"A guerra da Rússia contra a Ucrânia está a alargar-se ao flanco oriental da NATO e da União Europeia, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.
"A guerra da Rússia contra a Ucrânia está a alargar-se ao flanco oriental da NATO e da União Europeia, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.FOTO:EPA/OLIVIER MATTHYS

Drone despenha-se na Lituânia após desencadear alerta aéreo que acionou caças da NATO. Ucrânia pede desculpa

Primeiro-ministro lituano falou num eventual ato de sabotagem. Noutro incidente, a envolver fogo posto e equipamento Starlink, apontou o dedo aos russos.
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Um drone provocou um alerta aéreo na Lituânia e na Letónia, levando à descolagem de caças da NATO, na madrugada deste domingo (18 de outubro), e acabou por se despenhar perto de Pasvalys, no norte da Lituânia, junto à fronteira com a Letónia. A Ucrânia já pediu desculpas.

"A guerra da Rússia contra a Ucrânia está a alargar-se ao flanco oriental da NATO e da União Europeia", escreveu o presidente lituano, Gitanas Nauseda, na rede social X, sem detalhar a origem do drone.

Mas Kiev já veio informar que será um dos seus. "Lamentamos o incidente ocorrido esta manhã no espaço aéreo lituano, que pode ter resultado de uma operação de guerra eletrónica russa que desviou drones durante uma operação contra alvos militares legítimos na Rússia", indicou o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Heorhii Tykhyi, numa mensagem no X.

"A guerra da Rússia contra a Ucrânia está a alargar-se ao flanco oriental da NATO e da União Europeia, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.
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"Pedimos desculpa por qualquer transtorno, risco ou preocupação que isto possa ter causado", acrescentou, dizendo que a Ucrânia está empenhada em partilhar todas as informações relevantes com os parceiros lituanos para esclarecer as circunstâncias do incidente. "Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração para evitar incidentes semelhantes no futuro", disse.

A radiotelevisão pública lituana, LRT, informou que o drone terá entrado no espaço aéreo da Lituânia provavelmente a partir da Polónia, a sul.

Após receber informações sobre o som de uma explosão em Pasvalys, a Polícia Militar lituana realizou uma inspeção do território e encontrou fragmentos dos destroços na localidade de Juodžionys, no distrito de Pasvalys.

O ministro da Defesa, Robertas Kaunas, afirmou que o objeto foi detetado pelos radares lituanos por volta das 03h00 GMT (04h00 em Lisboa) e que foi ativada a missão de defesa aérea da NATO, que fez descolar caças da base de Šiauliai para o identificar.

"Infelizmente, devido às condições meteorológicas, não foi possível estabelecer contacto visual", explicou.

O primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevičius, afirmou que deveria ser avaliada a possibilidade de um ato de sabotagem, segundo a LRT -- indo ao encontro da possibilidade levantada também pelos ucranianos.

O chefe do Governo lituano convocou uma reunião da Comissão de Segurança Nacional para segunda-feira (19 de outubro), com o objetivo de investigar de onde provinha o drone e em que ponto começou a ser detetado pelos radares.

As mensagens de alerta enviadas para os telemóveis em zonas de ambos os países instavam os residentes a refugiarem-se e a procurarem um local onde houvesse, pelo menos, duas paredes entre eles e o exterior.

Os alertas foram desativados em ambos os países pouco depois das 05h00 GMT (06h00 em Lisboa).

O alerta relativo ao drone e a sua subsequente queda constituíram o primeiro incidente grave desde que os caças da NATO abateram um drone russo perdido sobre a Lituânia, a 15 de setembro.

A 14 de agosto, um caça da NATO abateu também um drone ucraniano perdido sobre a Letónia.

Lituânia acusa Moscovo de tentativa de sabotagem contra equipamentos da Starlink

O primeiro-ministro da Lituânia responsabilizou este domingo (18 de outubro) a Rússia de uma tentativa de fogo posto contra uma empresa lituana que alberga equipamento de comunicação por satélite da Starlink.

O incidente ocorreu na madrugada de domingo cerca das 02h00 locais (23h00 de sábado em Lisboa), tendo sido encontrados líquidos inflamáveis nas instalações da empresa, que acolhe antenas de satélite e uma unidade de controlo, explicou Mindaugas Sinkevicius, em declarações à televisão pública LRT.

Segundo o chefe do governo, a empresa dispõe de "nove antenas de satélite para garantir a ligação Starlink, o que naturalmente apoia e ajuda a Ucrânia".

A localização da empresa não foi divulgada publicamente.

"Tratou-se claramente de uma tentativa de ato de sabotagem ou de diversão, uma vez que observamos ações semelhantes a repetirem-se por toda a Europa. É evidente que (...) isto faz parte da guerra híbrida movida pela Rússia, que envolve atos de sabotagem", afirmou Mindaugas Sinkevicius.

"Saberemos mais sobre quem deu a ordem, como aconteceu e quem a transmitiu. É provável que o autor moral já tenha sido identificado à partida: trata-se da parte russa", acrescentou.

Em setembro, uma estação de satélite da Starlink localizada no centro da Polónia foi incendiada, tendo Varsóvia afirmado tratar-se de um "ato de sabotagem" deliberado.

Na Bulgária, está a decorrer um inquérito, segundo o primeiro-ministro, Rumen Radev, de um deputado da oposição ter denunciado antenas de telecomunicações ligadas à rede de satélites Starlink incendiadas.

O exército ucraniano depende das comunicações Starlink no combate à invasão russa.

Washington terá reduzido, no início do mês, a largura de banda da versão militar da rede Starlink na Ucrânia, gerando críticas na Europa e em Kiev.

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