Atualidade

Opinião

Henrique Burnay

Trump, o antiamericano

Para um europeu que admire o Ocidente, Donald Trump merece perder as eleições por ter sido o presidente que reduziu o papel dos Estados Unidos no mundo e traiu a América em casa. Lá fora, tratou os aliados como adversários, foi contabilístico onde devia ter sido estratégico e mesmo onde podia escolher, preferiu autoritários a líderes democratas e liberais. Em casa, com a ajuda dos radicais do Partido Democrata, dividiu um país que era uma nação e já quase não é.

Henrique Burnay

Fernando Jorge Cardoso

A Aceleração das Mudanças Globais

A aceleração das mudanças globais está a afetar cada vez mais o ambiente e os nossos modos de vida, com o futuro a entrar rapidamente no presente, forçando pessoas, sociedades e sistemas políticos a enfrentarem novas realidades, algumas das quais difíceis de compreender, de reconhecer e de gerir - como é o caso da corrente pandemia e das suas implicações transversais. Sem dúvida que a mais preocupante é degradação do clima e da sustentabilidade dos ecossistemas que representa um desafio existencial, mas a aceleração das mudanças acontece paralelamente em outras esferas que afetam a nossa vida, desde a revolução digital e a tão propalada transição energética (com efeitos marginais sobre o consumo de energias fósseis, que se mantém desde há mais de 50 anos superior a 80%), até à velocidade com que a urbanização e os movimentos demográficos se verificam. Numa outra vertente, o próprio modelo de crescimento global está a mudar de natureza, dado que, não deixando de ser de produção e consumo de massas, com a crescente sofisticação e generalização dos sistemas de vigilância e dos algoritmos, as pessoas substituíram as coisas como mercadorias principais, através da leitura e manipulação do nosso comportamento para fins comerciais (e políticos).

Fernando Jorge Cardoso

Ignacio Vázquez Moliní

Identidade política e autocensura

Têm surgido vozes, desde há alguns meses e cada vez com maior nitidez sobretudo no mundo académico, interrogando-se até que ponto é aceitável no âmbito da investigação científica e do debate racionalista essa espécie de autocensura, resultado de posições marcadamente reacionárias, que impedem o debate sobre determinados temas que possam melindrar, mais ou menos indirectamente, qualquer sector da sociedade. Assim sendo, em Julho passado, publicou-se nas páginas da Harper"s Magazine uma carta aberta que alcançou grande repercussão, não tanto porque o seu conteúdo fosse realmente novo, mas pela envergadura e notoriedade dos intelectuais que a assinavam. Personalidades tão distintas como Noam Chomsky, Salman Rushdie ou Francis Fukuyama, juntaram as suas vezes num texto intitulado "A Letter on Justice and Open Debate". Entre outros aspectos, denunciavam o clima intolerante que está a subir de tom no seio das sociedades ocidentais, onde em vez de se fomentar o debate aberto de ideias, se vai impondo um ambiente de intolerância que impede o auténtico desenvolvimento democrático da sociedade moderna, de tal maneira que tudo o que se afaste de uma pretendida norma moral imposta por setores cada vez mais reacionários, sem que este adjetivo implique se são de direita ou de esquerda mas, sim, contrários a quem quer que tolere os que pensam de forma diferente, a ponto de os votarem ao repudio, ao ostracismo e vergonha pública. Isto até se chegar ao nível máximo de refinamento dessa estratégia perversa, que consiste em impor uma cada vez mais férrea e definitiva autocensura.

Ignacio Vázquez Moliní

A. Reis Monteiro

Direito à educação para a cidadania

O Direito tornou-se o mais potente motor da Civilização. No mundo contemporâneo, não há alternativa à normatividade jurídica para regular a coexistência pacífica das culturas, dos povos e de toda a diversidade humana. Todavia, é conhecida a "poligamia" do Direito, sobretudo no plano nacional. Por um lado, a sua generalidade e maleabilidade prestam-se a possíveis argumentações contraditórias e ao "comércio" de jurisconsultos. Dizia-me, há anos, um reputado e conhecido Professor de Direito, a propósito de dinheiro: "Basta-me elaborar um "parecer", num fim de semana"... Por outro lado, não é raro a mentalidade dos Juízes sobrepor-se ao dever funcional e obrigação profissional de aplicar o Direito. Por exemplo, em 2006, o Supremo Tribunal de Justiça disse (por unanimidade): «Na educação do ser humano justifica-se uma correcção moderada que pode incluir alguns castigos corporais ou outros. Será utópico pensar o contrário e cremos bem que estão postas de parte, no plano científico, as teorias que defendem a abstenção total deste tipo de castigos moderados». No Acórdão não se encontra nenhuma referência aos "direitos da criança" nem, portanto, à Convenção sobre os direitos da criança, que é o Direito superior aplicável. Noutro caso, um Juiz decidiu que uma criança vítima de maus tratos devia ser devolvida à família, considerando que o laço biológico deve prevalecer sobre o laço afectivo, e a criança acabou por morrer. Portugal já foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por causa de sentenças de Juízes ditadas pela sua "consciência" e preconceitos.

A. Reis Monteiro

Rute Agulhas

Sexo no comboio, discriminação da mulher e educação sexual

O vídeo viral sobre três jovens (ou jovens adultos) a manter comportamentos sexuais explícitos durante uma viagem de comboio tem sido sobejamente falado e dispensa quaisquer apresentações. Muitos viram até ao fim, outros tantos ficaram a meio e outros, ainda, denunciaram o vídeo. Alguns partilharam com amigos e não amigos. E depois existe aquela franja de pessoas que não se limitou a ver, apagar, denunciar ou partilhar. Tinham que fazer comentários depreciativos.

Rute Agulhas

Mais atualidade

Saramago e Pessoa vão ao cinema
Premium

1864

Saramago e Pessoa vão ao cinema

Difíceis de se converter em imagens, os mundos conceptuais de José Saramago (1922-2010) e de Fernando Pessoa (1888-1935) não deixam de despertar algum fascínio ao cinema. Tanto ontem como hoje. O caso de Saramago é particularmente curioso, se atentarmos no facto de serem mais os cineastas estrangeiros a assumir o risco de adaptar obras suas do que os portugueses. Enfim, a inversão dessa tendência faz-se notar agora com a estreia de O Ano da Morte de Ricardo Reis, realizado por João Botelho, e uma anunciada adaptação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por Miguel Gonçalves Mendes, o realizador que filmou o documentário José e Pilar (2010) com a grande cumplicidade do Prémio Nobel e da sua mulher, Pilar del Río. Por sua vez, Pessoa, na instabilidade dos seus heterónimos, parece vaguear de filme em filme como um espectro literário que levanta a bruma sobre o imaginário lisboeta - veja-se Mensagem (1988), de Luís Vidal Lopes, uma película que assenta nesse texto profético do poeta e se converte numa leitura ela própria cabalística, ou a versão divertida da persona que se encontra na curta-metragem Como Fernando Pessoa Salvou Portugal (2018), de Eugène Green. Um poema aqui, outro ali, "Fitas de cinema correndo sempre/ E nunca tendo um sentido preciso", escreveu o heterónimo Álvaro de Campos, e lá isso é verdade: os sentidos são múltiplos. Aqui correm oito fitas, quatro baseadas em Saramago, e outras quatro de inspiração pessoana.

Viriato Soromenho-Marques

Duas lições de Vénus

Causou sensação mediática a revelação da descoberta da molécula fosfina na atmosfera de Vénus, por parte de uma equipa multidisciplinar de cientistas. Contudo, mais do que uma descoberta, trata-se da identificação de uma hipótese: a fosfina poderia (falta prová-lo) ser um indicador da existência em Vénus de micro-organismos elementares, capazes de sobreviver sem oxigénio. Sem retirar valor à nova hipótese, julgo que ela vale, sobretudo, por duas outras razões que ficaram ausentes das notícias: a constatação da imensa solidão humana no universo e o que Vénus já nos ensinou sobre o futuro da Terra.

Viriato Soromenho-Marques

Victor Ângelo

O presidente Trump e as Nações Unidas

O nome do laureado com o Prémio Nobel da Paz deste ano será anunciado a 9 de outubro. A lista de candidatos conta com 318 nomes, um número impressionante. Ao que parece, o nome de Donald Trump estaria incluído no rol dos nomeados, o que não é impossível, pois um membro do seu governo, do Congresso ou qualquer outra personalidade, têm a faculdade de nomear. O facto é que o presidente veria com muito agrado a atribuição do Nobel. Calhava que nem ginjas, menos de um mês antes da eleição presidencial.

Victor Ângelo

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Especiais DN

Uma imagem que não era comum em Esch-sur-Alzette: homens sem sítio para dormir

"Eu, escravo". Trabalhadores acusam empresário português

Eram pedreiros, estavam desempregados, um deles tem 63 anos. Responderam há semanas a um anúncio de jornal em Portugal que lhes prometia casa, comida e descontos no Luxemburgo. Dizem que se depararam com salários abaixo do mínimo, 60 horas de trabalho semanais, habitações sobrelotadas, até espancamentos. Apareceram no centro de Esch esta semana, dizendo que tinham fugido. E contaram isto. Originalmente publicado no jornal luxemburguês Contacto.

Chegou e venceu. Até onde vai André Ventura?

Chegou e venceu. Até onde vai André Ventura?

Extrema-direita ou apenas populista? Passado pouco mais de um ano de ser criado e de ter conseguido eleger um deputado, o Chega surge nas sondagens como terceira força política no espectro parlamentar e André Ventura em segundo lugar nas intenções de voto para as presidenciais. A história de um partido que atacou os ciganos, este sábado reelegeu o líder com 99,1% dos votos e referendou a pena de morte. [Notícia atualizada à 01.45 com resultados das diretas]

V Digital

Fernando Alves comemora 50 anos de rádio

Um serão inquieto a falar da paixão pela rádio

Os cinquenta anos de Rádio de Fernando Alves foram o pretexto para reunir um grupo de velhos e novos amigos para falar sobre Rádio: que se perdeu nos últimos anos? O que se ganhou? Para onde vai, a tão amada Rádio? Fernando Alves e Pedro Pinheiro receberam Adelino Gomes, coordenador do primeiro curso de formação da TSF; Francisco Sena Santos, a voz do primeiro noticiário da TSF; Carlos Andrade, antigo diretor da TSF; Agostinho Pereira de Miranda, o "Rei da Rádio"; André Cunha e Teresa Dias Mendes, jornalistas da TSF, e Rita Figueiras, investigadora. Ana Bravo, aos comandos da emissão, abriu o postigo por onde decorreu este serão inquieto especial que pode ouvir na totalidade aqui.

Apple lança dois Watch: um mede o oxigénio no sangue, o outro é "low-cost"

Apple lança dois Watch: um mede o oxigénio no sangue, o outro é "low-cost"

Os aficionados da Apple terão uma série de novos produtos por onde escolher a partir das próximas semanas. No seu evento de fim de verão, a marca lançou dois novos relógios inteligentes, Watch Series 6 e Watch SE, um novo iPad Air com autenticação por impressão digital no topo e um iPad de oitava geração com um preço mais baixo. A empresa liderada por Tim Cook, que desta vez apresentou um evento pré-gravado a partir do Apple Park, em Cupertino, também introduziu novos pacotes de serviços, que estarão disponíveis lá mais para o fim do ano. Esta quarta-feira, o novo iOS 14 fica disponível para download e atualização dos iPhone.