Incêndio em terminal petrolífero de São Petersburgo após um dos maiores ataques com drones de toda a guerra
O exército ucraniano lançou, na madrgada deste domingo, 18 de outubro, contra São Petersburgo e a região adjacente de Leninegrado, um dos maiores ataques com drones de toda a guerra. O ataque provocou um incêndio num terminal petrolífero em São Petersburgo e teve como alvo um centro de dados nos arredores da cidade. Fez ainda um morto e cinco feridos.
Ao longo da noite, a defesa antiaérea russa abateu 126 drones na região, segundo informou o governador regional Alexandre Drozdenko na plataforma de mensagens Telegram. Mas, no total, abateram um total de 1.015 drones ucranianos nos céus de 15 regiões da parte europeia do país, anunciou Moscovo.
Na cidade, o ataque ucraniano provocou incêndios em "infraestruturas civis" de três bairros, bem como "no território do terminal petrolífero de São Petersburgo", precisou o governador da cidade, Alexandre Beglov. "Por razões de segurança, a atividade do aeroporto de Pulkovo foi restringida", acrescentou. No total, de acordo com as primeiras estimativas, cerca de 20 mil pessoas ficaram sem energia elétrica numa cidade com mais de 5 milhões de habitantes.
A rede social russa VK referiu, em comunicado, um ataque com drones a um centro de dados na região de Leninegrado, garantindo que os serviços que oferece continuavam a funcionar com normalidade.
Às margens do mar Báltico, São Petersburgo e a região albergam importantes infraestruturas petrolíferas essenciais para o comércio de hidrocarbonetos, um setor particularmente visado pela Ucrânia nos últimos meses, em retaliação aos bombardeamentos russos.
Em junho, o terminal petrolífero de São Petersburgo já tinha sido atacado por drones ucranianos no dia da abertura de um fórum económico que reuniu numerosos responsáveis russos e estrangeiros.
Além disso, desde o início de outubro que o exército de Kiev tem atacado vários centros de dados, pertencentes, em particular, à gigante tecnológica Yandex.
O presidente norte-americano Donald Trump instou Kiev a cessar os ataques contra as refinarias russas que, segundo disse, contribuem para o aumento dos preços do petróleo e dos combustíveis nas bombas. Depois anunciou um acordo com Vladimir Putin para fornecer de forma imediata 300.000 toneladas de gasóleo russo ao mercado norte-americano e mundial.
No domingo passado, Trump anunciou unilateralmente uma trégua energética entre Moscovo e Kiev. Mas, após ter suspendido as operações durante alguns dias, a Ucrânia anunciou na quinta-feira que retomaria os ataques contra refinarias, acusando a Rússia de nunca ter cessado as ofensivas. Este domingo, o presidente ucraniano escreveu nas redes sociais que, desde que o presidente norte-americano anunciou o cessar-fogo energético, a Rússia atacou deliberadamente os setores da energia, petróleo e gás da Ucrânia por 76 vezes".
Donald Trump classificou esta retoma como uma vergonha, afirmando na altura que era "mais difícil" trabalhar com Volodymyr Zelensky do que com Vladimir Putin.
Já na sexta-feira, o presidente norte-americano assinou um decreto presidencial que suspende um novo e abrangente pacote de sanções dirigido à economia russa, afirmando ao Congresso que a suspensão é do interesse nacional. Para o Kremlin esta decisão represnetou "um momento histórico" para a relação enre os dois países. Para o presidente ucraniano representa uma “recompensa" e "incentiva” a política de Moscovo contra Kiev.
Na manha deste domingo, Zelensky disse que durante a noite ocorreram ataques a subestações elétricas e também a edifícios residenciais, fazendo dois mortos e 12 feridos, incluindo duas crianças.
Acusando Moscovo de querer provocar um apagão, Zelensky defendeu que "os Estados Unidos deveriam perceber que a Rússia não está a tomar quaisquer medidas recíprocas em resposta ao alívio das sanções ou aos acordos". "Pelo contrário, interpretam cada sinal de oportunidade de lucro como prova de que a sua aposta na guerra está a resultar e que podem continuar a lutar", afirmou.

