Opinião

Viriato Soromenho Marques

A guerra das paixões

Há muitos anos, numa biblioteca da Berlim ainda dividida, perdi a pouca inocência que ainda me restava acerca da eventual superior capacidade que os intelectuais teriam - em comparação com a maioria esmagadora das pessoas que não são pagas para pensar criticamente - de, perante uma situação extrema, manter a capacidade de análise para a qual foram educados e treinados. Consultando revistas filosóficas, alemãs e francesas, publicadas na I Guerra Mundial, surpreendi algumas antigas e futuras vedetas filosóficas, das duas margens do Reno, a juntarem as suas penas agressivas ao esforço bélico dos seus exércitos, chegando mesmo a dar crédito à propaganda mais descarada que, como estamos outra vez a recordar com a guerra na Ucrânia, consegue ser uma arma de destruição maciça, nesse campo de batalha onde se ganha e perde a adesão dos espíritos.

Viriato Soromenho-Marques 

Mohamed Suliman

Como combater o mercado de notícias falsas

Depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, alguns jovens americanos criaram contas falsas no Instagram onde partilhavam vídeos e fotografias sobre os acontecimentos. Fingindo ser jornalistas no terreno, eles atraíram milhões de seguidores e lucraram com os anúncios colocados nas suas páginas antes de serem retirados do ar. Não foi um incidente isolado; a oportunidade de lucrar enganando é a base de um mercado massivo de notícias falsas.

Mohamed Suliman

Bernardo Ivo Cruz

Em um mês a Europa mudou

Em maio de 2021 as instituições da União Europeia lançaram a Conferência sobre o Futuro da Europa, um grande programa de consulta aos cidadãos sobre o futuro da UE, composto por diálogos abertos onde qualquer pessoa pode contribuir para o debate de temas tão importantes como economia, justiça social, educação, valores e democracia, ambiente, saúde e o papel da União no mundo. O processo de consultas encerrou em fevereiro e as conclusões dirigem-se, na sua grande maioria, à vida interna da UE e dos seus Estados e traduzem as preocupações dos europeus com o crescimento económico, o desenvolvimento social, a sustentabilidade ambiental e a boa governação nacional e da UE. Ou seja, com o desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Bernardo Ivo Cruz

Adriano Moreira

Nova ambição 

Depois do cataclismo interno que foi a guerra civil dos ocidentais de 1939-1945, com epicentro na Europa a lidar com os seus demónios interiores, a chamada guerra fria, que demorou o meio século que terminou em 1989, foi uma surpreendente vida habitual. Por meados do século XX tornou-se promissora, e ativamente cultivada, a nova prospetiva que determinou a criação de departamentos estaduais, algum rejuvenescimento dos programas académicos, e intervenção de conclusões entusiasmantes da investigação, como foram as dos sucessivos Relatórios do Clube de Roma. As referências normativas da Carta da ONU, das suas resoluções e propostas, com especial relevo para a Declaração Universal dos Direitos Humanos, lidavam mais com a espuma do tempo do que com a realidade, disciplinada esta pela Ordem dos Pactos Militares da NATO e de Varsóvia, mais conservadora do que o alegado conflito ideológico deixava supor.

Adriano Moreira

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Victor Ângelo

Cinco teses à volta da crise com a Rússia

1. Não é aceitável obter ganhos políticos com base na violação da lei internacional. Vladimir Putin e o regime russo atacaram a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, iniciando uma guerra, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas. Por isso, não têm autoridade para impor condições ao país vítima dessa violência. No mundo de hoje, a força não pode ser fonte de direitos. Assim, no seguimento da condenação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a 2 de março, deve exigir-se a retirada imediata das tropas invasoras de todo o território ucraniano. E insistir nisso, mesmo quando se reconhece a realidade existente no terreno e a necessidade de negociar com os invasores. Devo acrescentar, perante a gravidade da agressão e a possibilidade de ameaças futuras, que a melhor solução para garantir a paz, agora e no futuro, passa pela derrota política de Putin. Aqui, as sanções contam imenso. Devem ser tão focadas no impacto político quanto possível. A UE não pode continuar a transferir diariamente perto de 700 milhões de euros para a Rússia, em pagamento das importações de gás e petróleo. Os líderes europeus têm de conseguir explicar aos seus concidadãos que a paz e a tranquilidade de amanhã exigem sacrifícios no presente.

Victor Ângelo

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Dia Internacional da Mulher

Fraco avanço nos salários e luta contra o feminicídio: os desafios para a igualdade de género

Fraco avanço nos salários e luta contra o feminicídio: os desafios para a igualdade de género

Manuela Júdice (Portugal) e Victoire Di Rosa (França) são as comissárias da Temporada Cruzada França-Portugal 2022, iniciativa acordada entre Emmanuel Macron e António Costa no âmbito da presidência da UE. O Fórum Igualdade, pela igualdade de género na Europa, que decorre na cidade francesa de Angers até amanhã, é um dos muitos eventos a realizar nos dois países entre fevereiro e outubro. Fizemos as mesmas perguntas às duas comissárias.

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