Atualidade

Opinião

Alexandre Moniz Barbosa

Goa – o dinamizador entre a Índia e Portugal

Uma imagem que me vem à mente com frequência é a do primeiro-ministro português, António Costa, a apresentar o seu cartão PIO (agora OCI) que recebeu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. O seu pai, Orlando da Costa, passou a sua infância e juventude em Goa, e o primeiro-ministro português durante a sua segunda visita a Goa em janeiro de 2017 fez questão de visitar a casa ancestral da família em Margão. Índia e Portugal encontram-se no seu melhor momento. Afinal porque não deveria ser assim? Para além da história partilhada a que os dois países podem recorrer, que é vantajosa para fortificar as ligações existentes, existe também a conexão pessoal entre a Índia e Portugal na forma de uma pessoa de ascendência indiana ser o primeiro-ministro de Portugal. Os dois primeiros-ministros eram para se encontrar pessoalmente no dia 8 de maio, na cimeira UE-Índia no Porto, mas a pandemia só permitirá um encontro virtual.

Alexandre Moniz Barbosa

Adriano Moreira

O clarim

Depois do fim da guerra mundial de 1939-1945, cuja paz foi anunciada, segundo a imprensa francesa, com alegria e muitas lágrimas, e o fim das dependências do império mundial, esperava-se que finalmente o "credo dos valores" permitisse regressar à paz de todos os continentes, com relevo para o mantido amor à África. Recentemente, duas académicas de lúcida intervenção, foi da África, e sobretudo dos africanos, que se ocuparam com, entre outros valores, o papel das mulheres.

Adriano Moreira

António Araújo

Holodomor

Em Abril de 1933, Georges Simenon visitou Odessa. Quando iniciou o seu périplo pela "Europa em crise", já tinha ganho fama com as histórias policiais do comissário Maigret, surgidas pouco antes, com um alucinante ritmo de publicação. Agora, nas vestes de repórter, entrevistará gente famosa - Gandhi, Hitler, Mussolini, Trotsky - e conhecerá ambientes e lugares que lhe servirão de matéria-prima para os seus romances, entre os quais Les Gens d'en Face, cuja personagem feminina principal, Sonya, se inspirou quase a papel químico numa Sonya de carne e osso, a agente da Intourist que os soviéticos colocaram como sua controleira, a vigiar-lhe os passos e a tentar impedir que o escritor-jornalista testemunhasse as tragédias em curso naquela república. Sonya falhou a missão e, nas páginas do Le Jour, Simenon acabou por publicar 23 reportagens a que deu o título "Peuples qui ont faim", onde descreveu a situação dramática dos pequenos camponeses, os kulaks, aos quais, segundo ele, "nada mais restava senão morrer".

António Araújo

Bernardo Pires de Lima

A bengala no Indo-Pacífico

Não é a cimeira ideal, mas não deixa de ter alcance no programa da presidência portuguesa. As relações entre a União Europeia e a Índia têm um mar de potencialidades por desbravar e sem diálogo político dificilmente avançarão. Elas são importantes, desde logo, por diversificarem os ângulos em curso na política internacional, profundamente marcados pela dinâmica sino-americana. A UE não tem qualquer interesse em ali ficar aprisionada e beneficia com o desenho de uma radial de diálogos estratégicos com os EUA, a União Africana, o Brasil e, no Indo-Pacífico em particular, com o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e, claro está, a Índia. Não significa isto inviabilizar um roteiro minimamente construtivo com a China, mas afinar com outra coragem os seus termos: por um lado, invertendo os seus atuais desequilíbrios, que estão a beneficiar a passada chinesa; por outro, não fazendo do mesmo a única e maior aposta estratégica. A relação com Nova Deli é o passo natural nesses reequilíbrios.

Bernardo PIres de Lima

Anselmo Borges

Jesus e a Igreja. 4

Na Igreja, haverá líderes no, com e para o Povo de Deus, para celebrar nas comunidades e com as comunidades a Eucaristia: a vida, a morte e a ressurreição de Jesus e da Humanidade inteira. A Eucaristia é memória da última Ceia e também de todas as refeições que Jesus tomou concretamente com pecadores e excluídos, precisamente para indicar a presença e a actuação do Reino de Deus. Esses banquetes tinham causado profunda impressão nos discípulos. Jesus aliás comparou a realidade do Reino de Deus a bodas e banquetes. Não se trata, pois, do padre-sacerdote do culto ritual-sacrificial. Jesus rejeitou o sacerdócio judaico e o culto sacrificial do seu tempo, e nada indica que quisesse instituir um novo culto sacrificial. Ele próprio não era "sacerdote" nem nenhum dos "Doze" nem Paulo. As suas relações com o Templo e o culto nele realizado pelos sacerdotes foram de ruptura, de tal modo que foi o sacerdócio judaico que o levou à cruz. No Novo Testamento, a palavra "sacerdote" no sentido sacrificial-cultual foi evitada. A concepção sacrificial da Eucaristia, que implica a introdução do sacerdote, é posterior, tendo na sua base sobretudo a vontade de impedir a acusação de ateísmo pelo facto de os cristãos se recusarem a prestar culto aos deuses e não oferecerem sacrifícios. Mas então o "povo sacerdotal" transformou-se na "Igreja dos padres", e, esquecendo a Eucaristia como memorial do amor incondicional de Cristo pela Humanidade até ao fim na vida e na morte, a sua compreensão como sacrifício contribuiu para a concepção do Deus que precisa do sangue das vítimas, a começar pelo sangue do próprio Filho, em ordem a aplacar a sua ira. Deste modo, porém, continuou a história do deus sádico Moloch, em nome do qual é possível legitimar todo o sangue derramado. De facto, se Deus precisa, para ser aplacado na sua ira divina, do sangue de vítimas e até do do próprio Filho, porque é que nós não havemos também de poder derramar sangue e de vingar-nos?

Anselmo Borges

Filipe Froes e Patrícia Akester

Balanço de um ano de pandemia de covid-19: da inevitabilidade a lições para o futuro

Umas vezes ganha-se, outras vezes aprende-se", adágio atribuído a Nelson Mandela e ensinamento que tão bem se aplica ao nosso dia-a-dia desde a declaração de pandemia emitida há mais de 13 meses pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais precisamente no dia 11 de Março de 2020. Inevitavelmente um dos maiores desafios para todos nós consiste, consequentemente, em saber o que aprendemos e o que vamos e queremos mudar no futuro no âmbito de um contexto repleto de oportunidades de aprendizagem.

Filipe Froes e Patricia Akester

Miguel Romão

Trio Odemira: exploração, conveniência e acomodação

Em maio de 2020, há um ano, o presidente da Câmara Municipal de Odemira exigia, nos noticiários das televisões, uma quarentena obrigatória para quem chegasse ao "seu" concelho. "São muitos a viver em pequenos espaços, sem condições, cerca de 10 mil", em Odemira, reportava-se há um ano, com declarações desse aurífico autarca. Basta rever as reportagens disponíveis na internet (designadamente na TVI24, de 11 de maio de 2020). E essa suposta exigência de quarentena, na verdade, seria ilegal. E o próprio autarca tinha o dever de o saber, para mais afirmando que essa quarentena se deveria estender a qualquer pessoa que pretendesse entrar em Odemira, esse absurdo ilegal, mas à época, na competição sanitária a que assistíamos entre autarcas, provavelmente bem recebido.

Miguel Romão

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