Atualidade

Opinião

Marisa Matias

Sai um offshore

Passou praticamente despercebida a notícia de que a União Europeia colocou nesta semana as ilhas Caimão na lista dos paraísos fiscais. A razão foi o Brexit, e a leitura não poderia ser mais clara. A União Europeia protege e continuará a proteger os seus paraísos fiscais, o que significa que nada mudará nas chamadas políticas de "otimização fiscal" por muito que se acumulem casos atrás de casos. As ilhas Caimão jogaram um papel fundamental nos escândalos associados aos Panama Papers, mas como ainda eram território europeu nada foi feito. Este é um sinal muito importante da falta de vontade em atuar contra o crime financeiro. Se dúvidas houvesse, o recente caso do Luanda Leaks aqui estaria para desfazê-las. É por demais evidente o papel que teve o offshore de Malta, um dos paraísos fiscais europeus, e as consequências são, para já, nulas.

Marisa Matias

Ricardo Paes Mamede

Pobres os economistas que não sabem de política

Peçam a um economista escolhido ao acaso que vos indique um exemplo de sucesso entre os países da zona euro. Com grande probabilidade falará da Irlanda, cujo PIB é hoje quase o dobro do que era antes da crise (o português é quase igual). A seguir perguntem-lhe sobre os motivos desse sucesso. Dirá, com certeza, que os irlandeses aceitaram fazer as reformas estruturais necessárias para dar a volta à crise, aceitando cortes drásticos nos salários e mantendo os impostos sobre as empresas a níveis mínimos. Uma história de sucesso, portanto. Isto é, mais ou menos.

Ricardo Paes Mamede

Maria do Rosário Pedreira

Mães e filhas

Já não fui a tempo de brincar com os Nenucos, que se babavam, choravam lágrimas de verdade, davam passinhos, diziam mamã; mas lembro-me dos bonecos chorões dos anos 1960, que tinham um corpo maleável, cabelo a sério (e não apenas pintado na cabeça) e uma data de acessórios irresistíveis, como biberões, babetes e até uma alcofa. Lá em casa, brincávamos muito aos pais e às mães - e decerto replicávamos o comportamento dos nossos pais pensando que estávamos a educar os nossos filhos como bem entendíamos. A brincadeira constituía, de resto, uma espécie de estágio para o futuro, tendo em conta que então se esperava que as meninas se casassem e constituíssem família. Não foi o meu caso, mas conheço quem tenha aprendido a mudar fraldas com bonecos.

Maria do Rosário Pedreira

João Céu e Silva

As epidemias preguiçosas da modernidade

Num país atrasado como era Portugal no tempo do anterior regime era normal que as novidades fossem um sinal da modernidade a que os portugueses não tinham acesso e, portanto, estivessem muito disponíveis para abraçar. Fazer bandas como as dos Beatles mesmo que os discos deles só chegassem meses depois, por exemplo. Após a Revolução de Abril, ao olharem para as fotografias dos revolucionários, todos os homens deixaram crescer os cabelos e as barbas desordenadamente como as de Che Guevara e Fidel, por exemplo. Quando chegaram os CD, 99% abandonarem o vinil em pouco tempo, depois o MP3 e os downloads, por exemplo...

João Céu e Silva

Carla Bernardino

O corte e a faca

A violência em contexto de intimidade já começa a somar vítimas em 2020. Desde denúncias previamente conhecidas às que ainda estão por denunciar, os cortes no amor feitos à faca começam cada vez mais cedo, na adolescência, e prosseguem vida fora, até ao limite da (des)esperança média de vida. Nesta semana acordámos com mais uma vítima, mulher, de 80 anos, que sucumbiu fatalmente às mãos do marido, também octogenário, e de uma faca. A seis cortes e uma separação decisiva e eterna.

Carla Bernardino

Aplicações pensadas para que nada nos tire o sono

Aplicações pensadas para que nada nos tire o sono

Se mantivermos uma média de oito horas de sono (entre seis e oito por dia para um adulto), passaremos mais de um quarto de século a dormir, nada menos do que um terço das nossas vidas. Um tempo que não é, de todo, um desperdício. Durante o sono, ocorrem funções imunológicas, endócrinas, de aprendizagem e de memória, recuperam-se energias e descontraem-se os músculos. Dormir ajuda a consolidar as novas recordações e a atualizar as antigas. De algum modo, o nosso cérebro sabe o que é importante para o nosso equilíbrio mental e o que é melhor descartar através do esquecimento. Doenças como a ansiedade ou a depressão estão, por vezes, relacionadas com maus hábitos de sono. Por isso, é fundamental dormir o suficiente e dormir bem.Nos últimos anos, surgiram algumas aplicações e dispositivos tecnológicos para nos ajudar a fazer algo que devia ser tão natural como beber ou comer e que, no entanto, com o ritmo acelerado da sociedade ocidental, se está a tornar num problema que afeta cada vez mais pessoas. De facto, segundo a Sociedade Espanhola de Neurologia, entre 20% e 48% da população adulta sofre, em algum momento da sua vida, de dificuldades em iniciar ou manter o sono. Entre estas invenções pensadas para nos ajudar a ter um sono de qualidade, incluem-se um dispositivo que pode ser colocado na testa, um tapete e uma almofada inteligente, todos eles ligados a aplicações móveis. América Valenzuela foi experimentá-los e analisou os seus resultados com Celia García Malo, uma neurologista especialista em sono.Edição: Azahara Mígel | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

A app que mostra o ângulo de inclinação da sua moto

A app que mostra o ângulo de inclinação da sua moto

"Há duas formas de chegar a casa. A primeira consiste em nunca sair. A outra consiste em dar a volta ao mundo até chegar ao ponto de partida." Esta frase, tão cheia de humor como de rebeldia meramente dissimulada, pertence à introdução de "O Homem Eterno", um dos livros mais conhecidos de um dos autores mais famosos do Reino Unido, G. K. Chesterton. O britânico foi um escritor notável e um destacado criador de aforismos: não há nenhuma página de citações na internet que não inclua algumas dezenas de frases suas. Não pelos pensamentos, mas sim pela descrição da paixão do viajante, a espanhola Alicia Sornosa tem muito em comum com Chesterton. Porque ela é uma daquelas mulheres que escolhe sempre o caminho mais longo para regressar a casa. Tanto que esse caminho a levou, há uns anos, a demonstrar a veracidade do aforismo, pois tal como ela própria descreve no seu website: "Saí em plena crise para dar 'uma volta de moto'. Em outubro de 2013, regressei a Espanha após ter percorrido os cinco continentes, conquistando o título de primeira europeia e mulher de língua espanhola deste século a dar uma volta ao mundo na sua moto."Acompanhados por Alicia, visitámos o quartel-general de uma marca mítica para os motards, a italiana Ducati. Foi lá que pôde testar a tecnologia instalada numa das melhores motos da marca, a Multistrada, equipada com vários sensores e ligações que permitem a comunicação entre a máquina e um dispositivo móvel. Através da tecnologia Bluetooth e de uma aplicação, o condutor pode não só ouvir música ou atender chamadas, como também registar várias informações, como a velocidade, o ângulo de inclinação, a aceleração ou a potência média utilizada num percurso. Esta aplicação permite ainda partilhar detalhes dos itinerários, imagens e comentários com a restante comunidade Ducati. Alicia, que percorreu estradas muito complicadas em países como o Quénia ou a Índia, conduziu esta moto pelos arredores de Bolonha e as suas impressões não podiam ser melhores.Entrevista e edição: Alicia Sornosa | Azahara Mígel | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Talkdesk quer revolucionar indústria dos contact centers com robô virtual

Talkdesk quer revolucionar indústria dos contact centers com robô virtual

Tecnológica portuguesa focada nos centros de contacto vai lançar 20 novos produtos nas primeiras 20 semanas de 2020 e apostar mais do que nunca em inteligência artificial para soluções automatizadas. A Talkdesk, empresa de software na cloud para contact centers de empresas inovadoras, acaba de anunciar em comunicado o que diz ser um ambicioso programa "para liderar a inovação na indústria dos contact centers em 2020". A empresa vai introduzir 20 novos produtos no mercado nas primeiras 20 semanas do ano. Em destaque está o chamado "Talkdesk 20-in-20", que arranca com o lançamento do Agente Virtual, um assistente de conversação [...]

Vírus corta mais de 30 milhões de unidades a previsões de remessas de smartphones

Vírus corta mais de 30 milhões de unidades a previsões de remessas de smartphones

Com o vírus a ter um forte impacto nas cadeias de produção de vários setores, da indústria automóvel à tecnologia, um novo relatório tenta estimar qual o impacto nas remessas de produtos tecnológicos. O relatório feito pela TrendForce analisa o impacto do coronavírus - agora covid-19 - em várias áreas de atividade. Com várias unidades de produção na China a tentar lentamente o regresso à normalidade, o vírus já provocou o cancelamento de vários eventos, inclusive do Mobile World Congress, e já fez com que empresas atualizassem as previsões de receitas para o trimestre, tendo já em conta o impacto [...]

V Digital

O Pagani Imola é a variante mais radical do Huayra

Pagani Imola: o superdesportivo que custa 6 milhões e já está esgotado

A empresa italiana revelou imagens do Pagani Imola, a variante mais radical do Huayra, pensada para condução em circuito, ainda que a marca o anuncie como superdesportivo homologado para estrada. Chama-se Imola porque foi na famosa pista italiana que foi desenvolvido, afinado e testado. Segundo o fabricante, o modelo completou cerca de 16.000 km naquele traçado, distância mais do que suficiente para cumprir por três vezes as 24 Horas de Le Mans. O Imola tem um preço que rondará os 6 milhões euros (sem extras...) e será fabricado numa edição limitada a apenas 5 unidades, todas já com dono...

O novo filme de James Bond vai contar com a participação de Land Rover Defender

Land Rover Defender brilha no novo 007 com salto de trinta metros

A Land Rover divulgou um novo vídeo com imagens incríveis da participação do Defender no novo filme da saga do espião mais famoso do mundo. Protagonista nas habituais cenas de perseguições, com muitas manobras radicais à mistura, em James Bond - "Sem Tempo para Morrer", o todo-o-terreno britânico até sobrevive a um salto de 30 metros, que os responsáveis da marca, em colaboração equipa de pilotos profissionais, coordenada por Lee Morrison e com a piloto/duplo, Jess Hawkins, garantem ter sido executado quase sem preparação ou sem necessidade de reforços especiais.