Advogado de manifestantes contesta PSP e denuncia violência policial no protesto pela habitação no Porto
O advogado do movimento Acampada do Porto pela Habitação, Tiago Machado, contestou na manhã desta quinta-feira (15 outubro) a versão apresentada pela PSP sobre a intervenção policial que, durante a madrugada, pôs fim ao protesto pela habitação na Praça D. João I. O jurista garante que os manifestantes estavam tranquilos e que a única exigência que lhe tinha sido transmitida pelas autoridades era a cessação do ruído. A ação policial terá provocado 35 feridos, dois dos quais em estado mais grave, segundo os números avançados pelo advogado.
“Em 49 anos de existência, eu nunca assisti a uma coisa destas”, afirmou Tiago Machado, em declarações reproduzidas pelas televisões, descrevendo a intervenção como “perfeitamente desproporcional” e adiantando que haverá uma "reação judicial" por parte do movimento à ação da PSP.
De acordo com o jurista, por volta da uma da manhã a comandante presente no local garantiu-lhe que “a única preocupação das autoridades era o barulho provocado por uma coluna de som dos participantes”. Tiago Machado diz ter transmitido essa indicação aos manifestantes, que, segundo ele, “retiraram a coluna de som e cessaram a música”. Quando saiu da praça, assegura, “o ambiente era calmo”.
“Estavam todos aqui, sentadinhos, a falar e a cantar”, relatou. “Cerca das três da manhã, recebi um telefonema a informar que a polícia tinha chegado”. Regressado à praça, deparou-se, segundo descreveu, com um uso desproporcional de força por parte da PSP: “Quando chego aqui vejo um cenário inacreditável. Um uso de força perfeitamente desproporcional com miúdos que não estavam a insultar, não estavam a resistir, só queriam estar aqui, conforme lhes tinha sido assegurado, durante a noite a descansar.”
(VÍDEO: Instagram Acampada do Porto pela Habitação)
O advogado rejeita também a informação divulgada pela PSP de que a Polícia Municipal teria pedido repetidamente, ao longo do dia, a retirada das tendas. “Não é verdade. As tendas foram colocadas às oito da noite. Foi uma medida tomada por eles [os manifestantes] em assembleia popular e com o objetivo único de marcar uma posição face ao tema que motiva este protesto [habitação]”, afirmou. “Nunca ninguém falou em retirar tendas”, insistiu.
Sobre o início dos confrontos, o advogado reconheceu que não assistiu ao momento em que começaram, uma vez que chegou quando a carga policial já decorria, mas disse ter recebido relatos de que “um funcionário da Câmara Municipal terá ameaçado os manifestantes com um objeto de ferro ou madeira”.
A PSP, por seu lado, alegou que os manifestantes desobedeceram às ordens para retirar as tendas e que alguns ofereceram resistência à intervenção policial. A polícia confirmou também a existência de feridos entre os participantes, sem avançar um número definitivo.
