Atualidade

Opinião

Catarina Carvalho

A credibilidade é o modelo de negócio do jornalismo

Na semana passada, numa aula de jornalismo, uma das minhas alunas apresentou um trabalho sobre Joacine Katar Moreira. A ideia era debater temas polémicos - o que, entre alunos que se propõem ser jornalistas, é basilar. O tema era livre, e a aluna escolheu a deputada do Livre - que era assunto polémico q.b., na altura, por causa da gaguez, inédita no Parlamento e que fez correr rios de tinta, provocou muitas opiniões divergentes e trouxe, mais uma vez, para o debate público uma violência e uma polarização como há muito não se viam.

Catarina Carvalho

João Céu e Silva

Nem só os futebolistas vão ao Maracanã

Quando Stefan Zweig fugiu da Europa em guerra exilou-se no Brasil. Gostou daquilo e, como era um fenómeno de popularidade mundial enquanto escritor, esse rasto de sucesso fez que a sua estada fosse bem melhor do que a vida dos seus conterrâneos perseguidos pela loucura de Hitler, nada que o fizesse esquecer a tristeza e em 1942 se suicidasse, num pacto final com a mulher. Dessa estada em Petrópolis e de duas anteriores visitas ao país ficou-lhe a vontade de escrever sobre a ex-colónia portuguesa e imprimiu as suas opiniões num ensaio intitulado Brasil, País do Futuro.

João Céu e Silva

Carla Bernardino

O muro e o arame farpado invisíveis

Uma imagem da beleza e do inconformismo aos 90 anos, mas com o braço direito partido, uma festa de 88 anos com um bolo com apenas duas velas - o sopro já não aguenta muitas mais -, ou uma solidão acompanhada de quem faz 92, a trincar a aliança e na companhia de amigos velhos: os que estão na fotografia e os poucos que restam na memória. O dinheiro não estica para pagar o lar, os medicamentos, as fraldas e a coragem. Três pessoas que têm estado a sós e esperam a ajuda de outras tantas para que cuidem delas. E há uma que as tem a todas, em parte, ao ombro e na carteira de uma pensão curta. Não são as três pessoas que estão sozinhas, são as quatro. Todas no limite de depressões e exaustões que não têm tempo para se curarem, mas que têm de se resignar e ser resilientes (para usar a expressão da nova felicidade e superação que se ouve em toda a parte).

Carla Bernardino

Como "hackear" bactérias para produzir tecidos de origem vegetal

Como "hackear" bactérias para produzir tecidos de origem vegetal

O mercado do design inteligente com organismos vivos é uma realidade, a pergunta é como se fabricam estes micróbios e como estes podem ser domesticados para satisfazerem as nossas necessidades.Quem tem a resposta é Christina Agapakis, diretora criativa da Ginkgo Bioworks: "O que nós fazemos é desenhar ADN. O ADN é o código da célula, o que lhe diz o que tem de fazer. Podemos desenhar novos comportamentos para as células, recolhendo ADN e genes de outros organismos e colocando-os dentro das bactérias." Parece fácil, mas tal como Jeff Lou, responsável de robótica da empresa, assegurava numa entrevista ao Boston Globe, "a biologia é a tecnologia mais poderosa do planeta e ainda não a compreendemos. Fazer design e engenharia com ela é difícil e devemos fazê-lo com respeito."Os biólogos transformam-se em designers e engenheiros, uma vez que deixam de observar e estudar apenas a biosfera para a modificar de modo a que tenham aplicações em inúmeras áreas: desde a agricultura à medicina, passando pela cosmética, pelas energias renováveis ou pela produção alimentar. Obviamente, uma atividade destas levanta alguma desconfiança e tem determinadas conotações éticas, não sendo novo numa vertente da ciência, que a genética esteja no centro das atenções. Para o mal... e para o bem.Os investidores estão a dedicar centenas de milhões de dólares a empresas como a Ginkgo Bioworks. Um capital que crescerá nos próximos anos até tornar a biotecnologia na grande indústria do futuro. Vijay Pande, pioneiro da inteligência artificial, declarava à Forbes que "a biologia se encontra agora no lugar que a ciência dos computadores ocupava há 50 anos. Por isso, investir nela é uma grande oportunidade." Se puserem as decisões nas mãos dos cientistas certos, "piratear" a vida, além de um grande negócio, será também uma grande ajuda para tornar o nosso mundo num lugar melhor.Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Maruxa Ruiz del Árbol, Cristina LópezTexto: José L. Álvarez Cedena

O homem que consegue voar

O homem que consegue voar

Nos jogos olímpicos de 1984, mais de 2,5 milhões de pessoas assistiram à chegada do futuro pela televisão. Naquele dia, um homem chamado Bill Suitor sobrevoou o estádio com uma mochila autopropulsionada como as que, até aí, só se tinham visto na banda desenhada ou no cinema. Era o culminar perfeito para uma cerimónia ao mais puro estilo de Hollywood e ao jeito dos excessos da era Reagan.O que nem toda a gente sabe é que aquela ideia, foi o plano B para resolver um problema de última hora. O estádio devia ter sido sobrevoado não por um ser humano, mas por uma imponente águia que fora intensamente treinada durante um ano para o evento. Porém, o pobre animal morreu quatro dias antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Por isso, naquele dia, Bill Suitor vestiu um macacão multicolor e pôs aos ombros aquela mochila, que se destinava a ser utilizada pelo exército dos Estados Unidos. O seu voo faz parte da história das Olimpíadas e da memória de muitas gerações que, ao vê-lo, imaginaram um futuro repleto de gente a voar pelas ruas das cidades.Foi, sem dúvida, este sonho de multidões voadoras que incentivou Michael Browning a passar toda a sua vida a idealizar os mais fabulosos aparelhos para voar. Embora tenha sido o seu filho, Richard, que se chegou à frente e conseguiu construir um fato voador que recorda o que Anthony Stark usa para se transformar no Homem de Ferro. Richard Browning é o fundador da Gravity, uma empresa através da qual desenvolveu, construiu e patenteou um sistema de voo pessoal. Durante os últimos dois anos, a empresa levou o seu fato a mais de 60 eventos em 20 países diferentes, demonstrando que é uma tecnologia viável. Assim, é possível que o futuro se tenha feito esperar um pouco mais do que se pensava nos anos oitenta, mas quem sabe não estará já a chegar...Entrevista e edição: Joel Dalmau | Azahara Mígel | David Giraldo Texto: José L. Álvarez Cedena