Atualidade

Opinião

Pedro Cruz

"Já posso ir ao banco?"

Foi uma tentativa de fazer humor, mas não teve graça. Nenhuma. A frase, infeliz, despropositada e inoportuna de António Costa quando vê aprovado o Plano de Recuperação e Resiliência merece uma análise mais profunda, não tanto ao que foi dito, mas mais ao que significa. (Noutros tempos, a resposta poderia ter sido: "Qual é a pressa?" Mas sabemos todos o que aconteceu ao senhor que não tinha pressa em convocar "diretas" e depois um congresso. Ele sabia que ia perder o partido e o poder. Como veio a acontecer.)

Pedro Cruz

Afonso Camões

Agarra que é turista!

Já entrámos no verão e apenas um quarto dos portugueses que podem gozá-las marcaram férias, sendo que metade dos que planeiam viajar tencionam fazê-lo cá dentro. A covid-19 insiste em manter-nos, a nós e aos outros, nesta espécie de reclusão domiciliária, mas foi preciso um ano de pandemia para demonstrar que o turismo, que chegou a representar quase 20% da riqueza que produzimos, é a indústria mais importante do século, como fator de criação de emprego e sustento de inúmeras outras atividades económicas.

Afonso Camões

Guilherme de Oliveira Martins

A tertúlia de moinho de vento

O debate de ideias não pode ser desvalorizado. O intelectual não pode ser substituído pelos comentadores das ideias gerais. Concordo com o meu amigo Luís Castro Mendes sobre a importância de sermos mais exigentes neste domínio. A democracia só progride através da ligação entre a capacidade de ver o futuro e de encontrar catalisadores de energias no sentido de responder à necessidade de tornar a sociedade melhor. Não há ação coerente e eficaz sem pensamento, e não há reflexão séria sem capacidade de ouvir. Não há projetos relevantes se não os basearmos na experiência e nos bons exemplos. Infelizmente, prevalece a tentação de limitar o debate político ao imediatismo e aos efeitos teatrais. Se olharmos atentamente a história política percebemos que só pode haver resultados práticos positivos se houver planeamento de médio e longo prazos e capacidade de mobilizar duradouramente as vontades da sociedade. As reformas estruturais não se confundem com o método do café instantâneo, é fundamental tempo e é ilusório julgar que se muda a sociedade contando apenas com opiniões superficiais ou modas passageiras. Eis por que razão urge refletir, dialogar, debater e encontrar soluções duráveis que possam antecipar, prevenir e mobilizar.

Guilherme d’Oliveira Martins

Mais atualidade

Patricia Akester e Filipe Froes

Portugal, Reino Unido e um corredor aéreo com síndrome de bipolaridade: ora abre ora fecha

No dia 3 de Junho com efeitos a 8 do mesmo mês, o governo britânico decretou na sequência de ajustes executados à política de quarentena que Portugal, o único país da União Europeia (UE) que constava da chamada lista de países verdes (em relação aos quais o governo britânico não exige confinamento de dez dias aquando do regresso ao Reino Unido) passaria da referida lista verde para a lista âmbar. A retirada de Portugal, destino turístico acarinhado desde há muito pelo povo britânico, da lista verde causou enorme desagrado aos turistas, à indústria de turismo e ao governo português. Emoção à parte, examinados os factos chegámos às seguintes constatações.

Patricia Akester e Filipe Froes

Nicolas Schmit

Nova Plataforma Europeia de Combate à Situação de Sem-Abrigo lançada

Há um ano, expressámos conjuntamente a nossa preocupação com o aumento do fenómeno dos sem-abrigo na União Europeia. Cada noite, na União Europeia, há pelo menos 700 mil pessoas sem abrigo. São mais 70% do que há uma década. Há homens, mulheres e crianças que dormem todas as noites na rua, em carros, tendas ou em alojamentos de emergência. Isto representa uma agressão à dignidade, ao sentimento de pertença e à própria vida. É inconciliável com os objetivos de uma Europa social forte. Não pode ser aceite como uma "fatalidade".

Nicolas Schmit, Ana Mendes Godinho e Yves Leterme

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 3

As mudanças progressistas, no sentido amplo e não isento de controvérsias, que estão a acontecer na América Latina nos últimos dois anos não devem ser motivo de ufanismos pelos que se identificam com esse campo político. Além da necessidade de discutir internamente os limites e ambiguidades de algumas dessas mudanças, assim como as possibilidades de expansão e modernização das propostas populares nos diferentes países, seria ingenuidade acreditar que esse sentido é unívoco.

João Melo

Evasões