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Damasceno Dias

A ternura dos "60"

À medida que o mercado de trabalho se estreita e a contenção obriga a racionalizar cada vez mais os recursos humanos, para além do flagelo do desemprego que tal acarreta, começa a emergir no nosso tecido organizacional uma outra realidade; o que fazer com as pessoas com mais de 60 anos - o(a)s tais, que estão conotado(a)s com o mito de que não gostam de trabalhar à mediada que a idade da reforma se aproxima e que são muito caros para a energia que as organizações nos tempos modernos precisam? Enfim, estereótipos baseados em idade que estão cada vez mais impregnados na nossa sociedade.

Damasceno Dias

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Guilherme de Oliveira Martins

Pedro Tamen

"Um pequeno pedro a correr pelo campo / entre latadas outras, com suas ágeis mãos, / haveria, seria, teria sido, iria / correndo, correndo, correndo até um dia. / Cresceria rosado, entre tosse e sarampo, / teria pé ligeiro e apetites sãos / entre garfo e colher, entre ver e viver, / haveria, haveria, entre nada e não ser" (Rua de Nenhures, p. 69). Revisitamos o "pequeno pedro", e não esquecemos o que nos legou em palavra e sentido. E isso leva-nos a revisitá-lo, porque continua a marcar os nossos dias. Quando António Alçada Baptista transformou a Livraria Morais da Rua da Assunção num polo de renovação humana e religiosa, Pedro Tamen entrou como seu sócio, juntando-se-lhes João Bénard da Costa, Nuno Bragança, Luís de Sousa Costa, Helena e Alberto Vaz da Silva. Foi então que, vindo da revista universitária Encontro, lançou o célebre Círculo de Poesia, que ostentava o inesquecível símbolo solar de José Escada. Aí publicou O Sangue, a Água e o Vinho e animou as coleções Círculo do Humanismo Cristão e O Tempo e o Modo. À "poderosa força da inércia" havia que contrapor, com determinação, a "frágil força da mudança", e um grupo de jovens propôs-se agitar as águas no pensamento e na ação. Pedro Tamen formulou o programa - simples e claro, em palavras emblemáticas: "A ação começa na consciência. A consciência, pela ação, insere-se no tempo. Assim, a consciência atenta e virtuosa procurará o modo de influir no tempo. Por isso, se a consciência for atenta e virtuosa, assim será o tempo e o modo." A Morais afirmou-se como pioneira na reflexão dos grandes temas do Concílio Vaticano II e a revista O Tempo e o Modo concretiza-se em 1963. António Alçada Baptista é proprietário e diretor, João Bénard da Costa, chefe de redação, Pedro Tamen, editor, contando com a participação de Nuno Bragança, Alberto Vaz da Silva e Mário Murteira. Era uma revista que seguia os passos de Emmanuel Mounier, que fizera em 1932 a revista Esprit como um lugar de encontro de católicos e não católicos. Daí a entrada de Mário Soares, Francisco Salgado Zenha e do jovem dirigente estudantil Jorge Sampaio.

Guilherme d’Oliveira Martins

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As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.