Atualidade

Opinião

Augusto Santos Silva

Conhecer para nunca esquecer

Há um ano, o Papa Francisco invocou este dia como o Dia da Consciência, colocando-o e a nós todos sob a inspiração do diplomata português Aristides de Sousa Mendes. Em 17 de junho de 1940, o então cônsul em Bordéus começou a atribuir maciça e indiscriminadamente vistos a pessoas que fugiam da ocupação nazi de França. Fê-lo em manifesta violação das ordens recebidas de Salazar, e por isso haveria de ser demitido e perseguido. Mas entendeu que devia obediência à sua própria consciência - e o que a sua consciência lhe ditava era contribuir para o salvamento do maior número possível de vidas humanas. Por isso tem toda a razão o Papa Francisco para considerar o dia 17 de junho como Dia da Consciência e escolher Aristides como seu patrono.

Augusto Santos Silva

Jorge Moreira da Silva

A arquitetura global já está a mudar

Não me recordo de nenhuma crise global que não tenha dado origem à criação de novas instituições ou a uma reconfiguração da arquitetura global. Por maioria de razão, também esta pandemia covid-19, que, evidenciando a interdependência entre todos os países e a dimensão multidimensional das crises, agravou as desigualdades dentro e entre países, terá de dar origem a um reforço do multilateralismo e da cooperação internacional. Mas não nos equivoquemos: estas reformas raramente se anunciam com solenidade e na maioria dos casos concretizam-se através de pequenos passos, pelo que, em regra, só a posteriori nos apercebemos da dimensão estrutural da mudança. Noutros artigos, já me referi a um exemplo concreto de mudança na arquitetura global: a criação da coligação das vacinas (Covax) que, juntando quase 200 países, desempenhou um papel crucial na aceleração da investigação, do desenvolvimento e da produção das vacinas e, apesar da lacuna financeira que ainda enfrenta, na distribuição de vacinas aos 92 países de rendimento baixo ou médio. Hoje, quero chamar a atenção para sinais que evidenciam outra mudança: o reforço do papel do G7 e do G20 na arquitetura internacional.

Jorge Moreira da Silva

Jorge Conde

Queremos voltar atrás?

Temos vivido os últimos dias na incerteza do rumo do país face ao desconfinamento e à evolução da pandemia. Há algumas semanas, os indicadores pareciam garantir uma evolução de sentido único, com cada vez menos doentes, óbitos e doentes graves. Entre os idosos já vacinados, a pandemia passou a ter uma expressão irrelevante. Foram aumentando os que contribuíram para a diminuição do confinamento. A abertura dos estabelecimentos comerciais, a retoma da restauração e da hotelaria, o aumento dos movimentos de pessoas, quer em trabalho quer em lazer, dão outro ânimo aos diversos setores. Em suma, podemos dizer que há dias tudo parecia encaminhado para a nova normalidade tão aguardada por todos.

Jorge Conde

Evasões

Notícias Magazine