Opinião

Luís Filipe Castro Mendes

A guerra não é um país estrangeiro

O mundo ocidental instalou-se na guerra, como se voltasse, com alívio, à essencial natureza das coisas. Os meus colegas indianos, quando lá passei, tinham-me alertado: a força dos países não se mede na sua riqueza, mede-se no seu poder militar, nas suas armas. Voltámos, na nossa Europa, a viver no mundo hobbesiano da guerra de todos contra todos, mundo donde os nossos irmãos humanos asiáticos e africanos nunca verdadeiramente chegaram a sair, mundo que responde talvez à nossa mais funda natureza.

Luís Castro Mendes

João Melo

Qué viva Colômbia!

Ao contrário do que querem fazer-nos crer os ideólogos do capitalismo tecno-financeiro global e hoje dominante (também chamado neoliberalismo), a História, obviamente, não acabou nem para. Por isso, alguns deles não escondem, agora, que o modelo deve ser imposto mesmo à custa de guerras e expansionismos, confirmando que, ao contrário (talvez) do "velho e bom liberalismo", o atual não gosta de pessoas (prefere robôs e algoritmos). Apesar de tudo, os desvalidos resistem e, de vez em quando, mostram que sonhar continua a ser possível.

João Melo

Guilherme de Oliveira Martins

Portugueses em Roma

Nos mais inesperados recantos de Roma, encontramos referências a portugueses, não apenas aos milhares de "romeiros" que, ao longo dos séculos, demandaram a capital da civilização, primeiro centro de peregrinação do ocidente, mas falo de quantos aqui viveram e tiveram influência, marcando a vida romana até aos nossos dias. E as expressões "à portuguesa" e "non fare il portoghese", suscitam curiosidade, parecendo pejorativas. Significam, é certo, entrar sem pagar, mas partem de uma realidade histórica positiva, pois têm como base o privilégio dado pelo Papa Leão X, filho de Lourenço de Médicis, na sequência da majestosa e inesquecível Embaixada enviada por D. Manuel I ao Papa.

Guilherme d’Oliveira Martins

Mais atualidade

Mais Opinião

Mirko Stefanovic

A coligação israelita

O governo israelita está, lenta mas firmemente, a perder o apoio dos seus próprios membros no Knesset, e o que é muito interessante é que está a acontecer na extrema-esquerda e também na extrema-direita da coligação governante ao mesmo tempo. Mesmo tempo e mesma razão: não há decisões políticas de direita nem de esquerda suficientes. O centro da coligação só pode limitar-se a observar o que está a acontecer, sem um poder real para fazer nada que satisfaça os atores políticos de esquerda e de direita.

Mirko Stefanovic

Jorge Fonseca de Almeida

Celebrar as derrotas como vitórias: a virtude de António Costa

António Costa é um político experimentado, de verbo fácil e lógica cartesiana, capaz de vencer qualquer oponente em debate direto. É também capaz de transmutar derrotas em vitórias e levar a audiência a aplaudir qualquer erro cometido pela equipa governativa que dirige. Diga-se, em abono da verdade, que esta é uma característica geral dos políticos portugueses. Costa contudo eleva a fasquia e leva-a para um nível superior.

Jorge Fonseca de Almeida