Atualidade

Opinião

Leonídio Paulo Ferreira

Roleta espanhola agora com mais balas Vox

Nos últimos cinco anos, os espanhóis já tiveram o Podemos (agora Unidas Podemos) como terceiro maior partido, depois deram em abril esse estatuto ao Ciudadanos, agora é o Vox que emerge como a maior força depois dos tradicionais PSOE e PP. Não haverá maior prova de que o sistema partidário espanhol se tornou uma roleta russa e que, perante eleitores que cada vez mais saltitam de sigla em sigla, os líderes partidários se mostram incapazes de compromissos mínimos para bem do país. Preferiram até agora, tudo indica, fazer cálculos de poder ou ceder a implicações pessoais.

Leonídio Paulo Ferreira

Rute Agulhas

Quando uma mãe coloca um filho no lixo

Quando uma mãe coloca um filho no lixo todo o país pára e desata a formar impressões e a tecer juízos de valor, com base na pouca informação disponível. Esticam-se dedos acusatórios e condena-se a mãe (a quem chamam monstro) em praça pública, antes ainda de serem conhecidos todos os contornos da situação. Outros há que se focam no facto de a mãe viver, alegadamente, na rua, o que remete para questões sociais, económicas e políticas associada à realidade das pessoas que vivem sem abrigo. Uma realidade que permanece ainda sem respostas suficientemente adequadas e que, sabemos, tantas vezes se [...]

Rute Agulhas

Leonídio Paulo Ferreira

Jantar cavalo na estepe do Cazaquistão 

Cazaquistão e Mongólia quase se tocam e há mapas que chegam mesmo a enganar, criando com as linhas a ilusão de uma fronteira comum. De qualquer forma, naquela vastidão de vegetação rasteira, a célebre estepe, nada serviu alguma vez de verdadeira fronteira física aos magníficos cavaleiros nómadas que se habituaram a considerar a Eurásia como um mar seu, com a planície da Panónia a ser o limite ocidental, por ali acabar a erva verde-amarelada que serviu de pasto aos cavalos das hordas hunas, magiares e mongóis, as que vieram até mais ocidente.

Leonídio Paulo Ferreira

Catarina Reis

"Meninas" e "meninos" do meu Porto

Lisboa, 2017. Aconteceu numa caixa de supermercado, a primeira vez que senti a falta do meu Porto. A "menina" não me lançou uma nota qualquer sobre o tempo que fazia lá fora (muito chuvoso, para um mês como maio) nem comentou a promoção de papel de cozinha que eu estava a aproveitar. Um a um, cada artigo ia acionando o bip na leitura de código de barras da caixa, à medida que eu enchia o meu saco e pensava como aquela "menina" (como chamamos lá no meu norte, quer a "menina" tenho 8 ou 80 anos) jamais saberia sequer de que cor eram os meus cabelos. Nunca levantou a cabeça e eu nunca lhe soube a cor dos olhos.

Catarina Reis

Maria João Caetano

Governantas

"Um homem não se consegue governar sozinho", resignava-se a minha avó, que passou grande parte da vida a cozinhar, a limpar e a arrumar. Dizia governar-se como quem queria dizer arranjar-se ou orientar-se. E dizia-o com uma certa condescendência. Coitados dos homens, como haveriam eles de se governar sem uma mulher em casa a passar-lhes as camisas a ferro e a fazer-lhes o almoço? Um homem tinha de pensar em assuntos importantes, tinha de trabalhar e ganhar dinheiro, tinha lá "as coisas dele" para fazer, precisava de alguém que lhe cuidasse das minudências. Alguém que tratasse do "governo da casa", essa arte cultivada pelas mulheres que (ainda há pouco tempo) liam os livros da Laura Santos, com títulos como Noiva, Esposa, Mãe ou A Mulher na Sala e na Cozinha, livros com capas duras e imagens de mulheres perfeitas, que ensinavam a tratar de bebés e a limpar os estanhos.

Maria João Caetano

Projeto de família: imprimir um Lamborghini

Projeto de família: imprimir um Lamborghini

Henry Ford, criou a linha de montagem para a sua fábrica e impulsionou um modelo de empresa que acabaria por se impor no país e por ser exportado para o resto do planeta no século XX. Por isso, nada de fazer piadas com o que sai de uma garagem do Michigan, da Pensilvânia ou... do Colorado.Foi precisamente neste estado no oeste dos Estados Unidos da América que nasceu um projeto que aliou esse espírito empreendedor às novas tecnologias e à filosofia do "faça você mesmo". Trata-se de uma réplica do Lamborghini Aventador que um professor de Física e o seu filho mais novo construíram na garagem de casa, imprimindo as suas peças em 3D.Quando o membro mais novo da família Backus perguntou ao pai se lhe podia dar o seu carro preferido do videojogo Forza Horizon 3, este deveria ter respondido que os mais de 300 mil euros que custa a versão base do veículo italiano estavam bastante longe do orçamento familiar. Em vez disso, com muito engenho, conhecimentos de engenharia, cerca de 20 mil euros e um sem-fim de tutoriais do YouTube, o professor Sterling Backus e o seu filho conseguiram uma proeza com a qual se divertem não só eles, mas também todas as crianças da vizinhança. Uma excelente demonstração de que a ciência e a tecnologia podem ser divertidas e motivo de inspiração para os mais novos.Entrevista e edição: Azahara Mígel e Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

A galeria de arte em realidade virtual

A galeria de arte em realidade virtual

Edgar Degas foi um dos pintores mais importantes da segunda metade do século XIX, interessava-se por mostrar o lado quotidiano da vida urbana e, sobretudo, o mundo do espetáculo, com as suas famosas pinturas de bailarinas. O pintor rejeitava as novas tecnologias num período em grande mudança, dizendo-se, inclusivamente, que se recusava a usar o telefone. Esta característica torna ainda mais curiosa a experiência proposta por Alonso Trenado com a colaboração do Museu Thyssen-Bornemisza de Madrid: assistir à criação de uma versão digital da obra "Bailarina Basculando" (Bailarina Verde) de Degas com Tilt Brush, a paleta virtual da Google. Para isso, contou ainda com a colaboração da artista Vanessa Iacono, verdadeira artífice da obra.A tecnologia Tilt Brush da Google permite realizar obras em três dimensões através de uma aplicação e de um dispositivo de realidade virtual. A aplicação traduz os movimentos do pintor, transformando-os em traços aos quais se pode dar profundidade, força ou inclinação, tal como se faria numa tela. Com a única diferença de, neste caso, a tela ser o espaço real. Tilt Brush coloca ao dispor dos utilizadores bibliotecas abertas de onde é possível descarregar pincéis, cores e texturas, bem como sons e movimentos que também podem ser incorporados na obra. Abre-se assim um novo campo de experimentação artística, onde a pintura, a escultura e o digital se misturam para criar obras completamente novas.Entrevista e edição: Alonso Trenado, Cris LópezTexto: José L. Álvarez Cedena