O gelo do Montejunto que abastecia os reis de Portugal

No topo da Serra de Montejunto, 600 metros acima do nível do mar, virada a norte, numa zona fria e húmida ergueu-se a Real Fábrica do Gelo. Durante cerca de 120 anos dali saiam blocos de gelo que refrescavam a corte e, mais tarde, os cafés mais chiques de Lisboa. Em 1850, com a invenção do frigorífico, entrou em declínio. Se não fosse o eletrodoméstico, seriam as alterações climáticas a ditar o seu fim. Texto de Marina Almeida | Fotografias de Orlando Almeida/GI Este sítio estava condenado a derreter-se na memória coletiva. Durante mais de cem anos, nos tanques da [...]

Opinião

Afinal, a gestão não está fora de moda

Quando muitos portugueses pensavam que os mais novos se interessavam sobretudo por robótica, inteligência artificial, aeroespacial e outras engenharias da moda... eis que a velha gestão volta a ser a área de que mais gostam muitos dos miúdos da geração Z, apura um estudo da Hays (grupo líder mundial em recrutamento de profissionais qualificados). Apesar de os talentos mais procurados no mercado serem os que têm competências nas áreas de tecnologias da informação, de engenharia e comercias, a tal geração Z diz que o que importa é o "gosto pela área". E esse gosto recai hoje precisamente na área da gestão.

Rosália Amorim

Jornal americano proíbe o manguito do Zé Povinho

Vamos pôr a coisa nestes termos: havia a ideia de que se delineava um esboço para perda de liberdades. Não só em Portugal, mas por todas essas sociedades democráticas que, apesar de tudo, são melhores do que as outras. Um esboço do fim do direito à presunção de inocência, não ainda nos tribunais mas na prática comum da insídia em muito sítio: se parece ser culpado, e der jeito a alguns, é-se culpado. Um esboço do fim da palavra de um cidadão valer o mesmo do que a palavra de outro: se, na convicção firme da opinião pública, uma das partes estiver ao arrepio de uma causa na moda, o que ela diz vale menos... Estávamos perigosamente assim, no esboço.

Ferreira Fernandes

O populismo identitário

O tema da coincidência entre Nação-Estado foi intencionalmente considerado um princípio da organização mundial quando o presidente Wilson conseguiu a sua inclusão no estatuto da Sociedade das Nações (SdN), no fim da guerra de 1914-1918, organismo em que depois os EUA decidiram não entrar. Acontece que nação é um termo que, exprimindo de regra, em primeiro lugar, uma definição cultural (costumes, tradições, valores), tem vocação para possuir um território e uma soberania, mas o princípio da SdN não impediu a existência, hoje extinta, da unidade checoslovaca, nem que, atualmente, o Brexit advirta que um eventual problema futuro para o Reino Unido está no facto de não ser um Estado-Nação, e identidades políticas, provavelmente duas ou mais nações, suas componentes, são europeístas.

Adriano Moreira

"É uma Coca-Cola com gelo. Só gelo!"

É uma das lutas mais antigas que travo: pedir uma Coca-Cola com gelo, mas sem limão. Não sei quem inventou a mania de pôr limão com o famoso refrigerante estado-unidense - isto para evitar estar sempre a escrever o nome da marca, que aqui ninguém quer estar a fazer publicidade -, mas teve uma péssima ideia. O limão altera o sabor da bebida para pior e retira a força do gás. Um autêntico desastre. Basta bebê-la com gelo, e quanto mais gelada melhor.

Tiago Guilherme

Procurar, ou o risco de ser encontrado

Em 2013, propus-me a uma demanda literária: encontrar as reportagens que Gabriel García Márquez tinha escrito sobre Portugal durante o PREC. Antes de ser escritor, o colombiano tinha sido jornalista e fundara uma revista chamada Alternativa. A sua primeira história internacional, tinha ele contado nas suas memórias, fora uma série de reportagens sobre os dias que sucederam a Revolução dos Cravos. Mas, por mais que eu procurasse, não encontrava neste lado do charco um qualquer rasto desses escritos.

Ricardo J. Rodrigues

Ver Tudo

A invenção de uma menina de 12 anos que pode salvar milhares de vidas

"Se tens uma ideia, não desistas. Se falhares, tenta novamente".Parece uma frase retirada de uma caneca da Mr. Wonderful ou de um Tweet para agradar a um grupo de empreendedores. Mas, se foram pronunciadas por alguém como Gitanjali Rao, convém que prestemos atenção, porque a determinação e o talento desta menina de 12 anos permitiram-lhe ser nomeada melhor jovem cientista dos Estados Unidos, no ano passado, e, mais importante do que isso, levaram-na a projetar um dispositivo que pode ajudar a salvar várias vidas, no futuro.Gitanjali teve a ideia de projetar a Tethys, um detetor de chumbo que lhe garantiu o reconhecimento, quando viu, nas notícias, o que tinha acontecido em Flint, no Michigan.Esta cidade com cerca de 100 mil habitantes ficou famosa nos Estados Unidos quando se descobriu que, devido a alterações no abastecimento, durante alguns anos os habitantes tinham consumido água contaminada com chumbo. Mais escandaloso foi o facto de as autoridades saberem o que se passava e não o terem denunciado, pondo em perigo as vidas de milhares de pessoas. Quando Gitanjali soube, através da televisão, pensou em “todos os meninos da minha idade que se expunham diariamente ao veneno, só por utilizarem um recurso como a água. O meu primeiro instinto foi perguntar-me como era possível, se toda a gente deveria ter direito a água potável."A sua resposta não poderia ter sido mais clara: projetou a Tethys (assim chamada, em homenagem à deusa grega da água doce e dos rios), um aparelho portátil que utiliza nanotubos de carbono para medir o chumbo. O detetor incorpora um sensor ligado através de bluetooth a uma aplicação móvel que faz uma análise precisa e quase imediata da água.Gitanjali reconhece que a sua paixão pela ciência foi herdada da sua família e sente-se grata por isso.Os seus planos para o futuro são muito claros: gostaria de continuar a ajudar a resolver os problemas das pessoas através da ciência e da tecnologia e sabe que, para isso, tem de pôr em prática seguindo um dos conselhos que dá sempre a toda a gente: "Faças o que fizeres, diverte-te."Entrevista e edição:  Zuberoa Marcos, Pedro García Campos, Cristina LópezTexto: José L. Álvarez Cedena

A Inteligência Artificial irá criar 58 milhões de postos de trabalho

Entre a desconfiança, a piada fácil e o medo absoluto, a extensão da inteligência artificial a todas as vertentes da nossa vida não deixa ninguém indiferente. Antes de morrer, o físico britânico Stephen Hawking afirmou que “o desenvolvimento de uma inteligência artificial completa pode significar o fim da espécie humana”. Outras figuras de relevo da área da tecnologia, como Elon Musk ou o cofundador da Apple, Steve Wozniak, comungam dessa preocupação. E, se as opiniões dos que estão destinados a abrir caminho neste terreno são tão pouco tranquilizadoras, ninguém pode censurar aqueles que, de posições mais desfavorecidas, olham com receio para umas máquinas que, a curto prazo, podem vir a pôr em causa o seu posto de trabalho. Também não ajudaram os filmes em que os robôs se lançavam à conquista do mundo, aniquilando ou escravizando a humanidade. A propósito deste ódio — menos irracional — o professor da universidade de Loyola, em Chicago, Steve Jones, afirmava num artigo para a revista Forbes que a população tem “a sensação de que há uma força não humana, chamada tecnologia, que é uma ameaça”. Jones assegurava existir o risco real de aparecer um movimento neoludita que, à imagem e semelhança dos Britânicos do século XVIII, encete uma luta contra as máquinas por porem em perigo o seu emprego. Um movimento que — realça Jones — não acredita que a política e a economia sejam as vias para lidar com o inevitável avanço das novas tecnologias.Nuria Oliver, prémio nacional de Informática 2016 e diretora de pesquisa de ciência de dados na Vodafone, crê que a inteligência artificial "terá um enorme impacto positivo na sociedade". E dá como exemplo o campo da saúde, onde as possibilidades que as novas tecnologias oferecem em áreas como a sequenciação do genoma humano ou a análise radiológica comparativa eram impensáveis há poucos anos. A inteligência artificial e os robôs serão, garantidamente, protagonistas daquilo a que já se chama quarta revolução industrial. Não obstante, Oliver está consciente do receio que esta difusão rápida das máquinas em tão pouco tempo desperta, particularmente no que diz respeito ao emprego: "todos os estudos antecipam uma transformação radical que vai implicar a extinção de milhões de postos de trabalho; no entanto, serão criados muitos mais. Segundo o Foro Económico Mundial, criar-se-ão 58 milhões de postos de trabalho”. Este otimismo que abre um leque de possibilidades deve ser acompanhado de uma adequada política educativa, visto que ser utilizador de tecnologia não é o mesmo que entender como funciona, e atualmente as crianças não são preparadas para virem a ocupar esses novos postos de trabalho que serão exigidos nos próximos anos. Oliver vê na evolução das máquinas uma grande oportunidade que não devemos deixar passar: "É muito importante que vejamos a inteligência artificial como uma oportunidade para melhorar a sociedade, para sobrevivermos enquanto espécie. No entanto, temos de nos preparar e de nos formar, para que isso posso ser uma realidade”. Entrevista e edição:  Azahara Mígel, Maruxa Ruiz del Árbol, David Giraldo Texto: José L. Álvarez Cedena

DN Ócio

Wrangler Rubicon: o novo Jeep topo de gama

Poucos automóveis terão um perfil tão característico como o Wrangler. A Jeep sabe-o bem e, por isso, cada vez que o atualiza fá-lo com muito cuidado. Afinal, estamos a falar do herdeiro do Willis, com uma legião histórica de fãs incondicionais. Quando é Soliloquypara mexer há que fazê-lo com «pinças». Texto e Fotografias de Fernando Marques No entanto, é preciso atrair novos e mais jovens clientes. A solução passa por equipá-lo com as mordomias tecnológicas da atualidade e adicionar algum conforto. O que à partida parecia ser uma tarefa arriscada resultou num restyling muito equilibrado, trazendo o Wrangler para o [...]

Nove artistas desenham joias inspiradas no MAAT

Nove autores de joalharia portuguesa desenharam uma coleção exclusiva inspirada na arquitetura do MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. A iniciativa, que se chama "Portuguese Jewellery X MAAT Special Edition" é feita em parceria com o museu e a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal e o museu. Com diferentes áreas de formação, do design à arquitetura, das ciências exatas às humanas, uma nova geração de criadores encontra na joalharia portuguesa a sua área de expressão criativa, trazendo novas perspetivas e uma renovada abordagem artística a uma arte de grande tradição no país. A coleção representa a [...]

Ferran Adrià: "Não há melhor marisco do que o português"

Ferran Adrià, um dos mais famosos chefs internacionais, esteve em Lisboa para um Congresso Gastronómico. Antes disso, o catalão que durante anos liderou o mítico El Bulli, falou sobre os novos projetos para o restaurante - que não passam pela restauração. E deu ideias para um maior reconhecimento da cozinha portuguesa a nível mundial. Texto de Filipe Gil | Fotografias de Álvaro Isidoro (Global Imagens) Foi várias vezes considerado o melhor e mais experimental cozinheiro do mundo. Pai da cozinha molecular, Ferran Adrià comandou durante anos os destinos do mítico El Bulli, o restaurante da Costa Brava, na Catalunha, referência [...]

O gelo do Montejunto que abastecia os reis de Portugal

No topo da Serra de Montejunto, 600 metros acima do nível do mar, virada a norte, numa zona fria e húmida ergueu-se a Real Fábrica do Gelo. Durante cerca de 120 anos dali saiam blocos de gelo que refrescavam a corte e, mais tarde, os cafés mais chiques de Lisboa. Em 1850, com a invenção do frigorífico, entrou em declínio. Se não fosse o eletrodoméstico, seriam as alterações climáticas a ditar o seu fim. Texto de Marina Almeida | Fotografias de Orlando Almeida/GI Este sítio estava condenado a derreter-se na memória coletiva. Durante mais de cem anos, nos tanques da [...]