Confrontos nos protestos pela habitação no Porto. Manifestantes denunciam 37 feridos
PEDRO GRANADEIRO/LUSA

Confrontos nos protestos pela habitação no Porto. Manifestantes denunciam 37 feridos

De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
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O Movimento pela Habitação que está em protesto no Porto desde sábado denunciou que durante a madrugada desta quinta-feira, 15 de outubro, houve uma intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.

“Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, refere o movimento em comunicado.

"O movimento denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", diz a nota citada pela RTP Notícias. "A violência exercida contra pessoas que se manifestavam pacificamente é inaceitável e exige o imediato apuramento dos factos e a responsabilização dos envolvidos", acrescenta.

De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados. Segundo a SIC Notícias, a polícia admitiu uma "intervenção musculada". Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Luís Silva, disse que oito ativistas do Movimento deslocaram-se à sede da corporação para serem assistidos, dois dos quais foram transportados ao Hospital de Santo António, no Porto.

José Soeiro, dirigente nacional do BE, disse que "depois de os jornalistas irem embora, eram 2h50, mais minuto menos minuto, a polícia de intervenção chegou e mandou retirar as tendas" e que, "disciplinados, os membros da acampada arrumaram as tendas".

Garantiu que depois disso, os serviços da Câmara destruiram as tendas e colocaram-nos num camião, bem como aos cartazes e bens pessoais dos manifestantes. "Sem qualquer motivo, a polícia de intervenção carregou sobre quem, pacificamente, ocupava o espaço público. Carregou com violência. 35 feridos, pelo menos", denunciou, garantindo que levou com empurrões e "várias vezes com um cacetete na cabeça e nas costas, pelo simples facto de estar a filmar o que acontecia".

Pedro Manuel, um dos elementos do Movimento, também disse que a polícia chegou quando já estavam a desmontar as tendas e, mesmo assim, investiu sobre eles.

Disse ainda que os manifestantes foram descansar e que, em princípio ainda durante a manhã, vão voltar a reunir-se para “ver o que fazer”.

Na quarta-feira, os manifestantes decidiram em assembleia popular que iriam manter-se concentrados e voltariam a montar as tendas naquela praça, de onde, na manhã de segunda-feira, a Polícia Municipal retirou as cerca de 50 tendas lá montadas.

Em declarações após a manifestação, seguida de assembleia popular, que reuniu mais de 500 pessoas naquela praça da baixa portuense, Pedro Manuel revelou que a vontade das pessoas, ditada por braço no ar, "foi que continuassem o protesto [contra a crise na habitação]na praça e, novamente, a dormir em tendas".

"Convocamos o povo para decidir se querem que acampemos para continuar a protestar. O povo quer, vamos acampar, estamos a levantar as tendas", revelou à Lusa o porta-voz do, Pedro Manuel. Na ocasião, o jovem foi questionado acerca da possibilodade de uma nova ação policial para retirada das tendas, tendo admitido que "a expectativa, infelizmente, é essa". Lamentou que a polícia, de quem disse terem "recebido apoio individual", enquanto instituição esteja "a mando da câmara que protege os interesses que causam a crise que estão a combater".

Antes disso, o presidente da Câmara do Porto tinha dito que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” naquela praça. “É evidente que a Praça D. João I não é um parque de campismo, e não vai transformar-se num parque de campismo. Vamos ser absolutamente implacáveis com qualquer tentativa de colocação de tendas naquela zona”, disse Pedro Duarte.

O autarca ressalvou que, na sua ótica, “o direito à manifestação não está em causa”, saudando o Porto como “a cidade da Liberdade” numa sociedade democrática em que “até o disparate tem direito a expressar-se”, mas “dentro de regras”.

“Não vivemos num regime anarca, e o nosso direito à manifestação não pode chocar com a liberdade de todos os outros da cidade. (...) A lei de Portugal é muito clara, e diz que as manifestações não podem ultrapassar um determinado período, geralmente as 00:30”, afirmou.

*Com Lusa

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