Opinião

Anselmo Borges

O elogio da alegria verdadeira

1 "Faço o elogio da alegria, porque o único bem do Homem é comer e beber e alegrar-se; isto acompanhá-lo-á durante os dias da vida que Deus lhe concede viver debaixo do Sol. Vai, come o teu pão com alegria e bebe contente o teu vinho, porque, desde há muito tempo, Deus aprecia as tuas obras. Em todo o tempo sejam brancas as tuas vestes, e não falte o perfume na tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias que dure a tua vida fugaz que Deus te concedeu debaixo do Sol, os anos todos da tua vida efémera."

Anselmo Borges

Adriano Moreira

A espuma do tempo

Pelos motivos que citarei, voltei nesta data insegura, a recordar notas que elaborei num encontro de 2006, e repetir algumas, lembrado por Weber de que todo o saber será contestado. Isto porque parece que a capacidade de intervir com o discurso da cólera faz crescer o risco do desastre. Admitir que um discurso parlamentar possa ter como resposta desencadear movimentos de massas que desrespeitam templos, que apelam ao combate, que apoiam o recurso a violações sem fundamento em Livros Santos, tem que ver com a natureza internacional do Estado que os consente, ou que os apoia, ou que os inspira. Estamos então em face de um perigo que exige prudência, mas que não consente descaso. Exige que a teatrologia dos discursos não diminua a visibilidade dos desafios, tecendo um véu de ignorância sobre as exortações que de longe convidam a meditar sobre a decadência da Europa. É grave tomar os moinhos por gigantes; é pior tomar os gigantes por moinhos.

Adriano Moreira

Viriato Soromenho Marques

Romper o bloqueio

A26.ª conferência global sobre alterações climáticas (COP 26) decorrerá em Glasgow entre 31 de Outubro e 12 de Novembro deste ano. A situação internacional, quando o Planeta começa a afastar-se nas áreas mais vacinadas do auge pandémico, não é portadora de grandes promessas. A Covid 19 provocou uma diminuição nas emissões de gases de estufa e noutros impactos ambientais negativos. Mas isso foi passageiro, como quase tudo o que resulta de conjunturas exteriores à deliberação da vontade colectiva. O martelo pneumático do crescimento voltou ao trabalho na loja de porcelanas planetária. Com a agravante de que o carvão, o mais perigoso combustível fóssil, aparece como o grande vencedor. Não apenas nos países em vias de desenvolvimento, mas na própria Europa.

Viriato Soromenho-Marques

António Araújo

No pasarán

A culpa foi toda de um padre. No dia 9 de Julho de 1931, com tremendo aparato mediático, uma chusma de gente acorreu à Gare du Nord, em Bruxelas, para esperar um jovem repórter acabado de chegar das Áfricas. Na varanda da gare, um adolescente louro, fardado de branco e de chapéu colonial, dirigiu-se à multidão expectante, de megafone em punho, agradecendo-lhe a presença e o apoio nessa sua nova aventura. Nas fotografias da época, vemos crianças de colo, jovens iguais ao repórter, mulheres de sorriso aberto, senhores de chapéus de palhinha. Talvez ele ainda não fosse o fenómeno de popularidade mundial entre os "jovens dos 7 aos 77 anos", como viria a tornar-se mais tarde, mas Tintim já tinha à época uma quantidade apreciável de fãs, que acorreram prontamente ao chamamento do jornal Le Vingtième Siècle. Num golpe de génio, o seu director, o padre Wallez, decidira promover o novo álbum do herói organizando uma grande festa e publicando como suplemento daquela revista um convite para celebrar o regresso de Tintim a casa. A campanha publicitária passou pela contratação do actor Henri De Doncker, um jovem sósia do repórter, e pela oferta de "uma valiosa peça artística congolesa" aos primeiros compradores do livro, além de um cortejo com animais exóticos alugados a um zoo. Não era, contudo, uma novidade absoluta, pois no ano anterior já se ensaiara um regresso hollywoodesco de Tintim à Bélgica, vindo do País dos Sovietes, com um sósia de carne e osso a desembarcar na place Rogier. Agora, no entanto, a coisa funcionou melhor, com mais adesão de público, e Tintin au Congo converteu-se num best-seller juvenil da década de 30, sendo reeditado várias vezes. Em 1934, a editora Casternan assumiu a publicação das obras de Hergé e, dez anos depois, deu-se à estampa a última edição do álbum a preto e branco.

António Araújo

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Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

A velocidade das notícias falsas

A agência Reuter tinha por norma só difundir uma noticia após obter a confirmação através de três fontes distintas e independentes. A falsa notícia de uma agressão homofóbica em Madrid, reproduzida com todo o destaque por grande parte da imprensa madrilena é um grave aviso da prudência que se tem de observar em casos tão mediáticos como os alegados delitos contra homossexuais ou mulheres, atentados ambientais, terroristas ou financeiros. A fronteira entre o boato e a realidade é muito ténue. Usar dados erróneos é algo que sucede todos os dias e é perigoso, tanto para os analistas financeiros como para os científicos que investigam a pandemia de Covid 19. Errare humanum est.

Jaime-axel Baudrihaye

Victor Ângelo

A alma de Ursula e os canhões de Vladimir

A semana europeia recebeu duas grandes mensagens. Uma, a partir de Estrasburgo, é um apelo ao reforço da União Europeia. No essencial, é uma visão construtiva, apesar das dificuldades e dos desvios que estão a ocorrer nalguns estados-membros. A outra, proveniente de Moscovo, procura projetar força, na conceção clássica de poder militar. Esta última é uma mensagem perturbadora, de alguém que vê o futuro pelo prisma da confrontação. Não tem em conta as aspirações dos cidadãos, que querem paz e uma maior proximidade com o resto da Europa. E também não compreende que a cooperação e a interdependência entre blocos constituem as bases do progresso económico e social mútuo.

Victor Ângelo

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As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.