Atualidade

Opinião

Joana Amaral Dias

Portugal em extinção

Portugal está a morrer. Devagar, mas consistentemente, o país definha, está em decadência. O decréscimo da população é assustador: nascem pouquíssimos bebés, muitos jovens emigram e o que realmente não pára de aumentar são os idosos: classificamo-nos como o quinto país mais envelhecido do mundo. E que nação pode sobreviver a desequilibrar-se cada vez mais para um lado, a inclinar-se para o litoral, afogando-se enquanto é assolada em todo o território por um duro Inverno demográfico?

Joana Amaral Dias

Sebastião Bugalho

O iliberal que sai, o iliberalismo que entra

Munido do seu usual talento estratégico, Rui Rio decidiu dar uma entrevista de inversão de marcha em vésperas de autárquicas. Lendo-a, é impossível não colher uma ideia de toalha atirada ao chão. "O que Passos Coelho disse é o que eu estou a fazer", diz Rio, que ainda há dias votava favoravelmente um relatório que acusa o governo de Passos de "fraude" e que teve como vice-presidente uma ex-bastonária que processou esse governo. "Agora, parti para uma etapa diferente", veio também anunciar, assumindo que os últimos três anos de aproximação ao Partido Socialista não produziram frutos. O PS não quer reformar, queixa-se o presidente do PSD. E precisou de seis anos de António Costa no poder para perceber isso. Entretanto, o PS beneficiou de uma liderança de oposição passiva e a direita, precisamente por isso, dividiu-se à procura de si mesma. Em ambas, no agigantamento socialista e na fragmentação não-socialista, Rui Rio tem responsabilidades. Mais do que consequências para o seu partido, o fracasso dessa estratégia desfigurou um sistema político, em si, já erodido.

Sebastião Bugalho

José Mendes

Coesão territorial: seletividade ou fracasso

De acordo com os resultados preliminares do Censos de 2021 esta semana divulgados, a população portuguesa encolheu, na última década, cerca de 214 mil pessoas, reeditando uma quebra que apenas havia sido observada no período alto da emigração. Este resultado, já de si negativo, encerra mais duas más notícias. A primeira é a de que, tendo havido um saldo migratório positivo ao longo da década, a perda de efetivos se explica por um défice do saldo natural, isto é, pela insuficiência de nascimentos face aos óbitos. A segunda é a constatação de que se acentua o processo de concentração da população no litoral, o qual induz dinâmicas de subdesenvolvimento. Apenas 51 dos 308 municípios portugueses registaram aumento da população, com a Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve a serem as únicas grandes regiões a crescer.

José Mendes

Adriano Moreira

O diálogo a cinco

O anúncio do fim da Guerra Mundial de 1939-1945, para o qual sempre recordo o inspirado anúncio de um jornal francês, com a afirmação de que se tratava de "um anúncio feliz cheio de lágrimas", sentimento que apoiou reconstruir o projeto mundial de uma paz global. Foram e continuam a ser necessárias as instituições que participam no esforço de realmente implantar, para todas as espécies humanas, a dignidade, o direito e a justiça. Numa data, a nossa, em que na própria União Europeia se discute se a Europa está a caminho de "refazer-se ou desfazer-se", encontrei lembrança na Universidade de Salamanca, na estrutura chamada Diálogo a Cinco, criada em 2013, e ali organizada na Faculdade de Direito da Complutense. A iniciativa defendeu que, mesmo nas ações regionais, devem intervir representantes de ministérios importantes (Negócios Estrangeiros, Justiça, Educação, Ministério da Cultura) com três líderes religiosos e quatro académicos. A universidade organizou a sua conferência internacional, seguindo o critério estabelecido, insistindo no tema dos direitos humanos, da liberdade religiosa e nas minorias.

Adriano Moreira

António Araújo

Uma baleia na sala

Miss P. foi ao Porto e trouxe de lá uma baleia. Um bicho enorme, portentoso de gigante, quase tão grande como a minha ignorância, que desconhecia ao completo que Sophia escrevera um conto inspirado no seu bisavô. Sophia com ph é Sophia de Mello Breyner Andresen, o conto chama-se "Saga" e está incluído no livro Histórias da Terra e do Mar, e o bisavô é, ou foi, Jann Hinrich Andresen, um homem que em jovem rumou ao sul, contra a vontade paterna, a bordo de um navio-veleiro vindo das Frísias, ilha de Förh. Jann fez fortuna na Invicta e, com ela, comprou uma quinta bela, com vistas de mar e tudo, onde existia uma casa enorme, portentosa de gigante, bem maior do que uma baleia. Nessa casa, diz Sophia na saga (ou a saga de Sophia), tudo era "desmedidamente grande", "desde os quartos de dormir onde as crianças andavam de bicicleta até ao enorme átrio para o qual davam todas as salas e no qual, como Hans dizia, se poderia armar o esqueleto da baleia que há anos repousava, empacotado em numerosos volumes, nas caves da Faculdade de Ciências por não haver lugar onde coubesse armado".

António Araújo

Evasões

Notícias Magazine

V Digital

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.