Zelensky esteve em Bruxelas na sexta-feira, reunido com os líderes europeus
Zelensky esteve em Bruxelas na sexta-feira, reunido com os líderes europeusOLIVIER MATTHYS/EPA

Zelensky acusa Trump de recompensar Putin e teme novas cedências à Rússia

Presidente ucraniano receia que a suspensão, por Trump, das sanções norte-americanas abra caminho a mais concessões a Moscovo. Kremlin classificou a decisão como um “momento histórico”.
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Volodymyr Zelensky não escondeu a indignação com a decisão de Donald Trump de suspender novas sanções contra a Rússia, aprovadas pelo Congresso norte-americano no mês passado. Para o presidente ucraniano, o alívio da pressão económica sobre Moscovo não só compromete os esforços para pôr fim à guerra como encoraja Vladimir Putin a prosseguir a ofensiva militar.

 “A suspensão das sanções norte-americanas, o alívio da pressão sobre o agressor, as recompensas financeiras para Putin - tudo isto não faz mais do que encorajá-lo a continuar a atacar”, escreveu Zelensky nas redes sociais, este sábado (17 de outubro).

Em declarações aos jornalistas, depois de regressar de Bruxelas, onde participou no Conselho Europeu de sexta-feira, o chefe de Estado ucraniano já tinha manifestando o receio de que a decisão seja apenas o início de uma mudança mais ampla na política de Washington. “Lamentavelmente, o levantamento das sanções vai continuar. Acredito que o acordo sobre o gasóleo [anunciado por Trump na semana passada] é o primeiro passo”, afirmou, num lamento que expressou também nas redes sociais.

 “Não se pode deter Putin desta forma”, acrescentou, considerando que o presidente russo “sente alegria e satisfação ao ver que conta com esse apoio”.

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A aproximação de Trump a Putin

O momento é particularmente delicado para Kiev. Com Trump a virar declaradamente as costas a Zelensky e às necessidades ucranianas – inclusive reduzindo o auxílio da rede satélite Starlink, de Elon Musk, à inteligência ucraniana - a Rússia lançou na sexta-feira (16) um dos maiores ataques recentes contra o setor energético ucraniano, atingindo mais de 15 instalações de produção e transporte de eletricidade, depois de Moscovo ter ignorado a trégua energética anunciada por Trump, e que a Ucrânia respeitou durante três dias.

Agora, a decisão do presidente norte-americano de assinar uma ordem executiva para suspender a aplicação de novas sanções à Rússia segue-se a uma sucessão de sinais de aproximação da administração Trump a Moscovo. Como aconteceu, sobretudo, com o anúncio de um acordo com Putin para disponibilizar gasóleo russo aos mercados internacionais, numa tentativa de aliviar os preços dos combustíveis, que dispararam desde o início da guerra com o Irão, e que têm causado também contestação interna também às opções de Trump, com os republicanos em dificuldades nas sondagens para as próximas eleições intercalares de novembro.

Essa foi também uma das razões para o presidente norte-americano ter voltado a questionar a liderança de Zelensky, a quem pedira para parar com os ataques às refinarias russas para não inflacionar os preços dos combustíveis mundiais. 

A lei Lindsey Graham, cuja aplicação foi agora suspensa por Trump, foi aprovada em setembro com amplo apoio bipartidário no congresso norte-americano e previa medidas destinadas a restringir as receitas russas, incluindo a possibilidade de aplicar tarifas aos produtos de países que compram petróleo e gás a Moscovo. A suspensão assinada por Trump representa assim um alívio económico para o Kremlin e, indiretamente, um financiamento da máquina de guerra russa.

Zelensky, que agradeceu aos congressistas que apoiaram a legislação, considera um erro a decisão de Trump. “Esta lei poderia ter sido de grande ajuda, e ainda pode sê-lo! Mas tem de ser realmente aplicada, e cada voz que se levante no seu apoio é importante”, escreveu. Este sábado, nas redes sociais, também fez questão de partilhar uma fotografia com o senador falecido, e a legenda: “Obrigado por tudo, Lindsey”.

Kremlin celebra decisão de Trump

 Em Washington, a decisão de Trump também provocou críticas, entre democratas e republicanos, reporta a NBC. O senador democrata Richard Blumenthal classificou-a como uma ação “covarde”, enquanto o republicano Thom Tillis questionou o incumprimento de uma lei aprovada por ampla maioria.

Em Moscovo, a reação foi naturalmente oposta. Kirill Dmitriev, conselheiro do Kremlin para a cooperação económica internacional, saudou a suspensão das sanções previstas na lei Graham como um “momento importante e verdadeiramente histórico”.

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