Opinião

Joana Amaral Dias

Bufo real 

Para começar a preparar as celebrações dos 50 anos do 25 de abril, só faltava mesmo este ataque grave a manifestantes. Oportuno, não é? Esclareça-se desde já que no ordenamento constitucional e legal português nenhuma entidade ou órgão tem o poder de autorizar nem, por maioria de razão, de proibir o exercício do direito de manifestação. Ou seja, nem sequer há o dever de aviso prévio destas reuniões, como se costuma alegar, quanto mais a legitimidade em fichar participantes.

Joana Amaral Dias

Daniel Deusdado

Império, ouro, Europa. 500 anos a falhar

Não por acaso, o Presidente da República associou neste 10 de Junho o ouro do Brasil aos fundos comunitários. Olhando-se para o gráfico abaixo, percebe-se o ponto: o momento em que o rendimento de um português mais se aproximou da média europeia, aconteceu nos Descobrimentos. Mas nem aí a riqueza chegou à maioria. A mediania instalou-se ao longo dos anos e a pobreza agrava-se na primeira metade do século XX, fruto das sucessivas implosões políticas e do atavismo da Ditadura. É já com a entrada na União Europeia que o nosso produto interno bruto (PIB) melhora, mas pouco. Em retrospetiva vê-se que não há um único século que sirva de exemplo. Isso quer dizer que algo de mais intrínseco se passa connosco.

Daniel Deusdado

Rogério Casanova

O Último Morto-Vivo de George Romero

No panteão das "grandes obras perdidas", O Parque de Diversões nunca pertenceu à mesma categoria exaltada onde cabem o Escudo de Medusa, a Comédia de Aristóteles, ou a versão integral de The Magnificent Ambersons: não apenas por questões hierárquicas, mas porque durante décadas o segredo foi tão secreto que nunca houve procura suficiente para gerar um mito, ou pelo menos um culto. Tony Williams, o académico oficial de George Romero dedicou-lhe página e meia no seu estudo de 2003 (Knight of the Living Dead: The Cinema of George A. Romero), confirmando a existência de uma espécie de pseudo-documentário dramático, caucionando a relevância temática do mesmo na obra do autor, e gabando-lhe até algumas qualidades extra-funcionais, próprias, aliás, de alguém habituado a trabalhar em condições adversas e com recursos escassos.

Rogério Casanova

João Lopes

A alegria dos agentes secretos

Vivemos em pleno niilismo mediático. Da política ao futebol, acordamos de manhã, ligamos as nossas antenas e ficamos a saber que nem sequer faz sentido temer o apocalipse - já aconteceu, é tudo pós-apocalíptico, nada resta do humano a não ser a miséria das suas obscenidades. Neste tempo que elegeu a queixa e a denúncia como linguagens dominantes, alguém se escapa às obrigações niilistas, escrevendo assim: "A alegria é a minha filosofia essencial. Alegria, jóias, pensem o que quiserem, mas a alegria antes de tudo. É uma espécie de contemplação contínua."

João Lopes

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