Atualidade

Opinião

Sebastião Bugalho

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021). Otelos

Um célebre filósofo espanhol escreveu que "um herói é alguém que quer ser ele próprio". No caso de Otelo Saraiva de Carvalho, nascido em 1936, falecido no passado domingo e cremado com honras militares mas não de Estado, a questão é: mas qual dos próprios? O Otelo que foi libertador de um país algemado a um regime ditatorial? Ou o Otelo que se insurgiu clandestinamente contra o regime democrático que se seguiu, já em período de normalidade constitucional? O Otelo apregoador da democracia direta ou o Otelo que clamava a necessidade de "um homem com a inteligência e a honestidade" de Salazar? O Otelo cuja performance operacional na madrugada de 25 de Abril é ainda estudada nas escolas de infantaria? Ou o Otelo que, mesmo acreditando na sua versão, se deixou rodear por gente que assassinou funcionários do Estado e uma criança? O Otelo que a justiça decidiu condenar, mas nunca por crimes de sangue, ou o Otelo que a política preferiu perdoar, mesmo que sem as unanimidades que a vida e a morte nunca permitiriam?

Sebastião Bugalho

Miguel Romão

Ainda (e sempre) Otelo

A minha avó materna, nascida em 1914, não tinha o que chamaríamos hoje de grande consciência política. Tinha algumas convicções, poucas e absolutamente seguras, que valem o que valem: a de que Salazar e Marcello Caetano eram simplesmente uns "cínicos", o que, para ela, significava que provavelmente pensavam uma coisa e diziam outra; e que Otelo e Jorge Sampaio eram as melhores pessoas que lhe tinham aparecido, no seu julgamento simultaneamente sábio e ingénuo, como figuras políticas depois do 25 de Abril. Várias vezes a ouvi, eu criança, provavelmente passeado por ela em direção ao Mercado de Campo de Ourique, elogiar Otelo - e estamos a falar de 1981, 82, 83. Tal como, depois, a via com imensa atenção às intervenções públicas, na televisão, de Jorge Sampaio.

Miguel Romão

Victor Ângelo

Clima e pandemia: visões curtas na hora das urgências

O sul de Madagáscar está a sofrer um longo período de seca. Daqui resulta insegurança alimentar para cerca de um milhão e meio de pessoas. Sem meias-palavras, subalimentação e fome. Para mais, a pandemia do coronavírus veio agravar a crise humanitária. As escolas fecharam e as crianças deixaram de ter acesso ao almoço diário que estas lhes proporcionavam, graças à intervenção do Programa Mundial de Alimentação da ONU.

Victor Ângelo

Mais atualidade

Jorge Moreira da Silva

Coerência e coragem na ação climática

Nem a retórica sobre transição climática nem os anúncios de mais financiamento verde reduzem as emissões de gases com efeito estufa. É tempo de exigir, em Portugal, um amplo compromisso político em torno de objetivos mais ambiciosos de redução das emissões e de um pacote de reformas que assegure uma descarbonização assente em objetivos de proteção ambiental, de justiça social e de eficiência económica. É inegável que nenhuma mudança de comportamentos, na sociedade, na economia e no Estado, será alcançada, ao nível da mitigação das alterações climáticas, sem que se coloque um verdadeiro preço nos produtos e nos serviços. Mas a minha experiência permite-me dizer que está ao nosso alcance desenhar políticas que, sendo amigas do ambiente, são amigas da economia e da justiça social. Dois exemplos:

Jorge Moreira da Silva

Evasões

V Digital

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.