Maricarmen apoiada por populares
Maricarmen apoiada por popularesSindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid

Despejo de Maricarmen, de 87 anos, causa indignação em Espanha e leva milhares a manifestarem-se em Madrid

Pedro Sánchez fala em "tragédia social". Manifestação juntou mais de 10 mil pessoas em frente a luxuoso e polémico imóvel de 485 metros quadrados recentemente adquirido pela Comunidade de Madrid.
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O despejo de uma idosa de 87 anos está a desencadear agitação social e política em Espanha. Milhares de pessoas bloquearam as ruas de Madrid numa manifestação espontânea poucos minutos depois de Maricarmen ter sido retirada à força da casa que habitou durante mais de 70 anos, nesta quarta-feira (23 de setembro).

O protesto foi convocado para as 19 horas locais (18 horas em Lisboa) em frente a um luxuoso e polémico imóvel de 485 metros quadrados recentemente adquirido pela Comunidade de Madrid, no bairro de Chamberí, através de um apelo à ação em mensagens nas redes sociais.

Enquanto a manifestação acontecia, o primeiro-ministro comentou a situação de Maricarmen a partir de Nova Iorque, onde participou na Assembleia Geral da ONU. "É uma tragédia social que não podemos aceitar como país", afirmou, atribuindo a culpa diretamente à atuação do Ayuntamiento e da Comunidade de Madrid, geridos pelo PP.

Horas antes, a ministra da Habitação, Isabel Rodríguez García, afirmou que “as consequências da especulação desenfreada e da passadeira vermelha para os abutres e especuladores são evidentes”.

O ministro da Cultura, Ernest Urtasun, instou o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) a aprovar na próxima semana, em Conselho de Ministros, o decreto que inclui o alargamento do prazo para o pagamento das rendas e a moratória sobre os despejos.

A manifestação, que juntou cerca de dez mil pessoas, foi crescendo gradualmente ao longo do dia, obrigando a polícia a fechar a rua. “O ático [último piso de um edifício] de Ayuso para Maricarmen”, “Ayuso, demite-te” e “Vergonha, vergonha” fora algumas das palavras de ordem, visando sobretudo a governante da capital espanhola, Isabel Díaz Ayuso.

Maricarmen vivia há 71 anos na Rua Alcalde Sainz de Baranda, em Madrid, tendo sido retirada do apartamento à quarta tentativa, após mais de 16 horas em que centenas de manifestantes imploraram, em vão, para que o despejo fosse interrompido ou adiado.

A Federação Regional das Associações de Moradores de Madrid (FRAVM) apoiou o protesto e criticou não só Ayuso como o trabalho das três últimas administrações municipais, falando em “fracasso profundo”.

A plataforma #Niundesahuciomás (Nem Mais Um Despejo) convocou manifestações simultâneas em cidades como Ávila, Barcelona, ​​​​Cádiz, Oviedo, Sevilha e Valência, tendo a maioria delas ocorrido em frente a delegações governamentais.

Entretanto, soube-se que Maricarmen recusou a vaga de emergência gratuita num lar de idosos oferecida pelo Ayuntamiento de Madrid e vai ficar temporariamente na casa de familiares, depois de ter sido levada de casa em maca numa ambulância rumo ao Hospital Gregorio Marañón, no meio de um turbilhão de lágrimas e gritos.

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