Atualidade

Opinião

Adriano Moreira

A evolução da ONU

Depois da guerra de 1914-1918, a evolução da Sociedade das Nações, com um estatuto dissolvente dos impérios europeus, por intervenção dos EUA que não assinaram o estatuto, foi destinada ao total apagamento do projeto pela guerra mundial de 1939-1945. O estatuto da nova organização, a ONU, já não teve em vista a redefinição da estrutura das políticas europeias, antes alargou o projeto ao globo, com a decisão de terminar com o regime colonial. De novo a raiz da estrutura foi ocidental, com domínio decisivo das grandes potências vencedoras da guerra, mas com um princípio aristocratizante da hierarquia pela convenção do direito de veto no Conselho de Segurança, concedido às consideradas grandes potências (EUA, Inglaterra, França, Rússia, China), com o erro de anos a impor a presença de Taiwan, onde se refugiara o exército nacionalista vencido, o que desde logo fez correr a previsão de que, designadamente, os EUA teriam de enfrentar a China num futuro incerto, previsão que hoje está verificada, não apenas na área económica, mas na área de poder marítimo que despertou os desafios.

Adriano Moreira

Viriato Soromenho Marques

Nem sinal de tédio

Passaram mais de 30 anos sobre a publicação do famoso artigo de Francis Fukuyama na revista The National Interest (verão de 1989) onde se analisava e advogava um radioso "fim da história" para a humanidade. Ele traria a plena realização das possibilidades evolutivas da nossa espécie, coincidindo com uma economia liberal completamente globalizada. Seria um mundo onde o desejo consumista dos cidadãos obrigaria os Estados iliberais, seguindo o exemplo do governo comunista chinês da altura, a adotar os princípios da economia de mercado.

Viriato Soromenho-Marques

António Araújo

Coisas de loucos

Estranhezas da capital: em Lisboa, é a partir das necrópoles que se têm algumas das melhores vistas da cidade e do rio, como se quiséssemos dar aos mortos o que lhes negámos em vida, horizontes largos, de esperança e luz. Durante anos a fio, passei à porta do Cemitério da Ajuda e, não sei porquê, fui adiando a entrada, à espera do dia certo, que tarda. Nunca vi nem senti nos pés, portanto, as ondulações de uma rua que por lá existe, com seu quê de sinistro e mórbido. Nessa rua, o asfalto tem altos e baixos, como uma cobra a serpentear ao sol, o que se deve, soube-o agora, às sucessivas vagas de enterramentos colectivos que por lá se fizeram.

António Araújo

Mais atualidade

Ataques em Cabo Delgado

João Honwana

“É preciso derrotar os jihadistas e conquistar o povo”

Entrevista a João Bernardo Honwana, consultor na área de Resolução de Conflitos, Mediação Política e Diplomacia Preventiva, em Nova Iorque. Foi funcionário das Nações Unidas entre 2000 e 2016, tendo servido como Representante do Secretário-Geral para a Guiné-Bissau e Diretor de Divisão (África I e África II) no Departamento para Assuntos Políticos. É Coronel Piloto Aviador na reserva e antigo Comandante da Força Aérea de Moçambique. Participou a 1 de julho na Speed Talk do Clube de Lisboa sobre o jihadismo em Cabo Delgado.

João Nuno Ferreira Barbosa

O navio da Guarda

Há poucos anos, sem ninguém esperar, foi promulgada uma nova lei orgânica da Guarda Nacional Republicana (GNR) em que era criada uma Unidade de Controlo Costeiro. Percebeu-se com estupefação, que essa unidade ia estender a ação fiscal da GNR ao mar. Como é que uma corporação de vocação territorial rural, com pessoal de infantaria e cavalaria ia agora para o mar e fazer o quê? Talvez este desenvolvimento não fosse de admirar, porque esta corporação vinha a expandir-se em cada vez mais áreas de atuação, desde bombeiros a guardas-florestais, sempre com mais equipamentos e fardamento. Porque não ter uma marinha privada? Se formos consultar a informação disponibilizada pela GNR., esta diz que são responsáveis por fiscalizar o mar territorial, tout court. Ou seja, de repente a missão da Marinha foi atropelada/alterada por uma lei orgânica de uma corporação de gendarmeria. Bizarro.

João Nuno Ferreira Barbosa

Anselmo Borges

Jesus e a Igreja. 1

1 Será preciso começar pela pergunta: Jesus fundou a Igreja, concretamente com a constituição com que hoje se apresenta? A resposta é inequívoca: "Não." De facto, por exemplo, na obra com o título em português A Igreja Católica ainda Tem Futuro? Em Defesa de Uma Nova Constituição para a Igreja Católica, na sequência de outras, o famoso exegeta Herbert Haag, da Universidade de Tubinga, com quem tive o privilégio de privar, renovou a tese segundo a qual é um dado seguro da nova investigação teológica e histórica que Jesus não fundou nem quis fundar uma Igreja (Jesus é o fundamento da Igreja, mas não o seu fundador, dizia o grande teólogo Karl Rahner) e, assim, muito menos pensou numa determinada constituição para ela. Também o Cardeal Walter Kasper, quando era professor da Universidade de Tubinga, perguntava nos exames aos estudantes se Jesus tinha fundado a Igreja, esperando uma resposta negativa.

Anselmo Borges

Rute Agulhas

Bora esplanadar?

Estamos a desconfinar outra vez, desejosos de liberdade e de podermos saborear as pequenas coisas que, antes dadas como adquiridas, são hoje valorizadas de uma outra forma. No entanto, há uma questão que se impõe. Como encontrar um equilíbrio entre a necessidade de voltar à vida que chamamos de normal e, ao mesmo tempo, assegurar o cumprimento das regras de segurança? Que mensagens transmitir às crianças, e como, de modo que estas interiorizem as limitações existentes?

Rute Agulhas

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