O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, disse esta segunda-feira (16 de março) que os libaneses que estão deslocados não voltarão a casa até o norte de Israel estar seguro. As declarações surgem depois de as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciarem que já iniciaram uma “operação terrestre limitada e direcionada” contra alvos do Hezbollah no sul do Líbano. E numa altura em que Beirure diz que o conflito já terá causado um milhão de deslocados - quase 20% da população - além de, pelo menos, 886 mortos.“As IDF iniciaram uma manobra terrestre no Líbano para eliminar ameaças e proteger os residentes da Galileia e do norte [de Israel]”, disse Katz num comunicado, após reunir com a cúpula militar. “Centenas de milhares de residentes xiitas do sul do Líbano que evacuaram e estão a evacuar as suas casas não regressarão à área a sul do rio Litani até que a segurança dos residentes do norte [de Israel] esteja garantida”, acrescentou. As IDF alegam que o Hezbollah se preparava para “expandir” as operações no sul, enviando para a região centenas de combatentes da força de elite Radwan. Os israelitas ordenaram a retirada da população da área (no total mais de um milhão de pessoas estão deslocadas), além da evacuação de alguns bairros da capital, Beirute.O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, explicou que há semanas que o Hezbollah lança rockets contra comunidades israelitas a partir do sul do Líbano - em retaliação à guerra contra os aliados no Irão e a morte do líder supremo, Ali Khamenei. “Isto tem ocorrido em áreas onde não deveria estar presente de todo”, referiu. Esta segunda-feira (16 de março), o Hezbollah voltou a lançar rockets, tendo um deles causado ferimentos ligeiros em seis pessoas em Nahariya. .“Não há solução militar, apenas diplomacia e diálogo”António Guterres, secretário-geral da ONU.Danon lembrou as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, na sua visita ao Líbano. “Não há solução militar, apenas diplomacia e diálogo”, disse o português. “Israel apoia a diplomacia, mas a diplomacia só funciona quando os acordos são cumpridos. Segundo a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, o Hezbollah não deveria operar a sul do rio Litani [a cerca de 30 km da fronteira com Israel]. Esta área deveria estar livre de operações do Hezbollah”, lembrou o embaixador, convidando as autoridades de Beirute a fazerem mais contra o grupo xiita libanês.Entretanto a ofensiva terrestre israelita estará a encontrar resistência em Khiam, um bastião do Hezbollah, segundo a Al Jazeera. Esta cidade fica em terreno elevado a poucos quilómetros da fronteira, com vista tanto para o norte de Israel como para a planície libanesa, sendo vista como uma porta de entrada para o sul do Líbano..O Líbano refém do Hezbollah e do Irão