Manifestantes levam protesto até à porta da Câmara do Porto
Manifestantes que desde sábado protestam a crise da habitação na Praça D. João I, no Porto, ocuparam esta quinta-feira, 15 de outubro, as ruas adjacentes e instalaram-se enfrente à Câmara do Porto, durante a concentração após carga policial nesta madrugada.
Pelas 20:40, centenas de manifestantes saíram da Praça D. João I, onde uma acampada foi montada no sábado, para ocuparem parte da Rua Passos Manuel, seguindo pelas ruas que rodeiam a praça até à porta do edifício da autarquia, onde subiram a rampa até à porta e ocuparam os degraus junto a um letreiro turístico.
A polícia no local assiste, para já, sem intervir, enquanto os manifestantes parecem percorrer as ruas adjacentes à praça, que fica próxima da Câmara do Porto.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou esta quinta-feira uma carga policial, esta madrugada, que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I.
O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".
Na nota desta quinta-feira, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".
O presidente da Câmara do Porto disse esta quinta-feira que a PSP se viu "forçada" a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

