O navio de assalto anfíbio USS Tripoli, que se acredita transportar uma unidade de 2500 marines e marinheiros normalmente estacionada no Japão, estava na terça-feira no estreito de Malaca, ao largo de Singapura, a caminho do Irão. O seu destino final poderá ser a ilha de Kharg, centro nevrálgico das exportações de petróleo iraniano, que já numa entrevista há quase 40 anos o agora presidente dos EUA (e então magnata do imobiliário), Donald Trump, disse que “tomaria” se o Irão atacasse as forças norte-americanas.Esse cenário parece estar cada vez mais em cima da mesa, na terceira semana da guerra no Irão. Os EUA já bombardearam Kharg (de apenas 20 km quadrados e a 25 km da costa do Irão), mas visaram as estruturas militares, deixando intactas as petrolíferas - com a ameaça de poderem regressar a qualquer momento. E, dessa forma, cortarem a capacidade de o regime iraniano lucrar com o petróleo (que continua acima dos cem dólares nos mercados internacionais) e o gás natural, alimentando assim o esforço de guerra. A ideia de enviar tropas para o terreno (“boots on the groud”, literalmente “botas no chão”) é cada vez mais falada, com o senador republicano Lindsey Graham a exortar Trump, numa entrevista à Fox News, a “tomar” a ilha. Já o congressista Pete Sessions, também do partido do presidente, alegou na CNN que enviar os marines para a ilha não seria pôr “boots on the ground”, porque não iriam em circunstâncias de combate, mas apenas para “assumir o controlo”. Trump está a tentar forçar o Irão a reabrir o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, mas não é certo que colocar a 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros na ilha possa contribuir para isso - até porque o estreito fica mais de 600 quilómetros para sul. Pelo contrário, segundo um especialista ouvido pelo The New York Times, tirar o petróleo iraniano do mercado só levaria a um aumento ainda maior dos preços da energia - o que não é uma boa política em ano de eleições intercalares nos EUA.A ideia de pôr “boots on the ground” - seja na ilha de Kharg ou para apreender os 440 quilos de urânio enriquecido que se estima que o Irão tem (não se sabe onde) - arrisca antagonizar ainda mais os seus apoiantes do movimento MAGA (Make America Great Again, ou Tornar a América Grande de Novo). Que votaram em Trump com a promessa de que os EUA não se envolveriam em guerras sem fim do outro lado do mundo. Segundo uma sondagem da Universidade de Quinnipiac, 74% dos eleitores são contra pôr militares no terreno, com apenas 20% a mostrarem-se a favor. Mesmo entre entre os republicanos, só 37% se mostram favoráveis. O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse à Fox News no domingo (15 de março) que “isto não vai ser outro Iraque de 2003”, já que “não haverá centenas de milhares de soldados a ocupar áreas urbanas algures”. Mas não é com o Iraque que o Irão faz a comparação. Numa entrevista à Sky News, o vice-chefe da diplomacia, Saeed Khatibzadeh, avisou que os EUA poderiam acabar com outro Vietname.“Eles compreendem que aqueles que os arrastaram para esta guerra também podem arrastá-los para um lamaçal”, afirmou..Irão ameaça com forte retaliação se infraestruturas petrolíferas da ilha de Kharg forem atacadas