Atualidade

Opinião

Guilherme de Oliveira Martins

Pedro Tamen

"Um pequeno pedro a correr pelo campo / entre latadas outras, com suas ágeis mãos, / haveria, seria, teria sido, iria / correndo, correndo, correndo até um dia. / Cresceria rosado, entre tosse e sarampo, / teria pé ligeiro e apetites sãos / entre garfo e colher, entre ver e viver, / haveria, haveria, entre nada e não ser" (Rua de Nenhures, p. 69). Revisitamos o "pequeno pedro", e não esquecemos o que nos legou em palavra e sentido. E isso leva-nos a revisitá-lo, porque continua a marcar os nossos dias. Quando António Alçada Baptista transformou a Livraria Morais da Rua da Assunção num polo de renovação humana e religiosa, Pedro Tamen entrou como seu sócio, juntando-se-lhes João Bénard da Costa, Nuno Bragança, Luís de Sousa Costa, Helena e Alberto Vaz da Silva. Foi então que, vindo da revista universitária Encontro, lançou o célebre Círculo de Poesia, que ostentava o inesquecível símbolo solar de José Escada. Aí publicou O Sangue, a Água e o Vinho e animou as coleções Círculo do Humanismo Cristão e O Tempo e o Modo. À "poderosa força da inércia" havia que contrapor, com determinação, a "frágil força da mudança", e um grupo de jovens propôs-se agitar as águas no pensamento e na ação. Pedro Tamen formulou o programa - simples e claro, em palavras emblemáticas: "A ação começa na consciência. A consciência, pela ação, insere-se no tempo. Assim, a consciência atenta e virtuosa procurará o modo de influir no tempo. Por isso, se a consciência for atenta e virtuosa, assim será o tempo e o modo." A Morais afirmou-se como pioneira na reflexão dos grandes temas do Concílio Vaticano II e a revista O Tempo e o Modo concretiza-se em 1963. António Alçada Baptista é proprietário e diretor, João Bénard da Costa, chefe de redação, Pedro Tamen, editor, contando com a participação de Nuno Bragança, Alberto Vaz da Silva e Mário Murteira. Era uma revista que seguia os passos de Emmanuel Mounier, que fizera em 1932 a revista Esprit como um lugar de encontro de católicos e não católicos. Daí a entrada de Mário Soares, Francisco Salgado Zenha e do jovem dirigente estudantil Jorge Sampaio.

Guilherme d’Oliveira Martins

Mais atualidade

Carlos Branco

Krajina 1995: um genocídio varrido para debaixo do tapete?

No dia 4 de agosto de 2021 assinalam-se 26 anos do início da Operação Storm, a ofensiva do Exército da Croácia contra as forças sérvias da Krajina, que culminou com a derrota em toda a linha do Exército da "República Sérvia da Krajina", seguida da fuga de 250 mil civis sérvios à frente das tropas croatas e o assassínio de cerca de 2500 civis sérvios. Após o fim das operações militares, o Exército croata passou a orientar a sua atuação contra os civis sérvios indefesos, que não representavam uma ameaça militar, levando a cabo uma campanha de assassinatos (dos que não conseguiram ou puderam fugir dada a idade avançada), pilhagens, incêndios de habitações, destruição de colheitas, agressões físicas e humilhações sistemáticas, com a cobertura das mais altas instâncias do Estado croata. A vida na Krajina tornou-se um inferno para os que não conseguiram fugir, um cemitério ao ar livre. Tudo isto perante a passividade da comunidade internacional.

Carlos Branco

Luís Alves Monteiro

A propósito... respeito, amizade e excelência!!!

A propósito dos desabafo, lágrimas e pedidos de desculpas aos Portugueses, de alguns dos nossos atletas olímpicos, ou por uma prestação menos conseguida ou nas suas próprias palavras por um momento menos bom, um dia menos bom, e a propósito da exigência máxima de uma nação para resultados de excepção , materializados sempre em forma de diplomas e especialmente medalhas, e já agora a propósito da excelência da prestação de Patrícia Mamona Medalha de Prata no triplo salto e Jorge Fonseca medalha de bronze no Judo, e outras que virão, e dos valores Olímpicos de Respeito Amizade e Excelência.

Luís Alves Monteiro

Evasões

Notícias Magazine

V Digital

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.