Opinião

Leonídio Paulo Ferreira

Coreia faz eleições para mostrar que a democracia é mais forte do que o vírus

Há candidatos nas eleições coreanas que não resistem a tirar a máscara cirúrgica para melhor se fazerem ouvir nos comícios, mas no essencial a campanha para as legislativas têm obedecido às regras estritas de comportamento que minimizaram o impacto do coronavírus no país. E o favoritismo no dia 15 vai todo para o Partido Democrático, a que pertence o presidente Moon Jae-in, em boa parte pela excelente resposta à pandemia, pois a Coreia do Sul chegou a ser o país mais atingido depois da China, mas agora regista bem menos casos e vítimas do que a maioria dos países europeus (ontem mais 27 infetados e quatro mortes num país de 50 milhões de habitantes).

Leonídio Paulo Ferreira

Atualidade

Catarina Pires

Faz-me falta sentir saudades de casa

É tão estranho isto. A minha casa é o meu espaço. Sou eu e os meus amores que estamos ali, aqui, nos livros, nos objetos, nas fotografias, nos sofás, nas almofadas, nas mantas, nas canecas, na desarrumação, na arrumação. Tenho a sorte de ter uma casa grande e confortável que é uma continuação de mim. Tem imensos defeitos. Coisas que, se pudesse, mudava, mas com as quais vivo bem. Não há lugar onde me sinta melhor. E, no entanto, agora que é nela que passo as 24 horas do dia há três semanas, começo a sentir que me sufoca.

Catarina Pires

Graça Henriques

Quando ir ao banco até parece uma mudança de continente

O coronavírus apanhou-me desprevenida com a impressora avariada, quase elevada ao estatuto de mono. Do banco diziam-me que tinha mesmo de assinar o documento, que se não tinha como imprimi-lo e digitalizá-lo era preciso deslocar-me às instalações. Ainda fingi alguma relutância, mas depressa vi ali uma oportunidade para sair do bairro e ver como "mexe" a cidade... Afinal, nos tempos que correm, afastar-me dois quilómetros de casa tem praticamente o sabor de uma viagem intercontinental!

Graça Henriques

Leonídio Paulo Ferreira

Paris, Texas vale bem uma reportagem

Tinha 13 anos quando se estreou Paris, Texas e claro que me disse mais o cartaz com Nastassja Kinski do que a assinatura de Wim Wenders como realizador. E foi só por ter visto o filme uns anos depois que não repeti, como cheguei a ouvir, que falava de uma viagem do Texas até Paris. Sim, há gente a viajar nele, mas sem sair do Texas, ainda que quando uma das personagens fala de Paris a outra pense logo em França. Estamos todos desculpados.

Leonídio Paulo Ferreira

Ricardo Santos

Quatro Estrelas Michelin

Foram cinco dias a caminhar entre os 1500 e os 3800 metros de altitude, para cima e para baixo pelos Andes peruanos. À custa de um mosquito e da infeção que causou, os pés já estavam a passar para o azul, depois da vermelhidão e das comichões iniciais. Só doíam ao fim de cada dia do trekking, quando o corpo percebia que era tempo de descansar. A última noite antes de chegar a Aguas Calientes - que hoje se chama Machu Picchu Pueblo - foi passada num baldio de uma pequena aldeia que não sei mesmo se teria nome. Num rés-do-chão com as portas fechadas, Freddy, o guia, montou uma discoteca. A bola de espelhos rodava, a música saía do computador e, na parede, posters de duas impossibilidades por aquelas paragens: Tina Turner e uma praia paradisíaca.

Ricardo Santos