas ainda mais relevante é terem sido os portugueses a dar a conhecer aos japoneses a moderna ciência e tecnologia, evento transcendental por vezes resumido à introdução da espingarda, como se não tivesse sido importante o mostrar do primeiro mapa-múndi. Há uns anos, a revista americana Science dedicou todo um número ao Japão, em que o imperador Akihito, desde 2019 imperador emérito, assinou um artigo reconhecendo o contributo da civilização chinesa mas também o dos portugueses, chegados em 1543. E nunca me canso de referir a naturalidade da nota de rodapé da revista informando que "sua majestade é ictiologista e autor de dezenas de artigos científicos".

Podcasts DN

Tech & Café

João Sousa Guedes, o líder da empresa que já ajudou a levar net a 50 milhões de casas

Ao 16.º episódio o Tech & Café recebe João Sousa Guedes, CEO e fundador da Weezie, empresa portuguesa criadora de software que possibilita a instalação de redes de fibra ótica forma muito mais eficiente. Sedida no Porto, todos os seus clientes são estrangeiros -- e já ajudou a instalar internet em mais de 50 milhões de lares. O próximo passo, os EUA... e o futuro das comunicações. Uma conversa com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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