Assim que o Governo anunciou que o projeto de Urgências Regionais (ou centralizadas) na área da Ginecologia-Obstetrícia - que considera essencial para a reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS) - levaria ao encerramento da urgência do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, para concentrar os recursos humanos na urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, autarcas dos nove concelhos da Península de Setúbal uniram-se nos protestos contra a decisão. Pediram audiência à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para falar das suas preocupações e procurarem soluções em conjunto, mas sentiram-se “ignorados”. E já saíram à reunião para darem voz ao seu desagrado. Sobretudo, porque o que está em causa é “o fim dos cuidados de proximidade à população” e o facto de “uma das grandes conquistas do 25 de Abril, o SNS, ver a sua atividade cada vez mais retraída”, afirmou ao DN o presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva. “Isto é uma regressão civilizacional nos cuidados de saúde e temos de continuar a lutar para a combater”, sublinhou.Os nove concelhos da Península de Setúbal - Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal - foram os primeiros a manifestarem-se, mas há mais cinco que se juntaram aos protestos pelo encerramento de outra urgência de Ginecologia-Obstetrícia no âmbito do modelo da centralização de recursos. Desta vez, são os municípios de Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Benavente e Arruda dos Vinhos, que dizem ter sido surpreendidos com o encerramento da urgência desta área no Hospital de Vila Franca de Xira para haver concentração de recursos no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. O anúncio desta decisão foi feito há 15 dias pelo diretor executivo do SNS e já está em vigor desde segunda-feira, 16 de março. Os autarcas pediram também uma audiência à ministra, que os recebeu e “garantiu que a urgência de Vila Franca de Xira seria encerrada provisoriamente, devendo voltar a funcionar dentro de dois anos”, disse ao DN o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo.Os 14 autarcas destas regiões decidiram agora alargar a luta contra o fim das urgências e vão reunir esta quinta-feira, dia 19, pelas 17h00, na Câmara de Vila Franca de Xira, para debaterem a situação e traçarem “estratégias conjuntas”, disseram ao DN. .Primeira Urgência Centralizada de Obstetrícia avança em Loures, mas só com reforço de enfermeiros. Os autarcas do Seixal e de Vila Franca de Xira são categóricos ao afirmarem que não vão desistir da luta de “ter estes serviços a funcionar”. Paulo Silva diz mesmo: “Os nove municípios da Península de Setúbal uniram-se neste protesto por considerarem que esta luta não era só do Barreiro ou dos municípios que são servidos pelo seu hospital, mas de todos os municípios da região. Todos serão prejudicados, porque o encerramento da urgência de ginecologia-obstetrícia no Hospital de Nossa Senhora do Rosário vai implicar uma sobrecarga muito grande no serviço do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Todas as populações destes municípios serão prejudicadas e não vamos desistir da reversão desta decisão”, vincou.Fernando Paulo, presidente de Vila Franca de Xira, concorda. Aliás, ao DN, diz que além da reunião com a ministra e com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo, que integra o Hospital de Vila Franca de Xira, já têm a correr um abaixo-assinado junto das populações, contra o encerramento da urgência de ginecologia-obstetrícia, que será levado na próxima semana à Assembleia da República. “Vamos reunir com os outros concelhos que estão a viver a mesma situação e que têm as suas populações desprotegidas para percebermos que posições conjuntas poderemos assumir, porque não vamos desistir do nosso objetivo, que é a reabertura deste serviço tão breve quanto possível”, explica.Recorde-se que o modelo de urgência centralizada deveria ter sido iniciado nos hospitais da Península de Setúbal. Isto mesmo foi anunciado pela ministra da Saúde em fevereiro no Parlamento numa audição regimental. O objetivo era evitar os encerramentos que têm sido sistemáticos, sobretudo no verão, por falta de médicos nas escalas. Mas há 15 dias, o diretor executivo, Álvaro Almeida, anunciou que afinal este modelo ia ter início já a 16 de março com as urgências de Loures e de Vila Franca Xira, passando a primeira a receber as utentes da área de influência da segunda. E assim foi. Enquanto isto, o processo de centralização das urgências da Margem Sul no Hospital Garcia de Orta, que deverá receber só três médicos do Barreiro, “ainda está em curso”. Em resposta ao DN, a DE-SNS confirma que “o processo está em curso” e que “as três ULS envolvidas (Almada/Seixal, Arrábida e Arco Ribeirinho), juntamente com a Direção Executiva do SNS (DE-SNS), estão a trabalhar na gestão das escalas, de forma a assegurar a alocação adequada de recursos humanos (equipas multidisciplinares) e meios organizacionais, garantindo a continuidade, segurança e previsibilidade na prestação dos cuidados de saúde à população”. A ministra da Saúde tem dito que este modelo será avaliado “diariamente” para se ver a sua evolução, mas também disse até aqui, tal como o primeiro ministro, que é um modelo essencial para a reforma do SNS. Os autarcas afirmam que “não sabem com que contar”. “Disse-nos que o início desta urgência seria no final de março, mas um dia depois falou em 15 de abril, o porquê não sabemos”, afirmou Paulo Silva..Comissão propôs criação de Centro Materno Infantil no Garcia de Orta para resolver problemas na Margem Sul