Durante o encontro desta quinta-feira, 14 de maio, em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping advertiu o homólogo norte‑americano, Donald Trump, de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, segundo a televisão estatal chinesa."A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino‑norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter‑se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar‑se, podendo mesmo entrar em conflito", declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.Os dois líderes encerraram a reunião após duas horas de conversações que abordaram Taiwan, comércio e outras divergências entre as duas potências.A reunião, que teve a duração de aproximadamente duas horas e quinze minutos, foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim.Donald Trump chegou na quarta-feira a Pequim para iniciar dois dias de conversações com o presidente chinês.Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes têm agendada uma visita conjunta ao Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa.Xi vai oferecer esta noite um banquete em homenagem a Trump. Na sexta-feira, os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos.O líder norte-americano foi recebido de manhã por Xi Jinping no Grande Salão do Povo, edifício na Praça Tiananmen que acolhe a Assembleia Nacional Popular, o parlamento do país.."Devemos ser parceiros, não rivais", diz presidente chinês. Trump promete a Xi "futuro fabuloso" entre EUA e China.O presidente chinês, Xi Jinping, declarou estar feliz por receber o homólogo norte‑americano, Donald Trump, e afirmou que os dois países devem ser "parceiros, não rivais", apesar das múltiplas divergências."A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar‑nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto," disse Xi a Trump.O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra "numa encruzilhada", realçando ser necessário "uma nova via" de "boa convivência entre grandes potências nesta nova era".Por seu lado, Trump prometeu a Xi um "futuro fabuloso" entre os Estados Unidos e a China, no início de uma cimeira entre as duas potências marcada por múltiplos desacordos e tensões globais."É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump..China "continuará a abrir‑se cada vez mais" ao mundo, promete Xi Jinping.O presidente chinês Xi Jinping prometeu à delegação de empresários que acompanhou o líder norte‑americano Donald Trump que a China "continuará a abrir‑se cada vez mais" ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa."As empresas norte‑americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir‑se cada vez mais", afirmou Xi, citado pela agência de notícias oficial Xinhua.O líder chinês elogiou ainda o reforço na "cooperação mutuamente benéfica" entre os dois países e disse estar convicto de que as "empresas norte‑americanas terão perspectivas ainda melhores na China"..Executivos de grandes empresas acompanham Trump na viagem à China.Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o presidente dos Estados Unidos na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais.Nas imagens difundidas pela televisão estatal chinesa CCTV, vê‑se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado. . De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do setor empresarial norte‑americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de "segundo nível", o que, assegurou, refletia o respeito das companhias para com a China e Xi.Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício — coração do poder político chinês, situado junto à Praça Tiananmen — para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital."Maravilhoso, muitas coisas boas", disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões "correram bem" e que "Xi e o presidente Trump foram incríveis", enquanto Tim Cook limitou‑se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação.A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o caráter económico e comercial da visita, na qual também estão em cima da mesa a guerra no Irão e a questão de Taiwan.Antes do encontro entre os dois líderes, antecipou-se que o Irão, o comércio bilateral, Taiwan e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo, estariam em discussão.A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte‑americano de 11 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros) aprovado para a ilha..Para Xi, Taiwan está no centro das discussões na cimeira com Trump. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha.Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é "tão firme como uma rocha" e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável.Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o "bem mais precioso" de Taiwan e que o povo taiwanês "sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede"."O povo taiwanês nunca recuou perante os crescentes desafios externos e nunca se submeterá à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente (...). Nenhuma tentativa de isolar Taiwan alterará a nossa determinação em participar na comunidade internacional", sublinhou ainda o líder da ilha, numa mensagem em vídeo.Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um ator central no contexto das disputas entre as Pequim e Taipé, sendo que Washington está legalmente comprometida a fornecer a Taiwan os meios necessários para a sua autodefesa e, embora não mantenha laços diplomáticos com a ilha, poderia defendê-la em caso de conflito com a China..Trump recebido com pompa na China para cimeira com Xi Jinping .O que os EUA pretendem alcançar com a viagem de Trump a Pequim?.A Casa Branca insiste que a viagem de Donald Trump a Pequim visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte‑americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos.Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações.A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global.Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas.A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita.Na delegação que acompanha Trump estão, entre outros, o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk.Xi tem uma visita recíproca planeada para o final deste ano, que seria a sua primeira visita aos Estados Unidos desde que Trump reassumiu o cargo em 2025..China diz-se pronta para "esmagar" qualquer tentativa de independência de Taiwan.Cimeira de Xi e Trump vai ser um sucesso, ainda que possa não sê-lo