Atualidade

Opinião

Viriato Soromenho Marques

PremiumA grandeza perdida dos EUA

Mesmo que a hipótese catastrófica de reeleição de Trump não aconteça, tanto o futuro democrático e federal dos EUA, como o seu lugar no sistema internacional continuam sob forte ameaça. Washington continua a ser a maior potência militar do planeta, mas está longe, quer de recuperar das feridas do clima de pré-guerra civil incentivado pela tóxica presidência-Trump, quer de retomar uma posição na cena global à altura do seu passado e das suas responsabilidades no futuro mundial. Os EUA perderam, manifestamente, a chave da grandeza política: os países só são grandes quando conseguem aliar o mais elevado grau de conhecimento objectivo da realidade à eficiência imparcial das instituições, articuladas pela decência moral dos actores políticos. Só essa trilogia, permite antecipar os desafios do futuro e as respectivas respostas, condição essencial para a liderança da comunidade internacional.

Viriato Soromenho Marques

Paulo Baldaia

Valha-nos Nossa Senhora da Nazaré

Nós somos bons a reagir, protestar, refilar, remendar, remediar, refazer, improvisar e inventar. Não nos peçam é para prevenir, isso tira o salero à vida. A prevenção não é uma característica portuguesa. Prevenir é evitar que alguma coisa aconteça e, se não vai acontecer, então é melhor não fazer nada. Acontecendo, reagimos, protestamos, refilamos, remendamos, remediamos, refazemos, improvisamos e inventamos. Não nos deixa mais descansados ouvir o segundo na hierarquia do governo, Pedro Siza Vieira, dizer ontem que o governo irá "avaliar melhor onde ocorrem com mais frequência os contágios". Valha-nos Nossa Senhora da Nazaré, padroeira da vila e, provavelmente, das ondas gigantes, como esta que anda a espalhar contágios de norte a sul de Portugal. A esta altura do campeonato, o governo ainda vai "avaliar melhor"? Nesta altura do ano, a praia da Nazaré dá-nos ondas tão grandes que o mar atrai os melhores surfistas do mundo. Na água, apesar do imenso perigo, tudo corre como previsto e com grande profissionalismo. Com a pandemia a atingir recordes todos os dias, o pior é o que se passa em terra, em locais onde as grandes ondas não chegam mas a vista tudo alcança. As imagens não enganam, as ondas são gigantes, as pessoas incumpridoras e a autoridade reativa. Uma sinédoque perfeita para explicar o mar revolto em que vivem as zonas mais urbanas do país. Já sabíamos quando desconfinámos, em abril, que iria haver uma segunda vaga da pandemia. Estava prevista para o inverno, chegou no outono e apanhou-nos como uma onda gigante da Nazaré apanharia os distraídos que entrassem no mar com uma prancha de bodyboard. Sem plano, andamos desorientados a ver o número crescer todos os dias. Para este sábado está marcado um Conselho de Ministros extraordinário, com a covid-19 como tema único, já depois de ontem o executivo ter ouvido os partidos e os parceiros sociais. Esperamos todos que saia dessa reunião um plano para o imediato e para o curto e médio prazo. Até agora, quem tinha a obrigação de organizar a defesa do país andou a apanhar bonés. Sempre a correr atrás do prejuízo, sem saber o que fazer no imediato mas já a testar a paciência dos portugueses, preanunciando um confinamento nos feriados da primeira quinzena de Dezembro, para fazer de conta que no Natal e na passagem do ano estará tudo bem. Por amor da santa, orientem-se! Apostem na prevenção, defendam-se na legalidade para poder a cada momento avançar com as restrições que a realidade impuser. Defendam-se e defendam-nos, criando um catálogo de medidas e os critérios com que elas serão aplicadas. Mas não se esqueçam de que é preciso que as vossas decisões sejam lógicas, coerentes e compreensíveis por todos, porque essa é a única maneira de serem aceites. Não seria mau que o poder político estivesse de novo em comunhão de esforços, unido no discurso e nos propósitos, sem andar permanentemente a medir os ganhos e as perdas da popularidade dos seus principais atores. Ninguém pode falhar, mas é certo que são António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa que estão na crista da onda. Como a onda é grande, convém que não sejam engolidos pela onda. Jornalista

Paulo Baldaia

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Rogério Casanova

PremiumSete filmes de terror para a noite de Halloween

Desde os tempos de Platão que a humanidade se interroga filosoficamente sobre uma questão estruturante: o que é que acontece aos protocolos da ordem social num contexto em que o ser humano consome fungos parasíticos que o transformam gradualmente num cogumelo monstruoso? Matango é a resposta mais pertinente que conseguimos desenvolver até agora. O filme é realizado por Ishiro Honda, co-criador das iterações clássicas de Godzilla, e o espectador desprevenido pode precipitar-se a concluir que um filme de terror oriental sobre cogumelos gigantes será mais um tratamento metafórico da bomba atómica, mas Matango está muito menos interessado nos efeitos da radiação do que nos efeitos de uma toxicodependência que externaliza os piores impulsos dos protagonistas. Adaptação livre de um conto de William Hope Hodgson, o guião mais parece uma variação sobre O Senhor das Moscas, em que os habitantes da ilha paradisíaca são promovidos de crianças a arquétipos adultos (o Empresário, o Artista, a Femme Fatale, etc.), que revertem a um estado primordial quando a sua dieta é reduzida. Poucos filmes tiveram a coragem de sugerir que os verdadeiros monstros talvez sejam as pessoas que decidem comer cogumelos.

Rogério Casanova

Adriano Moreira

PremiumAs imigrações

A força da unidade europeia, além das questões científicas, culturais, e até religiosas, tem um princípio global que é o de que nenhum Estado membro tem capacidade para enfrentar isolado os desafios deste mundo sem bússola. Os conflitos, incluindo militares, foram historicamente numerosos, e o fim atual não está suficientemente longe para ter ganho o quadro histórico em que será apenas considerado sem ter já consequências em relações tensas e por isso perigosas. O infeliz Brexit é lembrança de que os princípios inspiradores da União podem ainda ser abandonados, mas também é possível que o Brexit obrigue o Reino Unido a reparar a de novo necessidade de garantir a sua unidade plural de Nações, e saber que definição trarão as próximas eleições para um estadista que é primeiro ministro que ganhou a questão entre Remainers e Brexistas simplesmente por ter sido escolhido pelos membros do seu partido.

Adriano Moreira

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Especiais Fim de Semana

Ana Paula Martins é bastonária de uma classe que hoje tem mais de 15 mil profissionais, 75% são mulheres

Premium"É um risco não aproveitar as farmácias para a vacinação"

Ana Paula Martins, bastonária dos farmacêuticos desde 2016, representa uma classe com mais de 15 mil profissionais em que 75% são mulheres e 50% estão abaixo dos 40 anos. Na semana em que o Presidente da República recebeu representantes da saúde e que a vacinação da gripe está a pressionar as farmácias, Ana Paula Martins fala ao DN sobre o que está a ser feito, o que deveria ter sido feito e o que a pandemia mostrou que deve mudar.

D. Francisco Senra Coelho (ao centro), arcebispo de Évora e presidente da Fundação Eugénio de Almeida

"Vir a Évora implica vir à enoteca da Fundação Eugénio de Almeida"

D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora e presidente da Fundação Eugénio de Almeida, Maria do Céu Ramos, secretária-geral, e Pedro Baptista, vice-presidente e enólogo responsável pela área da vitivinicultura e da oleicultura, falam sobre o fundador, Vasco Maria Eugénio de Almeida, sobre os vinhos que dão fama e proveito à fundação e, sobretudo, sobre a missão cultural e social que esta faz em Évora e no Alentejo em geral.