Manchete

Opinião

Quem manda?

Uma das poucas coisas óbvias sobre o que o Presidente Macron prometeu ao povo para acalmar - sem grande sucesso - os gilets jaunes é que aquilo tem um custo que não é compatível com as regras orçamentais a que França está obrigada por força de fazer parte da União Europeia e, sobretudo, da zona Euro. Um problema parecido com o que Itália tinha. Só que Itália é uma economia irreformável em pré-colapso há vários anos, governada por populistas com vontade de esbanjar dinheiro para agradar ao povo.

Henrique Burnay

PremiumAmor elétrico

Há uma enorme fungibilidade na cama entre o homem e o saco de água quente. Tenho pensado muito nisto neste inverno que tardava, mas que mal chegou me desaconchegou. A existência de um objeto que satisfaz uma necessidade torna o antigo provedor dessa função desnecessário. E sem função, mais solto, o ludismo apodera-se do espaço deixado, qual Quim Júlio que percebe que o que atraía nele era quilojoule, e não ele em si, a sua perna, o seu cheiro, e coloca parte da sua masculinidade em casa em causa. Parte da sua masculinidade numa versão reconstruída, moderna, antropocêntrica, romântica, porque se ele pensasse na sua masculinidade enquanto tal percebia depressa que lá no âmago sempre esteve o calor. A infidelidade térmica é das mais frias que se pode cometer, precisamente porque no início o que juntou foi o quentinho. Contra este problema há estratégias várias, ignorar, atacar, argumentar. Na argumentação a melhor é a da segurança, que os sacos de água quente, dildos térmico-emocionais, são responsáveis por milhares de acidentes terríveis no mundo inteiro, pernas queimadas, famílias dilaceradas. Basta uma pesquisa rápida e não há tabloide sem sexagenária escaldada, a perna diabética, adormecida, apenas a dar o alerta quando a água do saco já tinha cozido a carne toda. Um dia acontece-me a mim, se o tsunami chegar ao meu lugar da cama. Não há lugares cativos. Aquilo que pode ser substituído deve ser substituído, há um problema de transição, um dever de apoiar e ajudar na transição, mas uma sociedade não pode manter por manter funções em que alguém pode ser substituído por uma máquina. Penso nisso sempre que passo numa portagem e entrego um cartão a uma pessoa que mo devolve com um talão. Receber dinheiro, fazer trocos, dar talões é uma função que ninguém devia ter de desempenhar, e o objetivo devia ser que ninguém tivesse de o fazer num curto espaço de tempo, ajudando na transição aqueles que isso fizeram e fazem. Mas no inverno que chega tarde mas abrupto ninguém se preocupa com transições. Uma das coisas mais fascinantes é a importância e tempo que as nossas cabeças dedicam às coisas. Por exemplo, passei mais de meia hora agora mesmo a procurar informação sobre o papel que a temperatura corporal joga na atração sexual, encontrei informação fascinante. Mas o mais fascinante de tudo foi um livro sobre a cama conjugal, conjugal leia-se partilhada - Two in a Bed: The Social System of Couple Bed, do Paul C. Rosenblatt, psicólogo americano, de 2006. Estudar, pensar, escrever sobre isto, há quem tenha vidas interessantes, mais interessantes do que a minha. Mas enquanto li sobre isso, que pouco me ajudará a mim e ao mundo, não li sobre coisas mais importantes do que isso tudo. E é essa a dúvida, por que não conseguimos estar sempre e apenas focados naquilo que interessa? Porque não somos máquinas, dirão uns. Enquanto escrevo há uma máquina a trabalhar por mim. O novo aspirador automático Roomba, no quarto lá de dentro, a limpar (não escrevas o esterco) as marcas normais de uma família com numerosas crianças, inteligente com sensores a calcular o percurso, a voltar atrás onde há mais marcas, e tudo acompanhado pela app no telemóvel, a sensação (ilusão) de controlo. Chama-se Rodolfo o aspirador, foi a Laura que escolheu o nome, nome de homem que limpa a casa, um puxa trenós do pó do chão. Quando a Laura nasceu, na primeira vez que saiu de casa fomos todos andar de elétrico com ela. Uma espécie de batismo de cidade, batismo de rua, de gente, de gentes da gente. Enquanto aquilo sacolejava pensámos que talvez quem dizia que éramos irresponsáveis tivesse razão, podia a bebé (as pessoas que alertam dizem sempre a bebé no feminino) morrer esmagada entre um o varão e um turista calmeirão, americano do Colorado, very typical the baby. Foi há 11 anos, no 28. Ontem foram 28 os feridos do 25, elétrico que descarrilou na Lapa, talvez farto de uma vida toda nos eixos.

João Taborda da Gama

DN Life

Um bom pai faz "como os antibióticos: uma asneira de oito em oito horas"

Do que se queixam as crianças? Quais as suas reclamações? O que não gostam que os pais façam? Estas eram algumas dúvidas que Eduardo Sá tinha antes de preparar o seu mais recente título. O Livro de Reclamações das Crianças reúne protestos e lamentos, compilados pelo psicólogo, especialista em educação parental, que há mais de trinta anos ouve famílias... para tentar ajudá-las a ouvirem-se melhor. Uma conversa em que se falou também de castigos, avós, professores e do poder do sexto sentido. Entrevista de Paulo Farinha | Fotografias de Filipa Bernardo/Global Imagens Este Livro de Reclamações das Crianças nasceu de [...]

Está sempre a esquecer-se de coisas? Esta solução pode ajudar

Quantas vezes deixou passar um compromisso importante, esqueceu-se do pin do telemóvel, não sabe onde guardou as chaves de casa? Se é daquelas pessoas que está constantemente a esquecer-se de tudo, mesmo quando tomou nota de antemão, este artigo é para si. Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock Uma nova pesquisa publicada no jornal Experimental Aging Research sugere uma forma mais eficaz para nos ajudar a lembrar não só dos momentos importantes mas das pequenas coisas do dia-a-dia: fazer desenhos. Desenhar estimula o cérebro de forma diferente da escrita, uma vez que força-o a processar informação visual, [...]

Ser (mais) feliz não é assim tão difícil

Encontrar a felicidade nem sempre é tarefa fácil. O mercúrio retrógrado, o mau tempo, a falta de paciência para o chefe ou os 200 e-mails por ler. Tudo é desculpa para não se sentir bem. No entanto, o site Blinklist decidiu ler vários livros sobre felicidade e retirou os melhores conselhos que encontrou. Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock Aumenta a produtividade, dá anos de vida e é melhor para a saúde. Estas são algumas das conclusões de vários estudos sobre a felicidade. Na Google, por exemplo, uma equipa de economistas comportamentais identificou uma melhoria de cerca de 12 [...]

DN Ócio

Quinta do Crasto lança Porto com 140 anos e um tinto que é uma celebração

É uma dupla celebração e uma dupla edição. Para assinalar os 400 anos de história e o século nas mãos da mesma família, a Quinta do Crasto lançou um Porto com 140 anos, em que cada garrafa custa 5500 euros, e um tinto de mesa que junta a vinha Maria Teresa com a vinha da Ponte. Honore, chama-se a celebração. Texto de Marina Almeida «Eu fui para o Crasto há 60 anos. A primeira vez que lá fui, gostei imenso do Crasto, perguntei quem era a dona da quinta. E casei-me com ela». Jorge Roquette arrancou uma gargalhada coletiva à [...]

A Vista Alegre já tem os pratos, agora vai ter os móveis

A empresa centenária de porcelanas juntou-se à Boca do Lobo. Começaram com uma edição limitada e exclusiva, mas a ideia é fazer linhas de mobiliário corrente. Dos serviços reais ao lifestyle: Vista Alegre já não é só loiça Texto de Marina Almeida Começou com um móvel premonitoriamente batizado de «Once Upon a Time». Com este exclusivo bar, revestido a porcelana pintada à mão, e vendido com um serviço de bar em cristal de design exclusivo, a Vista Alegre e a Boca do Lobo deram as mãos pela primeira vez: a história das duas empresas juntas está a começar. «A parceria [...]

Este McLaren é (muito) mais barato que o iPhone XS Max

A marca de automóveis britânica McLaren anunciou esta semana, na sua sede em Woking, o lançamento do smartphone McLaren OnePlus 6T. O telemóvel chega hoje ao mercado e é bem mais barato que o modelo topo de gama da Apple: custa 699 euros. Este modelo surge de uma parceria entre a McLaren e os chineses da OnePlus. Enquanto os britânicos trataram do design e dão credibilidade ao produto, os fabricantes de smartphones trataram de toda a parte tecnológica (clique na imagem no topo do texto e percorra a galeria para ver, ao pormenor, este McLaren OnePlus 6T. No final do [...]

Joias indiscretas para o prazer no feminino

A marca existe há 12 anos, e já está em mais de 40 países. Uma das sócias é portuguesa e a DN Ócio esteve à conversa com ela. Elsa Viegas é uma das fundadoras da Bijoux Indiscrets, marca que já criou um vibrador em forma de diamante. Texto de Patrícia Tadeia Cresceu em Lagos, no seio de uma família conservadora. «A minha avó era catequista. O meu avô sempre me disse que primeiro tinha de estudar e depois logo pensava nos namorados», recorda. Desde pequena que se intrigava com a forma como a sociedade olhava para as mulheres, com a [...]