Opinião

Vamos pagar 4 mil milhões por ano à NATO?

Quando saiu da reunião da NATO, dominada pela exigência do presidente dos Estados Unidos da América aos outros países membros de chegarem a um valor de despesa com a defesa de 2% do PIB, (e, a médio prazo, de fazerem subir esse valor para 4%), o primeiro-ministro português explicou que o seu governo entregara uma proposta para satisfazer essa pretensão, dependente da obtenção de fundos comunitários e presumindo o investimento dessas quantias em áreas benéficas para a economia nacional.

Pedro Tadeu

Boris perdeu, Juncker ganhou

Dois anos depois do referendo que decidiu o brexit, os britânicos já mudaram de primeiro-ministro, tiveram umas eleições quase inconclusivas, demitiram-se ministros e demoraram este tempo todo para escrever um documento de quase duzentas páginas sobre como é que querem que seja a saída e a vida com a União Europeia (UE) depois. Um documento cujas conclusões, note-se, precisam, finalmente, de ser discutidas com a Europa. E que fez Boris Johnson e David Davies caírem.

Henrique Burnay

A vitória política de França

França, campeã mundial 2018! Quem está a falar de futebol? Este assunto é muito mais do que uma bola e rapazes em calções, é político. Vamos então falar de política: este assunto - a França, campeã mundial 2018 - já é muito menos de política má. E isso é importante e dá-nos esperança. Não dá esperança porque um fenómeno tão forte e universal ser político seja mau, não. Dá esperança porque houve evolução positiva na noção política do futebol em França. É tão positivo como a democracia hoje vivida em Portugal já não sofrer da histeria vivida no Verão Quente, durante as dores de parto da nossa liberdade.

Ferreira Fernandes

O professor e o aluno

Estaria tudo muito bem se o encontro de amanhã entre Trump e Putin tivesse seguido um roteiro de preparação mínimo e a Casa Branca se desse ao trabalho de deixar sair na imprensa um ou dois objectivos concretos a atingir. Apesar do logro que encerrou o encontro com Kim Jong-un em Singapura, pelo menos esse encontro foi alvo de algumas reuniões prévias entre as partes e da exposição prévia sobre alguns pontos que Washington queria alcançar, nomeadamente o compromisso de Pyongyang em iniciar uma desnuclearização irreversível.

Bernardo Pires de Lima

A França tem tudo, mas a Croácia tem Modric

O Mundial decide-se entre um favorito, a França, e uma seleção que soube esconder as suas principais armas, a Croácia, no Luzhniki, o velho estádio Lenine, um recinto de referência da antiga URSS e agora um orgulho futurista do autoritário regime de Vladmir Putin. O torneio termina sem incidentes, sem a menor notícia sobre violência, com o duro controlo de que tanto gosta o presidente russo e os dirigentes da FIFA. Também termina o futebol, sem outra grande notícia além da explosão de Mbappé como nova figura planetária. Foi um Mundial dominado pelas bolas paradas - 46% dos golos surgiram de cantos, faltas ou penáltis - e pelas duas equipas mais cumpridoras, França e Croácia.

Santiago Segurola

Boas da bola

Li há dias que há feministas que defendem não se poder dizer campeonato do mundo de futebol porque esse campeonato do mundo de futebol é o campeonato do mundo de futebol masculino e também há o feminino e portanto há que ser rigoroso, não tomando a parte pelo todo, e chamar masculino ao que é masculino e feminino ao que é feminino. Não estão boas da bola. Li também que a FIFA sugeriu que os realizadores mostrassem menos planos de mulheres giras nas transmissões (a imprensa diz hot, mas hot é tão difícil de traduzir). Ao contrário da querela sobre a denominação do campeonato, esta, a das boas da bola, é uma sugestão em que vale a pena pensar. O problema nestas coisas de género é ousarmos alguma ponderação para distinguir a parvoíce do necessário, sem medo da crítica que vem sempre de cada um dos extremos.

João Taborda da Gama