A líder do Executivo Comunitário detalhou, numa carta de seis páginas, as medidas de apoio que a UE está a tomar ou deveria tomar para os países vizinhos ou afetados pelo conflito.
A líder do Executivo Comunitário detalhou, numa carta de seis páginas, as medidas de apoio que a UE está a tomar ou deveria tomar para os países vizinhos ou afetados pelo conflito.Christophe Licoppe / UE

Fronteiras sob pressão: Von der Leyen mobiliza "diplomacia total" para conter efeitos da guerra no Irão

Presidente da Comissão Europeia apela à mobilização de todos os instrumentos de diplomacia migratória face ao conflito no Médio Oriente, visando prevenir novos fluxos e reforçar parcerias estratégicas
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Com o Médio Oriente mergulhado num novo conflito e a sombra de uma crise humanitária a crescer, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lançou um aviso urgente aos líderes europeus: a União Europeia tem de acionar todos os mecanismos diplomáticos e parcerias estratégicas para evitar que a instabilidade se transforme numa vaga migratória descontrolada rumo à Europa.

"Embora, por agora, o conflito não se tenha traduzido em fluxos migratórios imediatos em direção à UE, o futuro permanece incerto e exige a mobilização plena de todos os instrumentos de diplomacia migratória ao nosso dispor", afirmou a líder do executivo comunitário, numa carta dirigida aos líderes dos 27 Estados-membros, que se reúnem na próxima quinta-feira, 19 de março, em Bruxelas.

Von der Leyen salientou que “é imperativo" colaborar com os países da região, como a Turquia – para a qual a UE já desembolsou mais de 1,1 mil milhões de euros desde 2021 para reforçar as suas fronteiras –, o Líbano e o Paquistão.

Na carta de seis páginas, a política alemã alertou que a atual situação geopolítica "acarreta um risco crescente de um conflito prolongado com repercussões diretas e indiretas para a União", quando passam 16 dias desde a ofensiva aérea desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão e que se alastrou a vários países do Médio Oriente.

A presidente da Comissão Europeia detalhou as medidas de apoio que a UE está a tomar ou deveria tomar para os países vizinhos ou afetados pelo conflito, com o objetivo de mitigar os fluxos migratórios.

Nesse sentido, salientou os quatro milhões de afegãos no Irão "em situação precária e vulneráveis ​​a novas deslocações" e reiterou que o apoio humanitário europeu aos cidadãos e comunidades afegãs no Irão está em curso.

A dirigente europeia alertou que a tensão militar entre o Afeganistão e o Paquistão "corre o risco de agravar uma situação já de si frágil" e indicou que a UE deve cooperar com o Iraque, o Paquistão, a Arménia e o Azerbaijão "para combater o tráfico de migrantes".

Em relação ao Líbano, destacou "as graves consequências que a operação militar de Israel está a ter na população civil, provocando deslocações em grande escala", referindo-se aos bombardeamentos israelitas e incursões terrestres contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, que já deslocaram mais de 800 mil pessoas.

Ursula Von der Leyen destacou um acordo de financiamento da UE com Beirute, alcançado em dezembro passado, que inclui 25 milhões de euros de ajuda para a segurança das fronteiras terrestres e marítimas.

A presidente da Comissão referiu-se igualmente à Síria, afirmando que "é importante que a UE trabalhe construtivamente com as autoridades sírias na estabilização, recuperação e reconstrução do país", bem como no apoio à gestão dos "processos de regresso" dos refugiados.

Disse ainda que a UE está a "monitorizar de perto quaisquer potenciais repercussões" nos Balcãs Ocidentais, mencionando o Pacto para o Mediterrâneo, que a Comissão Europeia apresentará em abril.

Este instrumento incluirá medidas de gestão da migração com os parceiros europeus no sul do Mediterrâneo, bem como a implementação do Pacto Europeu para a Migração e o Asilo, que entrará em vigor no próximo mês de junho.

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