Atualidade

Portugal Mobi Summit

 Giovanna D'Esposito: "A Uber fortalece os transportes públicos ao alargar o seu alcance"

Giovanna D'Esposito: "A Uber fortalece os transportes públicos ao alargar o seu alcance"

Uma década depois do lançamento, a Uber é indiscutivelmente a aplicação de boleias mais conhecida e usada do mercado. Apesar dos solavancos no modelo de negócio, que viu muitos desafios impostos por reguladores e uma batalha legal com certos setores, como o dos taxistas, o negócio inspirou várias outras empresas e operou uma mudança de mentalidade nas gerações mais novas. Para quê comprar um carro, se pode mandar chamar um condutor em segundos através do smartphone? A diretora-geral da Uber para a Europa do Sul, Giovanna D'Esposito explica ao que vem.

Opinião

Maria do Rosário Pedreira

Os sapatos de Deus

Regra geral, ouço o noticiário da rádio porque me cansei de telejornais demasiado longos e cheios de falsas notícias, bem como dos erros de ortografia nos rodapés. Em minha casa, o televisor não tem, aliás, grande serventia, pois liga-se quase só para o futebol - e não é que eu aprecie muito, mas pelo menos o ruído de fundo não me incomoda enquanto leio. Além disso, quando vivemos com alguém, se não queremos que a relação estiole, temos de ceder em alguma coisa - e esta, confesso, é uma cedência que não me custa nada fazer ao Manel que, enquanto dura o desafio, dá pontapés no ar cheio de nervoso miudinho e enche o cinzeiro de beatas.

Maria do Rosário Pedreira

Viriato Soromenho-Marques

Os industriais do otimismo

Na sua autobiografia literária, Ecce Homo (1888), Nietzsche defendeu que a verdade não dependeria tanto da questão gnosiológica da adequação entre a nossa representação e a realidade objetiva, mas antes da coragem moral para ousar suportar o seu peso tantas vezes amargo. O erro não seria, desse modo, um problema de cegueira ou falta de rigor, mas teria origem no mal moral da "cobardia" (feigheit), na recusa em olhar a verdade de frente, delineando a partir dessa contemplação todas as consequências práticas e existenciais necessárias.

Viriato Soromenho-Marques

Maria João Caetano

Governantas

"Um homem não se consegue governar sozinho", resignava-se a minha avó, que passou grande parte da vida a cozinhar, a limpar e a arrumar. Dizia governar-se como quem queria dizer arranjar-se ou orientar-se. E dizia-o com uma certa condescendência. Coitados dos homens, como haveriam eles de se governar sem uma mulher em casa a passar-lhes as camisas a ferro e a fazer-lhes o almoço? Um homem tinha de pensar em assuntos importantes, tinha de trabalhar e ganhar dinheiro, tinha lá "as coisas dele" para fazer, precisava de alguém que lhe cuidasse das minudências. Alguém que tratasse do "governo da casa", essa arte cultivada pelas mulheres que (ainda há pouco tempo) liam os livros da Laura Santos, com títulos como Noiva, Esposa, Mãe ou A Mulher na Sala e na Cozinha, livros com capas duras e imagens de mulheres perfeitas, que ensinavam a tratar de bebés e a limpar os estanhos.

Maria João Caetano

Filipe Gil

Corridas de cowboys

Desde 1955 que a corrida anual de 100 milhas, cerca de 160 quilómetros, é um momento atual da região da Sierra Nevada, na Califórnia, nos Estados Unidos. A prova, conhecida como Tevis Cup Challenge é feita a cavalo e considerada uma das mais duras do mundo. Cavalo e cavaleiros têm 24 horas para percorrer a distância, caso contrário são desclassificados. Um dos fãs da prova e natural da zona, Gordy Ainsleigh, participou na edição de 1971 e 72, 73. No ano seguinte, e sem perceber que estava a inventar um novo desporto, Ainsleigh foi convidado a participar, mas, como na [...]

Filipe Gil

João Céu e Silva

"Não estou a fazer nada"

As oito letras da palavra "governar" correspondem, segundo o dicionário, a "exercer o governo de, administrar, gerir, dominar ou imperar", entre outras possibilidades. É verdade que estes significados não são desconhecidos da maioria dos portugueses, no entanto, as recentes eleições explicaram melhor que, ao verem surgir os resultados eleitorais, "exercer o governo" não era a primeira preocupação dos eleitores (e comentadores), preferindo antes conjugar os dois últimos significados: dominar ou imperar. Era só disso que se falava face aos números que o governo precisava para ser o dono do país durante quatro anos enquanto se faziam apostas sobre os partidos que teriam de se deixar "dominar" para que houvesse um futuro a quatro anos.

João Céu e Silva

David Pereira

Tocar o céu na maratona

Uma necessidade que se tornou um vício e um sinónimo de desafio, alegria e bem-estar. Comecei a correr para perder peso e conseguir passar nos testes práticos de Educação Física. Corria 15 ou 20 minutos a um ritmo baixo e chegava-me, não conseguia mais. E, quando o secundário terminou, correr por correr parecia não fazer sentido e o que escasseava de motivação sobrava em outras formas de passar o tempo, embora a corrida seja o desporto mais simples e barato de se praticar. A dada altura, fez-se luz na minha cabeça: porque não participar numa prova? O objetivo de completar sete quilómetros ao lado do meu pai foi o início de uma história de amor.

David Pereira

As atuações com escrita de código ao vivo

As atuações com escrita de código ao vivo

O "live coding" é uma prática que, nas palavras da compositora colombiana Alejandra Cárdenas, "consiste em programar à frente do público para criar música ou efeitos visuais. É uma mistura de programador com artista." O movimento "live coding" é uma prática que consiste em modificar algoritmos com uma finalidade criativa perante um público físico ou virtual. Diversas esferas da criação artística, como a música, os audiovisuais, a robótica ou a dança aventuraram-se nesta possibilidade, transformando-a num fenómeno que conta com um número crescente de seguidores. Embora as suas primeiras expressões tenham nascido em ambientes universitários do Reino Unido há mais de duas décadas, ganhou maior protagonismo nos últimos anos por integrar, na sua própria conceção, a filosofia do código aberto e o movimento "Do It Yourself".Embora, em princípio, a descrição do "live coding" possa parecer terreno exclusivo para especialistas, Alejandra Cárdenas defende que todos podem desfrutar dele, do mesmo modo que não é necessário saber como funciona um piano para poder apreciar a interpretação de um pianista. Algo semelhante ocorre quando se vê um "live coder" a escrever as suas linhas de código para criar música ou imagens. E, embora o que se procura seja, sem dúvida, a criação de algo belo que permita expressar emoções ou pensamentos (como qualquer obra de arte), o mais importante, segundo Cárdenas, é o facto de a filosofia subjacente ao "live coding" estar ligada à filosofia hacker. Cada pessoa é valorizada pelo que faz, não pela forma como se veste, pela sua idade ou pelo estatuto social a que pertence."Entrevista e edição: Pedro García Campos, Cristina López Texto: José L. Álvarez Cedena

O estúdio de efeitos especiais que criou a personagem Benjamin Button

O estúdio de efeitos especiais que criou a personagem Benjamin Button

Muitos dos filmes que melhores (e também piores) momentos proporcionaram aos espectadores têm como elemento comum a utilização dos efeitos visuais ou efeitos especiais para criar a ilusão de mundos ou criaturas imaginárias. Por vezes belos, por vezes terríveis, mas sempre – mesmo com recurso a tecnologias muito rudimentares – assombrosos. Já num ano tão longínquo como 1933, Merian C. Cooper conseguiu aterrorizar meio mundo com o seu King Kong, o gigantesco símio que se tornou, desde então, um ícone da cultura popular. Diz-se mesmo que, numa primeira edição do filme, o público desmaiava ou saía espavorido da sala perante algumas cenas que foram posteriormente eliminadas. Na verdade, a lenda soa melhor do que a realidade, dado que, ao que parece, as míticas cenas foram cortadas por Cooper por um motivo muito mais prosaico: abrandavam o ritmo da história. Outros pioneiros, como George Pal ou Ray Harryhausen, conseguiram criar autênticas fantasias visuais com marionetas, desenhos, miniaturas, látex, maquetas e explosões. Hoje em dia, todos estes truques foram substituídos por software muito sofisticado e por potência de computação, mas há algo que permanece: a imaginação para fazer parecer real algo que não existe. Darren Hendler, diretor do Digital Human Group na Digital Domain, dedica-se há 25 anos aos efeitos especiais no cinema, tendo participado em alguns dos maiores sucessos de bilheteira das últimas décadas. Pelas suas mãos – e pelos seus computadores – passaram monstros e personagens que fazem parte da nossa memória cinematográfica. Precisamente para se manter na vanguarda da indústria, o seu trabalho teve de evoluir: "Nos dois últimos anos, centrei-me mais na parte tecnológica do cinema, no que é possível fazer, e, sobretudo, na chegada da aprendizagem automática e no modo como podemos transformar o que fazemos e levá-lo mais longe."As proezas tecnológicas da Digital Domain incluem ter tornado credível um Brad Pitt idoso na notável fantasia de David Fincher "O Estanho Caso de Benjamin Button" ou ter permitido que Josh Brolin desse alma a Thanos, um personagem incontornável da saga Vingadores, graças aos sofisticados sistemas de captura de movimento com que registaram todos os gestos do ator. Porém, uma das mais comentadas contribuições do estúdio para a história recente do cinema foi, sem dúvida, ter "ressuscitado" uma Carrie Fisher jovem para fazer uma aparição estelar em "Rogue One: Uma História de Star Wars". Por trás do rosto de Fisher, escondia-se a atriz norueguesa Ingvild Deila, que garante ter enfrentado o desafio de interpretação de uma forma "muito mais técnica" do que o habitual, concentrando-se "nas coisas que Carrie fazia com os olhos ou no modo como mexia a boca."A possibilidade de voltar a contar com rostos icónicos da história do cinema graças à tecnologia, apesar de os atores ou atrizes já terem falecido, abriu um debate na indústria que, pelos vistos, não terá fim tão cedo. Entretanto, Darren Hendler acredita que as possibilidades dos efeitos visuais continuarão a crescer: "Vai demorar algum tempo até alcançarmos os 5% que faltam para que alguém possa entrar em cena e interpretar em direto uma pessoa diferente." Quando esse limite for superado, todos teremos de começar a preparar-nos para a invasão de ressuscitados que nos cairá em cima.Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Noelia Núñez, Douglas BelisarioTexto: José L. Álvarez Cedena

V Digital

Lisboa-16/10/2019  -A Vida do Dinheiro, com Nuno Fernandes Thomaz..
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)

"Somos altamente dependentes das promoções"

Nuno Fernandes Thomaz, presidente da Centromarca - a associação de empresas de produtos de marca - avisa que a entrada dos espanhóis da Mercadona em Portugal vai levar a maior pressão sobre os produtores, que muitas vezes são empresas familiares dependentes de gigantes como o Continente ou o Pingo Doce. Em entrevista ao Dinheiro Vivo e TSF, o antigo secretário de Estado dos Assuntos do Mar e ex-vice-presidente da CGD realça uma característica do consumidor português: em cada 100 euros de compras, compra 48 euros em promoção. E a Mercadona tem um modelo contrário à promoção.

Tem 50 anos, 2 lugares, 3 rodas e um motor de 300 cv

Tem 50 anos, 2 lugares, 3 rodas e um motor de 300 cv

O Bond Bug foi um dos veículos de três rodas mais carismáticos da indústria automóvel britânica do século passado. O veículo de dimensões muito compactas estava pensado para desenrascar as voltinhas urbanas de todos os dias, a custo muito acessível. No lançamento, o Bug contava com económico motor de 700 cc, a debitar 29 cv. Agora, a mecânica foi totalmente revista e adaptada com sistema de sobrealimentação da BorgWarner para debitar uns incríveis 300 cv.