Especial antevisão 2021. O mundo pós-pandemia em números

As habituais previsões anuais da prestigiada revista The Economist, em exclusivo para Portugal no DN: as economias que mais e menos vão crescer na recuperação pós-pandemia em 2021, numa análise detalhada país a país.

A recuperação pós-pandemia produzirá um forte aumento nas taxas de crescimento global e de algumas regiões, mas nenhum dos maiores países se expandirá o suficiente para entrar nos dez primeiros. Em vez disso, a lista é dominada por pequenos Estados, metade deles economias insulares que contam com o regresso dos turistas.

A taxa de crescimento de Macau (35%), que lidera a tabela, trará apenas algum alívio ao colapso catastrófico do turismo e do jogo que cortou dois terços da economia do território quando a covid-19 o atingiu. Os confinamentos também devastaram o turismo nas ilhas Virgens Britânicas, São Martinho, Antígua e Barbuda, Santa Lúcia e nas Maldivas, cujas taxas de crescimento impressionantes de 2021 representarão apenas uma recuperação parcial.

Os outros que fazem parte dos dez primeiros têm as suas próprias histórias. A alta taxa de crescimento da Líbia reflete uma recuperação modesta da catástrofe, neste caso a guerra civil, que incluirá um aumento significativo na produção de petróleo. A economia da Albânia sofreu o seu próprio golpe devido à covid-19, bem como o contágio da profunda recessão de Itália, um parceiro comercial vital, mas recuperará todo o terreno perdido em 2020. A Guiana está sozinha nesta lista como um país pouco afetado pelo vírus e, em vez disso, está a aproveitar uma onda de desenvolvimento do petróleo offshore. O maior país entre os dez primeiros, o Peru, beneficiará com o aumento da produção de cobre e preços mais altos.

EUROPA

Alemanha

Crescimento do PIB 4,6%

PIB per capita 48 160$ (PPC: 56 870 $)

Inflação 1,0%

Saldo orçamental (% PIB) -3,6

População 82,9 m

A União Democrática Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, no seu quarto mandato, começará 2021 com um novo líder do partido: Armin Laschet, um centrista que é ministro-presidente estadual, é o principal candidato. Como candidato da CDU a chanceler, ele também será o favorito para vencer as eleições gerais no final de 2021. O cenário permanecerá polarizado pela imigração e pela política climática, mas a CDU está a emergir fortalecida da pandemia e deve liderar o próximo governo de coligação. A Alemanha respondeu à covid-19 com um raro surto de generosidade orçamental e a sua recessão será mais superficial do que a média da UE.

A ver: Avanço no subsolo. As obras estão programadas para começar no túnel Fehmarnbelt entre a Alemanha e a Dinamarca. Com o comprimento de 18 km, será o túnel circular imerso rodoviário e ferroviário mais longo do mundo.

Áustria

Crescimento do PIB 4,7%

PIB per capita 53 123$ (PPC: 60 280 $)

Inflação 1,7%

Saldo orçamental (% PIB) -3,1

População 8,7 m

O governo entrou na crise da covid-19 com uma ampla munição orçamental e espalhará generosidade por toda a parte para mitigar o impacto do vírus. O governo, uma coligação do Partido Popular Austríaco de centro-direita e dos Verdes, é o primeiro da Europa a unir um partido de centro-direita e um partido ambientalista. Com uma maioria de apenas 11 assentos, será forçado a procurar o apoio de outros, inclusive do Partido da Liberdade, de extrema-direita, para manter o poder. A economia vai recuperar, mas não o suficiente para compensar a contração de 2020, com o turismo fraco e os consumidores cautelosos agindo como travão.

Bélgica

Crescimento do PIB 5,4%

PIB per capita 46 150$ (PPC: 53 220 $)

Inflação 1,0%

Saldo orçamental (% PIB) -5,1

População 11,6 m

A 1 de outubro de 2020, 494 dias depois das últimas eleições, a Bélgica conseguiu formar um novo governo, liderado por Alexander De Croo. Além dos Liberais e Democratas Flamengos do primeiro-ministro, a chamada coligação Vivaldi conta ainda com mais três visões políticas diferentes: a socialista do Partido Socialista e do Partido Socialista - Diferente; a verde do Groen e do Ecolo; e a cristã democrata dos Democratas-Cristãos e Flamengos. Este executivo substituiu o governo Wilmès II, criado para lidar com a crise da covid-19 e liderado por Sophie Wilmès, que já antes estivera à frente de outro executivo.

A ver: Enfrentar a instabilidade. Num país habituado aos longos períodos sem governo, esta coligação terá de equilibrar o poder das regiões, dando-lhe mais margem especialmente no mercado de trabalho, transportes e política de saúde, para refrear as tendências separatistas de longa data.

Bulgária

Crescimento do PIB 3,7%

PIB per capita 10 840$ (PPC: 25 230 $)

Inflação 2,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,5

População 6,9 m

Estão planeadas eleições parlamentares para a primavera de 2021, mas a política volátil pode gerar uma disputa mais cedo. No final de 2020, o partido Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária, de centro-direita, cedeu a protestos anticorrupção em massa e pediu uma nova constituição, a ser aprovada por uma assembleia escolhida em eleições antecipadas. Se a proposta não obtiver a aprovação parlamentar, eleições gerais regulares vão decorrer em março ou abril, nas quais o partido no poder espera chegar ao primeiro lugar.

A ver: Olhos abertos. A Bulgária foi submetida a um acompanhamento pós-adesão depois de ter aderido à UE em 2007. Esperava-se que as inspeções terminassem, mas os fracos progressos na corrupção e nas reformas jurídicas manterão o escrutínio em vigor.

Croácia

Crescimento do PIB 4,7%

PIB per capita 14 950 $ (PPC: 28 210 $)

Inflação 1,1%

Saldo orçamental (% PIB) -4,7

População 4,1 m

Andrej Plenkovic permaneceu como primeiro-ministro após as eleições de julho de 2020, liderando uma coligação liderada pela sua União Democrática Croata de centro-direita. No seu segundo mandato, o Sr. Plenkovic controlará a direita do seu partido e procurará laços mais estreitos dentro da UE, incluindo a adesão a Schengen e a adoção do euro. O país lidou bem com os estágios iniciais da pandemia de covid-19, mas sofrerá um grande golpe económico à medida que o tráfego turístico crucial diminuir, recuperando menos de metade do terreno perdido em 2020.

A ver: Bonança de Bruxelas. A parte da Croácia - 22,4% - no pacote de apoio financeiro à covid-19 de 850 mil milhões de dólares da UE será a maior de qualquer Estado membro em relação ao PIB.

Dinamarca

Crescimento do PIB 4,1%

PIB per capita 61 280 $ (PPC: 60 780 $)

Inflação 0,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,7

População 5,8 m

Um confinamento precoce e rígido, juntamente com uma intervenção orçamental generosa, limitou o impacto da covid-19 na saúde e na economia, e uma recuperação em 2021 devolverá a economia à sua posição de 2019. A primeira-ministra, Mette Frederiksen, beneficiará de uma atmosfera de unidade nacional estimulada pela crise, e as divisões entre o seu governo minoritário liderado por social-democratas e os seus aliados de centro-esquerda "Bloco Vermelho" serão enterradas por enquanto.

A ver: Conversas de travesseiro. A Federação Europeia de Sexologia realizará o seu 15.º congresso bienal na cidade de Aalborg em junho.

Eslováquia

Crescimento do PIB 6,4%

PIB per capita 20 470 $ (PPC: 34 090 $)

Inflação 1,9%

Saldo orçamenta (% PIB) -4,6

População 5,5 m

O país sofreu um dos impactos da covid-19 na saúde mais leves da Europa, mas uma das crises económicas mais pesadas, e 2021 será dedicado principalmente a recuperar o terreno perdido. O governo de direita do primeiro-ministro, Igor Matovic, e o seu partido Gente Comum - Personalidades Independentes e os seus parceiros assumiram o cargo durante o confinamento e implantaram uma série de medidas orçamentais. A coligação, embora unida em torno de uma agenda anticorrupção, lutará para chegar a um acordo sobre as prioridades de gastos, e os frontais líderes partidários podem entrar em conflito. A economia vai recuperar, mas não o suficiente para restaurar as perdas de 2020.

Eslovénia

Crescimento do PIB 5,0%

PIB per capita 24 740 $ (PPC: 40 150 $)

Inflação 1,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -5,1

População 2,1 m

O primeiro-ministro, Janez Jansa, do Partido Democrático Esloveno, de centro-direita, lidera a última de uma sucessão de coligações frágeis. O governo, tal como os seus três predecessores imediatos, pode não terminar o seu mandato. As simpatias de Jansa para com os céticos do clima e os nacionalistas anti-imigração irão gerar mais protestos populares. As infeções e fatalidades por covid-19 foram relativamente leves, mas uma economia dependente de turistas e dos elos da cadeia de fornecimento com a duramente atingida Itália sofreu desproporcionalmente e a recuperação levará tempo.

Espanha

Crescimento do PIB 6,8%

PIB per capita 29 600 $ (PPC: 40 450 $)

Inflação 0,9%

Saldo orçamenta (% PIB) -7,4

População 46,8 m

Um dos surtos de covid-19 mais graves da Europa trouxe um ímpeto inicial de unidade à turbulenta política partidária de Espanha. Mas a inimizade ideológica ressurgiu rapidamente, e não havia garantia no final de 2020 de que a coligação do Partido Socialista Operário Espanhol de centro-esquerda e o Podemos da extrema-esquerda conseguiria ir além da votação de um orçamento de 2021, muito menos completar um mandato que termina nominalmente em 2023. A crise da saúde foi acompanhada por uma crise económica, da qual a recuperação será lenta e acompanhada por quedas acentuadas nos padrões de vida.

Estónia

Crescimento do PIB 4,3%

PIB per capita 24 590 $ (PPC: 39 130 $)

Inflação 2,7%

Saldo orçamental (% PIB) -4,3

População 1,3 m

O governo do primeiro-ministro Juri Ratas, uma coligação do Partido do Centro, do eurocético Partido Popular Conservador da Estónia (EKRE) e do conservador Isamaa, deixou de lado as suas divisões internas para enfrentar a covid-19, mas as divergências sobre questões como a imigração vão ressurgir conforme a crise de saúde for diminuindo. As infeções têm sido relativamente poucas, mas a economia está a recuperar de uma recessão nos principais mercados de exportação. O desemprego persistente e a queda dos salários afetarão o crescimento.

Finlândia

Crescimento do PIB 2,4%

PIB per capita 50 780 $ (PPC: 51 330 $)

Inflação 1,2%

Saldo orçamenta (% PIB) -4,3

População 5,5 m

Sanna Marin, que se tornou a primeira-ministra mais jovem do mundo quando o seu antecessor foi forçado a sair pelas greves trabalhistas, beneficiou da suspensão das hostilidades políticas durante a emergência da covid-19. Mas as divergências dentro da coligação governante em áreas como a política climática vão reaparecer. Os Finlandeses, um partido de oposição de extrema-direita, irá aproveitar a situação à medida que a infelicidade com a imigração e a austeridade aumentar.

França

Crescimento do PIB 7,1%

PIB per capita 43 000 $ (PPC: 49 670 $)

Inflação 1,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -7,4

População 65,4 m

Emmanuel Macron, o presidente, renovará a sua ampla plataforma política para se concentrar na recuperação da crise económica provocada pela covid-19. O plano de estímulos de França é incomum por depender de reformas do lado da oferta, incluindo cortes de impostos, em vez de medidas de aumento da procura. Macron está a apostar que isso será suficiente para restaurar a sua imagem pública antes das eleições de abril de 2022. A agitação social voltará com o aumento do desemprego. A economia não vai recuperar todo o seu terreno perdido.

Grécia

Crescimento do PIB 3,5%

PIB per capita 19 680 $ (PPC: 31 230 $)

Inflação 0,2%

Saldo orçamenta (% PIB) -3,7

População 10,4 m

Libertado temporariamente da camisa de forças das exigências orçamentais da UE, o governo de centro-direita de Kyriakos Mitsotakis concentrar-se-á em recuperar a perda de quase um quarto de século de crescimento devido à pandemia. Com um enorme défice orçamental e uma dívida pública que ronda o dobro do tamanho da economia, a reação será lenta. O apoio financeiro equivalente a quase 18% do PIB do fundo de resgate da UE ajudará, mas à medida que os padrões de vida caírem, o governo precisará de toda a boa vontade que ganhou com a sua gestão correta da crise.

Hungria

Crescimento do PIB 4,8%

PIB per capita 16 600 $ (PPC: 34 260 $)

Inflação 2,7%

Saldo orçamental (% PIB) -3,9

População 9,6 m

Uma moeda fraca e altos níveis de dívida negaram ao governo de Viktor Orbán munições para lutar contra os efeitos económicos da pandemia, embora um confinamento precoce tenha limitado os danos. Uma doação de 6,5 mil milhões de dólares do fundo de resgate da UE apoiará a recuperação, compensando uma contração noutra ajuda da UE. Orbán, no seu terceiro mandato consecutivo e apoiado por uma grande maioria, centralizará o poder, desafiando a pressão da UE.

Irlanda

Crescimento do PIB 4,3%

PIB per capita 84 630 $ (PPC: 90 870 $)

Inflação 0,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -5,3

População 5,0 m

Micheál Martin, o primeiro-ministro que lidera a primeira coligação entre os partidos rivais Fianna Fail e Fine Gael, juntamente com os Verdes, assumiu no auge da pandemia, mas pelo menos tem algum alerta sobre o segundo grande desafio: a saída definitiva em 2021 da UE de um parceiro comercial importante, o Reino Unido - talvez sem um acordo comercial para amenizar o golpe. Os acordos de fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte serão resolvidos apenas no último minuto, portanto, algumas interrupções no comércio são inevitáveis. Se a recuperação da covid-19 permitir, a coligação pressionará por maiores gastos com saúde, habitação e bem-estar e (em nome dos Verdes) descarbonização da economia.

Itália

Crescimento do PIB 5,8%

PIB per capita 33 630 $ (PPC: 42 610 $)

Inflação 0,8%

Saldo orçamenta (% PIB) -5,2

População 60,4 m

O interesse nacional ajudou a unir um governo de coligação turbulento, mas o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, não tem apoio para fazer reformas básicas na economia, como a redução da burocracia e da corrupção. A compra de ativos pelo Banco Central Europeu subscreverá a instável dívida soberana de Itália, desde que o país retorne à disciplina orçamental rígida à medida que a pandemia diminuir. A economia vai suportar uma das mais graves recessões induzidas pelo vírus da Europa e a recuperação será lenta. O défice orçamental diminuirá depois do pico de 2020 e a dívida pública baixará modestamente em percentagem do PIB.

A ver: Sentido de proporção. A coligação governamental pressionará por um sistema eleitoral totalmente proporcional que tornaria mais difícil para a ressurgente Lega Nord de direita e o Fratelli d'Italia de extrema-direita conquistarem o poder.

Letónia

Crescimento do PIB 4,9%

PIB per capita 17 680 $ (PPC: 22 850 $)

Inflação 0,9%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,4

População 1,9 m

O governo de centro-direita tomou posse mesmo a tempo de enfrentar o início do surto de covid-19 e decretou o estado de emergência. À medida que a economia for recuperando, as falhas na coligação ressurgirão. O Nova Unidade, o partido do primeiro-ministro, Krisjanis Karins, é o mais pequeno da coligação, enquanto três partidos aliados são novos no governo. Mais dois, o partido populista A Quem Pertence o Estado? e a eurocética Aliança Nacional, irão afastar a política do consenso de centro-direita de longa data do país. A dependência das exportações tornou a economia especialmente vulnerável durante a crise, mas o aumento da procura europeia apoiará o crescimento em 2021.

Lituânia

Crescimento do PIB 3,8%

PIB per capita 22 230 $ (PPC: 40 360 $)

Inflação 1,6%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,4

População 2,7 m

Uma coligação instável foi substituída por uma aliança governamental igualmente frágil nas eleições de outubro de 2020, liderada pela oposição da União Nacional -Democratas Cristãos Lituanos. Os objetivos de longo prazo do país - abordar uma baixa taxa de natalidade, a emigração em massa e fortalecer os laços com a UE e a NATO - permanecerão, mas reparar os danos da covid-19 será a prioridade. A recuperação económica será substancial, mas não eliminará as perdas de 2020.

Noruega

Crescimento do PIB 3,0%

PIB per capita 70 130 $ (PPC: 66 670 $)

Inflação 1,4%

Saldo orçamenta (% PIB) 1,3

População 5,4 m

Uma resposta eficaz à pandemia fortaleceu a posição da coligação de centro-direita que se encaminha para as eleições em setembro. Atuando como um governo minoritário desde a retirada do Partido do Progresso de extrema-direita no início de 2020, a coligação conta com o apoio da oposição para aprovar a legislação, retardando o progresso na sua agenda política. Os preços baixos do petróleo significam menos receita de exportação, mas o fundo soberano do petróleo dá ao governo algum espaço orçamental para amenizar o impacto da pandemia, o que foi feito com amplas medidas de apoio.

A ver: Viagem médica. A Associação Norueguesa para a Ciência Psicadélica, que investiga drogas alucinogénias e o seu potencial clínico, pretende realizar sua primeira conferência em 2021.

Países Baixos

Crescimento do PIB 4,1%

PIB per capita 55 980 $ (PPC: 59 140 $)

Inflação 1,1%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,1

População 17,4 m

A coligação governante, formada depois de quase sete meses de negociações pós-eleitorais em 2017, não tem maioria em nenhuma das câmaras e tem feito um mandato coxo. Mesmo assim, graças a uma resposta pública maioritariamente positiva ao seu tratamento da pandemia, ela deve emergir no primeiro lugar das eleições de março, com o Partido do Povo para a Liberdade e a Democracia - liderado pelo primeiro-ministro, Mark Rutte - como o maior partido. O seu programa de redução de impostos ficará em segundo lugar na recuperação da economia.

A ver: Ressentimento do resgate. Os críticos atacarão o apoio da coligação ao pacto de resgate da UE, que exigirá um pagamento líquido igual a 3,8% do PIB.

Polónia

Crescimento do PIB 4,2%

PIB per capita 16 100 $ (PPC: 35 000 $)

Inflação 2,4%

Saldo orçamenta (% PIB) -3,9

População 37,8 m

O governo, liderado pelo Partido Lei e Justiça, socialmente conservador e economicamente intervencionista, vai avançar com reformas institucionais que incluem colocar a justiça sob maior controlo político e restringir a comunicação social independente. A UE vai reclamar, mas os aliados da Polónia no bloco impedirão ações punitivas. O apoio orçamental e uma recuperação do consumo privado ajudarão a restaurar a maior parte do terreno económico perdido com a pandemia, ela própria modesta para os padrões europeus.

Portugal

Crescimento do PIB 5,0%

PIB per capita 23 410 $ (PPC: 35 430 $)

Inflação 0,4%

Saldo orçamenta (% PIB) -3,0

População 10,2 m

O governo minoritário do segundo mandato do primeiro-ministro, António Costa, do Partido Socialista, terá mais dificuldade do que no primeiro mandato para garantir o apoio parlamentar para a sua agenda legislativa, embora a solidariedade induzida pela pandemia ajude por algum tempo. Depois de um excedente orçamental em 2019, os gastos relacionados com o vírus fizeram o défice crescer e os gastos serão limitados nos próximos anos. O golpe económico do confinamento interno e da proibição de viagens internacionais foi substancial, pelo que a recuperação será lenta.

Reino Unido

Crescimento do PIB 6,9%

PIB per capita 40 290 $ (PPC: 47 130 $)

Inflação 0,5%

Saldo orçamenta (% PIB) -7,1

População 68,2 m

O país começará 2021 totalmente fora da UE, mas já com novo acordo comercial com o seu maior parceiro. O impacto disso será significativo em alguns setores, mas o golpe da covid-19 será muito maior. Uma resposta tardia e mal planeada cobrou um preço terrível em vidas e danos económicos, embora as intervenções orçamentais decisivas mitigassem o golpe para muitos. O governo do Partido Conservador do primeiro-ministro, Boris Johnson, havia prometido anteriormente um programa de investimentos para aumentar a produtividade, mas isso poderá ser restringido por exigências de consolidação fiscal dentro do seu próprio partido.

A ver: Scoxit. As eleições para o Parlamento Escocês e a esperada renovação da maioria do Partido Nacional Escocês irão alimentar os pedidos por um novo referendo sobre a independência da Escócia.

República Checa

Crescimento do PIB 4,4%

PIB per capita 24 800 $ (PPC: 42 830 $)

Inflação 1,9%

Saldo orçamenta (% PIB) -3,9

População 10,7 m

O primeiro-ministro, Andrej Babis, lidera uma coligação desconfortável do movimento centrista ANO e do Partido Social-Democrata checo, de centro-esquerda, que depende de um pacto com o Partido Comunista da Boémia e Morávia, de extrema-esquerda, mas vai-se aproximar das eleições de outubro com a esperança num segundo mandato. Ele vai-se concentrar na recuperação pós-pandemia a nível interno e prosseguir uma política externa pró-UE, enquanto pressiona Bruxelas para mais financiamento. A produção e a procura do consumidor irão recuperar, voltando aos níveis de 2019.

Roménia

Crescimento do PIB 4,2%

PIB per capita 13 050 $ (PPC: 32 650 $)

Inflação 2,8%

Saldo orçamenta (% PIB) -6,6

População 19,1 m

Depois de um hiato em que os principais partidos se uniram para enfrentar a pandemia, a instabilidade política está de regresso. O principal partido da oposição, o Partido Social-Democrata, está desorganizado, e o governo minoritário liderado pelo Partido Nacional Liberal (PNL), cumprirá o resto da legislatura que vai até ao início de 2021. As eleições parlamentares, que devem ser realizadas por volta de Março, levarão a uma coligação de centro-direita centrada no PNL. A recuperação da recessão pandémica será limitada.

Rússia

Crescimento do PIB 3,0%

PIB per capita 10 540 $ (PPC: 28 470 $)

Inflação 3,9%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,0)

População 148,9 m

A covid-19 abalou a economia, e os preços do petróleo baixos, a procura global fraca, a política orçamental cautelosa e as sanções ocidentais retardarão a recuperação em 2021. Mudanças constitucionais fortaleceram o cargo da presidência e permitiram que Vladimir Putin o ocupasse, em teoria, até 2036. O governo implantará uma combinação de ferramentas para reprimir a oposição, desde prisões e envenenamentos a trolls online. Como sempre, o regime de Putin projetará a influência russa na sua vizinhança e mais além.

Suécia

Crescimento do PIB 2,9%

PIB per capita 55 690 $ (PPC: 56 880 $)

Inflação 1,82%

Saldo orçamenta (% PIB) -2,5

População 10,2 m

Uma resposta relativamente pouco interventiva ao surto de covid-19, em última análise, não protegeu a economia e contribuiu para uma alta taxa de mortalidade, especialmente em lares de idosos, minando o apoio inicial ao governo de coligação de centro-esquerda do primeiro-ministro Stefan Lofven. Uma comissão multipartidária tem lutado para chegar a um acordo sobre uma política de migração que evite um desafio dos Democratas Suecos de extrema-direita sem ofender as sensibilidades liberais, e isso continuará a ser uma questão política viva quando a legislação temporária expirar em 2021. Um acordo de coligação que teria virado a política económica para a direita permanecerá em espera enquanto o governo se esforça para restaurar a economia.

A ver: Última dança. Avicii, um DJ e compositor famoso que se suicidou em 2018, aos 28 anos, terá o seu próprio museu em Estocolmo.

Suíça

Crescimento do PIB 3,5%

PIB per capita 84 770 $ (PPC: 70 270 $)

Inflação 0,3%

Saldo orçamental (% PIB) -1,2

População 8,7 m

O Partido Popular Suíço (SVP), de direita, que detém a maior parte dos assentos parlamentares e dois lugares no Conselho Federal de sete membros (o gabinete), enfrenta um desafio crescente dos Verdes, o partido de crescimento mais rápido. Um referendo patrocinado pelo SVP sobre a limitação da imigração da UE foi rejeitado em setembro de 2020, prejudicando ainda mais a marca do SVP. Um estrito confinamento devido à covid-19, que provocou raros protestos de rua, suprimiu o contágio e as mortes, mas a um alto custo económico, que em 2021 será apenas parcialmente reparado.

A ver: Entidades externas. A Suíça e o Reino Unido irão implementar um acordo comercial que replica os acordos existentes quando a transição pós-Brexit da Grã-Bretanha terminar no final de 2020.

Turquia

Crescimento do PIB 3,6%

PIB per capita 7 690 $ (PPC: 29 900$)

Inflação 10,8%

Saldo orçamental (% PIB) -4,8

População 85,0 m

O presidente, Recep Tayyip Erdogan, respondeu à crise causada pela covid-19 pressionando o banco central a relaxar a política monetária e injetando mais crédito na economia através de bancos públicos, minando a já frágil estabilidade financeira do país. Os credores externos de que o país depende estão cada vez mais cautelosos, enquanto as escassas reservas estrangeiras dificultam a defesa da lira, agravando o risco de uma crise cambial. O país caminha para uma desaceleração brusca em 2021 e fica cada vez mais isolado.

A ver: A loção do sultão. A busca por petróleo e gás para reduzir a dependência do país das importações vai aumentar, garantindo atritos com a Grécia e outros intervenientes regionais sobre os direitos de exploração de energia no Mediterrâneo oriental.

Ucrânia

Crescimento do PIB 5,7%

PIB per capita 3750 $ (PPC: 13 630 $)

Inflação 6,7%

Saldo orçamental (% PIB) -4,4

População 41,7 m

O ambicioso programa de reformas proposto pelo presidente, Volodymyr Zelensky, foi derrubado pela pandemia, e o confinamento apagou muito do crescimento económico alcançado desde o choque da anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. Divergências no partido Servo do Povo de Zelensky, veladas durante a pandemia, reaparecerão quando a emergência abrandar. Os credores internacionais serão pacientes por enquanto, mas um retorno às reformas será necessário se a Ucrânia quiser cumprir as suas contas, enquanto o conflito latente no leste pesará sobre as perspetivas de crescimento.

ÁSIA

Austrália

Crescimento do PIB 1,6%

PIB per capita 56 700 $ (PPC: 53 160 $)

Inflação 1,5%

Saldo orçamental (% PIB) -5,6

População 25,8 m

A economia contraiu acentuadamente em 2020, apesar de uma resposta precoce do governo à covid-19, e a recuperação será modesta, já que o comércio global permanece fraco. O primeiro-ministro, Scott Morrison, perderá popularidade à medida que as dificuldades impostas pela pandemia persistirem, e este pode ser o último ano completo de mandato da coligação Liberal-Nacional de três mandatos conforme as eleições se aproximam em 2022. Consequências da crise, desacordo interno sobre política energética e climática, e a pequena maioria do governo dificultará o progresso da sua agenda legislativa.

A ver: Cadeia de ilhas. O Acordo do Pacífico para Relações Económicas Mais Próximas, (PACER Plus), um pacto de comércio e ajuda que liga a Austrália, a Nova Zelândia e nove nações insulares do Pacífico, entra em vigor em 2021.

Bangladesh

Crescimento do PIB 5,8%

PIB per capita 2200 $ (PPC: 5550 $)

Inflação 5,6%

Saldo orçamental (% PIB) -6,8

População 166,3 m

O choque da pandemia de covid-19 no emprego e nos padrões de vida alimentará a oposição ao governo sob o comando do primeiro-ministro, Sheikh Hasina Wajed, agora no seu terceiro mandato consecutivo. Mesmo assim, o controlo da Liga Awami sobre o poder político e militar e as suas redes de patrocínio entrincheiradas garantirão a sua sobrevivência. A economia vai recuperar, mas vai demorar mais um ano para recuperar a tendência de crescimento do PIB de 5% na última década.

A ver: Encarcerado. Os protestos aumentarão se Khaleda Zia, um líder da oposição preso por corrupção, mas libertado por motivos de saúde, for enviado de volta para a prisão.

Cazaquistão

Crescimento do PIB 3,5%

PIB per capita 8930 $ (PPC: 26 820 $)

Inflação 6,3%

Saldo orçamental (% PIB) -2,5

População 19,0 m

O presidente, Kassym-Jomart Tokayev, consolidará o seu controlo enquanto o seu antecessor de longa data, Nursultan Nazarbayev, assiste por trás do trono. Um segundo surto da pandemia (e um segundo confinamento), agravado por uma queda nos preços do petróleo, pôs fim a um longo período de crescimento económico, embora o governo tenha respondido com medidas de ajuda pagas em parte pelo seu bem abastecido fundo de riqueza soberana. A recuperação será rápida, com o terreno perdido totalmente recuperado antes do final do ano. O preço do petróleo também subirá, embora não muito.

China

Crescimento do PIB 7,3%

PIB per capita 11300 $ (PPC: 18 710 $)

Inflação 3,1%

Saldo orçamental (% PIB) -5,0

População 1,40 mil m

O presidente, Xi Jinping, usará o capital político obtido com a rápida resposta à covid-19 para pressionar a sua agenda interna, marginalizando os críticos, aumentando o seu controlo sobre o aparato de segurança e promovendo aliados a posições influentes. Diante da crescente antipatia das potências ocidentais e regionais, o governo redobrará o seu compromisso com a autossuficiência em áreas como a energia e a tecnologia, enquanto explora a imagem de um mundo hostil para estimular o apoio interno. A economia vai recuperar da desaceleração de 2020.

Coreia do Sul

Crescimento do PIB 2,4%

PIB per capita 32 870 $ (PPC: 44 530 $)

Inflação 1,3%

Saldo orçamental (% PIB) -5,9

População 51,3 m

O presidente, Moon Jae-in, redobrará o esforço reformista, impulsionado pelo sucesso do seu Partido Democrático que garantiu uma supermaioria parlamentar nas eleições gerais de 2020. O governo obteve um impulso pré-eleitoral com a sua resposta eficaz ao surto de coronavírus, que minimizou o impacto na saúde e na economia. A política concentrar-se-á na desigualdade, impulsionando as pequenas e médias empresas e aprofundando as reformas do mercado de trabalho. A economia voltará à tendência de crescimento.

A ver: À beira do precipício. A tradicional beligerância da Coreia do Norte retornará conforme o amor por Donald Trump se for desvanecendo na memória.

Filipinas

Crescimento do PIB 5,8%

PIB per capita 3610 $ (PPC: 9150 $)

Inflação 3,2%

Saldo orçamental (% PIB) -6,8

População 111,0 m

A economia vai recuperar fortemente da recessão provocada pela covid-19, ficando aquém das tendências recentes, mas mais do que compensando o terreno perdido em 2020. Um aumento nas infeções ameaçou minar a autoridade do presidente, Rodrigo Duterte, e uma contração nos padrões de vida irá inflamar ainda mais a opinião pública. As restrições às liberdades civis, incluindo uma mordaça na comunicação social, irão silenciar a oposição.

A ver: A rapariga da capa. Duterte vai passar o ano a polir a imagem da sua filha, Sara Duterte, presidente da Câmara de Davao City e potencial candidata presidencial em 2022.

Hong Kong

Crescimento do PIB 2,4%

PIB per capita 50 670 $ (PPC: 62 030 $)

Inflação 1,4%

Saldo orçamental (% PIB) -2,2

População 7,6 m

A draconiana nova lei de segurança nacional do território manterá os manifestantes fora das ruas, o movimento "localista" fora do debate público e a Assembleia Legislativa repleta de funcionários pró-governo. As autoridades procurarão reprimir o descontentamento mais amplo enfrentando questões estruturais de há muito, como a falta de habitação, mas o entrave fiscal negativo imposto pela covid-19 atrasará os planos. A economia vai retomar, recuperando muito do terreno perdido para o vírus, mas o impacto do ataque de Pequim sobre o modelo de "um país, dois sistemas" será difícil de combater.

Índia

Crescimento do PIB 6,7%

PIB per capita 2150 $ (PPC: 6850 $)

Inflação 4,0%

Saldo orçamental (% PIB) -6,8

População 1,39 mil m

No seu segundo mandato de cinco anos, o primeiro-ministro, Narendra Modi, é amplamente popular e a oposição é fraca, fortalecendo ainda mais a sua posição. Mas o virulento surto de covid-19 que eclodiu no final de 2020 após o relaxamento de um confinamento nacional inicial, e os extensos danos económicos causados pelas restrições, destacam o risco de agitação social. Conflitos e protestos comunais por grupos religiosos irromperão de tempos a tempos. Um programa de liberalização do mercado e investimento em infraestruturas será acelerado para ajudar a recuperar uma economia que tem sido castigada pela pandemia.

A ver: Gravidade do Pacífico. Mais crises eclodirão sobre obras de infraestruturas na fronteira norte com a China, aliando a Índia mais fortemente a países que procuram conter a influência chinesa na região.

Indonésia

Crescimento do PIB 4,3%

PIB per capita 4260 $ (PPC: 12 840 $)

Inflação 3,2%

Saldo orçamental (% PIB) -6,0

População 269,8 m

O presidente, Joko Widodo (conhecido como Jokowi), goza de forte apoio público, mas não tem partido próprio, então tem de fazer concessões no seu programa político para manter a margem de manobra política. Ele é apoiado na Assembleia Legislativa pelo Partido Democrático Indonésio-Luta e pelo partido Golkar e tem representantes de seis partidos no seu gabinete. Como resultado, a estabilidade terá precedência sobre a reforma, mas as iniciativas de criação de empregos e investimento em infraestruturas avançarão. O crescimento económico estagnou sob a covid-19, que disparou no final de 2020, mas recuperará fortemente com a retoma das exportações e da procura interna.

Japão

Crescimento do PIB 1,7%

PIB per capita 39 950 $ (PPC: 42 060 $)

Inflação 0,5%

Saldo orçamental (% PIB) -8,7

População 126,1 m

O Partido Liberal Democrata (LDP, no governo) elegeu Yoshihide Suga no final de 2020 como seu presidente e, consequentemente, chefe de governo, após a renúncia por motivos de saúde de Shinzo Abe, o primeiro-ministro japonês que mais tempo esteve no cargo. Suga manterá a abordagem do seu antecessor para revitalizar a economia. Uma resposta irregular à pandemia erodiu a popularidade do governo, mas o LDP e o seu parceiro legislativo, Komeito, vão dominar as eleições para a câmara baixa em outubro. (Uma eleição antecipada é possível.) As medidas para combater a pandemia de covid-19 trouxeram uma recessão acentuada e a recuperação será lenta.

A ver: Passando a tocha. Os jogos adiados da XXXII Olimpíada acontecerão no verão de 2021, embora a marca de 2020 permaneça.

Malásia

Crescimento do PIB 5,0%

PIB per capita 10 620 $ (PPC: 28 330 $)

Inflação 1,3%

Saldo orçamental (% PIB) -6,9

População 32,8 m

A política ainda não se restabeleceu desde a saída em 2018 da Organização Nacional dos Malaios Unidos (UMNO), após mais de 60 anos no poder. Houve dois governos desde então e, a julgar pela fraqueza da atual coligação Perikatan Nasional e do seu líder, o primeiro-ministro, Muhyiddin Yassin, 2021 trará um terceiro, embora as eleições só estejam marcadas para 2023. Muhyiddin pode prevalecer numas eleições antecipadas, mas o regresso a um mandato UMNO é possível. A incerteza política prejudicará uma economia que já está a sofrer devido à covid-19.

Nova Zelândia

Crescimento do PIB 1,4%

PIB per capita 40 760 $ (PPC: 41 680 $)

Inflação 1,6%

Saldo orçamental (% PIB) -7,8

População 5,0 m

Fortalecida por uma resposta amplamente elogiada à covid-19, a primeira-ministra, Jacinda Ardern, conduziu o seu Partido Trabalhista a uma retumbante vitória eleitoral em outubro. O partido de centro-esquerda obteve 49% dos votos e uma rara maioria parlamentar absoluta, que empurrará a política para a esquerda. O sucesso da saúde pública veio à custa de uma recessão profunda. A recuperação será lenta.

Paquistão

Crescimento do PIB 0,8%

PIB per capita 1180 $ (PPC: 4690 $)

Inflação 6,0%

Saldo orçamental (% PIB) -7,6

População 225,2 m

O governo do Movimento Paquistanês pela Justiça, do primeiro-ministro Imran Khan, manterá o poder através de um acordo tácito com o exército, que dirige a política de segurança e das relações exteriores. Os partidos da oposição vão-se unir para obstruir o programa legislativo, mas com os seus líderes na prisão ou sob investigação, não ameaçarão a sobrevivência do governo. Os gastos públicos e as remessas recordes de trabalhadores expatriados amorteceram o golpe da covid-19, mas mesmo regressar à modesta taxa de crescimento recente levará alguns anos.

Singapura

Crescimento do PIB 3,9%

PIB per capita 64 190 $ (PPC: 101 990 $)

Inflação 1,3%

Saldo orçamental (% PIB) -6,6

População 5,6 m

Apesar do maior pacote de estímulos da sua história e da supressão bem-sucedida do vírus, o país sofreu uma das maiores recessões da Ásia em 2020, e a recuperação da economia voltada para as exportações será lenta. Os preparativos do primeiro-ministro, Lee Hsien Loong, para transferir o poder para a quarta geração de líderes do Partido de Ação Popular (PAP), no poder desde 1959, serão suspensos após o desempenho dececionante do PAP nas eleições gerais de 2020. Em vez disso, ele concentrar-se-á na melhoria do desempenho do governo em áreas que preocupam os eleitores mais jovens, como a imigração, a redução dos custos da habitação e a melhoria do bem-estar social.

Sri Lanka

Crescimento do PIB 2,3%

PIB per capita 3940 $ (PPC: 13 580 $)

Inflação 5,1%

Saldo orçamental (% PIB) -8,5

População 21,5 m

Nas eleições de 2020, uma vitória esmagadora da Frente do Povo do Sri Lanka (SLPP) deu autoridade ao governo, liderado pela poderosa família Rajapaksa (Mahinda é o primeiro-ministro e o irmão Gotabaya, o presidente). Eles prometeram imediatamente afinar a constituição para aumentar os poderes presidenciais. O principal partido da oposição é, como o SLPP, favorável à maioria budista de língua cingalesa. Uma recuperação gradual das exportações ajudará a economia a recuperar, embora apenas parcialmente, da recessão originada pela covid-19.

Tailândia

Crescimento do PIB 3,2%

PIB per capita 8000 $ (PPC: 18 940 $)

Inflação 1,1%

Saldo orçamental (% PIB) -5,1

População 70,0 m

Os protestos contra o governo apoiado pelos militares de Prayuth Chan-ocha, ex-líder do golpe, e contra o rei, estão em crescendo, atraindo a população urbana de classe média que anteriormente apoiava a classe dirigente com a tradicional luta pelo poder entre os "camisas vermelhas" e os "camisas amarelas". O governo deverá ser capaz de durar mais que os manifestantes, mas uma repressão militar não pode ser descartada. À medida que a covid-19 for cedendo, o governo tentará melhorar as condições empresariais para os investidores estrangeiros. Uma recuperação económica parcial é tudo o que se pode esperar.

Taiwan

Crescimento do PIB 1,5%

PIB per capita 27 500 $ (PPC: 57 480 $)

Inflação 0,2%

Saldo orçamental (% PIB) -0,9

População 23,6 m

A presidente, Tsai Ing-wen, e o seu Partido Democrático Progressista (DPP) garantiram um segundo mandato em 2020. A vitória do DPP veio com uma maioria reduzida, mas as deserções foram principalmente para partidos simpatizantes, portanto a sua vantagem legislativa será apenas ligeiramente diminuída. A política concentrar-se-á nos benefícios e na construção de casas para enfrentar a desigualdade intergeracional, no investimento em infraestruturas e na promoção de tecnologia da informação de última geração e da energia renovável. Uma resposta decisiva à covid-19 minimizou os impactos económicos e para a saúde pública, e a atividade vai recuperar.

A ver: Jogo de palavras. A 13.ª conferência sobre o Inglês como uma Língua Franca (ELF13), adiada em 2020 por causa da covid-19, acontecerá em Taiwan no verão.

Usbequistão

Crescimento do PIB 6,3%

PIB per capita 2220 $ (PPC: 8970 $)

Inflação 12,2%

Saldo orçamenta (% PIB) -3,1

População 33,9 m

O presidente, Shavkat Mirziyoyev, avançará com a reforma fiscal e as privatizações. O governo tentará melhorar as relações com os vizinhos, ao mesmo tempo que mantém parcerias económicas importantes com a China e a Rússia. A pandemia reduziu a procura interna e externa, mas a economia recuperará fortemente em 2021.

A ver: Combate corpo a corpo. A capital, Tashkent, receberá o Campeonato Mundial de Judo depois de a escolha original, Viena, ter sido descartada devido a um escândalo governamental.

Vietname

Crescimento do PIB 5,2%

PIB per capita 3780 $ (PPC: 11 430 $)

Inflação 2,1%

Saldo orçamental (% PIB) -4,8

População 98,2 m

Uma nova equipa assumirá a liderança do Partido Comunista após o 13.º Congresso Nacional no início de 2021, provavelmente com Nguyen Xuan Phuc, o primeiro-ministro, a tornar-se secretário-geral. A transição será suave e o programa de liberalização económica do governo será retomado após a interrupção causada pela covid-19, incluindo medidas para atrair investidores estrangeiros diretos e reestruturar as empresas estatais. A economia voltará ao seu ritmo de alto crescimento à medida que a desaceleração causada pela pandemia diminuir.

AMÉRICA DO NORTE

Canadá

Crescimento do PIB 4,0%

PIB per capita 45 930 $ (PPC: 50 650 $)

Inflação 1,5%

Saldo orçamental (% PIB) -8,3

População 38,1 m

O governo do Partido Liberal, liderado pelo primeiro-ministro Justin Trudeau, carece de maioria no seu segundo mandato e tem de procurar apoio entre os três principais partidos da oposição para aprovar a legislação. O país uniu-se em torno de Trudeau quando a covid-19 atacou, mas ele terá muito mais dificuldades com o desaparecimento da pandemia. Deslizes na política podem levar o governo a um fim prematuro. A economia foi atingida pelo vírus e pelos baixos preços do petróleo em 2020 e, embora a crise da saúde vá passar, o petróleo continuará barato. A recuperação total levará anos.

Estados Unidos da América

Crescimento do PIB 3,6%

PIB per capita 64 790 $ (PPC: 64 790$)

Inflação 1,7%

Saldo orçamental (% PIB) -9,2

População 332,9 m

A vitória de Joe Biden na eleição presidencial fará a América regressar a uma aparência de normalidade e mudará a política para a esquerda do centro. Mas legislar será difícil, e a pandemia está a cobrar um preço elevado - o país tem pouco mais de 4% da população mundial, mas sofreu quase 20% das mortes por covid-19 registadas. A disponibilidade de uma vacina, mesmo que os "antivacinas" a evitem, apoiará a recuperação económica. Mesmo assim, o retorno será desanimador; a economia americana de 21,5 biliões de dólares não regressará aos níveis de 2019 até ao final de 2021. Protestos por justiça racial surgirão regularmente; a polícia vai precisar de anos de reforma antes de aprender a fazer perguntas primeiro e atirar depois.

México

Crescimento do PIB 3,3%

PIB per capita 8940 $ (PPC: 19 160 $)

Inflação 3,9%

Saldo orçamental (% PIB) -3,2

População 130,3 m

O presidente, Andrés Manuel López Obrador, e o governo liderado pelo seu partido Morena enfrentam um ajuste de contas nas eleições de junho. Eles serão ajudados por medidas anticorrupção populares e uma oposição fraca, mas prejudicados por uma resposta tardia e sem brilho à covid-19. Tudo pesado, eles devem manter a maioria. O governo continuará com políticas redistributivas para apoiar os mais pobres, mas uma recuperação lenta após uma recessão profunda em 2020 significa que haverá menos para ser distribuído.

A ver: Olhar para o norte. Depois de se concentrar pouco na política externa, López Obrador procurará melhorar as relações com os Estados Unidos, o principal parceiro económico do México e lar de quase todos os seus 12 milhões de emigrantes.

AMÉRICA LATINA

Argentina

Crescimento do PIB 6,0%

PIB per capita 8530 $ (PPC: 20 500 $)

Inflação 45,3%

Saldo orçamental (% PIB) -6,4

População 45,6 m

O governo do presidente Alberto Fernández poderá obter ajuda do FMI após um acordo com credores privados em 2020. Será bem-vinda: a covid-19 deixará um grande buraco numa economia que já trabalhava sob controlo de preços e fragilidades estruturais, e outra desvalorização será inevitável se o apoio do FMI não estiver disponível. O governo perderá alguns assentos nas eleições intercalares em outubro, mas deve manter a maioria. A inflação irá subir à medida que alguns controlos de preços forem atenuados.

Bolívia

Crescimento do PIB 3,8%

PIB per capita 3350 $ (PPC: 8090 $)

Inflação 1,5%

Saldo orçamental (% PIB) -8,8

População 11,8 m

Luis Arce, do partido Movimento pelo Socialismo, venceu a eleição presidencial no final de 2020, o que significará um retorno às políticas intervencionistas que marcaram a sua época como ministro da Economia do ex-presidente Evo Morales. O país deve lidar com profundos desequilíbrios económicos e orçamentais no meio de pressões concorrentes para promover a recuperação de uma profunda recessão induzida pelo coronavírus.

Brasil

Crescimento do PIB 3,0%

PIB per capita 6940 $ (PPC: 15 040$)

Inflação 2,9%

Saldo orçamental (% PIB) -7,5

População 213,3 m

O presidente, Jair Bolsonaro, terá como prioridade a reeleição em 2022 em vez de impulsionar as suas reformas pró-mercado num congresso onde o seu Partido Social Liberal requer o apoio de uma oposição fragmentada para fazer qualquer coisa. Uma disputa pela liderança da câmara baixa, marcada para fevereiro, vai esclarecer as linhas de batalha, com os partidos de centro-direita da oposição desejosos de controlar a agenda legislativa. Uma resposta relaxada à covid-19 protegeu a economia, mas causou muitas mortes.

A ver: Centrado. Eleito como um populista de extrema-direita, Bolsonaro quererá conquistar o apoio centrista para evitar a destituição, sem se desviar da sua base.

Chile

Crescimento do PIB 4,6%

PIB per capita 13 940 $ (PPC: 25 010 $)

Inflação 2,7%

Saldo orçamental (% PIB) -8,1

População 19,2 m

Os eleitores aprovaram de forma esmagadora um plano para reescrever a constituição da era Pinochet num referendo no final de 2020. A votação foi realizada em resposta aos protestos em massa contra a desigualdade que começaram em novembro de 2019. Os redatores da nova constituição serão eleitos em abril e o seu trabalho será ratificado, novamente por referendo, em 2022, originando potencialmente uma viragem à esquerda num consenso político multipartidário de longa data. Uma resposta eficaz à covid-19 protegeu a economia e garantirá uma recuperação decente.

A ver: Fundo de cobre. A produção de cobre aumentará, reabastecendo um fundo de riqueza soberana exaurido por uma generosa resposta orçamental ao vírus.

Colômbia

Crescimento do PIB 4,4%

PIB per capita 5550$ (PPC: 15 080 $)

Inflação 2,9%

Saldo orçamental (% PIB) -5,4

População 51,3 m

O presidente, Iván Duque, do partido de direita Centro Democrático, retomará as ambiciosas reformas pró-crescimento à medida que a crise da saúde for diminuindo, incluindo mudanças nos impostos, leis trabalhistas, pensões e assistência médica, além da venda de ativos do Estado. Mas isso servirá para restaurar apenas parte das pesadas perdas causadas pela covid-19. A lenta recuperação aumentará as tensões sociais sobre a entrada de migrantes venezuelanos, acordos de paz com o movimento guerrilheiro das FARC e violência no campo.

Cuba

Crescimento do PIB 2,3%

PIB per capita 9880 $ (PPC: 13 480 $)

Inflação 6,0%

Saldo orçamental (% PIB) -5,5

População 11,3 m

Uma agenda de reforma pró-mercado, que já avançava lentamente, foi suspensa com o golpe da covid-19 e será retomada com hesitação quando a emergência diminuir. O presidente, Miguel Díaz-Canel, vai ceder gradualmente a formulação de políticas do dia-a-dia ao primeiro-ministro, Manuel Marrero, num afastamento da estrutura de liderança centralizada. A epidemia atingiu uma economia frágil; a recuperação será fraca.

Equador

Crescimento do PIB -5,1%

PIB per capita 5720 $ (PPC: 11 000 $)

Inflação 0,0%

Saldo orçamental (% PIB) -2,5

População 17,8 m

O presidente, Lenín Moreno, vai chegar às eleições gerais de fevereiro sem o amor do povo, obstruído pela maioria da oposição no Congresso e confrontado com uma série de desafios. As dificuldades orçamentais significaram pouco apoio para uma população devastada pelo coronavírus, e a austeridade dificultará a recuperação. Os protestos serão retomados à medida que a emergência de saúde for diminuindo e o próximo governo, provavelmente sob controlo centrista, herdará um povo turbulento e uma economia fraca.

Paraguai

Crescimento do PIB 2,9%

PIB per capita 4930 $ (PPC: 13 070$)

Inflação 2,1%

Saldo orçamental (% PIB) -5,1

População 7,2 m

Uma resposta inicial exemplar à covid-19 foi prejudicada por um aumento posterior de casos. Isso prejudicou uma possível candidatura do ministro da saúde, Julio Mazzoleni, a candidato presidencial, pelo Partido Colorado no poder, nas primárias previstas para o início de 2021, apesar das eleições em si, serem apenas em 2023. O presidente, Mario Abdo Benítez, concentrar-se-á em fortalecer alianças políticas no meio de uma reação pública contra as alegações de corrupção no governo. A recessão será uma das mais amenas da região.

Peru

Crescimento do PIB 9,2%

PIB per capita 6340 $ (PPC: 12 220$)

Inflação 2,3%

Saldo orçamental (% PIB) -7,0

População 33,5 m

Uma pandemia particularmente dura, económica e clinicamente, fornecerá munições aos partidos nacionalistas antes das eleições gerais de abril, nas quais o titular de centro-direita, Martín Vizcarra, não pode concorrer. O vencedor vai herdar uma economia abalada pela maior recessão da região, mas ainda assim em recuperação, após uma década de forte crescimento. O Congresso será fragmentado e turbulento.

A ver: Libertado. Se Vizcarra escapar à prisão no final do seu mandato, ele será o primeiro dos cinco últimos presidentes do país a fazê-lo.

Uruguai

Crescimento do PIB 3,5%

PIB per capita 14 710 $ (PPC: 23 960$)

Inflação 7,5%

Saldo orçamental (% PIB) -4,0

População 3,5 m

Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional de centro-direita, lidera um governo maioritário com apoio popular após a gestão eficaz da covid-19. Os sindicatos vão resistir aos esforços para reformar a segurança social e os impostos podem aumentar para reduzir o défice orçamental pós-pandemia, mas as reformas de produtividade e competitividade devem ganhar terreno. Dois grandes projetos de construção, uma fábrica de celulose e uma reforma de portos e ferrovias, ajudarão a economia a recuperar.

Venezuela

Crescimento do PIB -1,7%

PIB per capita 2110 $ (PPC: 4480$)

Inflação 640%

Saldo orçamental (% PIB) -16,7

População 27,8 m

O presidente, Nicolás Maduro, permanecerá no cargo por enquanto num cenário de queda dos níveis de vida e crescente hostilidade no exterior, mas o seu regime é insustentável. Quanto mais tempo ele sobreviver, mais caótico será o seu fim. Se o exército retirar o apoio, ele está acabado. A economia, em dólares, contraiu-se em dois terços entre 2018 e 2020 e encolherá novamente em 2021.

MÉDIO ORIENTE E ÁFRICA

África do Sul

Crescimento do PIB 1,5%

PIB per capita 5110 $ (PPC: 12 390$)

Inflação 4,1%

Saldo orçamental (% PIB) -9,0

População 60,0 m

O presidente, Cyril Ramaphosa, estará muito ocupado gerindo uma recuperação económica pós-pandemia, evitando uma crise da dívida por meio de cortes na despesa pública, evitando que a reforma agrária se torne um açambarcamento de terras e limitando-se a manter as coisas a funcionar. Ele enfrentará a resistência de elementos do Congresso Nacional Africano. As conclusões de um importante relatório anticorrupção devem ser divulgadas em março.

Angola

Crescimento do PIB -0,1%

PIB per capita 2000 $ (PPC: 6410$)

Inflação 19,1%

Saldo orçamental (% PIB) -3,1

População 33,9 m

O presidente, João Lourenço, vai forçar o desmantelamento das redes de poderes estabelecidas ao longo de quase 40 anos pelo seu antecessor, José Eduardo dos Santos, mas vai agir lentamente para evitar uma reação dos interesses instalados. O FMI fornecerá apoio para superar uma crise orçamental. Os baixos preços do petróleo irão agravar o golpe económico da covid-19, gerando um segundo ano consecutivo de recessão.

Arábia Saudita

Crescimento do PIB 2,0%

PIB per capita 20 520 $ (PPC: 46 150$)

Inflação 1,6%

Saldo orçamental (% PIB) -7,8

População 35,9 m

O rei enfermo, Salman bin Abdel-Aziz al-Saud, vai contar com o filho, Mohammad bin Salman al-Saud, o príncipe herdeiro, para lidar com as consequências da covid-19 e uma queda nos preços do petróleo. Por sua vez, o herdeiro preparar-se-á para a sua ascensão ao trono suprimindo membros rivais da família real. À medida que a pandemia se for esvaindo, ele revigorará a sua política de liberalização social combinada com um rígido controlo político.

Argélia

Crescimento do PIB 1,3%

PIB per capita 3710 $ (PPC: 10 870$)

Inflação 2,2%

Saldo orçamental (% PIB) 12,5

População 44,5 m

Os protestos públicos vão reaparecer à medida que a emergência de saúde for diminuindo, refletindo a frustração com o regime com a sua incapacidade em resolver as queixas que forçaram o autocrata de longa data Abdelaziz Bouteflika a renunciar em 2019. A constituição reformulada, que deve ser aprovada por referendo no final de 2020, faz pouco para diluir a aliança comercial, militar e política que exerce o poder. A economia vai definhar depois de uma recessão profunda em 2020.

Camarões

Crescimento do PIB 2,5%

PIB per capita 1500 $ (PPC: 3670 $)

Inflação 2,7%

Saldo orçamental (% PIB) -5,0

População 27,2 m

Um crescente movimento separatista armado no ocidente anglófono ameaçará a estabilidade, agravando o descontentamento com o presidente Paul Biya, que já vai nos sete mandatos, pela sua resposta e pelos ataques do Boko Haram, um grupo militante islâmico, no extremo norte. A economia vai recuperar da sua queda pandémica à medida que o gás natural começar a fluir através de um novo terminal offshore no porto de Kribi. Serão retomados os projetos de infraestruturas atrasados.

Egito

Crescimento do PIB 2,3%

PIB per capita 3710 $ (PPC: 12 380 $)

Inflação 5,1%

Saldo orçamental (% PIB) -10,6

População 102,8 m

O presidente, Abdel Fattah el-Sisi, concentrar-se-á em recuperar a economia da sua depressão viral. Tem muito tempo: uma reforma constitucional permite-lhe governar até 2030, enquanto se aguarda a reeleição em 2024, e com maioria legislativa e pouca oposição, provavelmente fá-lo-á. Um orçamento pós-covid mais apertado trará protestos, mas o regime está bem protegido pelo apoio das forças armadas.

Etiópia

Crescimento do PIB 3,1%

PIB per capita 900 $ (PPC: 2250$)

Inflação 19,3%

Saldo orçamental (% PIB) -6,0

População 117,9 m

O risco de guerra civil aumentará depois de o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, ter enviado o exército para região de Tigray, no norte, para reprimir a oposição. Eleições legislativas atrasadas provavelmente ocorrerão no início de 2021, reforçando a maioria mantida pelo Partido da Prosperidade no poder. A liberalização económica ficará em segundo plano enquanto o governo tenta restaurar as suas credenciais de alto crescimento, atrofiado por duas pragas - covid-19 e gafanhotos.

Irão

Crescimento do PIB 2,0%

PIB per capita 6150 $ (PPC: 11 510 $)

Inflação 21,3%

Saldo orçamental (% PIB) -6,7

População 85,0 m

A pandemia foi um golpe adicional para uma economia já atacada por sanções ocidentais, a oposição implacável dos Estados Unidos e uma queda acentuada nos preços do petróleo - tudo isso aponta para a vitória de alguém da linha dura nas eleições presidenciais de junho. A resposta lenta à covid-19 vai atiçar a ira pública e uma crise humanitária num sistema de saúde já enfraquecido. Após uma profunda recessão em 2020, uma forte recuperação na China impulsionará a economia do Irão.

Iraque

Crescimento do PIB 0,7%

PIB per capita 4450 $ (PPC: 10 070 $)

Inflação 1,9%

Saldo orçamental (% PIB) -13,2

População 41,2 m

Os mercados de petróleo levarão tempo a recuperar da redução da procura global causada pela pandemia, e a economia dependente do petróleo do Iraque estagnará após uma profunda recessão. O primeiro-ministro de transição, Mustafa al-Kadhimi, tentará recuperar a economia e enfrentar os profundos desafios de governação do país, mas apenas se garantir o cargo de forma permanente nas eleições convocadas para junho.

Israel

Crescimento do PIB 2,5%

PIB per capita 42 390 $ (PPC: 40 320$)

Inflação 0,2%

Saldo orçamental (% PIB) -8,6

População 9,4 m

Um governo de unidade formado face à pandemia emergente previa que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, entregasse o poder a Benny Gantz, do partido de centro-direita Azul e Branco, em outubro. Mas a coligação nunca foi estável e já foram convocadas eleições antecipadas para 23 de março. As medidas de apoio orçamental serão retiradas ao longo do ano e o desemprego aumentará, prejudicando a recuperação.

A ver: O julgamento de Netanyahu por acusações de corrupção começará a sério em janeiro. Ele pode ser substituído como líder do Likud independentemente do veredicto.

Jordânia

Crescimento do PIB 2,1%

PIB per capita 3690 $ (PPC: 8420$)

Inflação 0,9%

Saldo orçamental (% PIB) -12,3

População 11,6 m

O descontentamento público aumentará com a queda do nível de vida, o aumento do desemprego e a austeridade pós-pandemia. O vírus limitará o apoio financeiro do Ocidente e trará de volta para casa trabalhadores expatriados de países vizinhos em dificuldades económicas, aumentando as tensões sociais. Haverá protestos, mas o rei Abdullah II permanecerá seguro. A fragilidade das finanças públicas, ainda mais enfraquecidas pela resposta à pandemia, travará a recuperação.

Líbano

Crescimento do PIB 1,1%

PIB per capita 9440 $ (PPC: 12 620$)

Inflação 98,8%

Saldo orçamental (% PIB) -7,7

População 6,8 m

Em nenhum lugar a vulnerabilidade à catástrofe é mais evidente do que no Líbano, onde até mesmo a covid-19 foi eclipsada por uma explosão de fertilizantes em agosto de 2020 que destruiu o porto de Beirute e derrubou o governo. O primeiro-ministro de transição, Mustafa Adib, renunciou quando não conseguiu formar um governo; Saad Hariri assumiu. Um colapso económico total não pode ser descartado. Um pacote de resgate do FMI é possível se puder ser formado um novo governo.

Líbia

Crescimento do PIB 20,9%

PIB per capita 4230 $ (PPC: 10 970$)

Inflação 7,7%

Saldo orçamental (% PIB) -2,6

População 7,0 m

Uma guerra por procuração alimentada por apoiantes internacionais em busca de influência regional está a colocar o autoproclamado Exército Nacional da Líbia (LNA) contra o Governo de Acordo Nacional reconhecido pelas Nações Unidas. Um processo de normalização política patrocinado pela ONU permanecerá suspenso até que um cessar-fogo seja negociado. A pandemia agravou um bloqueio devastador das exportações de petróleo do país pelo LNA, e a economia vai recuperar apenas parcialmente.

Marrocos

Crescimento do PIB 1,6%

PIB per capita 3180 $ (PPC: 7700$)

Inflação 0,8%

Saldo orçamental (% PIB) -8,2

População 37,3 m

O crescimento será retomado depois de a covid-19 e a seca terem arruinado a economia, embora o desemprego persistente e as desigualdades regionais alimentem o descontentamento. Isso, e as divisões dentro do Partido da Justiça e Desenvolvimento, no governo, prejudicarão este último, mas ele manterá a sua autoridade sob o rei Mohammed VI. Espera-se uma recuperação económica morna.

Nigéria

Crescimento do PIB 1,0%

PIB per capita 2090 $ (PPC: 5050$)

Inflação 16,8%

Saldo orçamental (% PIB) -3,1

População 211,4 m

A principal tarefa do presidente, Muhammadu Buhari, será lidar com o declínio da economia causado pela pandemia e a queda nos preços do petróleo. Mas ele também terá de enfrentar uma insurgência islâmica no nordeste, o separatismo no sul e os protestos antipolícia que eclodiram no final de 2020. A crise vai impulsionar as conversas sobre reformas favoráveis ao mercado, mas a determinação do governo em as implementar desaparecerá à medida que a economia recuperar.

Quénia

Crescimento do PIB 2,0%

PIB per capita 1790 $ (PPC: 4460$)

Inflação 6,0%

Saldo orçamental (% PIB) -9,0

População 55,0 m

Uma resposta eficaz à covid-19 aumentará o apoio ao presidente Uhuru Kenyatta. As tensões dentro e entre os dois principais partidos tornar-se-ão mais intensas à medida que o governo entra no seu último ano, e uma divisão no Partido do Jubileu de Kenyatta está em curso, enquanto apoiantes do seu número dois, William Ruto, procuram uma plataforma. O financiamento internacional de emergência ajudará a revitalizar a economia.

A ver: Construindo pontes. A base mais forte de Kenyatta permitirá que ele procure uma revisão da constituição discutida com a oposição, incluindo uma diluição dos poderes executivos.

Síria

Crescimento do PIB -1,7%

PIB per capita 1400 $ (PPC: 3780$)

Inflação 54,5%

Saldo orçamental (% PIB) -6,9

População 16,3 m

A recessão provocada pela pandemia persistirá numa economia devastada pela guerra, sanções internacionais e a explosão em Beirute, uma importante rota de importação regional. Os protestos aumentarão à medida que as dificuldades económicas se forem sentindo, mas o regime do presidente, Bashar al-Assad, tem os recursos e a influência política para se manter seguro. Uma eleição presidencial pró-forma ocorrerá em abril ou maio.

Zimbabwe

Crescimento do PIB 0,4%

PIB per capita 1390 $ (PPC: 2480$)

Inflação 223%

Saldo orçamental (% PIB) -6,65

População 15,1 m

Conflitos sociais, dificuldades económicas e instabilidade política eram o melhor que o país poderia esperar antes de a covid-19 atacar. No seu rasto, o governo do presidente, Emmerson Mnangagwa, enfrentará protestos populares crescentes. Mnangagwa afastará opositores e rivais e manterá o poder, enquanto tiver apoio militar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG