Opinião

Premium Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Ricardo Paes Mamede

Premium Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Anselmo Crespo

Premium O Brasil é aqui

Nos 50 anos do Maio de 68 ocorre-me que tão pouco tempo passou para aqui chegarmos. Aqui, a este lugar onde é proibido (não) proibir. O Brasil vive um momento-chave e de todas as partes há quem ache que não temos nada que ver com isso. Em bom rigor, no sentido estrito, até nem é connosco, mas não é preciso pensar muito para perceber que é. A discussão não anda longe da que foi feita recentemente em relação à Hungria, nem do mal que faz a toda a gente haver no mundo um governo como o de Duterte, nas Filipinas, ou do estremecer que foi a eleição de Trump nos Estados Unidos. Mas, feitas as contas, isso quer dizer o quê? Que é a vida? Que temos de acostumar-nos? Que nesta casa comum não temos nada que ver com nada? Recuso a ingerência, mas recuso igualmente a apatia fria e calculista de quem acha que no silêncio é que está o ganho.

Marisa Matias

Premium O Orçamento do Estado para 2019 e o fim da fantasia da direita

O Orçamento do Estado para 2019, apesar de ter a sua votação final agendada apenas para novembro próximo, produziu já um resultado: a confirmação do fim da fantasia criada pela direita em Portugal de que à esquerda não se governa com responsabilidade. Bem ao contrário dessa ilusão, eis que o Orçamento do Estado para 2019 surge como o corolário de um percurso que materializa e realiza os sucessos que a oposição considerava uma fantasia. Ao recusar de todo e logo à partida a possibilidade de chegarmos onde estamos hoje, a oposição mais não fez do que inconscientemente confirmar que, afinal, não é à esquerda que não se sabe governar com responsabilidade, mas sim à direita que não se sabia como governar sem recorrer à irresponsabilidade da austeridade extrema.

Maria Antónia de Almeida Santos

Premium Estão a roubar-nos o futuro

Quando os avisos foram libertados pelo IPMA sobre a chegada dessa estranha criatura Leslie, um híbrido de ciclone e tempestade tropical, inédito em Portugal, as populações entre Setúbal e Aveiro imitaram o que os nossos navegadores das Descobertas faziam antes de partir para a Índia: suplicavam ao céu para serem poupados às tempestades marítimas. A trajetória dessa inédita fúria atmosférica atingiu o centro do país. Dezenas de milhares de portugueses viram a sua tranquilidade perturbada e o seu património danificado. Alguns ficaram desalojados. Os prejuízos na hora em que escrevo rondam os 80 milhões de euros, mas vão continuar a subir. No ano passado duas catástrofes de sangue e fogo fizeram Portugal ficar no centro das atenções mundiais. Sobretudo, os 50 mortos de 15 de outubro ficarão para sempre associados a um fenómeno de tipo novo, "incêndios de sexta geração", caracterizados por velocidades de propagação que nenhum dispositivo de combate atualmente existente está em condições de vencer. Estamos apenas no princípio. Os leitores mais velhos lembram-se de junho de 1981. Uma onda de calor atingiu o país e foi o alvo de todas as atenções. Agora as ondas de calor tornaram-se triviais. Outros incêndios de sexta geração estão à nossa espera no futuro, outros ciclones seguirão do centro do Atlântico, não para o golfo do México, mas para Portugal. Ao contrário dos marinheiros das Descobertas, nós sabemos quase tudo isto há já muito tempo. Temos à escala global uma rede formidável de observação do planeta. Como um doente nos cuidados intensivos, a Terra está a ser monitorizada em tempo real. Conhecemos o que está a ocorrer na criosfera, na atmosfera, na biosfera. Somos capazes de recolher informação sobre atividade vulcânica ou de perscrutar no mais fundo da coluna de água dos oceanos, em processo de aquecimento e acidificação. Desde pelo menos 1988, aquando da criação do IPCC, que temos relatórios regulares sobre as grandes mudanças globais. Sabemos que o clima favorável dos últimos dez mil anos, que permitiu o florescimento das civilizações humanas, está a ser alterado pelo impacto desastroso da nossa pegada sobre a atmosfera (com a adição brutal de gases de efeito de estufa) e os ecossistemas em geral.

Viriato Soromenho-Marques

Desporto

  • Classificações
  • Próx Jornada
  • Resultados

DN Life

É isto o pior que pode fazer pela sua saúde, diz a ciência

Pior ainda do que fatores de risco graves como fumar, ter diabetes e doença cardíaca, revela um novo estudo. Por aqui se vê como não fazer exercício nos rouba tempo de vida. Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock Que o exercício faz maravilhas pelo corpo e nos dá vida longa estamos todos fartos de saber. O que ainda não se sabia preto no branco - pelo menos não até à data de publicação deste novo estudo no jornal especializado JAMA - é que não fazer exercício nenhum é mais nefasto para a saúde do que ser hipertenso, diabético [...]

«Mais de um terço dos portugueses não tem todos os dentes»

O médico dentista João Tondela assegura que os hábitos dos portugueses ainda não estão suficientemente adequados à importância de uma boa dentição e considera que existem poucos apoios para a população mais idosa, precisamente a que precisa de mais cuidados médicos. Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock «Menos de um terço dos portugueses tem a dentição completa e a mais de 12 por cento faltam mais de oito dentes e mais de metade (57,4 por cento) decidiu não substituir os dentes em falta. Os dados são do barómetro da saúde oral em Portugal, realizado pela Ordem dos Médicos Dentistas [...]

Evasões 360

Uma nova SÁLA portuguesa em Lisboa, com certeza

Que o nome não deixe margem para dúvidas. No novo SÁLA que João Sá acaba de abrir no Cais do Sodré, o foco está na cozinha. Simples no olhar mas complexa na execução: assim é a cozinha e a visão do chef de 32 anos no novo restaurante. Os sabores da cozinha portuguesa, esses, são o esqueleto principal. «Estes são pratos extremamente portugueses, sem o serem», explica Sá. «Gosto dessa ambiguidade», sorri. Nos últimos anos tem-se dedicado mais a dar aulas, desde que deixou a chefia de cozinha do Assinatura, mas o percurso que tem nas costas não mente. Seja […]

A rua de Cedofeita onde há francesinhas, pregos e bolos

Começou a ganhar forma no início do século XIX, altura em que era chamada de Rua do Priorado. Mais tarde, tomou o nome atual, que foi buscar a um casal detentor de parte das terras por onde a rua abriu caminho, segundo conta Eugénio Andrea da Cunha Freitas em «Toponímia Portuense». Hoje, é delimitada a oriente pela movimentada Rua de Cedofeita e encabeçada pelo Colégio Liverpool, e pouco mais de meio quilómetro em íngreme descida, ergue-se a poente, no Largo Alexandre Sá Pinto, a escola Industrial Infante D. Henrique, criada em 1884. Pelo caminho somam-se as lojas de antiguidades e […]

V. N. Gaia: Sushi fresco ao lado da praia

O sushi surgiu na vida de Cristina Gomes, brasileira, há 36 anos a viver em Portugal, por acaso. Quando, certo dia, se deparou com um curso de sushi do sushiman Paulo Morais - figura consensualmente prestigiada da gastronomia asiática no país – decidiu participar. Acabou por ser uma das melhores alunas, o que lhe valeu um estágio no, agora encerrado, Shis, e ainda ajudou a abrir o Mercado do Bom Sucesso, onde deu workshops. Mas, há uns meses, arriscou e atirou-se para uma aventura a solo, abrindo o Mirai em frente à praia de Valadares, no início do verão. E […]

O pátio secreto de Lisboa junta boa comida, fado e piscina

É um segredo mais bem guardado no coração de Lisboa. Ainda. Em plena Avenida da Liberdade, o restaurante Sítio Valverde não é apenas sinónimo de uma cozinha que não descura qualidade, sabor e apresentação: também tem no seu pátio um tranquilo recanto longe da confusão - e ao lado desta - com cadeirões, plantas e uma piscina. O restaurante do Hotel Valverde, um boutique-hotel de cinco estrelas, está há quatro anos a meio caminho entre os Restauradores e o Marquês de Pombal e aposta numa cozinha portuguesa com um toque contemporâneo, e que bebe influências em redor.   A um […]