Atualidade

Opinião

Sebastião Bugalho

Bonaparte, 200 anos depois

Cumprem-se hoje dois séculos da morte de Napoleão Bonaparte, corso, francês e europeu, falecido na remota ilha de Santa Helena em maio de 1821, calvo, obeso e doente. Imperador originalmente jacobino, tirano e homem de Estado, génio militar derrotado por distração, libertador e invasor, romântico e mulherengo, anónimo feito imortal, saiu deste mundo com 51 anos e um cancro, que autodiagnosticara com uma certeza que a autópsia confirmaria. Os seus últimos dias, no derradeiro exílio a que Inglaterra o sujeitou, foram tristes, ébrios e solitários, com avolumadas encomendas de vinho, longos banhos de imersão e um clima atlântico a que realmente nunca se acomodou. "Este calhau miserável" era a descrição que escarnecia da sua morada final. Os visitantes, quando os havia, pediam-lhe que relatasse batalhas e feitos do seu tempo, aos quais correspondia, abrindo mapas em cima da mesa de bilhar, segurando-os ao tapete com o peso das bolas e tratando a memória das suas vitórias "como um amante se lembra das suas paixões".

Sebastião Bugalho

José Ribeiro e Castro

A história como esperança

A história é uma narrativa: investigação, estudo, conhecimento, narrativa. Conta-nos factos passados. Ao construir identidades e relações, é um recurso. Desenhando um sentido, um caminho, e afirmando grandes marcos, é esperança. Não falo da História do Futuro, do padre António Vieira, nem enveredo pelos ventos da história. Verifico apenas que tendemos a olhar também a história como fonte de inspiração para o futuro. Se isso que queremos para o futuro é bom e se a inspiração que tiramos da história é boa, então isso é manifestamente um bem: um bem espiritual, um bem social, um bem político. É a história como esperança, fonte dos "nunca mais", alimento dos "mais além".

José Ribeiro e Castro

Maria da Graça Carvalho

Um passaporte para a normalidade

A aprovação pelo Parlamento Europeu, na semana passada, do Certificado Verde Digital é um passo muito importante rumo à normalização das nossas vidas. A mobilidade internacional representa muito para as pessoas cujas atividades implicam deslocações frequentes, para os emigrantes que esperam reunir-se com as suas famílias, e para setores que dependem dos visitantes estrangeiros, como o turismo e a cultura, sobretudo a cultura ligada aos museus, património histórico e grandes eventos.

Maria da Graça Carvalho

Jorge Costa Oliveira

O sapo no poço não conhece o grande oceano

O título deste artigo é um provérbio japonês que tem origem numa conhecida fábula chinesa (O sapo no fundo do poço) imortalizada por Zhuang Zi, filósofo taoista do século IV a.C. Reza a fábula que um sapo vivia no fundo de um poço esconso, a partir do qual se divisava apenas, no topo, alguma luminosidade e um pequeno pedaço do céu. Um dia, passou pelo poço uma tartaruga a quem o sapo contou que ali tinha vivido toda a sua vida e como estava feliz no poço, contente com a vida que levava, pois possuía o poço inteiro e podia fazer o que quisesse: ali cantava, dançava, descansava nas fendas dos tijolos do poço, divertia-se com o lodo e o musgo, e como era feliz por ser dono da água e dono do poço. A tartaruga perguntou-lhe porque não saía do poço e ia ver o mundo. O sapo sorriu com desdém: "Que mais poderia haver? A que mais poderia aspirar?" Para ele, o poço, e o pedaço de céu que via do poço, eram o mundo inteiro.

Jorge Costa Oliveira

Mais atualidade

Pedro Melo

A RTP e as touradas

Cresci e vivi em Santarém uma grande parte da minha vida. É, na verdade, a minha terra. Desde cedo, comecei a ver touradas, picarias e largadas de touros. Eram sempre dias de festa que reuniam centenas de pessoas vindas de muitos pontos do país. Em dimensão muito mais reduzida, é certo, assisti também a várias festas com touros numa pequena praça que montavam no Verão, em Ourique, ao lado da casa dos meus avós, o que também motivava forte animação local. É um espectáculo que muito aprecio, sentimento este que é comungado por milhares de outros portugueses.

Pedro Melo

João Ribeiro de Almeida

Uma língua para todo o mundo

Para regozijo dos muitos milhões que através dela se expressam nas mais variadas geografias do nosso planeta, a língua portuguesa (LP) viu consagrado, desde 2020, o seu Dia Mundial, passando a integrar um (aliás restrito) grupo de outras seis línguas com idêntico reconhecimento, conferido pelo sistema das Nações Unidas através da UNESCO, após uma mobilização sem precedentes de todos os países que constituem a CPLP. Essa satisfação é ainda mais marcada, para todos aqueles que falam a nossa língua, porquanto se tratou da primeira vez que esta distinção foi concedida a um idioma que não é língua oficial na ONU.

João Ribeiro de Almeida

Carlos Branco

As Forças Armadas e a reforma do que falta reformar

A ausência de razoabilidade no que se tem escrito e lido sobre a reforma da estrutura superior das Forças Armadas (FA) merece meditação. A superficialidade da argumentação por muitos utilizada leva-nos a crer que certos articulistas não chegaram sequer a ler os documentos que pretendem comentar. Chamaria a isso a análise da sound bite. Antes de mais, afirmo que não faz sentido fazer uma reforma da estrutura superior das FA, sem fazer uma reforma da defesa. Mais grave é confundir FA com defesa, tentar fazer uma reforma da estrutura superior das FA, e chamar-lhe reforma da Defesa. Porque há de facto um longo caminho a percorrer em matéria de eficiência organizacional, devo começar por afirmar que defendo inequivocamente uma reforma da estrutura superior da Defesa, não o arremedo pífio limitado às FA aprovado em Conselho de Ministros e que será brevemente submetido à consideração da Assembleia da República.

Carlos Branco

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