Opinião

E se o erro foi termos oferecido Bombaim aos ingleses?

Escrevia Boris Johnson no Daily Express em março de 2018, era então ministro dos Negócios Estrangeiros, que desde que o Reino Unido integrou a União Europeia a economia desta cresceu em média apenas 2% ao ano, enquanto a da Commonwealth uns sólidos 4,4%. Uma forma nada diplomática, e outra coisa não seria de esperar, de um dos grandes defensores do Brexit dizer que desde 1973 os britânicos estão a perder tempo e dinheiro por estarem envolvidos com a Europa continental em vez de apostar tudo nos países que em tempos fizeram parte do seu império. O problema é que não é verdade. Aliás, é mentira.

Leonídio Paulo Ferreira

O relatório do Conselho de Segurança

Premium A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.

Adriano Moreira

Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

Catarina Carvalho

2019: O ano em que os dados lideram o ecossistema digital

Opinião de Gonçalo Ferreira, General Manager for DellEMC Commercial em Portugal. Estamos novamente na altura do ano, em que o nosso planeta concluiu a sua viagem à volta do sol, estamos quase a encerrar 2018 e começamos a pensar no futuro e em tudo o que podemos fazer já em 2019. Estamos também quase a entrar na nova década de inovação que nos vai levar até 2030. De acordo com as previsões da Dell Technologies, esta será a Era das Parcerias Homem-Máquina, onde todos estaremos imersos num estilo de vida inteligente, tanto a nível pessoal como profissional, e numa economia sem [...]

DN Insider

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Ferreira Fernandes

Mulheres

PremiumNesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Marisa Matias

Ser ou não ser, eis a questão

PremiumDe facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.

Maria Antónia de Almeida Santos

A burocracia hipster da CP

PremiumA finitude do tempo e a infinitude dos temas fazem difícil a escolha do que ensinar aos filhos, do que lhes falar. A isto soma-se, quando é o caso, a pluralidade destes e, em qualquer caso, os programas escolares como sanguessugas do tempo e dos temas. A cultura digital ilustra bem isto com a meme "mitochondria is the powerhouse of the cell". Esta frase é usada para ilustrar a inutilidade prática da aprendizagem no sistema escolar e ressurge ciclicamente na internet - até quando continuaremos a dizer na internet, como se as coisas pudessem ressurgir noutro lado qualquer - por exemplo, na altura dos impostos?

João Taborda da Gama

A política do pensamento mágico

PremiumAo fim de dois anos e meio, o processo do Brexit continua o seu rumo dramático, de difícil classificação. Até aqui, analisando as declarações dos principais atores de Westminster, o Brexit apresenta mais as tonalidades de uma farsa. Contudo, depois do chumbo nos Comuns do Plano May, ficou nítido que o governo e o Parlamento britânicos não só não sabem para onde querem ir como parece não fazerem a mínima ideia de onde querem partir. Ao ler na imprensa britânica as palavras de quem é suposto tomar decisões esclarecidas, quase se fica ruborizado pelo profundo desconhecimento da estrutura e pelo modo de funcionamento da UE que os engenheiros da saída revelam. Com tamanha irresponsabilidade, não é impossível que a farsa desemboque numa tragicomédia, causando danos a toda a gente na Europa e pondo a própria integridade do Reino Unido em risco.

Viriato Soromenho-Marques

Adeus, futuro: "O outro e o mesmo"

PremiumNo tempo em que se punha pimenta na língua dos meninos que diziam asneiras, estudar Gil Vicente era uma lufada de ar fresco: ultrapassados os obstáculos iniciais daquela língua com borrifos de castelhano, sabia bem poder ler em voz alta numa aula coisas como "caganeira" e soltar outras tantas inconveniências pela voz das personagens. Foi, aliás, com o mestre do teatro em Portugal que aprendi a vestir a pele do outro: ao interpretar numa peça da escola uma das suas alcoviteiras, eu - que detesto arranjinhos, leva-e-traz e coscuvilhice - tive de esquecer tudo isso para emprestar credibilidade à minha Lianor Vaz. E talvez um bom actor seja justamente o que consegue despir-se de si mesmo e transformar-se, se necessário, no seu avesso. Na época que me coube viver, tive, aliás, o privilégio de assistir ao desempenho de actores geniais que souberam sempre ser outros (e o outro) a cada nova personagem.

Maria do Rosário Pedreira

A longa noite das facas curtas

PremiumNo terceiro capítulo do romance Time Out of Joint, o protagonista decide ir comprar uma cerveja num quiosque de refrigerantes que avistou à distância. Quando se aproxima, o quiosque de refrigerantes torna-se transparente, decompõe-se em moléculas incolores e por fim desaparece; no seu lugar, fica apenas um pedaço de papel, com uma frase inscrita em letras maiúsculas "QUIOSQUE DE REFRIGERANTES". É o episódio paradigmático de toda a obra de Philip K. Dick, na qual a realidade é sempre provisória e à mercê de radicais desestabilizações, e um princípio criativo cuja versão anémica continua a ser adoptada por qualquer produtor, realizador ou argumentista que procura tornar o seu produto intrigante sem grande dispêndio de imaginação.

Rogério Casanova

70 anos depois

PremiumDesde 2016 que os dois principais aliados atlânticos de Portugal estão numa deriva deslegitimadora das duas organizações pilares das democracias europeias. Reino Unido e EUA têm infligido uma pressão colossal na UE e na NATO, enquanto protagonizam um triste espetáculo interno de autoflagelação política. Até quando será suportável aguentar tudo isto em simultâneo? Em ano de pressão eleitoral, estaremos conscientes dos seus efeitos sistémicos?

Bernardo Pires de Lima

Carta aberta aos pais divorciados em conflito

Caros pais separados ou divorciados, e que estão em conflito, esta carta é para vocês. Não interessa a vossa idade, profissão ou estatuto socioeconómico. Não interessa se vivem numa barraca, numa casinha modesta ou numa mansão que vale milhões, no centro da capital. Não interessa também o volume da vossa conta bancária, o carro que conduzem ou o colégio que os vossos filhos frequentam. Se têm empregada externa ou interna, se não têm empregada nenhuma, se viajam muito ou pouco, nada disso realmente importa. Aquilo que realmente importa é o que estão a fazer, muitos de vocês, aos vossos filhos. [...]

Rute Agulhas

Estou a torcer por Rio apesar do teimoso Rui

PremiumMeu Deus, eu, de esquerda, e só me faltava esta: sofrer pelo PSD... É um problema que se agrava. Antigamente confrontava-me com a fria ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, e agora vejo a clarividente e humana comentadora Manuela Ferreira Leite... Pacheco Pereira, um herói na cruzada anti-Sócrates, a voz mais clarividente sobre a tragédia da troika passista... tornou-se uma bússola! Quanto não desejei que Rangel tivesse ganho a Passos naquele congresso trágico para o país?!... Pudesse eu escolher para líder a seguir a Rio, apostava tudo em Moreira da Silva ou José Eduardo Martins... O PSD tomou conta dos meus pesadelos! Precisarei de ajuda...?

Daniel Deusdado

As 5 tendências da CES 2019: do 5G à realidade imersiva

Opinião de Eduardo Fitas, vice-Presidente da Accenture Portugal, responsável pela área de Comunicações, Media e Tecnologia. Terminou na passada sexta-feira mais uma edição da CES 2019, focado nas tecnologias inovadoras - 5G, realidade imersiva e confiança digital - que oferecem a mais recente personalização e experiência ao consumidor final, tornando possível um ecossistema conectado através de cidades e casas inteligentes e uma nova geração de automóveis. Verificou-se que há agora um maior investimento das empresas de forma a garantir uma maior segurança e privacidade dos dados, tendo a tecnologia blockchain como base. O CES 2019 confirmou as nossas suspeitas [...]

DN Insider