Anselmo Crespo

Um Plano Marshall contra o populismo

O plano de recuperação proposto nesta semana pela Comissão Europeia não desiludiu os mais otimistas, mas também não transformou os pessimistas em crentes. Os "épicos" - como já lhes chamaram alguns - 2,4 biliões de euros para reconstruir a economia europeia não vão dar para tudo, mas simbolizam um esforço dos Estados membros - de alguns, pelo menos - para salvar a Europa de uma desintegração que teria efeitos ainda mais catastróficos do que a pandemia do novo coronavírus.

Anselmo Crespo

Rosália Amorim

Contas num trapézio sem rede

Dar com uma mão e tirar com a outra vai ser um exercício orçamental a que vamos ter de nos habituar ainda mais. O impacto da crise provocada pela pandemia de covid-19 está a ser dramático nas famílias, nas empresas, mas também nos cofres do Estado. As famílias têm acesso a moratórias, entre as quais se destaca o crédito à habitação. As empresas têm acesso ao lay-off, algumas conseguem chegar às linhas de crédito (mas ainda são poucas e as linhas já estão esgotadas) e, pior, no mês que vem não terão verbas para pagar parte do IRC, que tem de ser liquidado em junho. O dinheiro que teriam guardado para esse efeito foi utilizado para sobreviver nestes dois meses e meio de profunda recessão nos negócios.

Rosália Amorim

Atualidade

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Viriato Soromenho-Marques

Olhar em frente

Um dos principais indicadores do caminho que a recuperação económica vai seguir, tanto em Portugal como na Europa, encontra-se no futuro da aviação civil. O título deste artigo recicla a infeliz gafe da diretora-geral da Saúde, numa recente conferência de imprensa, tentando justificar a orientação europeia que vai permitir que os aviões voltem a voar lotados, a partir de 1 de junho (anulando o limite de dois terços estipulado pelo Governo português numa portaria de 2 de maio). Não se começa bem. Na verdade, mesmo que os passageiros "olhassem em frente" durante toda a viagem, é difícil explicar esta exceção sanitária em relação a outros espaços fechados e outros meios de transporte, sem recorrer ao antigo estatuto de privilégio da aviação civil.

Viriato Soromenho-Marques

Maria Antónia Almeida Santos

É urgente voltar à natureza

No que toca à pandemia, haverá um antes e um depois. O mundo para o qual desconfinamos agora é outro. Temos vivido absorvidos pela preocupação e pela salvaguarda da vida humana. Esse processo tem trazido cansaço e saturação e ainda outra certeza: temos, globalmente, de mudar de vida. Agora estamos no durante e é esta a fase para preparar o que se seguirá. É o tempo de delinear a profilaxia de situações como a que vivemos. Para tal, é necessário perceber a melhor forma de tornar essa prevenção o mais "transitiva" possível, no sentido em que esta possa promover uma transição civilizacional efetiva em áreas essenciais à saúde e à vida.

Maria Antónia Almeida Santos

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