Atualidade

Opinião

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Maria do Rosário Pedreira

Filipe Teles

Histórias de violência

Cada colombiano tem uma história de violência para contar. E cada história começa com uma fotografia. Uma exposição em Bogotá, sobre a violência e os atentados de que a cidade foi vítima durante décadas, ajuda a contextualizar a memória de um povo através da fotografia. Não precisam de cor, nem de movimento, nem do som que facilmente imaginamos, para que cada um daqueles disparos - nunca a palavra foi tão adequada - de máquina fotográfica nos dê a conhecer violência das mais diversas formas sobre vítimas indiscriminadas. Tráfico, vítimas. Guerrilha, vítimas. Milícia, vítimas.

Filipe Teles

Ricardo Paes Mamede

A longa marcha da educação em Portugal

Dois relatórios publicados na última semana - a edição de 2018 do estudo internacional PISA e o relatório anual do Conselho Nacional de Educação (CNE) - mostram os enormes avanços que tem havido na qualificação dos portugueses. Permitem-nos também identificar os problemas que persistem e alguns que se agravam. E apontam novos desafios que devem merecer a nossa atenção. Porventura, mais do que lhes têm dedicado as opções políticas recentes.

Ricardo Paes Mamede

Viriato Soromenho-Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Viriato Soromenho-Marques

Filomena Naves

Compras de Natal 

O bulício habitual já de si é pesado. Trânsito compacto logo cedo pela manhã, o para-arranca do escoar-se a cidade ao fim do dia, os comboios e o metro cheios de gente, os solavancos lentos dos autocarros - um movimento intenso, permanente, que atordoa. Mas à aproximação do Natal - e antes disso os saldos e as promoções, mais a Black Friday que se eterniza num fim de semana - parece que tudo ganha ainda mais velocidade, numa vertigem de compras que chega sem aviso e se instala, senhora dos nossos dias.

Filomena Naves

Ricardo Santos

Os meus 387 euros

Leio no Dinheiro Vivo (28-11-2019) que "os portugueses deverão gastar neste ano uma média de 387 euros em compras de Natal por agregado familiar". Diz a mesma notícia, baseada num estudo da Deloitte, que serão mais nove euros do que em 2018 e que a média europeia é de 461 euros. Tenho muito medo de médias, assustam-me. Se alguém receber cinco mil euros por mês e outra pessoa levar para casa 600, a média de ambos os ordenados é de 2800 euros. Parece simplista, não é? Mas é a verdade dos números.

Ricardo Santos

Método de estudo: ouvir podcasts

Método de estudo: ouvir podcasts

"Em 1474, Henrique IV bateu as botas e instalou-se o caos em Espanha", assegura Juan Jesús Pleguezuelos. E tem razão, porque mal o rei foi desta para melhor, os defensores de Joana (sua filha) e de Isabel (sua irmã) começaram a lutar entre si para ver quem ficava com a coroa. Os textos da época contaram a história de outra forma. De facto, na Crónica dos Reis Católicos Fernando e Isabel de Castela e Aragão, Fernando del Pulgar escreveu: "O rei veio para a vila de Madrid e, em quinze dias, a sua doença agravou-se e acabou por morrer no palácio aos onze dias do mês de dezembro do ano de mil quatrocentos e setenta e quatro, às onze horas da noite. Morreu aos cinquenta anos de idade, era um homem bem constituído e não bebia vinho. Porém sofria de cólicas renais e de pedra, e esta doença incomodava-o com muita frequência". Narrada desta forma, a história seduz menos e, acima de tudo, percebe-se pior. Foi disto que se apercebeu Pleguezuelos, um professor do liceu Virgen de las Nieves de Granada e, por isso, decidiu produzir uma série de vídeos e podcasts para ajudar os seus alunos.Contudo, o que começou por ser um pequeno projeto destinado apenas a ajudar os jovens tornou-se num dos conteúdos de podcast mais procurados em plataformas como o Spotify. "Levar as aulas para o telemóvel do aluno pode ser uma ferramenta educativa potentíssima", garante Pleguezuelos que, para além dos podcasts e do canal no YouTube, também se liga ao Instagram para resolver em direto as dúvidas relacionadas com as provas de acesso à universidade. Toda a ajuda é pouca, uma vez que Espanha, com 17,9%, continua a ser o país com a mais elevada percentagem de abandono escolar precoce da União Europeia, segundo dados de 2018 do Eurostat (Portugal apresentava uma taxa de 11,8% no mesmo ano, sendo a média da UE 10,6%). Uma percentagem que, além disso, se complementa com professores muitas vezes desmotivados por um trabalho pouco reconhecido (um estudo da Universidade de Múrcia assegurava há uns anos que 65% dos docentes apresentavam síndrome de burnout, ou esgotamento) e que sofreu um duro golpe com a crise.Mas longe de se render perante a escassez de recursos, os cortes nos orçamentos para a educação ou a desmotivação dos adolescentes, Pleguezuelos (que se autointitula "o professor inquieto" no seu website) recorreu à imaginação, ao entusiasmo e à generosidade de quem decide partilhar os seus conhecimentos de forma desinteressada. Os seus alunos, como não podia deixar de ser, agradecem, ouvem os conteúdos em casa, no autocarro ou enquanto caminham na rua. Todos reconhecem o esforço deste professor apaixonado pela palavra, que se tornou numa celebridade entre estudantes espalhados pelo país: "Cria-se um grande impacto a nível pessoal. Receber diariamente comentários de alunos de toda a Espanha que me agradecem pelo que estou a fazer foi muito enriquecedor. Já me fez levantar e deitar com um sorriso de orelha a orelha por ler as coisas que me escreviam."Entrevista e edição: Noelia Núñez | David Giraldo Texto: José L. Álvarez Cedena

O circo com animais virtuais

O circo com animais virtuais

Alonso Trenado questiona o palhaço Fofito quanto á possibilidade de o Circo Roncalli substituir os tradicionais números com animais por sofisticados hologramas. O palhaço veterano não podia ter ficado mais entusiasmado: "Quem diria que podíamos ter um elefante na pista e que ninguém lhe consegue tocar".Aos habituais acrobatas, malabaristas, palhaços, equilibristas ou ilusionistas, juntam-se neste circo alemão gigantescos animais holográficos com mais de seis metros de altura. Para o conseguir, instalaram na parte superior da tenda onze lasers que projetam uma imagem de alta definição com 13.000 por 1.900 pixéis. A mais avançada tecnologia inserida num espetáculo tradicional com vários séculos de história, que se moderniza desta forma e evita uma das maiores polémicas que perseguiu o circo nos últimos anos, a dos maus-tratos a animais. E o melhor é que, no fim de contas, o espetáculo apresentado na pista do Roncalli através dos seus seres virtuais conseguiu o seu objetivo. Um objetivo que, sem dúvida, se manterá inalterado por muitos anos que passem: iludir, emocionar, entreter.Reportagem e edição: Alonso Trenado, Noelia Núñez, Ainara Nieves, Douglas Belisario, Cris del MoralTexto: José L. Álvarez Cedena

Insider

"The Irishman" foi visto por 26,4 milhões de contas numa semana, diz Netflix

"The Irishman" foi visto por 26,4 milhões de contas numa semana, diz Netflix

A Netflix revelou alguns filmes sobre a multimilionária aposta The Irishman: na primeira semana, o filme de três horas e meia foi visto por 26,4 milhões de contas. O serviço de streaming investiu cerca de 159 milhões de dólares no filme The Irishman, realizado por Martin Scorsese, com o elenco assegurado por Robert de Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Esta semana, durante uma apresentação nos Estados Unidos, Ted Sarandos, diretor de conteúdos da Netflix, deu conta de alguns números sobre a primeira semana desta pesada aposta para o orçamento da empresa. Desde a estreia do filme, a 27 de [...]

Aplicação da Free Now passa a integrar trotinetes da hive

Aplicação da Free Now passa a integrar trotinetes da hive

A Free Now, a antiga mytaxi, já tinha anunciado que estava a preparar a integração das trotinetes elétricas hive na sua aplicação. A partir de agora, os utilizadores já não precisam de duas aplicações independentes, indica a empresa. Esta integração acontecerá nos mercados onde ambos os serviços estejam disponíveis - Portugal, Polónia e Áustria, indica a empresa, através de comunicado. "Depois do rebranding que tornou a mytaxi em Free Now, esta é uma das maiores inovações que lançamos na nossa app. A equipa tem estado a trabalhar arduamente para fazer isto acontecer, e não poderia estar mais orgulhoso por hoje poder dizer que somos, verdadeiramente, um fornecedor de mobilidade multisserviço", afirma Johannes Mewes, co-fundador e [...]

O que quiseram saber os portugueses no Google em 2019?

O que quiseram saber os portugueses no Google em 2019?

Depois de revelar quais os vídeos mais vistos do ano no YouTube, a Google revela os temas e personalidades que mais levaram os portugueses a fazer perguntas ao motor de pesquisa. Com diversas categorias disponíveis, a análise da Google dá conta de que problema de saúde do ator Ângelo Rodrigues foi a tendência de pesquisa do ano em Portugal. Seguem-se ainda as pesquisas sobre o clube de futebol Flamengo, treinado por Jorge Jesus. Em 2019, as mortes do ator da Disney Cameron Boyce, cabeleireiro português Eduardo Beauté e do cantor Roberto Leal foram também motivo de pesquisa. A completar o [...]