Destaques

Opinião

PremiumFoi Centeno quem fez descer os juros?

Há dias a agência de notação Standard & Poor's (S&P) subiu o rating de Portugal, levando os juros sobre a dívida pública para os níveis mais baixos de sempre. No mesmo dia, o ministro das Finanças realçava o impacto que as melhorias do rating da República têm vindo a ter nas contas públicas nacionais. A reacção rápida de Centeno teve o propósito óbvio de associar a subida do rating e a descida dos juros às opções de finanças públicas do seu governo. Será justo fazê-lo?

Ricardo Paes Mamede

PremiumQueremos os vossos filhos

Há poucas imagens que me ficam presas à memória como se nunca tivesse saído desse episódio. Um delas é a da mulher síria que, em 2013, atravessava a fronteira em direção ao Líbano. Eu estava aí com a chefe de delegação da União Europeia no Líbano, numa missão que procurava acautelar a resposta de emergência às três mil pessoas refugiadas que entravam no país a cada dia que passava. Na altura não se falava de refugiados sírios ainda por estes lados. Ora bem, esta mulher estava em final de tempo de gravidez. Tinha feito mais de 80 quilómetros a pé, atravessado o Anti-Líbano - a cordilheira síria que do outro lado da fronteira faz espelho com o monte Líbano - e estava exausta, com frio, com fome e sede e o desespero de ter perdido a casa e a família num bombardeamento. Chegou sozinha e poucas horas depois teve a bebé. Quando regressámos para falar com ela, disse-nos apenas: "Agradeço a Deus." Na altura pensei, eu que não acredito na existência de Deus, que talvez tivesse sido mesmo obra de Deus, já que nós fomos totalmente incapazes de evitar situações como esta.

Marisa Matias

Pensas que estás na barraca onde vives?

No outro dia, uma professora perguntou isto à minha filha, que tem 12 anos e está no 6º ano. "Pensas que estás na barraca onde vives?" Ela contou-me, ao jantar, olhar crítico, mas descontração saudável, que tanto me descansa. "Achas bem, mãe?" Primeira (e estúpida) reação minha: "O que é que fizeste para a professora perguntar isso?" Ela, com aquele ar incrédulo dos pré-adolescentes: "Só estava torta na cadeira, mãe. Achas bem uma professora perguntar isso?"

Catarina Pires

Praguejar é um alívio

"Puta que pariu..." De todas as asneiras do vernáculo português, esta é a minha preferida. Não é a que gritamos quando nos salta a tampa, não é para este sítio que mandamos alguém que se atravesse à má fila num cruzamento quando o sinal está verde para nós. Esta é a que deixamos escapar de mansinho, entre dentes, acompanhada de um abanar de cabeça quando estamos desapontados com o mundo, quando olhamos para a cagada que acabámos de fazer por entornar a água toda do esparguete em cima da bancada, quando reparamos que há 35 pessoas à nossa frente na fila das Finanças ou quando percebemos que, apesar de serem oito e meia da manhã, já não há mais senhas para renovar o Cartão de Cidadão.

Paulo Farinha

Os troncos de Doha

Como tudo no Qatar, atravessa-se algum deserto para lá chegar. E o Centro Nacional de Convenções de Doha, nos arredores da capital do emirado, não escapa a esse destino de saltar do fundo da areia e ficar a pairar como uma verdadeira miragem arquitetónica sobre a paisagem. Quando se o vê pela primeira vez fica-se como aqueles saloios que se deslumbram com maravilhas nunca vistas no seu território, é que ao aproximar-se da enorme estrutura descobre-se que está apoiada em dois grandes troncos.

João Céu e Silva

Insider

Falha na startup de trotinetes Voi expôs dados de 100 mil pessoas

Investigação de jornal alemão revelou falha no sistema da empresa sueca que também opera em Portugal. Empresa não confirma exposição de dados de utilizadores portugueses. Dados de 100 mil utilizadores da empresa de trotinetes elétricas Voi estiveram expostos, confirmou a empresa após uma investigação do jornal alemão Bayerischer Rundfunk. A startup sueca, que em Portugal opera nas cidades de Lisboa e Faro, não confirma a localização das pessoas afetadas e garante que está a comunicar a todos os seus utilizadores o sucedido. "Informámos os nossos utilizadores sobre o ocorrido e tomámos as medidas necessárias para assegurar que isto não volta a acontecer. A localização [...]

GauGAN. O software da Nvidia que transforma rabiscos em imagens fotorrealistas

Com este programa, até os menos versados em desenho vão conseguir criar imagens capazes de deixar os outros de boca aberta. Já há quem chame este programa de "Paint do século XXI", por permitir transformar desenhos muito básicos - como aqueles que os utilizadores fazem na ferramenta do Windows - em imagens de grande detalhe e realismo. O GauGAN é mais um avanço na utilização da inteligência artificial. O software foi desenvolvido pela Nvidia, empresa especializada em unidades de processamento gráfico, mas que nos últimos anos tem assumido um papel de relevo no desenvolvimento de algoritmos de aprendizagem automática. Os [...]

Depois dos anúncios, a loja online: Instagram tem nova área de negócio

O Instagram já apresentava etiquetas que mostravam aos utilizadores o preço das peças e onde as podia comprar. Agora, a rede social dá um passo em frente e já vai poder servir de loja online. Esta novidade mostra a aposta séria que o Facebook, dono do Instagram, está a fazer no mundo do comércio eletrónico. De acordo com a informação revelada, há 130 milhões de pessoas que todos os meses carregam nas etiquetas de compras que surgem no Instagram. Com esta funcionalidade, a ideia será a de mudar ligeiramente as coisas, ao garantir que nem é preciso sair da aplicação [...]

Governo cria grupo sobre carros autónomos, mas deixa tecnológicas de fora

Sugestões de alterações à lei devem ser apresentadas até ao dia 30 de junho. O Governo avançou finalmente com a criação de um grupo de trabalho que tem como objetivo estudar que alterações é preciso fazer à lei portuguesa para integrar as tecnologias de condução autónoma. A notícia, avançada pelo Dinheiro Vivo, dá ainda conta que este grupo de trabalho será constituído por 13 representantes de diferentes organizações, mas deixa de fora as empresas tecnológicas que têm tido um papel importante no desenvolvimento dos carros autónomos. Gigantes internacionais como a Waymo, Uber e Tesla ou organizações portuguesas como o Centro [...]

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O método Desperdício Zero de Bea Johnson

“Por definição, quanto menos temos, menos temos de guardar, limpar e manter.” A ideia de Bea Johnson – que graças ao seu livro e conferências se tornou numa espécie de guru da reciclagem – parece simples. Mas num mundo em que estamos habituados a acumular bens, dos mais valiosos aos mais básicos, seguir os seus conselhos já não é assim tão simples. Exige, para começar, uma forte dose de contenção em relação ao futuro do nosso planeta e, claro, também de vontade para mudar de hábitos. E é precisamente neste segundo aspeto que esta francesa é uma verdadeira perita, tanto que conseguiu converter os seus conselhos num livro: “Desperdício Zero, Simplifique a sua vida reduzindo o desperdício em casa”. Um guia doméstico que já foi traduzido para 20 línguas e que chegou a ser um bestseller em vários países. Uma prova, assegura Johnson, de que o tema da redução de resíduos em casa interessa (e muito), “ainda que, no início, se tenham rido de nós”. Quando fala no plural, Johnson refere-se à sua família, que se converteu no seu aliado mais forte e com quem protagoniza fotografias e vídeos, tanto no Instagram como no Youtube, onde acumula subscritores e centenas de milhares de visualizações.Cada um de nós gera cerca de 1,5 kg de resíduos diariamente. Cerca de 440 kg anualmente. Chamamos resíduos a tudo aquilo que acaba no lixo ou na incineradora sem possibilidade de ser reciclado. Quase meia tonelada de embalagens de plástico, peças, bolsas, latas, pilhas, aparelhos eletrónicos, etc. Segundo um relatório do Banco Mundial, publicado em 2016, em todo o mundo produzimos cerca de 1300 milhões de toneladas por ano. Um número que não para de crescer e que se poderá tornar insustentável se não fizermos algo para o evitar rapidamente. Obviamente que são necessárias medidas políticas públicas e uma consciencialização por parte das grandes empresas – os gigantes da alimentação, por exemplo, oferecem, atualmente, soluções de compromisso para reduzir as embalagens plásticas – para reverter esta tendência. Mas também é certo que o que cada um faz em casa pode ajudar muito. E é aqui que entram em jogo as práticas que Bea Johnson tem desenvolvido desde há uma década. O resultado, segundo a própria no seu website, é chamativo: todos os resíduos gerados pela sua família ao longo ano cabem num frasco de vidro. Ao vermos as centenas de sacos que cada um de nós deposita no lixo, damo-nos conta de que, pelo menos, vale a pena escutar o que Johnson nos quer propor. Porque o que nos propõe é do nosso interesse.O método Desperdício Zero que a autora francesa propõe resume-se a cinco regras: Rejeitar (“esta é a mais importante, aprender a dizer não àquilo que não precisamos”), Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Compostar. Há dez anos que a sua família segue estas regras e parecem funcionar bem: “Concentramo-nos em ser, em vez de ter”, diz Johnson.

André Ferreira, o melhor piloto de drones de Portugal

Acontece com os drones algo parecido com o que, no seu tempo, aconteceu com os videojogos e a sua variante competitiva, os e-sports.Para o público em geral, estes veículos voadores que raramente aparecem nas primeiras páginas da comunicação social (por exemplo, quando forçaram o encerramento do aeroporto de Gatwick em Londres, pouco antes do último Natal), são um simples entretenimento. Um jogo de crianças ou de jovens apaixonados pelas novas tecnologias e pela velocidade. É verdade que os mais informados sabem que os drones são usados ​​para trabalhos de vigilância, tarefas militares, funções logísticas e muito em breve habituar-nos-emos a vê-los fazer as funções dos “entregadores”. Mas daí a considerar que podem ser um desporto ou um espetáculo de massas, ainda falta um pouco, a não ser que alguém grite, como o Tom Cruise fez no seu papel de Jerry Maguire - "mostra-me o dinheiro". E esse momento já chegou: 3 000 espectadores lotaram o local onde ocorreu a final da Drone Racing League, realizada na Arábia Saudita em setembro do ano passado. O número é importante, mas os 115 milhões de espectadores que, segundo os organizadores, acompanharam a competição online, são muito mais impressionantes. Com estes números, as corridas de drones são muito apetecíveis para os patrocinadores e não é de admirar que o vencedor do campeonato tenha embolsado um prémio de 100 000 dólares. Parece, assim, que as competições de drones, tal como um dia aconteceu com os e-sports, vieram para ficar.André Ferreira, o melhor piloto de Portugal, está longe destes números estonteantes, mas as suas capacidades permitem-lhe sonhar em aproximar-se deles um dia: "Comecei a pilotar drones com os meus amigos em Portimão, no Algarve, mas nunca pensei em competir. Até que há dois anos, um amigo disse-me um dia: "André, inscrevi-te numa prova do campeonato do mundo que se vai realizar em Setúbal.” Eu achei que ele estava a brincar.” Mas não era brincadeira. Alguns dias depois, o André Ferreira competia pela primeira vez numa corrida e mostrou duas coisas: que o seu amigo tinha um excelente olho para reconhecer o talento e que ele estava mais do que pronto para desafiar os melhores. Naquele primeiro campeonato realizado há dois anos, o André ficou em terceiro e o vício da competição apanhou-o de tal forma que não deixou mais as corridas.Atualmente, o André Ferreira está entre os dez melhores pilotos do mundo, embora ainda não se possa dedicar exclusivamente à pilotagem. Mas isso não importa, porque o português reconhece que esta é a sua paixão: "além do prazer de voar, aqui encontrei uma família".

DN Ócio

A raiva, o nojo e a alegria de Rodrigo Leão deram músicas (e isto não é ficção)

Conversa solta, com os pés em Lisboa, o gravador ligado enquanto passam carros e pessoas, em várias camadas de sons. Rodrigo Leão em conversa franca, antes de seguir para outros afazeres - e, quem sabe, levar esta entrevista para uma música. Entrevista de Marina Almeida/ Fotografias de Reinaldo Rodrigues (Global Imagens) O músico português fez uma banda sonora para o cérebro. A porta de entrada da exposição Cérebro - Mais Vasto do Que o Céu, na Fundação Calouste Gulbenkian (inaugura-se no dia 16), faz-se ao som da sua música, sobre imagens produzidas digitalmente pelo neurocientista e artista norte-americano Greg Dunn [...]

Na Gulbenkian joga-se à bola com o cérebro e há robôs artistas

Um derby em que ganha o jogador mais calmo, uma orquestra feita com os nossos cérebros, os deliciosos robôs pintores de Leonel Moura. A partir de sábado e até 10 de junho, arte e ciência cruzam-se numa exposição, em que o cérebro dá muito que pensar. Reportagem de Marina Almeida Rui Oliveira saiu do laboratório e trouxe algumas das experiências dos cientistas para a sala de exposições. O investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência e do ISPA é o comissário de Cérebro - Mais Vasto que o Céu e leva-nos por uma viagem ao interior das nossas cabeças. Uma viagem [...]

Feira de Artes e Antiguidades de Lisboa muda de nome e quer ser mais internacional

A pensar no mercado internacional a Feira de Artes e Antiguidades mudou de nome e passa agora a chamar-se LAAF - Lisbon Arts and Antiques Fair. O evento, organizado pela Associação Portuguesa de Antiquários (APA) realiza-se entre 6 a 14 de abril na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Texto de Filipe Gil Na apresentação do evento à imprensa, os responsáveis da APA indicaram que serão 29 expositores a comporem a feira, dos quais quatro estrangeiros. A Galeria F.Cervera e a Montagut Gallery, ambas de Barcelona. E as galerias PLA e Phillipe Mendes de Paris. Sendo que um dos objetivos é trazer [...]