Atualidade

Opinião

Afonso Camões

Porque a bola pincha

Não é preciso conhecer as leis da física para sabermos que a bola pincha. Mas não deixa de ser maravilhoso como, por uns dias, descobrimos que o futebol, mais do que os capacetes azuis das Nações Unidas, consegue fazer respeitar à escala continental um mesmo código de conduta, as regras do jogo. Em campo, países ricos e países pobres, de distintas geografias, separados por todo o tipo de diferenças culturais, sociais e religiosas, e por vezes até envolvidos em conflitos armados, aceitam jogar sob o mesmo regulamento e compreendem que um indivíduo que não conhecem de lado nenhum, vestido de forma diferente e de apito na boca, o faça cumprir - tomara António Guterres!

Afonso Camões

Guilherme de Oliveira Martins

Gonçalo, em nome da terra

O parque da nova Praça de Espanha homenageia, com inteira justiça, a memória de Gonçalo Ribeiro Telles. Foi com emoção que os seus velhos amigos puderam ver concretizada uma das suas mais antigas aspirações - o Plano Verde de Lisboa. Tenho na memória um dos últimos almoços de aniversário num pequeno restaurante na muito sua Rua de São José - que em tempos idos se chamou Estrada de Benfica, a partir das Portas de Santo Antão, quando os antepassados de Gonçalo para ali vieram, construindo suas casas. Estive a seu lado e em todo o tempo falou da necessidade premente de levar a cabo a salvaguarda da cidade e das suas raízes. O tema das hortas era uma antiga preocupação sua. Havia que deixar respirar as terras onde a urbe se implantava, designadamente ali junto da ribeira de Valverde. E invocava os seus combates na Avenida da Liberdade, para preservar o Parque Eduardo VII e a saída para Monsanto. Conhecedor profundo da história e da geografia, não esquecia os almocreves saloios que demandavam Lisboa e chamavam alfacinhas aos seus habitantes, num misto de ironia e inveja, por estes cultivarem as suas leiras... E se falava com preocupação do solo urbano, depressa passava para dois temas sempre presentes no seu entusiasmo: a paisagem global e o jardim do paraíso.

Guilherme d’Oliveira Martins

Mais atualidade

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 2

O candidato progressista Pedro Castillo venceu as eleições presidenciais do passado dia 6 no Peru. Matematicamente, a candidata conservadora, Keiko Fujimori, não tem mais hipóteses, mas continua a reclamar fraude, apesar de o Júri Nacional de Eleições do país ter afirmado que a disputa foi limpa. A Organização de Estados Americanos, que não pode, pelo seu histórico, ser acusada de "esquerdismo", reafirmou a lisura e o êxito das eleições. Castillo tomará posse no próximo mês.

João Melo

Paulo Baldaia

A razão dos ingleses, a irresponsabilidade de Marcelo e a hipocrisia dos liberais

Os ingleses, disseram-nos as autoridades do nosso país, quiseram tramar-nos, inventando um problema de contágios com as variantes indiana e nepalesa e uma duplicação de novos casos em três semanas, retirando-nos da lista verde e fazendo regressar a casa dezenas de milhar de turistas britânicos. De tudo se disse sobre as reais intenções do governo de sua majestade, como tudo se esquece, quando se confirma que os ingleses tinham razão. Há um problema sério com a variante indiana que, segundo os especialistas, já vale quase metade dos novos casos em Portugal. Três em cada quatro na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Paulo Baldaia

Evasões