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Opinião

Jorge Moreira da Silva

Assédio: mais exigência, menos voyeurismo

A forma como o tema do assédio sexual tem sido debatido, nos últimos dias, em Portugal, é revelador de um problema estrutural no que diz respeito à forma como encaramos a liberdade e a responsabilidade. Assim que algumas mulheres, a quem temos o dever de agradecer e não escarnecer, denunciaram episódios de assédio sexual - ocorridos há vários anos em ambiente laboral - mais do que um escrutínio sobre as politicas e os sistemas internos, no Estado e no setor privado, de prevenção destes fenómenos e de proteção das vitimas, surgiu uma enorme pressão colocada sobre aquelas mulheres, nos media e nas redes sociais, para que revelassem os nomes dos agressores, sob pena de a sua narrativa não ser merecedora de credibilidade. Estes inquisidores aparentam não compreender que, nesta fase, os relatos daquelas mulheres, mais do que uma reparação ou uma punição legal, procuram sensibilizar a sociedade para esta realidade e, dessa forma, garantir que, no presente e no futuro, as mulheres, em especial as mais jovens, estarão mais protegidas por uma cultura de tolerância zero em relação ao assédio e abuso sexuais. Seria inteiramente legítimo que aquelas vítimas denunciassem os alegados agressores. Como legítima é a sua opção de, não indicando nomes, colocar pressão sobre a sociedade para que as lacunas existentes - ao nível das políticas públicas e dos sistemas nas empresas e organizações - sejam superados.

Jorge Moreira da Slva

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Sebastião Bugalho

Bonaparte, 200 anos depois

Cumprem-se hoje dois séculos da morte de Napoleão Bonaparte, corso, francês e europeu, falecido na remota ilha de Santa Helena em maio de 1821, calvo, obeso e doente. Imperador originalmente jacobino, tirano e homem de Estado, génio militar derrotado por distração, libertador e invasor, romântico e mulherengo, anónimo feito imortal, saiu deste mundo com 51 anos e um cancro, que autodiagnosticara com uma certeza que a autópsia confirmaria. Os seus últimos dias, no derradeiro exílio a que Inglaterra o sujeitou, foram tristes, ébrios e solitários, com avolumadas encomendas de vinho, longos banhos de imersão e um clima atlântico a que realmente nunca se acomodou. "Este calhau miserável" era a descrição que escarnecia da sua morada final. Os visitantes, quando os havia, pediam-lhe que relatasse batalhas e feitos do seu tempo, aos quais correspondia, abrindo mapas em cima da mesa de bilhar, segurando-os ao tapete com o peso das bolas e tratando a memória das suas vitórias "como um amante se lembra das suas paixões".

Sebastião Bugalho

Pedro Melo

A RTP e as touradas

Cresci e vivi em Santarém uma grande parte da minha vida. É, na verdade, a minha terra. Desde cedo, comecei a ver touradas, picarias e largadas de touros. Eram sempre dias de festa que reuniam centenas de pessoas vindas de muitos pontos do país. Em dimensão muito mais reduzida, é certo, assisti também a várias festas com touros numa pequena praça que montavam no Verão, em Ourique, ao lado da casa dos meus avós, o que também motivava forte animação local. É um espectáculo que muito aprecio, sentimento este que é comungado por milhares de outros portugueses.

Pedro Melo

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