Opinião

Ontem conheci 007 no Estoril. Que elogiou as portuguesas

George Lazenby contou que não eram as falas para decorar que o preocupavam quando filmava em Portugal "Ao Serviço de Sua Majestade", mas sim como manter os olhos abertos pois deitava-se na melhor das hipóteses às cinco da manhã. E muito falou este James Bond ontem, num jantar no Estoril, da beleza das portuguesas, das namoradas que terá arranjado naquelas semanas de 1968 em que flirtou no Hotel Palácio, lutou na praia do Guincho, acelerou pela Arrábida e ainda teve tempo de ver uma tourada no Zambujal. "Também gostei muito da comida", rematou.

Leonídio Paulo Ferreira

A onda gigante que se esfumou em bruma

O ar quente da tarde encheu-se de uma súbita inquietação, que rapidamente se transformou em burburinho e, depois, em desassossego. De repente, os milhares de banhistas que até então se espreguiçavam pela areia ou mergulhavam sem pressas no mar tranquilo de Altura, no sotavento algarvio, estavam de pé na praia, falando à toa, interrogando-se. "Qual onda?", "mas onde?". Num movimento coletivo, de coreografia espontânea, todos se voltavam para o horizonte, mão em pala sobre os olhos, para enxergar melhor. E lá estava, sim senhor, qualquer coisa que se estendia a toda a largura do mar, uma pequena mancha mais escura logo acima da linha de água, uma espécie de bruma... Seria uma onda gigante a aproximar-se?

Filomena Naves

A mosca da cereja que veio do Japão para o Fundão

Com Dum Dum não escapa um. Mata moscas, melgas e mosquitos. Recordo-me da embalagem do spray e do cheiro intenso que iria gasear o mosquedo da quinta dos meus avós. Era presença indispensável no cabaz de compras da minha avó Piedade quando se ia aviar à loja do Ti Chico Ferrador, na estação dos comboios de Castelo Novo, aos pés de granito da serra da Gardunha. No cabaz vinham ainda a cera búfalo, o tulicreme e o pão da "arraia". Era o princípio do verão, o junho do nosso contentamento. As tardes ficavam longas e quentes e as moscas começavam a sua lenta invasão, zumbindo em sonolência molengona a perturbar a sesta. A minha avó gaseava-as com "remédio para as moscas". O meu avô Manel preferia um método mais sustentável. Enrolava o Jornal do Fundão como se fosse um taco de basebol e pumba, sem dó nem piedade, acrescentava vírgulas e pontos finais esborrachando-as na capa do JF . Isto no tempo em que os jornais tinham outra utilidade, ou pelo menos alguma. Depois vieram outros métodos drosomicidas, como os sacos de água pendurados à porta ou os esturricantes aparelhos de néon, mas nunca nada foi tão eficiente como o Jornal do Fundão nas mãos do meu avô. Era junho e o ar cheirava a cerejas, que pintavam as árvores cor de rubi e se depenicavam em malgas com água fresca. Não haverá nunca sabor como o dessas cerejas, as dos meus avós. Eram pequenas mas carnudas, com lábios de beijos ternos. Também gostávamos de cuspir os caroços para o quintal para ver se mais nasciam. Quantas mais se cuspiam, mais nasciam. O princípio dos verões na quinta dos meus avós era o tempo das cerejas e das moscas. Agora as moscas são uma das grandes ameaças ao ouro vermelho do Fundão. A insaciável mosca tem nome de moto japonesa, chama-se Drosophila suzukii e, reza a lenda, veio a esvoaçar do Japão, onde a cereja é fruto sagrado de samurai, de vida breve mas intensa. No Japão, as cerejeiras chamam-se sakuras. Existem mais de 600 tipos de sakura, com flores rosa, branca e amarela. As cerejas japonesas chamam-se sakuranbo e são também um símbolo de amor erótico. Há uma sakura com mais de dois mil anos chamada jindai zakura. Tem mais de dez metros de altura e reza a lenda que foi plantada pelo imperador Takeru. Do Japão, voam charters de turistas para o Fundão para ver as cerejeiras em flor e o nosso "hanami beirão" (cerejeiras em flor). E se os turistas são que nem moscas, parece que as moscas do Japão aterraram no Fundão. A voraz suzukii, também conhecida como mosca-da-asa-manchada ou mosca-do-vinagre, é uma praga que perturba a produção de cereja na Cova da Beira. A glutona nipónica perfura o fruto aurífico, colocando lá os seus ovinhos que geram larvas e se alimentam do fruto da nossa seleção, até ele tombar podre e inútil. Há vários meios de combater o mosquedo, mas nenhum seria tão eficaz como o Jornal do Fundão nas mãos do meu avô ou a metralhadora Dum Dum nas mãos da minha avó.

Rui Pelejão

Ver Tudo

Assim são os autocarros sem motorista que já funcionam em Paris

“Senhor condutor, por favor, ponha o pé no acelerador...” A canção infantil que todos já cantámos, aos gritos, fazendo com que os condutores de autocarros ponderassem mudar de profissão, ficava-se por ali. Não equacionava – eram outros tempos – a hipótese de não haver condutor. E, no entanto, parece ser cada vez mais claro que o futuro dos veículos de transporte de passageiros, autocarros incluídos, passará por serem autónomos. Aliás, os autocarros sem condutor são uma realidade que já existe há algum tempo em vários sítios, entre eles no distrito financeiro de Paris.Navya, a companhia responsável por estes veículos a circular na capital francesa, é dirigida por um famoso empreendedor e empresário tecnológico, Christophe Sapet. Ele foi um dos fundadores do Infograme, um prestigiado estudo francês pioneiro sobre a criação de videojogos. Hoje, Sapet está concentrado no mundo da mobilidade urbana e Navya é uma das referências mundiais nesse campo: “Devemos pensar nos nossos sistemas de transporte para as cidades do futuro”, afirma. E um desses sistemas serão os autocarros e os táxis autónomos.No caso dos autocarros, a proposta da Navya, assegura-nos a empresa, é uma solução inovadora, ecológica (são veículos elétricos), eficaz e inteligente. E não só, visto que garantem que é cómoda para os seus passageiros, já que promete uma navegação suave. Além disso, em Paris é grátis, já que se trata de um projeto piloto. O Shuttle da Navya consegue transportar até 15 passageiros e está equipado com tecnologia de vanguarda de mapeamento, câmaras, sensores para evitar colisões e programas de aprendizagem de inteligência artificial que permitirão ao veículo tomar decisões competentes nas diversas situações de condução que poderá enfrentar.A Navya assegura, nos seus documentos, que a era dos veículos autónomos já começou e que nos próximos anos veremos um aumento neste tipo de transportes. E argumenta-o com números categóricos, como as 1 300 000 pessoas que perderam a vida em acidentes de viação do ano passado (uma pessoa a cada 25 segundos), as 1 500 000 que morreram por causa da poluição atmosférica, e as dezenas de horas que os condutores de grandes cidades, como Los Angeles ou Moscovo, perdem em engarrafamentos. Todos estes problemas podem ser atenuados com a consolidação de carros elétricos sem condutor: “E a Navya terá um papel predominante nesse mercado.”Entrevista e edição:  Noelia Núñez, David GiraldoTexto: José L. Álvarez Cedena

Máquinas Inteligentes para ajudar a salvar o planeta

Em 2015, Elon Musk e Steve Wozniak, entre outros 8 000 cientistas e líderes tecnológicos, assinaram uma carta aberta na qual alertavam para os riscos da inteligência artificial. Tratava-se de um alerta para a possibilidade de as máquinas virem a ser prejudiciais para os nossos interesses enquanto espécie, também partilhado pelo físico britânico Stephen Hawking, que garantia que a inteligência artificial podia ser “o melhor ou o pior que podia acontecer à espécie humana”. No entanto, gostemos mais ou menos, o futuro parece passar obrigatoriamente pelo convívio com máquinas responsáveis por fazerem parte do nosso trabalho, incluindo tarefas importantes, e não apenas tarefas mecânicas e repetitivas. Um artigo publicado na página online do Fórum Económico Mundial garantia que vivemos um momento histórico em termos de inteligência artificial, graças ao big data, aos avanços no hardware, a algoritmos cada vez mais potentes e ao desenvolvimento de programas de código aberto que reduzem as barreiras para entrar na indústria tecnológica. O artigo garantia que estas condições beneficiavam oito áreas em que a inteligência artificial podia ajudar a salvar o nosso planeta: veículos elétricos e autónomos, novas redes energéticas, agricultura inteligente, melhores previsões climáticas, resposta perante catástrofes naturais, cidades ligadas e sustentáveis, transparência digital e desenvolvimento científico. Claro que a inclusão da inteligência artificial na equação ambiental não é uma atualização futurista forçada da ideia “eles que inventem!”, de Unamuno. Não são as máquinas que vão resolver os problemas criados pelos humanos, e sim nós que as conduziremos para essa resolução. Aliás, há já várias iniciativas e propostas neste sentido. Uma delas é dirigida por Lucas Joppa, na Microsoft: “Estamos perante uma oportunidade fantástica para alocarmos alguma da nossa tecnologia mais sofisticada e algumas das nossas ferramentas à resolução de alguns dos desafios ambientais que enfrentamos atualmente.” Joppa é responsável de Meio Ambiente na empresa de Redmond e diretor do projeto AI for Earth, um compromisso de 50 milhões de dólares a cinco anos no qual a Microsoft centra as suas investigações no campo da inteligência artificial em quatro áreas específicas: agricultura, água, biodiversidade e alterações climáticas. O programa da Microsoft disponibiliza subsídios e acesso aos imensos recursos tecnológicos e de computação da empresa para projetos que procuram alterar os atuais modelos de gestão e exploração de recursos. Joppa acredita que os governos têm um papel fundamental nas soluções e iniciativas no âmbito das alterações climáticas, mas considera que as empresas não podem ficar paradas e devem assumir um papel de maior intervenção: “As empresas não precisam dos governos para agir. Nós podemos ser agentes de ação. Nós podemos definir a agenda que queremos implementar. Acho que, se olharmos para o sucesso do setor tecnológico em termos globais, vemos que a oportunidade para a tecnologia ajudar a acelerar uma agenda de sustentabilidade global mais vasta é enorme.” Entrevista e edição: Azahara Mígel, Noelia Núñez, Mikel Agirrezabalaga Texto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Doggo, o cão robô que faz amigos em Stanford e quer chegar ao mundo

Os alunos da Universidade de Stanford receberam um novo amigo: Doggo, um robô de quatro patas que quer chegar aos laboratórios de pesquisa em todo o mundo. Chama-se Doggo e além de socializar com estudantes da Universidade de Stanford, como um verdadeiro animal doméstico, é também um projeto que é uma boa forma acessível para se testar programação. O que torna Doggo um projeto único, é o seu preço baixo que o torna mais acessível à universidades do mundo. A maioria dos robôs do género podem custar milhares de euros, mas os seus criadores do laboratório Extreme Mobility, de Stanford, estimam [...]

Moeda do Facebook chega já no início de 2020

Nova moeda deverá ser apresentada e testada ainda este ano. O próprio Mark Zuckerberg está envolvido no projeto. A moeda e o sistema de pagamentos digitais do Facebook devem ser lançados oficialmente no início de 2020, segundo uma notícia avançada pela BBC. Diz a publicação britânica que cerca de uma dúzia de países vão estar na linha da frente para receber estas novidades. Mas 2019 promete ser um ano no qual a GlobalCoin - nome pelo qual a moeda do Facebook é conhecida a nível interno - vai dar que falar, pois o plano da tecnológica é anunciar e fazer [...]

DN Ócio

As colunas que custam mais de um milhão de euros

Vivemos na era do superlativo absoluto. É frequente tropeçarmos em listas em que se vê classificado "o melhor restaurante" ou "o mais caro automóvel do mundo". Agora surgem as colunas consideradas pelos especialistas as melhores do mundo. Mas serão mesmo? Já lá vamos. Texto Fernando Marques | Fotografia Reinaldo Rodrigues As Wamm Master Chronosonic são o resultado da vida de um homem em busca da reprodução musical perfeita. Literalmente, pois dedicou os últimos cinco anos da sua vida a este projeto. A obsessão de David Wilson (1944-2018), zoólogo e químico de formação tornado engenheiro de som por convicção, levou-o mesmo [...]

Comporta inspira ex-diretor da Christian Dior a criar perfume

O francês Pierre Bouissou, ex-CEO da Boucheon e ex-diretor de perfumaria da Christian Dior, criou um perfume em que homenageia a Comporta. Segundo o francês, o perfume "Alma" foi inspirado no aroma fresco do pinheiro que juntou ao perfume da lavanda às notas cítricas de laranja. Ainda de acordo com o perfumista, o objetivo foi o "criar uma atmosfera olfativa única, embalada pelo vento que faz dançar os campos de arroz", indica. O "Alma" da Comporta (PVP 180 €) está disponível a partir de 1 de junho em pontos de venda selecionados em Lisboa, Porto, Quinta do Lago, Carvalhal e, [...]

Se os turistas não vão ao Porto, a Taylor"s traz o Porto a Lisboa

A Taylor"s comprou um edifício histórico junto à estação de Santa Apolónia e ao terminal de cruzeiros, em Lisboa, para atrair os turistas que não vão ao Porto. O Palacete Chafariz d"El Rei, em Alfama, será a sala de visitas da centenária marca de vinho do Porto - que acaba de inaugurar uma loja a poucos metros. Texto de Marina Almeida Beber um vinho do Porto com o Rio Tejo aos pés é a mais recente proposta da Taylor"s. A casa centenária de vinho do Porto chega a Lisboa, com a ideia de por o vinho do Porto na moda. [...]

Marca norte-americana homenageia Lisboa e as suas "personagens típicas"

A californiana Vans lançou uma coleção de t-shirts para homenagear o "espírito de lisboeta". Para assinalar este lançamento, a marca vestiu algumas das personagens típicas da cidade: engraxadores de sapatos, peixeiras e vendedoras de fruta, entre outros. As duas t-shirts, em versões preto e branco, foram criadas "com uma paleta inspirada na bandeira nacional portuguesa", explica a Vans. A marca californiana, fundada em 1966, tem esta coleção disponíveis nas suas lojas em Portugal (Lisboa, Cascais, Leiria, Almada e Oeiras). Veja na galeria imagens da campanha: