Atualidade

Raúl M. Braga Pires

Líbano: O que ainda há por dizer?

Já tudo foi dito sobre o assunto, sobre a História da criação francesa de um país-reduto para os cristãos no Médio Oriente, sobre esse falhanço presente nas quotas religiosas que impõem equilíbrios permanentemente no "fio-da-navalha", sobre o peso do Hezbollah, dos iranianos, dos israelitas e da corrupção endémica nos destinos do país, do choque que se tornou em ira quando a poeira assentou e que resultou em manifestações que resultaram na demissão do Governo. Falou-se muito também da necessidade de mudança, mas não se falou de futuro. Não se alvitrou ainda sobre como os libaneses chegarão ao futuro. Falou-se na inevitabilidade de futuras eleições, mas não se falou do futuro próximo. Esse mesmo que permitirá aos libaneses virarem a página e terem um sono tranquilo.

Raúl M. Braga Pires

Ana Paula Laborinho

Cultura é (também) economia

No início da minha carreira (que vai longa), Mário Viegas deu-me uma lição que nunca esqueci. Grande ator e encenador, desaparecido prematuramente em 1996 com apenas 47 anos, era também um recitador único que acrescentava sentido aos textos (é inesquecível a sua interpretação da "Tabacaria" de Fernando Pessoa ou do "Manifesto Anti-Dantas" de Almada Negreiros). Como jovem professora de Português numa escola secundária de Lisboa, nos idos de 80, organizei uma sessão de poesia para os alunos e convidei Mário Viegas, que, no seu tom verrinoso, me perguntou quanto pagávamos. Perante a minha quase explícita indignação, retorquiu: "Costuma ir ao dentista sem pagar?"

Ana Paula Laborinho

Victor Ângelo

Questionar a obsessão securitária

A Comissão Europeia ganhou o hábito de produzir estratégias. É uma boa prática, por permitir fazer avançar a reflexão sobre temas prioritários e chamar a atenção dos diferentes governos sobre a necessidade de coordenação e de ações conjuntas, quando apropriado. Pena é que esses documentos fiquem apenas por Bruxelas e em certos círculos especializados, e não sejam debatidos nos Parlamentos nacionais e pela opinião pública, nos diferentes Estados membros.

Victor Ângelo

Margarita Correia

O português, o IILP e o sistema global das línguas

Em 2001, na obra Words of World, Abram de Swaan propõe que o "sistema global das línguas" é parte integrante do "sistema mundial", e que este, além da linguística, comporta uma dimensão política, uma económica e uma cultural. Propõe ainda que o sistema global das línguas se organiza em constelação, cujo centro é atualmente o inglês, língua hipercentral. Em torno do inglês gravitam 12 línguas supercentrais (alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, hindi, japonês, malaio, português, russo e suaíli), de âmbito internacional, e todas, à exceção do suaíli, com mais de cem milhões de falantes cada. Em torno das línguas supercentrais, gravitam cerca de cem línguas centrais, em conjunto faladas por cerca de 95% da população mundial, que têm em comum o serem frequentemente "línguas nacionais" ("national languages", segundo o autor), oficiais dos países ou regiões onde são faladas, de registo escrito, usadas na comunicação, na política, na administração, na justiça e no ensino. Finalmente, as línguas periféricas ou minoritárias, provavelmente mais de seis mil, constituem cerca de 98% das línguas existentes, mas são, em conjunto, faladas por cerca de 10% da população mundial, línguas de memória, com escassa tradição escrita. Para de Swaan, este sistema assenta no multilinguismo, i.e., grande parte da população mundial fala mais do que uma língua, pelo menos duas de "órbitas" diferentes. Os falantes de uma língua periférica usam em geral uma língua central, quando necessitam de comunicar com falantes de outra língua periférica; os falantes de línguas centrais diferentes recorrem a uma língua supercentral como veicular; e, por fim, o inglês é veicular para os falantes de línguas supercentrais diferentes. A veicularidade constitui-se, portanto, como importante mais-valia para as línguas.

Margarita Correia

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Ana Margarida Lourenço é professora de inglês em Pequim e conta como está a viver a pandemia de Covid-19

Uma professora portuguesa fala dos dias de pandemia em Pequim

Ana Margarida Lourenço é professora de inglês em Pequim. Mas para percebermos como ela lá foi parar é preciso fazer uma viagem no tempo até 2006, a uma experiência no Parlamento Europeu que terá sido um momento revelador na vida de uma apaixonada por línguas e com uma vontade imensa de conhecer o mundo. A paixão pelo mandarim falou mais alto e levou-a a abraçar por inteiro o país do sol nascente. 2020 começou com a celebração do ano chinês com uma viagem ao Japão, mas o regresso foi um mergulho num "novo normal" até então inimaginável. Ela conta tudo, neste episódio especial do Cartaz da Quarentena.