Atualidade

Opinião

Isabel Capeloa Gil

O país exausto

A viver o segundo verão de pandemia, Portugal dá sinais de um cansaço vital, que se estende da política à comunicação, da economia à saúde. Os portugueses estão cansados do vírus, do ziguezague das normas sanitárias, das verdades científicas, das fake news, do elogio e da crítica da tecnologia, do isolamento forçado, do trabalho remoto. O governo demonstra a exaustão decorrente da gestão da maior crise sanitária da época moderna e os cidadãos demonstram uma apatia interrompida apenas por explosões celebratórias - como os festejos do Sporting - ou conflituais - como o vandalismo de Mil Fontes.

Isabel Capeloa Gil

Maria da Graça Carvalho

Ranking de Inovação. Mais do que uma queda, o retrato de uma realidade

A descida de sete lugares no Ranking Europeu de Inovação, que voltou a colocar-nos entre os países moderadamente inovadores apenas um ano depois de termos chegado pela primeira vez ao grupo da frente, não é obviamente uma boa notícia. No entanto, os indicadores relativos ao nosso país têm a virtude de deixarem bem claros os problemas de fundo que nos impedem de crescer ao ritmo a que desejaríamos e que nos levam até a desperdiçar muitos dos ganhos, nomeadamente em termos de qualificação da população e de capacidade científica, que fomos registando ao longo dos anos.

Maria da Graça Carvalho

Mais atualidade

Carlos Rosa

O algoritmo do olhar

O conflito entre o ser humano e as máquinas no cinema remonta há quase cem anos. Metropolis (1927), de Fritz Lang, aborda essa temática e é capaz de ser o filme de sci-fi mais influente de sempre. Arrisco a dizer que Metropolis será talvez o ponto de partida para as distopias adivinhatórias, que se materializam primeiro na literatura e no cinema. Será talvez também o ponto de partida para a convenção de um algoritmo social e moral, que ganha relevância em filmes como Blade Runner (1982 e 2017), A.I. (2001), Os Substitutos (2009) e Her (2013).

Carlos Rosa

João Melo

A América e a democracia global – o que faltou dizer

No artigo publicado aqui no passado dia 13 de julho deste ano, comentei a pretensão anunciada pelo presidente americano Joe Biden de liderar o combate global para defender a democracia, ameaçada por aquilo a que se tem chamado "derivas autoritárias". Apontei então algumas limitações dessa pretensão. As duas teses principais do artigo eram que, para desempenhar esse papel, a principal potência mundial precisa, primeiro, de resolver o problema das ameaças internas à sua democracia, protagonizadas pelo trumpismo, e, segundo, de articulá-lo com as principais instituições multilaterais existentes, a começar pela ONU. Só faltou concluir que, caso contrário, estaremos de volta à "América de Bush", quando os EUA pensavam que podiam implantar a democracia em outros países (os que lhes interessavam) à custa de invasões e "revoluções" híbridas.

João Melo

André de Aragão Azevedo

Um novo ciclo

Vivemos um período único na nossa história, não só pelas alterações conjunturais e estruturais resultantes da crise pandémica, mas porque concluímos com êxito a presidência do Conselho da União Europeia (PPUE), coincidindo com um novo quadro comunitário, que possibilitará oportunidades, sem paralelo, em termos de investimento, reformas estruturais e transição para um modelo económico mais competitivo, no qual a inovação, a digitalização e as startups serão fundamentais.

André de Aragão Azevedo

Paulo Baldaia

O Chega vive do nosso medo e está a vencer

Ignorar é a maneira que se pensa politicamente correcta de olhar para os problemas criados pelos partidos xenófobos, racistas, homofóbicos e tudo o mais que lhes apetece ser em nome de uma suposta liberdade de expressão. Mas tudo tem limites e, como tanto gostam de dizer os politicamente incorrectos, a vida não está para meias tintas. Por isso, sugiro às autoridades deste país que façam cumprir a lei. Não vale tudo e os ataques racistas e homofóbicos dos últimos dias exigem que se perceba de vez que André Ventura é perigoso e põe em causa a liberdade em Portugal.

Paulo Baldaia

Evasões

Notícias Magazine

V Digital

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

As ciclovias "produzem" mais utilizadores de bicicleta?

Nos últimos tempos, a construção de ciclovias na capital acentuou-se com o objetivo de cumprir a promessa eleitoral do presidente da Câmara, Fernando Medina, de ter "pelo menos 200 quilómetros" de vias cicláveis até ao fim de 2021. Apesar das muitas vozes críticas contra faixas "de utilização reduzida", os especialistas consideram que só se promove a utilização deste meio de transporte se, antes, se construírem as infraestruturas necessárias.