Atualidade

Opinião

Ricardo Paes Mamede

O bom, o mau e o assustador nos serviços de saúde em Portugal

Todos os dias há notícias sobre problemas nos serviços públicos de saúde em Portugal. São tão insistentes que ficamos sem saber se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está à beira do colapso ou se há quem queira fazê-lo pior do que está. O relatório "Health at a Glance 2019", publicado há dias pela OCDE, dá-nos uma ideia algo diferente. Permite-nos ver o bom e o menos bom do sistema no seu conjunto. Mostra-nos também o que há de assustador nas perspectivas de evolução do SNS.

Ricardo Paes Mamede

Margarida Balseiro Lopes

Para começar

Como as sucessivas eleições têm demonstrado há um divórcio claro entre eleitos e eleitores. Uma das principais reivindicações que as pessoas fazem é o reforço da transparência na atividade política. A anterior legislatura foi uma oportunidade perdida para a legalização do lobbying. Depois de anos a debater o tema na comissão eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas, no final o Parlamento acabou por desperdiçar a oportunidade de legislar sobre esta matéria. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a sua regulamentação poderá ser uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político. Erradicando, desde já, quaisquer possíveis preconceitos sobre este tema, importa ressalvar que legalizar o lobbying não é permitir qualquer comportamento que, atualmente, esteja tipificado penalmente como um ilícito criminal. O objetivo é apenas regular a atividade de decisão política, que, obviamente, é influenciada pela sociedade e pelos contactos que os decisores com esta estabelecem, tornando a informação pública e acessível a todos.

Margarida Balseiro Lopes

Maria do Rosário Pedreira

Modernices

O paleoantropólogo francês Yves Coppens - membro da equipa que descobriu o esqueleto de Lucy (um Australopithecus afarensis com mais de três milhões de anos) em 1974, mudando para sempre a nossa compreensão da evolução humana - contou, quando passou por Lisboa nos anos 1990, uma história deliciosa. A avó era profundamente católica e, como tal, não queria de maneira nenhuma aceitar que o homem descendesse do macaco (Australopithecus significa, aliás, "macaco do sul"). No entanto, diante do reconhecimento universal de que o neto era alvo, começou a pensar que talvez estivesse a ser demasiado radical. Então, chamou-o ao seu quarto, fechou a porta para ninguém a ouvir e, depois de o felicitar pelo êxito das suas conquistas, atalhou: "Olha, Yves, tu até podes descender do macaco, mas eu não."

Maria do Rosário Pedreira

Leonídio Paulo Ferreira

Leonídio Paulo Ferreira: Este muro era para impedir que saíssem 

A frincha no muro tem escassos milímetros, mas chega para se ver a faixa da morte, com a sua velha torre de controlo e o caminho usado pelos guardas fronteiriços para fazer a patrulha. Dos espigões de ferro que se erguiam do solo (a "relva de Estaline") e do arame farpado que os antecedia já não há vestígios. Ao fundo, talvez a uns 60 metros, surge o obstáculo final, outro muro de betão, mais alto e sem quaisquer aberturas. E visível ainda, com dificuldade, aparece o topo dos edifícios do outro lado, o livre, da Bernauer Strasse, uma rua berlinense cheia de histórias trágicas da Guerra Fria, daquelas que inspiraram os primeiros romances de espionagem de John le Carré. É esta experiência de um tempo de prisão que acabou a 9 de novembro de 1989 que oferece o Memorial do Muro de Berlim, hoje a parte mais bem conservada dessa fronteira artificial que separava Berlim Oriental, sob tutela comunista, de Berlim Ocidental, parte da RFA, fiel aos valores da democracia e da liberdade.

Leonídio Paulo Ferreira

Especial

No mês de outubro foram suprimidos cerca de 100 comboios na Linha de Sintra. Situação nas horas de ponta

Cheios, atrasados e velhos. O que o Navegante veio mostrar

No Campo Grande, ao fim da tarde, as filas encaracolam para os autocarros que seguem para Mafra, Ericeira ou Venda do Pinheiro. Em Sete Rios, os passageiros da linha de Sintra já esgotaram a compreensão para os incómodos causados e os que seguem para a Margem Sul queixam-se da sensação sardinha em lata, às horas de ponta. Em seis meses, o passe Navegante trouxe mais 150 mil utentes aos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa. E isso foi bom. Mas também foi mau.

Carla Bernardino

O muro e o arame farpado invisíveis

Uma imagem da beleza e do inconformismo aos 90 anos, mas com o braço direito partido, uma festa de 88 anos com um bolo com apenas duas velas - o sopro já não aguenta muitas mais -, ou uma solidão acompanhada de quem faz 92, a trincar a aliança e na companhia de amigos velhos: os que estão na fotografia e os poucos que restam na memória. O dinheiro não estica para pagar o lar, os medicamentos, as fraldas e a coragem. Três pessoas que têm estado a sós e esperam a ajuda de outras tantas para que cuidem delas. E há uma que as tem a todas, em parte, ao ombro e na carteira de uma pensão curta. Não são as três pessoas que estão sozinhas, são as quatro. Todas no limite de depressões e exaustões que não têm tempo para se curarem, mas que têm de se resignar e ser resilientes (para usar a expressão da nova felicidade e superação que se ouve em toda a parte).

Carla Bernardino

Maria João Caetano

Governantas

"Um homem não se consegue governar sozinho", resignava-se a minha avó, que passou grande parte da vida a cozinhar, a limpar e a arrumar. Dizia governar-se como quem queria dizer arranjar-se ou orientar-se. E dizia-o com uma certa condescendência. Coitados dos homens, como haveriam eles de se governar sem uma mulher em casa a passar-lhes as camisas a ferro e a fazer-lhes o almoço? Um homem tinha de pensar em assuntos importantes, tinha de trabalhar e ganhar dinheiro, tinha lá "as coisas dele" para fazer, precisava de alguém que lhe cuidasse das minudências. Alguém que tratasse do "governo da casa", essa arte cultivada pelas mulheres que (ainda há pouco tempo) liam os livros da Laura Santos, com títulos como Noiva, Esposa, Mãe ou A Mulher na Sala e na Cozinha, livros com capas duras e imagens de mulheres perfeitas, que ensinavam a tratar de bebés e a limpar os estanhos.

Maria João Caetano

O homem que consegue voar

O homem que consegue voar

Nos jogos olímpicos de 1984, mais de 2,5 milhões de pessoas assistiram à chegada do futuro pela televisão. Naquele dia, um homem chamado Bill Suitor sobrevoou o estádio com uma mochila autopropulsionada como as que, até aí, só se tinham visto na banda desenhada ou no cinema. Era o culminar perfeito para uma cerimónia ao mais puro estilo de Hollywood e ao jeito dos excessos da era Reagan.O que nem toda a gente sabe é que aquela ideia, foi o plano B para resolver um problema de última hora. O estádio devia ter sido sobrevoado não por um ser humano, mas por uma imponente águia que fora intensamente treinada durante um ano para o evento. Porém, o pobre animal morreu quatro dias antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Por isso, naquele dia, Bill Suitor vestiu um macacão multicolor e pôs aos ombros aquela mochila, que se destinava a ser utilizada pelo exército dos Estados Unidos. O seu voo faz parte da história das Olimpíadas e da memória de muitas gerações que, ao vê-lo, imaginaram um futuro repleto de gente a voar pelas ruas das cidades.Foi, sem dúvida, este sonho de multidões voadoras que incentivou Michael Browning a passar toda a sua vida a idealizar os mais fabulosos aparelhos para voar. Embora tenha sido o seu filho, Richard, que se chegou à frente e conseguiu construir um fato voador que recorda o que Anthony Stark usa para se transformar no Homem de Ferro. Richard Browning é o fundador da Gravity, uma empresa através da qual desenvolveu, construiu e patenteou um sistema de voo pessoal. Durante os últimos dois anos, a empresa levou o seu fato a mais de 60 eventos em 20 países diferentes, demonstrando que é uma tecnologia viável. Assim, é possível que o futuro se tenha feito esperar um pouco mais do que se pensava nos anos oitenta, mas quem sabe não estará já a chegar...Entrevista e edição: Joel Dalmau | Azahara Mígel | David Giraldo Texto: José L. Álvarez Cedena

Projeto de família: imprimir um Lamborghini

Projeto de família: imprimir um Lamborghini

Henry Ford, criou a linha de montagem para a sua fábrica e impulsionou um modelo de empresa que acabaria por se impor no país e por ser exportado para o resto do planeta no século XX. Por isso, nada de fazer piadas com o que sai de uma garagem do Michigan, da Pensilvânia ou... do Colorado.Foi precisamente neste estado no oeste dos Estados Unidos da América que nasceu um projeto que aliou esse espírito empreendedor às novas tecnologias e à filosofia do "faça você mesmo". Trata-se de uma réplica do Lamborghini Aventador que um professor de Física e o seu filho mais novo construíram na garagem de casa, imprimindo as suas peças em 3D.Quando o membro mais novo da família Backus perguntou ao pai se lhe podia dar o seu carro preferido do videojogo Forza Horizon 3, este deveria ter respondido que os mais de 300 mil euros que custa a versão base do veículo italiano estavam bastante longe do orçamento familiar. Em vez disso, com muito engenho, conhecimentos de engenharia, cerca de 20 mil euros e um sem-fim de tutoriais do YouTube, o professor Sterling Backus e o seu filho conseguiram uma proeza com a qual se divertem não só eles, mas também todas as crianças da vizinhança. Uma excelente demonstração de que a ciência e a tecnologia podem ser divertidas e motivo de inspiração para os mais novos.Entrevista e edição: Azahara Mígel e Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

V Digital

A Basílica de São Marcos, na praça de São Marcos, em Veneza (Itália) ficou inundada com subida das águas.

Subida das águas em Veneza atinge Basílica de São Marcos

A cota da água atingiu os 127 centímetros e invadiu, entre outros locais, a nave da Basílica de São Marcos causando danos nas colunas e paredes do edifício. Entre as zonas mais afetadas do santuário, construído no século XI, estão o Batistério e a Capela Zen. É a sexta inundação no interior da Basílica desde que o edifício atual foi construído, há quase 1.000 anos. O alarme foi lançado pelo engenheiro Pierpaolo Campostrini, curador da Basílica. Depois de a água ter atingido os 70 cm no interior do templo, o engenheiro afirmou que há tentativas de "limitar os danos, se não em todas as zonas, pelo menos nas mais sensíveis".