A Polícia Judiciária (PJ) está sem diretor Nacional há praticamente um mês, o hiato mais longo dos últimos mandatos desta força de segurança. Nas últimas vezes que foi necessário substituir o responsável máximo, as mesmas ocorreram poucos dias após o líder deixar o cargo. No entanto, as circunstâncias eram outras: fim de mandato ou saída a pedido, ou seja diferente da situação atual.Luís Neves deixou o comando da PJ para ser o novo ministro da Administração Interna, tendo sido empossado a 23 de fevereiro. Por não existir um substituto direto, apenas adjuntos que são responsáveis por determinadas áreas específicas, a PJ está há um mês sem uma liderança Nacional. Tal como o DN frisou aquando da saída de Luís Neves, as nomeações no atual Governo nem sempre são rápidas.Recuando no tempo, a transição anterior, o hiato sem diretor Nacional foi de apenas três dias: José Maria de Almeida Rodrigues deixou o posto a 15 de junho de 2018 e Neves assumiu funções a 18 de junho. No entanto, as circunstâncias eram outras, uma vez que a saída de José Maria de Almeida Rodrigues ocorreu a seu pedido, após dez anos como diretor Nacional, entre 2008 e 2018, um dos mandatos mais longos da PJ em democracia. Já o diretor anterior, Alípio Ribeiro, ficou apenas dois anos no cargo, de 2006 a 2008, sendo a escolha do novo também rápida, em três dias. Recuando ainda mais no tempo, a nomeação do diretor Nacional (José Henriques dos Santos Cabral, que era juiz desembargador e não polícia) ocorreu em dois dias.E o que explica esta demora? A versão oficial do Governo está nas circunstâncias. “Como sabe e como pode imaginar, a saída do doutor Luís Neves para o cargo que hoje ocupa de ministro da Administração Interna foi no processo de substituição da anterior ministra. Portanto, não foi um processo de chegar ao fim do mandato”, declarou a ministra Rita Alarcão Júdice, em conferência de imprensa esta semana.Nos bastidores, duas fontes da PJ explicam ao DN, sob condição de anonimato, que as pessoas que poderiam ocupar o cargo não estão interessadas em assumir a liderança da Judiciária. Já a ministra também não antecipou nomes. “É preciso olhar para quem tem as melhores condições para assegurar o que nós queremos: manutenção de um serviço de qualidade, de excelência que a Polícia Judiciária tem feito”, complementou Rita Alarcão Júdice.Ao mesmo tempo, confirmou que o objetivo é de que o novo diretor seja do quadro da PJ, como ocorre desde 2004. “A nossa intenção é que seja alguém dentro da Polícia Judiciária. Não faz qualquer sentido, a meu ver - e o senhor primeiro-ministro compartilha também desta ideia - irmos buscar uma pessoa, um magistrado ou alguém fora”, vincou.Nomes que foram referidosNos bastidores circulam três nomes favoritos: Pedro Fonseca, Veríssimo dos Santos Milhazes e José Monteiro. Pedro Fonseca foi recentemente nomeado por Neves como diretor Nacional-Adjunto e apresenta no currículo pontos fortes, como a sua atuação no combate à corrupção.Veríssimo dos Santos Milhazes, da Póvoa de Varzim, é também um dos diretores-Adjuntos da PJ. Já foi diretor da Unidade de Informação de Investigação Criminal e representa a Judiciária em vários fóruns europeus, como o Europol Homicide Wor- king Group e a Rede Europeia de Prevenção da Criminalidade.José Monteiro, por sua vez comanda atualmente a PJ de Braga. Já foi responsável pela Direção do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária da Guarda e chefe superior de várias secções de investigação criminal, além de uma passagem de dois anos como oficial de ligação na Embaixada de Portugal em Brasília.Mas, tendo em conta a própria escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna, não seria surpreendente que o nome escolhido fosse um dos que não circulam nos bastidores, sendo certo que a preferência de Luís Montenegro é que a pessoa seja da Polícia Judiciária. O último profissional de fora da carreira policial a comandar a PJ foi o juiz desembargador José Henriques dos Santos Cabral, que recentemente foi presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), entre outubro de 2024 e julho de 2025.amanda.lima@dn.pt.Sucessor de Luís Neves na PJ deverá ser uma “solução interna”, com a nomeação de um polícia.Ministra da Justiça promete para breve escolha do novo diretor da PJ e adianta que será quadro interno