Atualidade

Opinião

O nuclear

Os custos humanos e materiais da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) não tinham sido ignorados pelo ensino que levou à revolta generalizada da juventude americana quando, na década de 60 do século passado, os EUA se envolveram na guerra do Vietname. A lembrança das consequências do uso da arma atómica fez circular, por esse tempo, um episódio passado numa universidade da Califórnia em que a multidão que assistia a um curso do currículo nuclear acompanhou o orador no grito - "fora com a civilização ocidental".

Adriano Moreira

PremiumO papel

O primeiro grande efeito da luta contra a emergência climática é que a nova geringonça, a geringonça 2.0, vai ser sem papel, paperfree, pense na floresta não imprima este acordo. Vai ser como aqueles casais, que têm as alegrias e desolações dos outros todos, mas que não são casados de papel passado e por isso tentam convencer os outros, e sobretudo a si próprios, de que é diferente. O segundo efeito é que vai atribuir um papel relevante a André Silva na política nacional.

Blasfemos, graças a deus

Os Monty Python entraram algures nos ecrãs da RTP, talvez ainda a preto e branco - falha-se-me a memória e o Dr. Google não ajuda -, com aquele pé a esmagar um homem num genérico que antecipava já o humor desconcertante de travo surrealista e maluco, verdadeiramente louco, que ainda hoje nos faz rir a bandeiras despregadas. Monty Python's Flying Circus está cheio de episódios desses, como a Inquisição Espanhola, Spam ou as Avozinhas do Inferno, entre dezenas e centenas de outros, que ocupariam páginas e páginas.

Miguel Marujo

Quando os autocarros da Carris eram verdes como a política

Olha-se para as paredes deste país e já não se observam murais políticos pintados a propósito das eleições legislativas. E, se noutros tempos até se achava que "sujar" as paredes era um problema, agora que quase ninguém os pinta há quem sinta saudades. Afinal, aquelas jornadas de pintura eram uma aventura para quem participava devido à complexidade de trabalho que envolviam e o resultado, mesmo que não se fosse militante dos partidos que se destacavam nessas artes, profuso em cores amarelas e vermelhas, distraíam os olhos. Até porque no início dessas pinturas pós-25 de Abril era um tempo em que os autocarros de Lisboa ainda eram de um verde escuro - como a política da época - e a cidade mais cinzenta do que branca e só havia um canal generalista e outro para intelectuais. Mesmo os debates não eram em doses maciças, nem se imaginava que um dia se iria falar da importância das redes sociais na manipulação dos indecisos. Estava-se num tempo em que os mais jovens não queriam votar num PAN da época, mesmo que houvesse alguns a fazê-lo no PSR ou na UDP, e eram arrebanhados pelos partidos do arco da governação em campanhas eleitorais de portugueses que sentiam necessidade de votar ao fim de tanto tempo sem o fazer. Para o eleitor mais distraído a atual campanha ainda mal começou e se não tiver cuidado até se esquece que é já no dia 6 que vai a votos. Tanto assim que a exceção ao tempo de antena de cores partidárias enfadonho passa principalmente pelo programa de Ricardo Araújo Pereira e as suas brincadeiras com os dirigentes políticos que lá vão do que pelas outras iniciativas públicas. O que dizer desta situação? Talvez que, como é a regra principal do humorismo, mais vale a pena fazer rir da realidade do que chorar. O pior é que cada vez mais dá vontade de chorar ao ver os programas do Ricardo, pois o modo como expõe este país - com a realidade - é tão deprimente que só quem está de mal com Portugal é que ainda se pode divertir.

João Céu e Silva

A salto

Um dia desapareceu. Não fez avisos, não deixou carta, nenhuma explicação. Simplesmente deixou de aparecer na loja de tecidos do velho tio que, mais por piedade, o acolhera. António atendia às vezes ao balcão e até encantava as senhoras da boa sociedade provinciana, mas quando a conversa passava para os tecidos a coisa descarrilava. António não distinguia um tweed de um algodão, uma seda de um linho fino, ou de uma chita barata. E o pior, invetivava o tio, irrepreensível no seu fato de bom corte, era que António não queria aprender. O jovem olhava-o com um olhar sonhador, dizia "sim, meu tio", e calava-se.

Filomena Naves

As eleições do futuro

Era um dia de semana, mas não como os outros. A chuva miudinha fingia que molhava quem se deslocava a pé ou de bicicleta. Na rua, saltavam à vista as bandeiras dos diferentes partidos que alguns prédios de tijolo encarnado ostentavam. Alguns, com bandeiras diferentes por piso, ao gosto político de quem lá vivia. O trânsito na cidade fluía, os milhares de bicicletas entrelaçavam-se sem se tocar, num caos organizado apenas interrompido quando um ou outro condutor parava junto aos cartazes políticos espalhados por diferentes pontos da cidade. Colados lado a lado num painel de metal com pouco mais de dois metros de largura e altura, cada cartaz, ou minicartaz, num tamanho pouco maior do que o A4, debatia-se pela atenção dos ainda indecisos que nesse dia, pelo menos até às 19 horas, podiam votar em toda a Holanda. Era dia de eleições municipais, dia de semana, dia em que as empresas davam tolerância para se chegar mais tarde ou sair mais cedo para fazer o ato cívico. Como habitante da cidade há já um par de meses, e cidadão da União Europeia, pude fazer a minha escolha. Depois de ter passado semanas a chatear os vários partidos políticos para me enviaram o seu programa em inglês, o que alguns fizeram, e de ter visto nos vários canais debates entre os vários candidatos que de pé, e sempre de pé, discutiam e gesticulavam (alguns a fazer lembrar discussões latinas) em frente às câmaras de TV. Mesmo não dominando a língua, consegui perceber que os assuntos andavam em redor dos direitos dos animais, da economia e da vivência entre muçulmanos e os europeus ocidentais. Depois disso, fiz a minha escolha. Nesse dia, logo de manhã, antes de entrar no emprego, prendi a minha bicicleta azul com uma corrente à volta de um poste cheio de ferrugem e juntei-me à pequena fila para votar. Depois, pela primeira vez em frente a uma máquina retirei as luvas e premi o botão para fazer a minha escolha. Simples, rápido. Civilizado. Pela metodologia, pela forma da campanha, pela inclusão, por tudo isso senti, honestamente, que um dia todas as campanhas seriam assim. 13 anos depois continuo à espera de que chegue ao nosso país. Serei o único farto da poluição visual dos cartazes políticos e de colocar o meu voto num caixote preto?

Filipe Gil

A vida é um circo voador

O público viu Monty Python pela primeira vez há 50 anos, numa noite de domingo igual às outras, provavelmente enquanto ceava um chá com bolachas (já eram 23.00 quando a BBC começou a emitir o episódio de estreia de Monty Python's Flying Circus, que em Portugal passou com o título Os Malucos do Circo). Ninguém sabia muito bem o que prever daquele grupo singular composto por cinco britânicos - Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jone e Michael Palin, todos formados em Oxford e em Cambridge - e o americano Terry Gilliam, que Cleese conheceu em Nova Iorque. Ainda assim, consta que muita gente esteve a ponto de se engasgar várias vezes ao longo do novo programa humorístico.

Ana Pago

A programadora prodígio de 11 anos que já tem a sua própria empresa

O verão é a época alta das contratações futebolísticas. À falta de outras notícias relevantes, os meios de comunicação social dedicam muito tempo aos vaivéns do mercado de jogadores. Nomes importantes e números milionários entretêm os adeptos de futebol até ao início do campeonato. Mas o tema das contratações não é exclusivo do desporto. No mundo empresarial em geral, e no das grandes empresas tecnológicas em particular, a busca de talento jovem é uma constante. Descobrir os mais novos com aptidões especiais e convidá-los a entrar para as suas empresas é um investimento de futuro que pode marcar a diferença em relação aos concorrentes dentro de alguns anos. Nesta corrida, Samaira Mehta, uma pequena programadora de onze anos, é uma das estrelas mais cobiçadas. Não é em vão que os seus passos já são seguidos de perto por dois gigantes como a Google e a Microsoft.Os feitos que levaram Samaira a estar em todas as listas de futuras figuras relevantes na tecnologia são impressionantes devido à sua tenra idade. É a fundadora e diretora executiva da CoderBunnyz, uma empresa que se dedica a ensinar programação através do jogo, já deu mais de 50 aulas a cerca de 2000 raparigas e rapazes, os seus jogos são utilizados em mais de cem escolas dos Estados Unidos e foi a vencedora do prémio Youth Entrepreneur. A sua história até chamou a atenção de Michelle Obama, que lhe enviou uma carta em 2016 para a felicitar e incentivar a continuar a progredir.Se, com o seu primeiro jogo de tabuleiro, o objetivo de Samaira era conseguir que as crianças aprendessem a escrever código, com o segundo (chamado CoderMindz) quer ensinar-lhes noções de inteligência artificial. E nada parece deter esta pequena programadora que se afeiçoou aos computadores e às linguagens informáticas aos seis anos, graças ao seu pai Rakesh Mehta, engenheiro na Intel. Samaira continua a inventar e a espremer tudo o que acontece ao seu redor para o transformar numa aprendizagem contínua que lhe permita avançar. O seu objetivo é ajudar o mundo através da tecnologia e já demonstrou que não é das que se rendem, tal como expressa na sua frase preferida: "Não te preocupes com o fracasso. Preocupa-te com as oportunidades que perdes por não tentares."Entrevista e edição: Zuberoa Marcos, Azahara Mígel, Pedro García Campos, Cris López Texto: José L. Álvarez Cedena

A prótese que foi criada com peças de helicóptero da Lego

Aos nove anos, tudo é possível. Nessa idade, a imaginação é um terreno fértil onde as ideias mais estranhas (que são as mais geniais) se podem enraizar e florescer. Depois, começam os medos e os cálculos. Chamamos a isso amadurecimento, sem nos apercebermos que essa maturidade implica uma ausência de riscos na forma de pensar que trava muitas grandes ideias. Foi aos nove anos que David Aguilar teve a ideia que viria a marcar o resto da sua vida.Começou, como não podia deixar de ser, como um jogo, enquanto montava um dos seus kits de construção de Legos. Porém, em vez de dispor as peças para se transformarem nas hélices ou na cabina do helicóptero para que foram desenhadas, decidiu colocá-las à volta do seu braço, um braço pequeno e deformado devido à síndrome de Poland, uma rara doença congénita com a qual nasceu e que afetou o seu peitoral direito e o antebraço do mesmo lado. Naquele dia, David imaginou que as suas peças de Lego podiam tornar-se numa extensão da extremidade, uma espécie de prótese que o ajudaria a executar alguns movimentos. E, como aos nove anos, tudo é possível... transformou a sua ideia em realidade e num lema que tem guiado os seus passos até hoje.Aquela primeira ideia infantil transformou-se, anos depois, numa verdadeira prótese fabricada também com peças de Lego. Ferrán Aguilar, pai de David, recorda a noite em que o filho foi à sala para lhes mostrar a sua nova invenção, com a qual podia fletir o braço e agarrar objetos: "Foi um momento mágico." Foi precisamente Ferrán que começou a partilhar vídeos e fotografias de David nas redes sociais, tendo os mesmos chegado à Lego. A empresa enviou-lhes uma carta emotiva, na qual assegurava que tinham ficado "Sem palavras... A força e a perseverança do David são algo que nos faz sentir orgulhosos e que nos leva a querer continuar a dar a todas as crianças do mundo a oportunidade de chegar às nossas peças Lego."Graças àqueles vídeos, David tornou-se numa pequena celebridade: deu conferências e foi entrevistado por meios de comunicação de meio mundo (incluindo a CNN ou o National Geographic), mas o mais importante é que, ao terminar o liceu, recebeu um convite da UIC Barcelona para estudar Bioengenharia. Aos 19 anos, e sem deixar de parte a curiosidade que guiou os seus projetos desde criança, olha para o futuro com otimismo e sabe bem o que quer fazer: "O meu sonho é ajudar pessoas que estejam na mesma situação que eu."Entrevista e edição: Noelia Núñez, Cristina López Texto: José L. Álvarez Cedena

V Digital

Príncipe Harry e Ed Sheeran: os ruivos unem-se pela saúde mental

São dois dos ruivos mais famosos do mundo e juntaram-se num vídeo que assinala o Dia Mundial da Saúde Mental. O príncipe Harry e o cantor Ed Sheeran têm uma mensagem simples: "olhe por si, pelos seus amigos e pelos que o rodeiam" e, se for o seu caso, "não sofra em silêncio", "peça ajuda". Mas até lá, protagonizam uma rábula em que o intérprete de "Shape of You" cai no equívoco de achar que o encontro com Harry está relacionado com o facto de ambos serem ruivos.

Plataforma

Noiva de Lula é quem dá ordens no PT

Chegou a "dona do pedaço". É o que sussurram os petistas quando a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, noiva de Lula, irrompe entre as centenas de pessoas que se acotovelam na porta da Polícia Federal de Curitiba, no distante e frio bairro de Santa Cândida. Lá, evidentemente, ela dispõe de passe-livre. No PT, Janja está mais do que à vontade. Ela é a nova mandachuva do partido. Com o aval do ex-presidente petista, com quem deve se casar em breve, a socióloga distribui ordens, enquadra dirigentes partidários, dá orientações a Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann, presidente da legenda, e até faz as vezes de tesoureira informal, ao se ocupar de questões de natureza financeira. Empoderada, Janja, nos últimos dias, avocou para si uma nova missão: a de preparar o PT para o pós-Lula Livre - o que ela e todos os petistas acalentam.