Imagem de reportagem da SIC esta tarde na Praça Dom João I, contando-se cerca de 50 tendas na "acampada".
Imagem de reportagem da SIC esta tarde na Praça Dom João I, contando-se cerca de 50 tendas na "acampada".

Acampada no Porto: “Chega desta merda, queremos rendas acessíveis”

No Porto, após a manifestação pelo direito à habitação e contra o aumento dos preços, convocada pela plataforma “Não dá mais para viver assim”, montaram-se tendas, na tentativa de emular o levantamento madrileno que incendiou Espanha contra o despejo de Maricarmen.
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“Não consegues pagar a renda? Monta a tua tenda!” O desafio data deste sábado, dia de manifestações nacionais contra o aumento do custo de vida e da habitação convocadas pela plataforma “Não dá mais para viver assim”, e está no Instagram, na conta “Acampada Porto”. O local indicado é a Praça Dom João I, “a partir de 10/10”. Nos primeiros minutos de domingo, proclamava-se, na mesma conta: “Já estamos a acampar!” São pedidos colchões, sacos-cama, mantas, e apoio: “Há falta de algumas coisas. Se puderes ajudar, traz o que conseguires e fala connosco (…). Se não consegues cá dormir, vem ajudar!”

Na tarde de domingo, quando decorrem as atividades previstas — intervenções de “microfone aberto” e “jam session”, antes da assembleia popular marcada para as 19H30 —, há, a crer nas imagens das TV, umas 50 tendas, grande parte delas armadas no final da manifestação do dia anterior, a qual juntou no Porto, de acordo com o transmitido pela PSP à Lusa, cerca de 1500 pessoas — menos que em Lisboa, onde se contaram “vários milhares” no percurso do Intendente ao Largo de São Domingos.

No Instagram da acampada da praça Dom João I, uma das pessoas que passou ali noite faz, ao acordar, um manifesto: “Chega desta merda, queremos viver no Porto, queremos rendas acessíveis, queremos um quarto, queremos estar perto da nossa família, dos nossos amigos.” O final é um desfile de imprecações: “Montem a vossa puta da vossa tenda aqui, filhos da puta, é arder esta merda toda, siga.”

Os entrevistados que surgem nas TV são mais polidos. João Silveira, apresentado como “porta-voz” na RTP, explica o objetivo: “É preciso uma unificação das lutas e dos sindicatos e vários partidos para levar a luta a um próximo estádio, como sucedeu em Espanha.” Em Espanha, recorde-se, o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, do apartamento onde residia há 70 anos, levantou o país a partir dos protestos (e da acampada) na praça madrilena Puerta del Sol — a mesma onde em 15 de maio de 2011, em plena crise do euro, arrancaram os protestos do movimento que, colhendo o exemplo das revoltas na Grécia e no Egito (onde se acampou, a partir de janeiro de 2011, na Praça Tahrir até fazer cair o Governo de Hosni Mubarak) ficou conhecido como “dos indignados” e que ali teve a primeira “acampada”, que duraria quase um mês.

À SIC, o mesmo João Silveira — que segundo reportagem de 26 de setembro do Público tem 22 anos e uma licenciatura em Engenharia Mecânica, é militante do recém-legalizado partido Trabalhadores Unidos e iniciou-se no ativismo político na Greve Climática Estudantil, em 2019, estando também envolvido na organização da Marcha do Orgulho do Porto e no movimento antifascista da cidade —, foca na habitação: “Não queremos que continue a ser um negócio. É a nossa principal reivindicação, sabemos que as rendas neste momento estão demasiado altas, é incomportável viver na maioria das cidades para a maioria das pessoas.” 

Uma outra “acampada” entrevistada pela SIC assume a inspiração madrilena — “No início, quando estávamos a montar as tendas, tínhamos uma faixa aqui que era ‘Façamos como em Espanha’, estamos em suporte do que está a acontecer no Estado espanhol e em França e acho que Portugal só tem de fazer semelhante.” 

Quanto à duração do protesto, é uma incógnita, como reconhece ainda João Silveira em declarações à TSF: “Ficamos cá esta noite e o plano é continuarmos, vermos dia após dia, porque achamos que é necessário dar este passo na luta pela habitação.” Entre os objetivos está o contágio a Lisboa. “É muito importante que aconteça em Lisboa. Nós queremos fazer essa ligação também, porque isto não é um problema apenas nacional, é um problema internacional e nós vemos isso pelas manifestações em Espanha, França e Bélgica.”

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Protestos/Espanha: Acampamento na Puerta del Sol vai continuar - assembleia
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