Atualidade

Opinião

Margarita Correia

As mulheres e o nome das atividades que exercem

No último quartel do século XX, a sociedade portuguesa abriu atividades, cargos e profissões às mulheres, o que à época suscitou acesa discussão sobre a forma feminina dos nomes desses cargos, atividades e profissões. Lembro a este respeito de quando Ruth Garcês assumiu o cargo de juiz em 1977 e de quando Maria de Lourdes Pintassilgo assumiu a chefia do V Governo Constitucional, em 1979, tornando-se primeira-ministra. Lembro ainda a admissão de mulheres nas Forças Armadas, na década de 1990, e a dificuldade em estabelecer formas femininas para funções e patentes militares.

Margarita Correia

Paulo Baldaia

Dilemas e estratagemas à direita

A candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa apareceu como um brinde para todo o centro-direita. A começar pelo PSD, que teve um resultado desastroso há quatro anos, e a terminar no CDS, que não tinha como repetir a tareia dada aos sociais-democratas nas últimas autárquicas e precisava de justificar a cedência do cabeça-de-lista desta aliança. Moedas é igualmente o melhor trunfo para a direita dos pequenos partidos que ganha a hipótese de fazer parte de uma candidatura que abre caminho para uma vitória, que parecia impossível antes do ex-comissário aceitar o desafio de Rui Rio.

Paulo Baldaia

Assunção Cristas

Por que ainda celebramos o dia da mulher

Há quase 2500 anos, na tragédia grega Antígona, Ismênia tentava convencer a sua irmã, a protagonista Antígona, de que seria melhor obedecer à lei imposta pelo tio. De entre os vários argumentos, invocava o de serem mulheres e como tal não poderem lutar contra os homens e as suas imposições. Antígona pagou a desobediência com a morte. O texto de Sófocles levanta muitas e interessantes questões e uma é sem dúvida a da incapacidade das mulheres numa sociedade dominada pelo poder dos homens.

Assunção Cristas

Mais atualidade

Joana Amaral Dias

Representantes de luxo

Há quase uma década, o socialista Francisco Assis enchia noticiários, redes sociais e até petições com a tirada: "Qualquer dia querem que o líder parlamentar do PS ande de Clio." Ora. É que não faltava mais nada. Nessa semana, tudo começou com as declarações de Carlos Zorrinho sobre as novas viaturas da bancada socialista. O líder parlamentar do PS sublinhou que deixara de utilizar BMW para passar a Audi 5 e poupar dinheiro aos cofres do Estado. Ou seja, já então, a opinião pública repudiava estas soberbas, mas os governantes alheavam-se do seu próprio grotesco e insistiam, possidónios, em caprichos para cumprirem as suas estritas e honrosas obrigações. Pior é que, dez anos volvidos, tudo continua igual. O governante lusitano, imperturbável perante a agonia de quem já perdeu o emprego, o ganha-pão, a casa ou a sanidade mental, à pala da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, adquiriu agora 125 automóveis de luxo. Queriam o quê? Um citadino amarelo? Mas não só. Mesmo sem reuniões presenciais à vista, o governo decidiu investir em lencinhos e gravatas de seda de padrão personalizado, num centro de imprensa-fantasma, vinhos e espumantes, numa elefantíase que até já está a ser ridicularizada na imprensa internacional.

Joana Amaral Dias

Iratxe García Pérez e Maria Manuel Leitão Marques

Heroínas precárias

A cada 8 de março lembramo-nos que há ainda um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade entre homens e mulheres. Contudo, este ano o Dia da Mulher é diferente. A pandemia revelou o que já sabíamos: sem o trabalho precário de tantas mulheres (empregadas de limpeza, caixas de supermercado e cuidadoras), a sociedade para. São mulheres que trabalham em condições duras: sem segurança no trabalho, remuneração justa ou reconhecimento social. Por isso, temos o dever de lutar por elas tanto ao nível social, combatendo estereótipos; como ao nível político, apresentando propostas legislativas que corrijam essa injustiça.

Iratxe García Pérez e Maria Manuel Leitão Marques

Elisa Ferraz

Respeito pela democracia, exige-se!

De quatro em quatro anos, aquando da realização de eleições autárquicas, assistimos à agregação de cidadãos que criam movimentos independentes e se apresentam às populações com projetos autónomos e de proximidade, construídos pelos seus pares, constituindo-se como uma alternativa aos partidos políticos. Assistimos também ao grito silencioso dos eleitores que, enquanto selecionam o seu candidato no boletim de voto, demonstram cada vez mais a escolha de autarcas que identificam mais como cidadãos e menos como políticos.

Elisa Ferraz

Miguel Silva Gouveia

Funchal, Capital de Confiança

"Tem um minuto, sr. Presidente?" - aborda-me com timidez uma senhora, enquanto estaciono o carro em frente aos Paços do Concelho do Funchal. Desabafa, com os olhos marejados, que o marido está sem trabalho desde que o turismo fechou, tem os filhos na escola e que a família está na iminência de ser despejada por não conseguir suportar a renda da casa sozinha, com o salário mínimo. Por entre palavras de conforto, peço-lhe serenidade e explico como o município pode ajudar naquela situação, através do Subsídio Municipal ao Arrendamento. Cinco minutos volvidos, despedimo-nos, ela com um vislumbre de esperança nos olhos e eu satisfeito por sentir que o nosso trabalho faz a diferença. Subo as escadas rabiscando apontamentos sobre este caso para remissão aos serviços, e a pensar como é notável a força das mulheres ante as dificuldades.

Miguel Silva Gouveia

Desporto

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