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João Pedro Marques

Portugal e os negros. Dois enganos e uma artimanha

As declarações de um diplomata português no Qatar indignaram a nossa esquerda woke e alguma dessa indignação chegou aos jornais sob a forma de artigos de opinião, o melhor dos quais é o de Luísa Semedo. Através de um texto bem construído e inteligente, a autora mostra, com exemplos históricos e actuais, de onde vêm e que efeito podem ter certos preconceitos, e conclui, desolada, que "as ideias racistas de que pessoas negras são mais resistentes e sentem menos dor persistem, ou são repescadas ciclicamente da fossa ideológica de onde nunca deveriam ter saído." Estou genericamente de acordo.

João Pedro Marques

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Cristina Siza Vieira

Dollar Street

Se uma imagem vale mais do que 1000 palavras, vale seguramente 1000 vezes mais do que um número. Por isso a exibição gráfica, seja de imagens, vídeos ou aplicações na web, permite que informações numéricas, ou dados, passem do domínio do abstrato a algo com sentido muito concreto e tornam-se um poderoso instrumento de comunicação. E empatia. Chama-se a isto a visualização de dados (VD). E obviamente não estou a falar de representação de dados em gráficos, mas de imagens que imediatamente entendemos e assimilamos.

Cristina Siza Vieira

Eddie Ndopu

Direitos Humanos sem obstáculos

Quando as Nações Unidas foram edificadas a partir dos escombros da Segunda Guerra Mundial, teria sido inconcebível que alguém como eu - um jovem, negro e gay, utilizador de cadeira de rodas - fosse considerado para um emprego de alto nível na organização. Portanto, é um testemunho impressionante da distância que a humanidade percorreu desde 1945 o facto de eu estar entre os candidatos que a ONU considerará para suceder a Michelle Bachelet quando ela deixar o cargo no próximo mês como Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Eddie Ndopu

Guilherme de Oliveira Martins

País difícil de entender

Portugal é um país difícil de entender. O cadinho de várias influências apresenta-nos elementos contraditórios. Mas há fatores que são permanentes e definem uma identidade que começa no querer, continua na omnipresença do mar e pressupõe uma luta constante. Lembremo-nos da saga dos poveiros, com o negro do luto das viúvas e dos órfãos nas praias atlânticas ou do combate contra a adversidade do meio em Trás-os-Montes, no Douro ou no Alentejo. Eduardo Lourenço e José Mattoso lembram que "uma das descobertas mais simples e irrecusáveis do após 25 de Abril é que Portugal é um país como os outros. Sem missão providencial, sem Quinto Império, sem realizações espetaculares, sem lugar especial no mundo, apesar dos Descobrimentos". Isto significa, porém, que dependemos da nossa responsabilidade, do nosso querer e do saber pensar e fazer. Assim chegámos aqui. Precisamos uns dos outros. E temos de saber planear o futuro, partindo do presente, e avaliar os resultados que somos capazes de obter. Sempre que preparámos o futuro, ganhámos. Ao Deus dará perdemos e agravámos o nosso atraso, que não é uma fatalidade. O mérito não é um mito, só funciona quando resulta do reconhecimento das diferenças e da dignidade de cada um. Miguel Torga foi tantas vezes duro na sua apreciação de quem somos. Sabia do que falava e que nada se consegue de ânimo leve ou de ilusão. O desencanto assalta-nos tantas vezes, e o lirismo poético é apimentado com o picaresco e o maldizer.

Guilherme d’Oliveira Martins

Luís Filipe Castro Mendes

Em memória de Ana Luísa Amaral

Nunca senti qualquer angústia de influência", contava-me Ana Luísa Amaral e acredito que assim fosse. Os nossos mestres pesam-nos mais quando se interpõem entre nós e o que ambicionamos seja o julgamento pela posteridade daquilo que fizemos. Mas a Ana Luísa nem pesavam os mestres (Emily Dickinson, em primeiro lugar) nem inquietava a posteridade. Ela achava, na verdade, essas angústias próprias da masculinidade, da permanente rivalidade que a condição masculina nos viria impor. E se nas mulheres por certo existem também, sempre prontas a emergir, rivalidades e competições, não há dúvida que, na Ana Luísa, a relação com a obra tinha a serenidade do que é evidente de fazer e a seriedade do que é difícil de fazer: por isso não a preocupava nem a disputa da notoriedade presente nem a angústia com a memória futura.

Luís Castro Mendes

Evasões

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