NATO

Bernardo Pires de Lima

O debate vital

É bom que comecemos a alinhar expectativas. O desanuviamento diplomático proposto por Joe Biden é bem acolhido na Europa, mas ninguém está disponível para agir como se os últimos quatro anos não tivessem existido. Alemanha à cabeça. A recente sondagem do ECFR, feita a 15 mil europeus em 11 Estados, Portugal inclusive, coloca os alemães com a sensibilidade à flor da pele: a desconfiança com os EUA aumentou, será inevitável a predominância da China, o sistema político americano partiu-se, cresceu a vontade em autonomizar estratégias. Ou, como é mais comum dizer-se no léxico da comunidade alemã que faz e conduz a política externa, reforçou-se a ideia da "soberania europeia".

Leonídio Paulo Ferreira

Será que Biden conhece o abade Correia da Serra?

Desde os Açores alojarem o mais antigo consulado americano em funcionamento até Portugal nunca ter estado em guerra com os Estados Unidos (ao contrário do Reino Unido, da Espanha, da Alemanha e até da França com a quase-guerre de 1798-1800), passando pelo brinde com vinho Madeira feito pelos signatários da Declaração de Independência de 1776, não faltam laços entre os dois países. E daí a expectativa com a presidência de Joe Biden, que se inicia sob o signo do regresso do multilateralismo, o que do ponto de vista português significa mais proximidade entre os dois lados do Atlântico, e logo num momento em que Portugal preside a UE, e também maior coesão na NATO, aliança em que os dois países estão desde a fundação.