Atualidade

Especial

Cirurgiã de Angelina Jolie: "Temos o poder de reduzir o risco de cancro da mama"

Mama: Manual de Instruções [ed. Lua de Papel] é o título do livro da cirurgiã norte-americana Kristi Funk, que operou a cantora Sheryl Crow (que assina o prefácio) ou a atriz Angelina Jolie, entre milhares de outras mulheres, e tem dedicado a carreira ao cancro da mama. O livro, muito claro e escrito num tom bastante coloquial e até divertido, pretende, e consegue, ser um guia para ajudar mulheres de todas as idades a protegerem-se e lutarem contra a doença: reduzir o risco, compreender o diagnóstico, fazer as escolhas certas. Texto de Catarina Pires Outubro é o mês internacional da [...]

Opinião

Tancos como sintoma

O caso Tancos é sórdido sob todos os ângulos. Tanto na opacidade tornada transparente do assalto e devolução das armas como no urdir, entre alguns responsáveis militares e políticos, de uma pusilânime rede de encobrimento, como ainda no modo como o assunto foi usado pela oposição de direita, qual instrumento de arremesso à falta de melhor, na campanha eleitoral. Contudo, o caso Tancos é um sintoma de uma doença muito maior do que a mediocridade das lógicas partidárias. Ele confirma, pateticamente, uma paradoxal incapacidade da 3.ª República - nascida da ação insurgente de um modelo de Forças Armadas (FFAA) que soube submeter-se ao princípio republicano da subordinação ao poder civil democrático que ajudara a criar - para perceber o papel e a importância das FFAA nessa tarefa, mais hercúlea do que a maioria imagina, que é a de manter Portugal como um país viável nas próximas décadas onde se decidirá o futuro a longo prazo.

Viriato Soromenho-Marques

Governantas

"Um homem não se consegue governar sozinho", resignava-se a minha avó, que passou grande parte da vida a cozinhar, a limpar e a arrumar. Dizia governar-se como quem queria dizer arranjar-se ou orientar-se. E dizia-o com uma certa condescendência. Coitados dos homens, como haveriam eles de se governar sem uma mulher em casa a passar-lhes as camisas a ferro e a fazer-lhes o almoço? Um homem tinha de pensar em assuntos importantes, tinha de trabalhar e ganhar dinheiro, tinha lá "as coisas dele" para fazer, precisava de alguém que lhe cuidasse das minudências. Alguém que tratasse do "governo da casa", essa arte cultivada pelas mulheres que (ainda há pouco tempo) liam os livros da Laura Santos, com títulos como Noiva, Esposa, Mãe ou A Mulher na Sala e na Cozinha, livros com capas duras e imagens de mulheres perfeitas, que ensinavam a tratar de bebés e a limpar os estanhos.

Maria João Caetano

"Não estou a fazer nada"

As oito letras da palavra "governar" correspondem, segundo o dicionário, a "exercer o governo de, administrar, gerir, dominar ou imperar", entre outras possibilidades. É verdade que estes significados não são desconhecidos da maioria dos portugueses, no entanto, as recentes eleições explicaram melhor que, ao verem surgir os resultados eleitorais, "exercer o governo" não era a primeira preocupação dos eleitores (e comentadores), preferindo antes conjugar os dois últimos significados: dominar ou imperar. Era só disso que se falava face aos números que o governo precisava para ser o dono do país durante quatro anos enquanto se faziam apostas sobre os partidos que teriam de se deixar "dominar" para que houvesse um futuro a quatro anos.

João Céu e Silva

Blasfemos, graças a deus

Os Monty Python entraram algures nos ecrãs da RTP, talvez ainda a preto e branco - falha-se-me a memória e o Dr. Google não ajuda -, com aquele pé a esmagar um homem num genérico que antecipava já o humor desconcertante de travo surrealista e maluco, verdadeiramente louco, que ainda hoje nos faz rir a bandeiras despregadas. Monty Python's Flying Circus está cheio de episódios desses, como a Inquisição Espanhola, Spam ou as Avozinhas do Inferno, entre dezenas e centenas de outros, que ocupariam páginas e páginas.

Miguel Marujo

A salto

Um dia desapareceu. Não fez avisos, não deixou carta, nenhuma explicação. Simplesmente deixou de aparecer na loja de tecidos do velho tio que, mais por piedade, o acolhera. António atendia às vezes ao balcão e até encantava as senhoras da boa sociedade provinciana, mas quando a conversa passava para os tecidos a coisa descarrilava. António não distinguia um tweed de um algodão, uma seda de um linho fino, ou de uma chita barata. E o pior, invetivava o tio, irrepreensível no seu fato de bom corte, era que António não queria aprender. O jovem olhava-o com um olhar sonhador, dizia "sim, meu tio", e calava-se.

Filomena Naves

O estúdio de efeitos especiais que criou a personagem Benjamin Button

Muitos dos filmes que melhores (e também piores) momentos proporcionaram aos espectadores têm como elemento comum a utilização dos efeitos visuais ou efeitos especiais para criar a ilusão de mundos ou criaturas imaginárias. Por vezes belos, por vezes terríveis, mas sempre – mesmo com recurso a tecnologias muito rudimentares – assombrosos. Já num ano tão longínquo como 1933, Merian C. Cooper conseguiu aterrorizar meio mundo com o seu King Kong, o gigantesco símio que se tornou, desde então, um ícone da cultura popular. Diz-se mesmo que, numa primeira edição do filme, o público desmaiava ou saía espavorido da sala perante algumas cenas que foram posteriormente eliminadas. Na verdade, a lenda soa melhor do que a realidade, dado que, ao que parece, as míticas cenas foram cortadas por Cooper por um motivo muito mais prosaico: abrandavam o ritmo da história. Outros pioneiros, como George Pal ou Ray Harryhausen, conseguiram criar autênticas fantasias visuais com marionetas, desenhos, miniaturas, látex, maquetas e explosões. Hoje em dia, todos estes truques foram substituídos por software muito sofisticado e por potência de computação, mas há algo que permanece: a imaginação para fazer parecer real algo que não existe. Darren Hendler, diretor do Digital Human Group na Digital Domain, dedica-se há 25 anos aos efeitos especiais no cinema, tendo participado em alguns dos maiores sucessos de bilheteira das últimas décadas. Pelas suas mãos – e pelos seus computadores – passaram monstros e personagens que fazem parte da nossa memória cinematográfica. Precisamente para se manter na vanguarda da indústria, o seu trabalho teve de evoluir: "Nos dois últimos anos, centrei-me mais na parte tecnológica do cinema, no que é possível fazer, e, sobretudo, na chegada da aprendizagem automática e no modo como podemos transformar o que fazemos e levá-lo mais longe."As proezas tecnológicas da Digital Domain incluem ter tornado credível um Brad Pitt idoso na notável fantasia de David Fincher "O Estanho Caso de Benjamin Button" ou ter permitido que Josh Brolin desse alma a Thanos, um personagem incontornável da saga Vingadores, graças aos sofisticados sistemas de captura de movimento com que registaram todos os gestos do ator. Porém, uma das mais comentadas contribuições do estúdio para a história recente do cinema foi, sem dúvida, ter "ressuscitado" uma Carrie Fisher jovem para fazer uma aparição estelar em "Rogue One: Uma História de Star Wars". Por trás do rosto de Fisher, escondia-se a atriz norueguesa Ingvild Deila, que garante ter enfrentado o desafio de interpretação de uma forma "muito mais técnica" do que o habitual, concentrando-se "nas coisas que Carrie fazia com os olhos ou no modo como mexia a boca."A possibilidade de voltar a contar com rostos icónicos da história do cinema graças à tecnologia, apesar de os atores ou atrizes já terem falecido, abriu um debate na indústria que, pelos vistos, não terá fim tão cedo. Entretanto, Darren Hendler acredita que as possibilidades dos efeitos visuais continuarão a crescer: "Vai demorar algum tempo até alcançarmos os 5% que faltam para que alguém possa entrar em cena e interpretar em direto uma pessoa diferente." Quando esse limite for superado, todos teremos de começar a preparar-nos para a invasão de ressuscitados que nos cairá em cima.Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Noelia Núñez, Douglas BelisarioTexto: José L. Álvarez Cedena

A programadora prodígio de 11 anos que já tem a sua própria empresa

O verão é a época alta das contratações futebolísticas. À falta de outras notícias relevantes, os meios de comunicação social dedicam muito tempo aos vaivéns do mercado de jogadores. Nomes importantes e números milionários entretêm os adeptos de futebol até ao início do campeonato. Mas o tema das contratações não é exclusivo do desporto. No mundo empresarial em geral, e no das grandes empresas tecnológicas em particular, a busca de talento jovem é uma constante. Descobrir os mais novos com aptidões especiais e convidá-los a entrar para as suas empresas é um investimento de futuro que pode marcar a diferença em relação aos concorrentes dentro de alguns anos. Nesta corrida, Samaira Mehta, uma pequena programadora de onze anos, é uma das estrelas mais cobiçadas. Não é em vão que os seus passos já são seguidos de perto por dois gigantes como a Google e a Microsoft.Os feitos que levaram Samaira a estar em todas as listas de futuras figuras relevantes na tecnologia são impressionantes devido à sua tenra idade. É a fundadora e diretora executiva da CoderBunnyz, uma empresa que se dedica a ensinar programação através do jogo, já deu mais de 50 aulas a cerca de 2000 raparigas e rapazes, os seus jogos são utilizados em mais de cem escolas dos Estados Unidos e foi a vencedora do prémio Youth Entrepreneur. A sua história até chamou a atenção de Michelle Obama, que lhe enviou uma carta em 2016 para a felicitar e incentivar a continuar a progredir.Se, com o seu primeiro jogo de tabuleiro, o objetivo de Samaira era conseguir que as crianças aprendessem a escrever código, com o segundo (chamado CoderMindz) quer ensinar-lhes noções de inteligência artificial. E nada parece deter esta pequena programadora que se afeiçoou aos computadores e às linguagens informáticas aos seis anos, graças ao seu pai Rakesh Mehta, engenheiro na Intel. Samaira continua a inventar e a espremer tudo o que acontece ao seu redor para o transformar numa aprendizagem contínua que lhe permita avançar. O seu objetivo é ajudar o mundo através da tecnologia e já demonstrou que não é das que se rendem, tal como expressa na sua frase preferida: "Não te preocupes com o fracasso. Preocupa-te com as oportunidades que perdes por não tentares."Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Azahara Mígel, Pedro García Campos, Cris López Texto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Ex-diretora da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, na Web Summit

Depois de Christopher Wylie o ano passado, Web Summit anuncia outra das delatoras do escândalo Cambridge Analytica e protagonista do documentário The Great Hack: Brittany Kaiser. Evento aposta forte no tema da privacidade na era digital. De estrela em ascensão na venda de serviços com base em dados analíticos para influenciar eleições da Cambridge Analytica, a delatora quando começaram a surgir as primeiras acusações de uso indevido de dados de utilizadores do Facebook. A norte-americana Brittany Kaiser diretora de negócio na empresa britânica e depressa se tornou em persona non grata, acabando mesmo por ajudar a levar ao fim da empresa e [...]

NASA mostra imagem detalhada do centro da galáxia e promete mais descobertas

NASA partilha foto da Via Láctea para mostrar como novo telescópio poderá trazer novidades misteriosas do centro da galáxia. O centro da Via Láctea - onde fica o planeta Terra - é uma zona onde existem milhões de estrelas, num ambiente de fortes radiações ultravioleta e de raio X e que giram em torno de um buraco negro com a massa de quatro milhões de estrelas como o nosso Sol. Apesar do manto de poeira e gás dificultar a visualização de toda essa atividade, em 2006, o telescópio Spitzer da NASA conseguiu ultrapassar o nevoeiro com os seus sensores infravermelhos e chegou a produzir uma imagem sem precedentes. [...]

V Digital

Legislação laboral: setor do trabalho temporário "expectante" em relação à nova taxa de rotatividade

Trabalho temporário passou quase sem mudar pela revisão das leis laborais. Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Setor Privado de Emprego e de Recursos Humanos (APESPE RH) faz um balanço positivo, com dúvidas sobre a nova taxa de rotatividade. Estima-se que os trabalhadores temporários rondem a 150 mil pessoas, ou perto de 3% da população ativa, com peso maior na hotelaria, indústria automóvel e nos call centers.

Príncipe Harry e Ed Sheeran: os ruivos unem-se pela saúde mental

São dois dos ruivos mais famosos do mundo e juntaram-se num vídeo que assinala o Dia Mundial da Saúde Mental. O príncipe Harry e o cantor Ed Sheeran têm uma mensagem simples: "olhe por si, pelos seus amigos e pelos que o rodeiam" e, se for o seu caso, "não sofra em silêncio", "peça ajuda". Mas até lá, protagonizam uma rábula em que o intérprete de "Shape of You" cai no equívoco de achar que o encontro com Harry está relacionado com o facto de ambos serem ruivos.