Atualidade

Opinião

Sebastião Bugalho

O antimoderno

Na Rua de São Bento, dava-se um almoço anual. Numa morada apalaçada, adquirida decadente mas feita bonita pelo anfitrião, reuniam-se o professor e respetivos assistentes. No repasto, de data certa no dia do santo que partilhava o nome com o decano, Pedro Soares Martinez cultivava a relação com os seus discípulos do Direito. Deles, há três impressões que prevalecem após o seu desaparecimento, aos 95 anos, há escassos dias. A primeira, a perseverança das suas convicções, mesmo que ultrapassadas pelo tempo e pelo regime em vigor. A segunda, o seu sentido de humor, provocador e, por vezes, até autodepreciativo. A terceira, uma tentação algo cruel no que a avaliações diz respeito. "Deu-me cabo da média" é, eventualmente, o comentário mais repetido; a maioria, com um sorriso amargo, mas órfão de rancor.

Sebastião Bugalho

Mais atualidade

Educação

Alberto Amaral: "A qualidade do ensino em Portugal é razoável"

A plataforma EDUSTAT - Observatório da Educação, que a Fundação Belmiro de Azevedo apresenta hoje, vai permitir ter informação detalhada sobre o sistema de ensino nacional. Para Alberto Amaral, porta-voz global do EDULOG e antigo reitor da Universidade do Porto, a falta de equidade no ensino é preocupante e a pandemia serviu para acentuar as desigualdades. Desigualdades que, no caso do superior, existem entre cursos ou entre universidades e politécnicos.

Ataques em Cabo Delgado

João Honwana

“É preciso derrotar os jihadistas e conquistar o povo”

Entrevista a João Bernardo Honwana, consultor na área de Resolução de Conflitos, Mediação Política e Diplomacia Preventiva, em Nova Iorque. Foi funcionário das Nações Unidas entre 2000 e 2016, tendo servido como Representante do Secretário-Geral para a Guiné-Bissau e Diretor de Divisão (África I e África II) no Departamento para Assuntos Políticos. É Coronel Piloto Aviador na reserva e antigo Comandante da Força Aérea de Moçambique. Participou a 1 de julho na Speed Talk do Clube de Lisboa sobre o jihadismo em Cabo Delgado.

Afonso Camões

Queixem-se do populismo!

Em fila para a vacina, vemo-los armar os anzóis, que há mais peixe graúdo a disputar a lota dos interesses. Tarde e más horas, com eleições à vista, os partidos vão tentar, nos próximos dias, chegar a um acordo para emendar a lei eleitoral autárquica que os dois maiores fizeram aprovar no verão passado, criando dificuldades acrescidas às candidaturas independentes. A pressa daqueles é filha do medo de que estas criem o seu próprio partido e ameacem o cartel dos instalados.

Afonso Camões

Luís Filipe Castro Mendes

Uma visita a Teixeira de Pascoaes

Em Amarante imaginei que encontrava Teixeira de Pascoaes. Apesar de ter sido demasiadas vezes reduzido aos pesados estereótipos da Saudade e da Portugalidade e de ter construído a sua obra ao arrepio dos modernismos sucessivos, Pascoaes não deixou de encontrar quem o soubesse ler: Jorge de Sena sentiu-lhe bem a grandeza e o génio e os surrealistas celebraram-no, por boas e más razões. Mas soubemos nós ler Pascoaes como se deve ler um poeta, literalmente e em todos os sentidos, como dizia Rimbaud?

Luís Castro Mendes

Desporto

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