Opinião

PremiumOs aspirantes a populistas

O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.

Anselmo Crespo

Ucrânia: Mais um país que aposta no escuro

Então, lá foi eleito. Vladimir Zelenski, 41 anos, comediante, sem nunca antes ter estado na política, candidato que apareceu sem programa, sem fazer promessas nem comícios, foi eleito presidente da Ucrânia, plebiscitado por quase três em quatro ucranianos (73 por cento). A Ucrânia, na Europa o país do destino próximo mais perigoso, vizinho e em latente conflito armado com a Rússia, atirou-se para os braços de um desconhecido...

Ferreira Fernandes

Praguejar é um alívio

"Puta que pariu..." De todas as asneiras do vernáculo português, esta é a minha preferida. Não é a que gritamos quando nos salta a tampa, não é para este sítio que mandamos alguém que se atravesse à má fila num cruzamento quando o sinal está verde para nós. Esta é a que deixamos escapar de mansinho, entre dentes, acompanhada de um abanar de cabeça quando estamos desapontados com o mundo, quando olhamos para a cagada que acabámos de fazer por entornar a água toda do esparguete em cima da bancada, quando reparamos que há 35 pessoas à nossa frente na fila das Finanças ou quando percebemos que, apesar de serem oito e meia da manhã, já não há mais senhas para renovar o Cartão de Cidadão.

Paulo Farinha

Leonardo também é fake

Não sabia exatamente por onde pegar neste Mural, agora temático. Fiz umas pesquisas sobre o génio renascentista e depois fixei-me em A Última Ceia. Pesquisei sobre a relação entre Da Vinci e a gastronomia, e deparei-me com o livro Apontamentos de Cozinha de Leonardo da Vinci: o Caderno de Apontamentos de Leonardo Da Vinci sobre Gastronomia e o Estar à Mesa, de Shelag e Jonathan Routh. Editora Atena, primeira edição em 1997, traduzido por Ana Duarte. No dia 1 de abril sentei-me na Biblioteca Nacional a consultar o livro.

Marina Almeida

Às malvas com as convenções

Quando Salvatore recebe a notícia da morte de Alfredo, o projecionista do pequeno cinema da sua aldeia natal, a sua vida passa-nos no grande ecrã: desde os tempos da infância, quando o pequeno Totó, como chamavam a Salvatore, se apaixonou pela magia do cinema, à adolescência em que se enamora de Elena. Mas a melhor síntese da sua vida está num pequeno filme que Alfredo lhe deixou e que não é mais do que uma extraordinária montagem de cenas cortadas dos filmes que eram exibidos no Cinema Paradiso e o padre mandava censurar ao som de um sino.

Miguel Marujo

Os polémicos beijos no anel papal

Durante séculos, a tradição mandava beijar o pé do Papa nas audiências privadas com o sumo pontífice. Depois passou a ditar que os fiéis fizessem uma vénia e beijassem o anel da autoridade máxima da Igreja Católica, como demonstração de respeito e obediência. Hoje em dia, é este o cumprimento oficial. Ou melhor, era. Francisco decidiu quebrar o protocolo perpetuado pelos seus antecessores. E os conservadores não perdoaram. Uma polémica com beijos que parece "divertir" o Papa.

Joana Capucho

Ver Tudo

Máquinas inteligentes, mas também mais éticas

A ética é considerada o ramo da Filosofia que reflete sobre os comportamentos humanos (as suas causas, os seus sucessos ou os seus erros) de um ponto de vista moral. Esta avaliação, que implica ainda a liberdade das pessoas para escolherem os atos que praticam, faz da ética uma qualidade exclusivamente humana. É por isso paradoxal falar de uma ética das máquinas. Porém, à medida que vamos colocando cada vez mais decisões nas mãos de máquinas, esta é uma disciplina necessária. Relativamente a um artigo de Núria Bigas Fortmatjé sobre o tema e publicado pela Universitat Oberta de Catalunya, o professor de Filosofia do Direito da UOC, David Martínez, assinalava que “não só é aconselhável, como até indispensável que os algoritmos incluam parâmetros éticos”. Um dos exemplos clássicos utilizados para defender a necessidade de que, no futuro, a inteligência artificial tenha uma base moral é o dos automóveis autónomos. Embora haja relatórios que garantam que as viaturas sem condutor acabem por ser mais seguras do que as atuais, é certo que terão de tomar decisões em que estarão em jogo vidas humanas. Uma vez que a ética é uma característica da nossa espécie, só nós podemos tentar transmiti-la às máquinas. É neste sentido que surgem ideias como as do projeto Máquina Moral, implementado pelo MIT, no qual, através de um jogo online, estão a ser recolhidos dados para ver como reagimos perante diferentes cenários com possíveis vítimas num acidente rodoviário.Francesca Rossi, diretora de Ética na Inteligência Artificial da IBM, acredita que, embora tenham sido alcançados grandes progressos, ainda temos de ser pacientes: “As pessoas têm de perceber que a IA existe há 70 anos, mas que ainda está em desenvolvimento. Temos muitos desafios pela frente e muitas coisas que não sabemos fazer.” A maior capacidade das máquinas para processar informação, juntamente com a imensa quantidade de dados que geramos no nosso dia-a-dia, faz com que os algoritmos sejam cada vez mais exatos, mas isso não significa que sejam também mais éticos, uma vez que só aprendem o que lhes é ensinado. Há alguns anos, uma máquina de inteligência artificial programada pela Microsoft começou a demonstrar comportamentos racistas, homófobos e antissemitas depois de passar apenas um dia no Twitter. E num estudo publicado em 2017, a revista “Science” garantia que muitas máquinas de inteligência artificial se tornavam machistas quando aprendiam a comunicar por palavras, devido ao facto deste preconceito estar implícito em muitos idiomas.Enfrentar o risco de que os modelos de aprendizagem baseados em comportamentos humanos em grande escala reproduzam estereótipos e preconceitos existentes na população é uma das tarefas ds Francesca Rossi. “Só será possível entender os problemas e resolvê-los com uma abordagem multidisciplinar e envolvendo todos”, garante Rossi. Uma tarefa na qual devem estar envolvidos, em conjunto, empresas tecnológicas, governos e instituições como as Nações Unidas, uma vez que avançamos para um futuro no qual as máquinas terão cada vez mais importância nas suas relações com os humanos.Entrevista e edição: Noelia Núñez, David GiraldoTexto: José L. Álvarez Cedena

A adolescente capaz de conectar o seu cérebro a um computador

O delicioso livro de Roald Dahl, “Matilda”, é uma ode à curiosidade infinita que todos temos na infância – e este é o segredo. Dahl lança aqui as suas farpas sempre certeiras e irónicas aos adultos, que castram tanto esta ânsia de conhecimento que acabam por tornar as crianças iguais a eles, ou seja, fazem com que parem de inventar, de criar, de questionar o que as rodeia, até que se tornam seres planos e conformados. Na sua história, Dahl dota Matilda de poderes extraordinários, como mover objetos com a mente, com os quais castiga os adultos medíocres que a rodeiam. A sua telecinesia é vingativa e brincalhona. Porém, mover objetos com a mente – uma antiga aspiração esotérica e ainda no âmbito da ficção científica à data da publicação do livro, em 1988 – é hoje (quase) uma realidade. Uma das pessoas que mais aposta em fazer desta uma tecnologia tangível é pouco mais velha do que a própria Matilda. Aos 16 anos, Ananya Chadha descreve-se a si mesma, na sua página na Internet, como “uma rapariga de Toronto que acredita que o único caminho para criar um futuro melhor para a Humanidade é aumentar a nossa própria inteligência. É por isso que estou tão interessada e empenhada na área das interfaces cérebro-computador”.A descrição de Chadha dificilmente encaixa na da adolescente que é, porque a adolescência, supostamente, é dominada pelas hormonas, desprezando tudo o que interfira com a hipótese de ter uma conta no Instagram com o maior número possível de seguidores. Mas, claramente, Ananya não é uma rapariga comum, como se comprova pelo facto de ser uma especialista na tecnologia Blockchain ou pela sua colaboração regular com empresas como a Microsoft. Uma das áreas que mais lhe interessa é, precisamente, a da possibilidade de controlar objetos – robôs ou computadores – com o nosso cérebro: “O problema é que o hardware que temos é muito mau, pelo que é difícil captar boas ondas cerebrais”. Chadha trabalha com interfaces que ela própria criou, que depois liga ao cérebro através de elétrodos para mover pequenos robôs. O motivo que a levou a escolher uma tecnologia que promete ser disruptiva é o facto de se tratar de uma área com enormes potencialidades de desenvolvimento no prazo de 20 anos “e ter todo o futuro pela frente”. Chadha acredita que as suas investigações podem ter uma grande repercussão no âmbito da Saúde, daí as suas últimas invenções estarem direcionadas para a construção de próteses que, uma vez ligadas ao cérebro, permitem ao doente movimentar, por exemplo, um braço protésico como se fosse o seu próprio.Esta possibilidade de comunicarmos com as máquinas (e até entre nós) diretamente através do cérebro abre também a porta a possíveis acessos indevidos aos pensamentos ou a informações de outra pessoa. Por isso, Chadha, em vez de se preocupar, como a maioria dos jovens da sua idade, em qual será a próxima série de sucesso da Netflix, questiona-se sobre a possibilidade de alguém poder controlar as nossas emoções através da tecnologia e, mais importante, se todos estes avanços vertiginosos nos fazem realmente felizes. Mas, por mais extraordinárias que sejam as suas competências, Ananya Chadha é uma adolescente que se identifica com a sua geração, e acha que, graças à Internet, que permite o livre acesso à informação e a ligação entre milhões de pessoas, os jovens estão mais do que nunca preparados para mudar o mundo.Entrevista e edição: Azahara Mígel, Cristina LópezTexto: José L. Álvarez Cedena

DN Ócio

O melhor pastel de nata de Lisboa instala-se em Sevilha no verão

Fica aos pés do Castelo de São Jorge o melhor pastel de nata de 2019. A iguaria que saiu vitoriosa da última edição do Peixe em Lisboa, prepara-se agora para conquistar o sul de Espanha. Um passo que já estava nos planos antes de a pastelaria lisboeta ter triplicado as vendas do glorioso bolinho. Texto de Marina Almeida A pastelaria Santo António conseguiu a proeza no seu segundo ano de vida, com uma receita feita a 12 mãos. Cada um dos seis pasteleiros deu o seu contributo para a versão final da receita. Uma aposta que se revelou vencedora e [...]

Como os criativos fabricam ideias (e slogans)

O esgar provocado quando lemos ou ouvimos um slogan é o Santo Graal de quem passa o dia a criá-los. Apesar das metodologias, a criatividade pode surgir de uma lembrança no duche, de uma palavra solta numa conversa de café ou de longas reuniões em equipa. Visitámos duas agências de publicidade e fomos apanhados no meio das tempestades cerebrais. Quando uma campanha de uma marca norte-americana afronta o presidente Donald Trump, a empresa perde valor em bolsa e não muda nem uma vírgula, isso pode querer dizer muita coisa. Sobretudo que ainda existe força na criatividade [...]

Será assim o carro desportivo do futuro?

A BMW quer fazer-nos crer que sim, mas será possível com o seu i8, um automóvel híbrido plug-in com um motor turbo a gasolina de três cilindros proporcionar algum tipo de diversão? Sim, é. Texto e Fotografias Fernando Marques O já bem conhecido Prius da Toyota utiliza o mesmo princípio de motorização, mas as semelhanças terminam aí, porque o i8 é tudo menos enfadonho de conduzir. E os números não enganam perante um verdadeiro desportivo: o pequeno tricilindrico é capaz de debitar 231 cv destinados às rodas traseiras que, combinados com os 141 cv que a unidade elétrica transmite às [...]

De Caravaggio a Van Gogh, exposições a não perder

Nos próximos meses, há exposições que merecem uma visita. De Munique a Londres, com escala em Madrid ou Amesterdão. Num passeio de Páscoa, feriados de abril ou outro pretexto qualquer (ou sem pretexto). Texto de Marina Almeida O espanto do encontro de três jovens pintores de Utrecht com Caravaggio em Roma dá o mote a uma exposição na Alte Pinakothek, em Munique. Até julho, estes "caravaggistas" - Hendrick ter Brugghen, Gerard van Honthorst, e Dirck van Baburen - encontram-se agora com o mestre. O milagre da inspiração transposto para 70 obras de arte, de Caravaggio e dos seus seguidores em [...]