Atualidade

Opinião

Leonídio Paulo Ferreira

A superpotência, a potência emergente e a potência hesitante

Se alguém duvida de que a Europa um dia governou o mundo, esqueça os mapas dos impérios e pense nas línguas mais faladas hoje. Tirando o mandarim e o hindi, nos seus bastiões, são o inglês, o espanhol, o português e o francês. Quem domina estas línguas viaja à vontade nas Américas do Alasca até à Patagónia, por África e Médio Oriente, no Sudeste Asiático e na Oceânia também. E com o inglês abrirá portas não só na Índia como na China e no Japão, dos raros que escaparam à colonização.

Leonídio Paulo Ferreira

Ricardo Paes Mamede

A esquerda, a direita e o Estado

É um equívoco comum: a ideia de que esquerda e direita se distinguem pelo desejo de mais ou menos Estado. Há esquerda e direita estatizante, como há esquerda e direita libertária. Há direita que se afirma liberal e nada faz (ou pretende fazer) para reduzir a dimensão do Estado, como há esquerda que se diz socialista e contribui activamente para a redução do espaço da intervenção pública. A questão não é apenas conceptual, influencia muitas das opções políticas que são tomadas todos os dias.

Ricardo Paes Mamede

Maria do Rosário Pedreira

Ligar os pontos

Fiz uma parte significativa da minha formação sem poder escolher canetas, lápis ou cadernos, não porque na minha escola exigissem um material específico, mas porque o mercado era então tremendamente escasso. Vendiam-se uns cadernos pautados ou quadriculados com capa lisa e, para os rascunhos, umas sebentas que ficavam mesmo sebentas num instante, pois eram feitas de um papel tão mau como o que absorvia o óleo das batatas fritas lá em casa. As borrachas com cheiro a morango não passavam de um sonho, os afia-lápis eram todos de alumínio; e, às costas, em lugar das mochilas leves e coloridas de hoje, carregávamos umas pastas duras que levavam meses a perder o cheiro a couro. Até os passatempos nos suplementos juvenis dos jornais eram sensaborões: ligar os pontos para encontrar uma figura, pintar de acordo com o modelo, sair de um labirinto... Sem hipótese, porém, de saber o que o futuro traria - marmitas lindas para substituir aqueles termos de xadrez que davam sempre um ar de pudim à comida -, andávamos satisfeitos com o presente.

Maria do Rosário Pedreira

Margarida Balseiro Lopes

Ainda o Orçamento do Estado

A aprovação do Orçamento do Estado (OE) constitui uma das mais importantes competências atribuídas pela nossa Constituição à Assembleia da República. Neste sentido, e devido às insuficiências da proposta apresentada pelo governo e que se encontra neste momento em discussão, a Juventude Social-Democrata apresentou três medidas concretas de alteração ao OE 2020, imprescindíveis para a melhoria das condições de vida dos jovens portugueses. Em primeiro lugar, defendemos o alargamento da isenção parcial de IRS a todos os jovens trabalhadores, e não somente àqueles que têm rendimentos de trabalho dependente. Se, por um lado, é de salutar o alívio fiscal atribuído aos jovens em início de vida profissional, que tantas vezes se encontram impedidos de se emancipar e criar o seu projeto de vida, é por outro lado incompreensível que tal benefício exclua os jovens trabalhadores independentes. Afinal, estes jovens enfrentam os mesmos desafios, causados pelos problemas estruturais nos mercados da habitação e do trabalho, por vezes aliados a uma ainda maior vulnerabilidade financeira e contratual. Por isso, evitando qualquer discriminação arbitrária relativamente aos jovens portugueses, a JSD considera ser um imperativo de justiça proceder a este alargamento. Em segundo lugar, propomos o aumento do limiar de elegibilidade até ao qual os jovens se podem candidatar a uma bolsa de estudo. Em 2019, o limiar de elegibilidade foi de 8040 euros. O que significa que um aluno que se tenha autonomizado do seu agregado familiar e esteja a trabalhar e a auferir o salário mínimo nacional não pode aceder a uma bolsa de estudo. O que, considerando o preço dos quartos e das casas, torna impossível a frequência do ensino superior. Ora, se pretendemos de facto construir uma sociedade mais equilibrada, em que exista igualdade de oportunidades, devemos continuar a investir num sistema de ação social mais competente e eficaz. Neste sentido, a JSD propõe que o limiar de elegibilidade até ao qual os jovens podem candidatar-se a uma bolsa de estudo suba para 18 vezes o valor do indexante dos apoios sociais, 8890 euros. Assim, alargar-se-á o potencial número de estudantes bolseiros, e corrigir-se-ão injustiças flagrantes. Em terceiro lugar, a JSD propõe o aumento do complemento de alojamento para estudantes com direito a bolsa de estudo mas que não conseguem lugar nas residências dos serviços de ação social. Atualmente, este complemento possui um teto máximo de 30% do IAS, isto é, pouco mais de 130 euros, o que é manifestamente insuficiente para, em 2020, arrendar um quarto em grande parte do território português, e em particular nas áreas metropolitanas. Assim, fica colocada em causa a frequência académica de muitos estudantes. Por isso, e ainda que não seja o desejável, a JSD propõe um aumento do complemento de alojamento para 50% do IAS, no valor de 219 euros, de forma a mitigar as dificuldades enfrentadas pelos alunos que pretendem arrendar casa ou quarto para frequentar o ensino superior. Estas três propostas contribuem para o combate aos problemas estruturais do nosso país, apesar de, obviamente, não os esgotarem nem serem suficientes para a sua resolução. No entanto, contribuem para algo muito maior: proporcionam aos jovens portugueses a oportunidade e o direito de serem protagonistas da solução.

Margarida Balseiro Lopes

Mirko Stefanovic

Auschwitz-Birkenau (uma história pessoal)

Setenta e cinco anos após a libertação do campo de extermínio nazi de Auschwitz-Birkenau, a data está a ser comemorada em Israel, na Polónia e noutros lugares, e as memórias do Holocausto tornaram-se, mais uma vez, um tema de conversa. Nesse 27 de janeiro, 75 anos atrás, o Exército Vermelho Soviético entrou no campo abandonado, onde permanecia apenas um pequeno número de prisioneiros, aqueles que não acudiram à chamada dos seus captores para saírem dos seus alojamentos e deixarem o campo juntamente com eles. Nem mesmo as ameaças do exército alemão de fazer explodir o campo antes da chegada das tropas soviéticas convenceram essas pessoas a abandonar a área, sabendo que a palavra nazi não tinha qualquer valor.

Mirko Stefanovic

Vida e futuro

Cientistas na Austrália criam novo tipo de ecrã tátil que pode ser dobrado como papel

Criado novo tipo de ecrã tátil que pode ser dobrado como papel

Os ecrãs táteis do futuro poderão ter a flexibilidade de um jornal, ser dobrados e enrolados, com uma tecnologia desenvolvida por investigadores na Austrália. A tecnologia consiste num material eletrónico ultrafino e ultraflexível que é cem vezes mais fino do que os ecrãs táteis atuais e pode ser enrolado como um tubo. A investigação da equipa, liderada por investigadores do Royal Melbourne Institute of Technology, foi publicada na revista científica Nature Electronics e consiste num novo material condutor produzido a partir de materiais usados em ecrãs táteis combinados com metal líquido. O material usado atualmente é transparente, tem boa condutividade, [...]

Helena Tecedeiro

A arte de tirar cortiça do tio Zé

Quando se passa pelas estradas do Alentejo, é cenário comum o daquelas árvores de tronco avermelhado em contraste com os ramos escuros e rugosos. São sobreiros aos quais acabaram de tirar a cortiça. Tirar. Porque a cortiça não se recolhe nem se apanha, tira-se. De nove em nove anos, os homens sobem ao sobreiro e com o seu machado, a sua arte e o seu amor tiram a cortiça, um material usado nas rolhas das garrafas de todo o mundo e de que Portugal é o maior produtor.

Helena Tecedeiro

Filomena Naves

Aquelas quatro notas

Pan pan pan paaam... Pan pan pan paam... Quatro notas límpidas - e todo um universo naquela ideia simples. Como uma pergunta lançada no ar, que se vai repetindo nos vários instrumentos de infinitas maneiras, aquele pan pan pan paam sucede-se numa escalada cada vez mais tensa, atravessa a orquestra, reinventa-se em timbres e alturas e, já à beira de não poder prosseguir, atinge um ponto de luz, e espraia-se no horizonte - para logo recomeçar. São talvez as mais famosas quatro notas do nosso imaginário musical, que as tornou suas de muitas maneiras: nas canções pop rock, no cinema, nos desenhos animados, no humor, e até na resistência à tirania. E se um cão chamado Beethoven nos faz sorrir, um cartoon nos arranca uma gargalhada e uma boa rockalhada à base das famosas quatro notas nos enche de pica (talvez não funcione para todos), a sua utilização na luta contra a guerra e a opressão não podia ser mais apropriada ao seu criador - Beethoven, claro.

Filomena Naves

Óculos de natação com realidade aumentada

Óculos de natação com realidade aumentada

A natação é considerada o desporto mais completo. Especialistas em medicina desportiva defendem os benefícios da modalidade que, ao contrário de outras, permite exercitar todas as extremidades e realizar um bom trabalho cardiovascular. Mas tal como acontece com a corrida, em que não basta começar a correr e já está, na natação não basta atirar-se à água e começar a dar aos braços e às pernas. De facto, é recomendável que haja um acompanhamento para evitar lesões e, além disso, ter um controlo do tempo e do esforço que dedicamos enquanto nadamos. Deste modo, é possível ir acumulando dados e comparar a evolução entre sessões. E, também aqui, a tecnologia é uma grande ajuda, neste caso sob a forma de óculos de natação com realidade aumentada integrada.Os Form Swim Goggles possuem um visor inteligente que permite ao nadador ver as métricas de rendimento em tempo real através de um ecrã integrado nos próprios óculos. O atleta pode ver, a qualquer momento, a distância percorrida, o número de braçadas ou os tempos intermédios enquanto nada. Estes dados são simultaneamente registados numa aplicação móvel. Embora o que mais chame a atenção nos Form Swim Goggles sejam as suas prestações tecnológicas, os seus criadores não puseram de parte um pormenor óbvio: por se tratar de óculos para nadadores, tiveram especial cuidado em torná-los cómodos, fáceis de utilizar e fabricados com materiais de alta qualidade para oferecer um ajuste personalizado.Como sempre, a última palavra para determinar se este tipo de dispositivos é útil ou não pertence a quem os utilizará de forma intensiva: os atletas. Por isso, Maldo esteve com uma nadadora olímpica, Mónica Ramírez Abella, para experimentar os Form Swim Goggles e comprovar se cumprem o que prometem.Entrevista e edição:  Pedro García Campos | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

Como funcionam os efeitos visuais no cinema

Como funcionam os efeitos visuais no cinema

Um dos truques visuais que revolucionou a forma de fazer cinema (e, mais tarde, de fazer televisão ou qualquer outra produção audiovisual) foi a chegada do chroma. Esta técnica do "bluescreen" (ecrã azul, embora mais tarde se tenha popularizado o verde) não é nenhuma novidade: foi utilizada pela primeira vez no filme "O Ladrão de Bagdad", de 1940. O responsável pela ideia foi Lawrence W. Butler, embora o verdadeiro impulsionador do chroma tenha sido Petro Vlahos, que ganhou cinco Óscares pelos seus contributos na área dos efeitos visuais entre os anos sessenta e noventa.Já se passaram muitos anos desde então, mas a técnica introduzida por estes pioneiros foi sempre evoluindo, não ficando obsoleta. Agora até nos podem parecer grosseiros alguns dos recortes utilizados para situar os personagens em qualquer cenário sem sair do plateau, mas na época serviam para criar a ilusão necessária. Se há produções atuais em que o chroma brilha de forma especial são os filmes de super-heróis, tanto que no YouTube existem muitos vídeos em que se pode ver o Homem-Aranha ou o Super-Homem presos por cabos sobre um fundo verde. O certo é que, sem alcançar a perfeição nem a sofisticação destes grandes títulos, qualquer um pode fazer um chroma em casa: basta uma tela verde ou azul e um software de edição de vídeo que o suporte. E, para demonstrar como pode ser simples, Natalia Sprenger visitou um plateau para brincar com esta técnica.Entrevista e edição: Maruxa Ruiz del Árbol | Marius Cirja Texto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Google põe startups a crescer em Portugal pela primeira vez

Google põe startups a crescer em Portugal pela primeira vez

Programa Google Growth Lab estreia-se em Portugal. Foram admitidas apenas oito startups, todas convidadas pela tecnológica norte-americana. A Google vai realizar pela primeira vez em Portugal o programa de crescimento para startups. Começa esta terça-feira a edição lusitana do Google Growth Lab, programa exclusivo em que apenas foram aceites oito startups, todas convidadas pela tecnológica norte-americana, e que vai durar dois meses. Esta iniciativa para startups tem algumas semelhanças com o programa Google Growth Lab realizado em Madrid desde outubro e que recebeu a Barkyn, plataforma que vende pacotes de subscrição de comida e serviços para os cães. Para isso, [...]

Gigantes chinesas implementam trabalho remoto para controlar coronavírus

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Empresas como a Alibaba, Tencent ou a dona da app TikTok estão a tomar medidas para tentar controlar o coronavírus. Tecnológicas estão a pedir a empregados que trabalhem a partir de casa, até meados de fevereiro. São várias as empresas que estão a pedir aos trabalhadores que se mantenham em casa depois da pausa do Ano Novo Chinês. O próprio governo chinês aumentou a duração das festividades em uma semana, na tentativa de reduzir as deslocações da população. Também as grandes tecnológicas chinesas estão a tomar medidas contra o coronavírus, que foi detetado em Wuhan, na província de Hubei. Em [...]