Ari Larijani terá sido eliminado pelas Forças de Defesa de Israel
Ari Larijani terá sido eliminado pelas Forças de Defesa de IsraelEPA/WAEL HAMZEH

De negociador nuclear a chefe da segurança iraniana. Quem é Ari Larijani, que Israel diz ter eliminado

Ataque israelita terá matado também Gholamreza Soleimani, líder da força paramilitar Basij. São as duas baixas mais significativas do regime iraniano desde a morte de Ali Khamenei.
Publicado a
Atualizado a

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou esta terça-feira (17) que as Forças de Defesa israelitas (IDF) terão matado Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, numa operação de “assassinatos seletivos” dirigida contra altos responsáveis iranianos que terá também eliminado Gholamreza Soleimani, líder da força paramilitar Basij.

Ainda não confirmada por Teerão, a anunciada morte de Larijani será a mais significativa desde o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei no ataque que há duas semanas assinalou o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irão.

Ali Larijani era, há décadas, descrito como uma das figuras mais influentes e pragmáticas do sistema político iraniano. Nascido em 1958, em Najaf (Iraque), no seio de uma família abastada originária de Amol, pertencia a uma poderosa dinastia frequentemente que chegou a ser apelidada de “os Kennedy do Irão” pela revista norte-americana Time, lembra a Al Jazeera.

Licenciado em matemática e informática e doutorado em filosofia ocidental, com foco em Immanuel Kant, integrou a Guarda Revolucionária após a revolução islâmica de 1979, antes de iniciar uma longa carreira governativa.

Ao longo dos anos, ocupou cargos-chave no regime iraniano: foi ministro da Cultura, dirigiu a televisão estatal IRIB e, em 2005, tornou-se secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador nuclear do Irão. Mais tarde, presidiu ao parlamento durante três mandatos consecutivos, tendo desempenhado um papel importante na aprovação do acordo nuclear de 2015.

Regressou em agosto passado ao cargo de responsável pela segurança nacional, consolidando-se como uma das principais figuras do regime, descreve a Al Jazeera.

Segundo fontes citadas por Israel, Larijani estaria a assumir funções ainda mais centrais após a morte de Khamenei, sendo visto como o principal interlocutor político do regime numa fase de guerra.

Larijani foi visto em público pela última vez na passada sexta-feira, em Teerão, durante as celebrações do Dia de Al-Quds - um evento anual pró-Palestina realizado na última sexta-feira do mês sagrado islâmico do Ramadão - onde participou numa marcha ao lado de outros altos responsáveis. Nessa altura, criticou duramente os ataques contra o Irão, classificando-os como sinais de “desespero” dos adversários e acusando o presidente norte-americano Donald Trump de subestimar a determinação do povo iraniano.

Até ao momento, as autoridades iranianas não confirmaram oficialmente a morte de Larijani, mas Israel descreve a operação como um “grande sucesso estratégico”.

Gholamreza Soleimani e a milícia Basij

Outra alta figura iraniana que as forças armadas israelitas anunciaram ter eliminado é Gholamreza Soleimani, chefe da milícia Basij, uma força paramilitar de voluntários sob tutela da Guarda Revolucionária.

Criada em 1979 pelo antigo ayatollah Ruhollah Khomeini, a Basij reúne civis mobilizados por lealdade ideológica ao regime. Estima-se que tenha cerca de 450 mil membros, incluindo não só combatentes, mas também operacionais de diversas áreas.

Esta força paramilitar tem sido uma peça central na estrutura de segurança interna do Irão e os seus membros são frequentemente destacados para conter protestos na sociedade de Teerão, tendo desempenhado um papel relevante na repressão de movimentos recentes, como os protestos da “Revolução Verde” de 2009 ou as manifestações “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022-2023, destaca a Al Jazeera.

Soleimani fez carreira no Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, onde subiu gradualmente na hierarquia após ter combatido como comandante de batalhão durante a guerra Irão-Iraque, e era considerado um nome da linha dura do regime, tendo sido alvo de sanções por parte de vários países ocidentais, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Canadá.

Larijani e Soleimani são as duas baixas mais significativas do regime iraniano desde a morte do antigo líder supremo Ali Khamenei, cujo sucessor entretanto anunciado, o filho Mojtaba Khamenei, também terá ficado ferido no ataque que eliminou o pai, há duas semanas, no início desta guerra entre EUA, Israel e Irão. O estado de saúde do novo líder supremo é desconhecido e tem sido motivo de diversos rumores, como o de que poderá ter sido transportado para Moscovo para receber assistência médica aos ferimentos sofridos.

Ari Larijani terá sido eliminado pelas Forças de Defesa de Israel
Khamenei está morto. Quem vai mandar agora no Irão?
Ari Larijani terá sido eliminado pelas Forças de Defesa de Israel
MNE iraniano garante que "não há qualquer problema" com o novo líder supremo

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt