Urgências centralizadas começam na área de Lisboa e Vale do Tejo e estão a gerar polémica.
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Fecho de urgências no Barreiro e Vila Franca de Xira leva autarcas a pedir audiências urgentes aos grupos parlamentares

Autarcas de nove concelhos da Península de Setúbal e quatro de Lisboa reuniram ao final da tarde para discutirem o encerramento das urgências de Ginecologia-Obstetrícia do Barreiro e de Vila Franca de Xira e decidiram que vão partir para uma luta conjunta. Primeira ação é no Parlamento.
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“Decidimos que vamos avançar com uma luta conjunta para que o encerramento das urgências do Barreiro e de Vila Franca não se concretize”. Quem o diz é Paulo Silva, presidente da Câmara do Seixal que foi um dos compareceu na reunião agendada para o final desta tarde de terça-feira, dia 19, na Câmara de Vila Franca de Xira.

Da agenda desta reunião constava apenas um ponto, o novo modelo de urgências regionais (ou centralizadas) para a área da Ginecologia-Obstetrícia que o Governo já colocou a funcionar no Hospital de Loures, desde segunda-feira, dia 16, encerrando a urgência de Vila Franca de Xira, e que quer levar para a frente na Margem Sul, com o encerramento da do Barreiro para concentrar recursos humanos na urgência do Garcia de Orta.

O grupo de 13 autarcas, e não de catorze, que participou na reunião, nove concelhos da Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal) e mais quatro de Lisboa (Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira), já que Benavente, do concelho de Santarém, não compareceu, decidiram que vão começar pelo Parlamento a sua ação de luta contra o encerramento das duas urgências, Barreiro e Vila Franca de Xira, pedindo audiências urgentes a todos os grupos parlamentares.

Segundo explicou ainda Paulo Silva, “vamos começar por aqui, mas estamos dispostos a tudo para que as nossas populações não sejam prejudicadas com o fecho destes serviços.. Depois logo se vê”. O autarca o Seixal espera que os deputados sejam sensíveis a esta questão recordando que o que está em causa é o fim dos cuidados de proximidade e, provavelmente, “um aumento de partos em ambulâncias, já que, na nossa região, uma pessoa de Pegões terá de ir ter o filho ao Garcia de Orta, e são mais de 50 quilómetros”.

Os autarcas começaram por reunir em separado com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na semana passada, para mostrarem o seu desagrado e tentarem encontrar soluções em conjunto, mas, como disseram ao DN, sentiram-se “ignorados”. E agora vão entrar no que chamam “uma estratégia conjunta de luta” para travar os encerramentos.

Recorde-se que no caso da urgência centralizada da Margem Sul, que estava para ser o primeiro a avançar, a ministra já confirmou que está atrasado e que só avançará a 15 de abril. No caso da urgência no Hospital de Loures avançou na segunda-feira e, segundo a ministra, vão ser feitas avaliações quase diariamente, mas nada se sabe como estão a decorrer. Antes do início desta centralização médicos do Hospital Beatriz Ângelo manifestaram a sua preocupação ao DN por já estarem a trabalhar na sua capacidade máxima e ainda terem de responder a mais utentes.

O projeto de centralização das urgências de ginecologia-obstetrícia é um dos que o Governo considera ser reformista do SNS que tem como objetivo evitar os encerramentos temporários sobretudo no verão.

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