Carneiro compreende “a indignação das pessoas na rua” mas apela ao respeito
O secretário-geral do PS disse esta sexta-feira, 16 de outubro, compreender “a indignação das pessoas na rua” face à situação no setor da habitação, mas apelou a que as manifestações respeitem as regras democráticas e a ordem e a segurança públicas.
“Compreendo a indignação das pessoas na rua, mas também faço um apelo: manifestem a sua indignação, mas que procurem respeitar as regras democráticas e que procurem respeitar o direito de manifestação, porque o direito de manifestação implica também respeitar a ordem e a segurança públicas. É preciso compatibilizar o direito e a ordem pública com o direito à manifestação”, frisou José Luís Carneiro.
Em declarações aos jornalistas, antes de participar nas II Conferências de Fafe - “Portugal: Que Ambição?”, no Teatro-Cinema de Fafe, distrito de Braga, o líder do PS respondeu já ter “dito tudo” sobre a intervenção policial na manifestação pela habitação, no Porto.
“Hoje encontro-me aqui para falar do futuro de Portugal e, particularmente, daquelas que devem ser as prioridades nacionais, entre elas a prioridade da habitação. É preciso ir às causas daquilo que aconteceu. E as causas têm que ver com a questão da habitação”, declarou o secretário-geral do PS.
José Luís Carneiro voltou a criticar a decisão do Governo, do Chega e da IL em aprovar a nova lei do arrendamento.
“Lamento hoje dizê-lo, mas é incompreensível, que o Governo da AD, com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, tenham tomado uma decisão relativa à lei das rendas, que vai dificultar aos mais jovens o acesso a uma casa, e que lança também o medo e o receio nos mais idosos, com o receio e com o medo de poderem perder a sua casa no futuro, a sua casa de morada”, advertiu o líder socialista.
Para Carneiro, a prioridade “número um” que vai partilhar com fafenses na sua intervenção “é a habitação e a definição de uma solução nacional que permita criar um serviço nacional de habitação”, visando responder a “um direito constitucionalmente previsto: o direito a uma habitação, porque é condição de vida digna”.
O líder socialista defendeu que é o momento de se avançar com um “novo ciclo para uma nova política de habitação” para se responder “às 380 mil casas que são necessárias para que as famílias, os jovens portugueses possam emancipar-se o mais cedo possível”.
“Entre as prioridades para criarmos ofertas do lado da habitação, está, por um lado, uma política de solos, em segundo lugar uma política fiscal, em terceiro lugar uma política de construção de habitação acessível em todo o país que mobilize o Estado, as autarquias, as cooperativas, as associações de moradores”, detalhou o secretário-geral do PS.
José Luís Carneiro lembrou ainda um número que classificou como “especialmente grave”.
“Nos últimos dois anos os custos com a habitação cresceram 28% em Portugal. Este número é ainda comparável também para pior com a chamada renda moderada, o Governo lançou a chamada renda moderada com 2.300 euros que levou a um aumento dos custos com o arrendamento em 34%”, criticou o secretário-geral do PS.
Na noite de quinta-feira, a partir das 19:00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve “resistência”.
A última concentração deslocou-se, durante alguns minutos, até à Câmara do Porto, em frente à qual o protesto decorreu antes de regressar à Praça D. João I em que tem decorrido desde que começou.
Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.

