Opinião

Guilherme de Oliveira Martins

Javier Marías

Em 1997, em suprema homenagem ao non-sense, Javier Marías aceitou fazer parte de uma ficção sobretudo bem-humorada, na Ilha de Redonda, que é um minúsculo rochedo no mar das Caraíbas, nas proximidades de Antígua e Barbuda. Constitucionalmente, tornou-se um reino de papel, apenas vocacionado para homenagear a liberdade de espírito. E assim se formou uma espécie de confraria, que distribui títulos entre nomes consagrados, que apenas aceitam não se levar demasiado a sério, denunciando a prevalência das linguagens do poder, da hipocrisia e do dinheiro. Marías tornou-se, deste modo, um monarca de ilusão, encarregado de promover a cultura pela ironia, na linha dos seus ilustres companheiros ou antecessores: J. M. Coetzee, Eric Rohmer, Ray Bradbury, Claudio Magris e Milan Kundera... E a situação entusiasmou Marías, admirador da cultura anglo-saxónica e defensor da liberdade criadora. Tudo começou quando Mathew Shiel, um industrial irlandês dos transportes, reivindicou em 1865 a posse da ilha deserta. Naquela época não pertencia a nenhum país. O filho Philippe Shiel, nascido pouco antes, foi proclamado rei. Os britânicos declararam, porém, a soberania formal da ilha e incorporaram-na em Antígua em 1872. Quando Philippe cresceu, assumiu o trono e designou com a sua morte o poeta John Gawsworth como monarca. Este renunciaria em 1966, sucedendo-lhe Arthur John Roberts e John Wynne-Tyson, até que Marías foi reconhecido em 1997.

Guilherme ​​​​​​​d’Oliveira Martins

João Melo

"Um certo Brasil amável morreu"

Por escassos 1,7%, Lula não foi eleito presidente da República do Brasil no domingo, 2 de outubro de 2022. Em princípio, o resultado pode ser considerado normal, pois, das duas vezes anteriores em que ele venceu as eleições presidenciais brasileiras, jamais o conseguiu no primeiro turno. Desta vez, ele teve, inclusive, mais votos do que nas duas disputas em que acabou eleito no segundo turno. Pode, portanto, acabar eleito no próximo dia 30, como todas as contas e todos os principais cenários apontam, embora se preveja uma campanha feroz, no mínimo, ao longo do mês.

João Melo

Mais atualidade

Mais Opinião

Pedro Cruz

A notícia da morte da Europa foi manifestamente exagerada

A Europa já morreu por três vezes. E, por três vezes, ressuscitou de uma forma diferente. A capacidade de regeneração do "velho continente" parece não se esgotar. Mas terá, esta Europa, apenas sete vidas? Carlos Gaspar, professor universitário e investigador diz que não, na obra que vai lançar dentro de dias, O Fim da Europa. As guerras do século XX obrigaram a redesenhar o mapa, a novos realinhamentos estratégicos, à construção de alianças, ao equilíbrio de poderes e à adaptação do que vem depois do fim. Da guerra.

Pedro Cuz

Especial Lisboa

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