Atualidade

Ruy Castro

Elza indestrutível

Elza Soares, a cantora brasileira, fez 90 anos no dia 23 de julho. Em celebração da data, os jornais a entrevistaram, enfatizaram sua condição de heroína negra do Brasil e falaram de suas últimas gravações - sim, ela continua no ativa e, até pouco antes da pandemia, ainda se apresentava regularmente. Uma cirurgia na coluna em 2014 limitou seus movimentos e obrigou-a a, desde então, cantar sentada. Ela não se altera: "Canto sentada, mas meto bronca do mesmo jeito" - ou seja, joga-se à música como se fosse a Elza que, em 1999, foi eleita pela BBC de Londres a "cantora do milénio", cantou o hino nacional brasileiro a capella na abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio, no Maracanã, em 2007, e se apresentou no Central Park, em Nova Iorque, em 2017. Sentada ou em pé, Elza fez, nos últimos anos, dezenas de shows longe de Copacabana, onde mora, sujeitando-se à maratona de aeroportos, aviões e hotéis. Encontrei-a várias vezes nesses aeroportos e sempre me espantei com sua disposição para viajar.

Ruy Castro

Bernardo Ivo Cruz

Três modelos para moldar o Mundo

Quando olhamos para o estado do Mundo desde a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria há mais de 30 anos, encontramos uma narrativa comum nos aliados ocidentais, onde Portugal se integra, sobre o modelo político do Sistema Internacional que dominava as relações internacionais: a promoção de Democracias de matriz ocidental, baseada na complementaridade entre os Direitos Políticos, o Estado de Direito, a realização de Eleições Livres e Justas, o Controle Democrático das Instituições e - mais na Europa e Canadá do que nos Estados Unidos - a proteção dos Direitos Coletivos.

Bernardo Ivo Cruz

Especiais DN

"A minha filha mais nova tinha 14 anos e viu centenas de corpos a boiar vindos do Ruanda, mortos à catanada"

"Minha filha de 14 anos viu centenas de corpos a boiar vindos do Ruanda"

Antigo alto funcionário das Nações Unidas, Victor Ângelo foi equiparado a secretário-geral adjunto. Nascido em Évora, foi exilado político muito jovem e regressou logo após a revolução de 1974 a Portugal, tendo ajudado a organizar as primeiras eleições livres. Desafiado pela ONU para um projeto em São Tomé, foi o início de uma carreira muito ligada a África, que o fez conhecer líderes como Machel e Mugabe. Voltou há dias a Lisboa, agora a sua morada permanente ao fim de quatro décadas a viver no estrangeiro.