Donald Trump alerta para "futuro muito mau" da NATO se aliados não ajudarem no estreito de Ormuz
O Presidente norte-americano advertiu esta segunda-feira, 16 de março, que a NATO enfrenta "um futuro muito mau" se os países aliados não ajudarem a restaurar a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, encerrado pelo Irão em resposta aos ataques norte-americanos.
"É apropriado que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal acontece ali", disse Donald Trump numa entrevista ao Financial Times, referindo que a Europa e a China dependem do petróleo do Golfo.
"Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, penso que será muito mau para o futuro da NATO", acrescentou.
No sábado, Donald Trump pediu a vários países que ajudassem enviando navios de guerra para o Estreito de Ormuz para o manter "aberto e seguro", depois de o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, ter anunciado que a via navegável estratégica permaneceria encerrada.
"Espero que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros afetados por esta restrição artificial enviem navios para a região, para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça de uma nação completamente sem liderança", escreveu na plataforma Truth Social.
O Estreito de Ormuz é uma via navegável estratégica por onde passa diariamente 20% do petróleo mundial.
Apesar do apelo público de Donald Trump, a resposta dos aliados tem sido morna, levando o presidente a referir-se à guerra na Ucrânia e a dizer: "Não precisávamos de os ajudar com a Ucrânia. A Ucrânia está a milhares de quilómetros de distância de nós... Mas ajudámo-los."
"Agora veremos se nos ajudam. Porque já disse há muito tempo que estaríamos lá por eles, mas eles não estariam lá por nós. E não tenho a certeza se estarão", afirmou na entrevista.
O Presidente referiu ainda a visita planeada à China no final deste mês, sugerindo que poderia ser adiada e que o encontro com o Presidente chinês Xi Jinping teria de esperar.
Donald Trump apelou ainda à China para que desbloqueie o Estreito de Ormuz e indicou que espera que a ajuda chinesa chegue antes da sua visita, a primeira a Pequim no seu segundo mandato.
"Penso que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo do estreito", concluiu.
UE diz que estreito de Ormuz “está fora da área” da Aliança
Questionada sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos, Kaja Kallas respondeu: “É do nosso interesse manter o estreito de Ormuz aberto”.
“Por isso é que também estamos a ver o que é que podemos fazer do lado europeu. Temos estado em contacto com os nossos colegas americanos a vários níveis”, referiu.
Kallas observou, contudo, que o estreito de Ormuz “está fora da área” da Aliança e “não há países da NATO no estreito de Ormuz”, salientando que é por isso que a missão Aspides, ou outra missão voluntária que seja criada por Estados-membros da UE para o estreito de Ormuz, é importante.
Berlim diz que conflito no Médio Oriente “não é uma guerra da NATO”
O Governo de Berlim, por seu lado, defendeu esta segunda-feira que a guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irão “não tem nada a ver com a NATO”.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) é uma "aliança para a defesa do território” dos seus membros e “falta o mandato que permitiria a intervenção” da Aliança Atlântica fora das fronteiras da organização, afirmou o porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, numa conferência de imprensa.
“Esta guerra não tem nada a ver com a NATO. Não é a guerra da NATO”, insistiu o porta-voz do chanceler Friedrich Merz.
Berlim pretende saber “da parte de Israel e dos Estados Unidos”, aliados históricos, “em que momento os objetivos militares no Irão terão sido alcançados”, sublinhou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão.
“Será então possível iniciar conversações com vista a uma solução diplomática”, acrescentou.
Opondo-se a qualquer “nova escalada militar” na região, a Alemanha não oferecerá “qualquer participação militar”, mas está pronta “a garantir, pela via diplomática, a segurança da passagem no estreito de Ormuz”, declarou ao mesmo tempo o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.
“Estamos perante uma situação que não provocámos. […] Esta guerra começou sem qualquer consulta prévia”, acrescentou, sublinhando que a prioridade militar de Berlim é a sua “responsabilidade muito importante” face à ameaça russa no “flanco leste” da NATO e no “Grande Norte”.
“O que espera Donald Trump de, digamos, um punhado ou mesmo dois de fragatas europeias, ali, no estreito de Ormuz? Que façam o que a poderosa marinha norte-americana, por si só, não consegue fazer?”, questionou publicamente.
A Alemanha juntou-se assim à Austrália e ao Japão, que indicaram hoje que não enviarão navios de guerra para o Estreito de Ormuz.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se esta segunda-feira em Bruxelas para discutir as consequências da guerra no Irão e decidir um eventual reforço da presença naval no Médio Oriente para proteger a circulação marítima na região.

