Destaques

Opinião

Choque sistémico colossal

Não há memória de uma derrota tão colossal de um primeiro-ministro na era moderna da política britânica. Quem mais se aproximou foi o trabalhista Ramsay MacDonald em 1924, por 166 votos, menos 64 do que Theresa May. Westminster viveu, por isso, um dia singular na sua história, o que em condições normais levaria de imediato à demissão da primeira-ministra, numa fuga humilhante pela porta dos fundos. Curiosamente, não é este o cenário mais plausível, pelo menos na forma abrupta que muitos esperavam.

Bernardo Pires de Lima

Faltam 72 dias para o Brexit. Ou não?

Uma coisa que anos a escrever sobre a União Europeia ensina é: as crises formam-se à vista de toda a gente, primeiro subestimam-se, depois arranjam-se soluções ad hoc, elaboram-se planos, normalmente rejeitados pelos cidadãos de um ou mais Estados membros, grita-se que não há plano B, que é assim ou não é, depois apanha-se mais uns choques, apregoa-se quase o apocalipse e, in extremis, eis que alguém, em algum sítio, em alguma circunstância, aparece com uma solução. Foi assim na crise da Constituição Europeia, do Tratado de Lisboa, o seu herdeiro, na crise das dívidas soberanas e do euro, da falência da Grécia e a sua quase saída da moeda única, com um referendo pelo meio também. Isto só para dar alguns exemplos.

Patrícia Viegas

PremiumAdeus, futuro: "As drogas e os simples"

Antes de haver supermercados, as drogarias desempenhavam um papel fundamental na organização doméstica, e a do meu bairro cheirava àquele quadrado de sabão com que então se esfregava a roupa na tábua canelada do tanque. Além de vender pentes, vassouras, lixa e aguarrás, era lá que se encontravam coisas com nomes incríveis como Benzovac (que tirava nódoas), Solarine (que areava pratas), borato, bicarbonato e permanganato (para usos vários) e até um pó lilás que, misturado com água oxigenada, descolorava buços e pêlos de braços num tempo em que não se usava a depilação. Atrás do balcão, além de um rapaz que catrapiscava a minha irmã, era possível ver uma longa fila de frascos de vidro com tampa de metal, todos devidamente etiquetados, com as várias substâncias que faziam do estabelecimento uma drogaria.

Maria do Rosário Pedreira

PremiumPermitir pode ser útil, mas é  sobretudo necessário

Na nossa sociedade, o papel do binómio proibição-permissão tem assumido grande relevo. A verdade é que uma das primeiras coisas que nos ensinam é precisamente o que nos é interdito e o que nos é permitido. Tem sido a primeira base estruturante do indivíduo, a nível comportamental e educacional, desde a infância, através da adolescência e até à idade adulta. É frequentemente na perceção que resulta deste binómio que alicerçamos as nossas noções do certo e do errado, do lícito e do ilícito, quando falamos de vida em comunidade. Nesta perspetiva, a da harmonização de costumes e modos de estar em conjunto, é óbvia a sua utilidade para a ordem estabelecida. Mas, quando falamos numa perspetiva mais complexa e mais ampla, como a das políticas públicas de saúde e sociais, o simples proibir basta? Não deveremos nós, enquanto pais, cidadãos e responsáveis políticos, ter a maturidade suficiente para atingir aquela fase de questionação saudável que todos atravessamos, em que se reflete sobre a proibição, a sua prática e a sua utilidade?

Maria Antónia de Almeida Santos

DN Life

Afinal, quanto pão podemos comer por dia sem engordar?

Muito mais do que pensa, diz quem sabe. Está a ver aquela fatia de pão de centeio com queijo fresco que não lhe sai da cabeça? Pode ir já comê-la sem sombra de culpa. Acontece a todos os adoradores de pão deste mundo: quanto mais nos dizem que engorda, incha a barriga e tal e tal, mais passamos o dia a sonhar com a torrada que não comemos de manhã e não nos sai da cabeça. Bem sabemos que o mais certo, depois, é acabarmos a enfardar bolachas ou um croissant impróprio [...]

A saúde mental é um assunto sério. 5 exemplos de como a banalizamos

«Mudou de opinião de um dia para o outro? Deve ser bipolar.» Quantas vezes usamos termos clínicos de transtornos mentais graves para descrever situações do quotidiano? É importante saber a diferença e respeitar o outro. Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais serão a principal causa de incapacitação no mundo em 2030 e a depressão será a primeira causa de doenças. «A nossa linguagem vive de termos clínicos para definir situações do dia-a-dia com uma forte conotação negativa. O único ponto positivo associado às pessoas com doença mental [...]

Beber chá (com cafeína) durante a gravidez pode ser prejudicial para o bebé

Os chás que contêm cafeína - como o chá verde ou preto - podem apresentar mais riscos para o feto, no que diz respeito ao seu desenvolvimento. Novo estudo realizado pela University College Dublin, na Irlanda, analisou a situação de 941 mães. Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock Vários estudos já realizados indicam que o consumo de cafeína durante a gravidez pode ser prejudicial para o bebé. Agora, um novo estudo realizado pela University College Dublin, na Irlanda, acrescenta que o chá com cafeína também pode ter efeitos negativos no que diz respeito ao peso do bebé e à [...]

DN Ócio

Uma loja que é também estúdio e laboratório de ideias

São mais de 30 as marcas expostas no número 123 da Rua Adolfo Casais Monteiro, no Porto. A antiga Padaria Independente, localizada num dos mais artísticos bairros da cidade, deu lugar, em 2016, à Banema Studio, um espaço dedicado à inovação e à criatividade. Os 300 metros quadrados acolhem dois pisos e dois ambientes distintos: a Banema Studio e o Banema Lab. «O primeiro é um espaço para estar e descobrir objetos especiais, no segundo, para além da vertente comercial, a formação, seminários e conferências serão um veículo para informar arquitetos, decoradores de interiores, estudantes e outros clientes profissionais e [...]

Exposições para 2019: o nosso cérebro, Joana Vasconcelos, Jasper Morrison e muito mais

A Gulbenkian prepara uma exposição inédita sobre o cérebro humano. Serralves recebe Joana Vasconcelos. Jasper Morrison encontra-se com Portugal no Museu de Etnologia. As exposições para 2019 desvendam-se. Texto de Marina Almeida Cérebro - mais vasto que o céu, inspira-se no poema de Emily Dickinson, para levar até à galeria principal da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, uma exposição inédita sobre o cérebro humano. Inaugura a 14 de março e é um dos destaques do que aí vem. Mas há mais. A exposição dedicada ao cérebro, onde os visitantes vão poder ouvir e visualizar a sua atividade cerebral, [...]