Atualidade

Opinião

Luís Filipe Castro Mendes

Uma ambulância pela manhã

Na emergência em que vivemos é difícil afastar o nosso espírito da urgência e do medo para o poder levar a passear lá onde a nossa liberdade nunca pode ser confinada. "Toda a felicidade do homem está na sua imaginação", dizia Sade, que foi um prisioneiro altamente criativo. Montaigne, por seu lado, fala-nos de um oficial de Alexandre, o Grande que, cercado pelos inimigos numa fortaleza, chicoteava os seus cavalos para encontrar alguma animação. A sombra da depressão, acédia dos antigos, melancolia dos modernos, paira sobre os nossos vultos isolados, deambulando entre um trabalho inseguro e um lar demasiado cheio ou demasiado vazio, olhando, já não por entre as barras de ferro atrás das janelas, mas para a televisão ou para o computador, pletóricos de imagens. A imaginação falece-nos então por excesso de imagens. Não temos cavalos que chicotear, a nossa própria desdita volta-nos para dentro e aquela pigritia que os escolásticos denunciavam como fruto da acidia enrola-nos passivos num sofá diante das fugidias imagens de consecutivas excitações.

Luís Filipe Castro Mendes

Assunção Cristas

Teletrabalho: pensar e regular

Há muito tempo sou defensora do teletrabalho como uma forma relevante e positiva de organização atual do trabalho. Encontrava-lhe e encontro vantagens múltiplas como a melhoria da conciliação trabalho-família, a possibilidade de ocupar o território de forma mais equilibrada, promovendo a fixação fora dos grandes centros urbanos, ou a supressão de deslocações, com eficácia na gestão do tempo e impacto positivo no ambiente. Porém, sempre entendi que o centro da opção pelo teletrabalho deveria estar no trabalhador e na forma como este modo de trabalhar se ajusta ou não às suas condições e circunstâncias de vida muito concretas. Mesmo em tempo de normalidade, sem crianças com aulas à distância, a natureza das pessoas e a dinâmica própria de cada casa pode favorecer ou desaconselhar o teletrabalho.

Assunção Cristas

Mais atualidade

Margarita Correia

As cerejas, as ideias e o alfabeto

As conversas são como as cerejas, vêm umas atrás das outras. O mesmo se pode dizer das ideias e dos temas destas crónicas. A primeira ideia para a crónica desta semana foi a educação, pelo facto de, em 2018, a Assembleia Geral das Nações Unidas ter instituído o dia 24 de janeiro como Dia Mundial da Educação. Porém, como as celebrações da UNESCO decorrerão na próxima segunda-feira, dia 25, decidi reservar o tema para a próxima crónica.

Margarita Correia

Henrique Burnay

Afinal há condições

Uma das grandes dúvidas sobre o uso do dinheiro europeu do Plano de Recuperação e Resiliência era saber se a União Europeia (UE) ia deixar que cada país gastasse como quisesse, desde que cumprisse vagamente as regras de investir na recuperação verde e digital e fizesse o dinheiro chegar rapidamente à economia, ou se ia mesmo impor objetivos e o cumprimento das reformas indicadas no Semestre Europeu, o instrumento da UE pensado para transformar e coordenar as economias nacionais. Uma notícia da Lusa, que o jornal Eco publicou na semana passada, parece desfazer as dúvidas.

Henrique Burnay

João Pacheco

O que (não faz) falta!

O debate das rádios (Antena 1, Rádio Renascença e TSF), dedicado às presidenciais, cumpriu o seu propósito, com notável moderação e genericamente com boa argumentação. O estado de emergência dominou uma boa parte do debate, sobretudo a inicial, num instante demorado preenchido pela pandemia, sem impedir a discussão daí em diante, sobre a justiça, os poderes do Presidente, a Constituição, a formação do Governo dos Açores, passando, entre outros assuntos, pela regionalização. Tudo quanto, na minha opinião, importa para estas eleições e é possível introduzir e desenvolver num debate deste género. Pelo calendário - por ser o último encontro previsto entre todos os candidatos, antes do próximo dia 24 - e pelo contexto da pandemia - que transformou os media no palco primordial da campanha eleitoral - o debate nas rádios teve um papel importante, dentro daquilo que é a sua influência relativa na opinião pública e, em particular, no eleitorado.

João Pacheco

Rogério Casanova

Stanislavski e bananas Chiquita

Ainda não foi desta. As filmagens da segunda adaptação de The Stand (agora em exibição na HBO Portugal) terminaram a 12 de Março de 2020, antes de uma sucessão de restrições e lockdowns limitarem ou cancelarem a produção televisiva durante meses. A pontaria cronológica parecia um sinal promissor; mais de 25 anos depois da primeira tentativa, a nova oportunidade para adaptar ao pequeno ecrã a obra-prima de Stephen King iria surgir numa realidade pandemicamente reajustada à premissa do livro.

Rogério Casanova

Desporto

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