Acampada do Porto desmobilizada devido a alegada "infiltração" na manifestação
O porta-voz da organização da manifestação pela habitação ordenou durante a madrugada desta sexta-feira, 16 de outubro, a desmobilização “imediata” do grupo que se mantinha na Praça D. João I, no Porto, denunciando uma “infiltração” de grupos de extrema-direita que estavam a "criar confusão" entre os acampados.
“Juntos, em grupo, desmobilizar imediatamente para casa. Foi revertida a decisão”, explicou aos manifestantes Pedro Manuel, pela 01h20
À Lusa, o porta-voz explicou que houve uma “infiltração” de outros grupos na manifestação com o intuito de criar problemas.
Uma alegado elemento dos "manifestantes de extrema-direita" e que estava a "criar confusão" foi atingido por um soco em confrontos entre membros dos dois grupos, contou ainda Pedro Manuel, tendo sido levado de ambulância. Porém, não seria o único no local.
"Identificámos muitos mais, por volta de 11, que tinham permanecido ainda e estavam no meio da multidão, com confirmação visual de que possuíam facas", contou o mesmo representante no local à RTP. "Avisámos a polícia, nada foi feito. Pelo contrário, eles dispensaram pessoal", denunciou ainda.
Os manifestantes, que tinham votado permanecer e pernoitar no local, começaram a desmobilizar, apelando Pedro Manuel à mobilização para sábado, estando a organização a "avaliar" um regresso já esta sexta-feira.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou uma carga policial na madrugada de quinta-feira, que terá causado ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais em estado grave.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I”.
O movimento apresenta seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.
No comunicado, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”.
O presidente da Câmara do Porto disse que a PSP se viu “forçada” a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

