Relação Trump-Zelensky volta a aquecer após decisão de Kiev de atacar refinarias russas
Donald Trump e Volodymyr Zelensky voltaram a trocar farpas esta sexta-feira, 16 de outubro, refletindo a deterioração da relação entre os presidentes dos EUA e da Ucrânia nos últimos tempos.
Na noite de quinta-feira, após ter sido questionado numa entrevista ao canal norte-americano Newsmax sobre a decisão da Ucrânia voltar a atacar refinarias russas, Trump disse que "não é fã" do homólogo e que os ucranianos "destruíram o seu país".
"Zelensky não é uma boa pessoa com quem lidar", afirmou na entrevista, acrescentando que o líder da Ucrânia "não quer um acordo". "Diz que quer um acordo, mas não quer", disse ainda.
"Como sabem, Putin odeia Zelensky e Zelensky odeia Putin", acrescentou. "E quando existe esse tipo de ódio, é muito difícil chegar a um acordo", rematou.
Questionado numa conferência de imprensa à margem da reunião do Conselho Europeu em Bruxelas sobre os comentários de Trump, Zelensky disse esta sexta-feira que só está "a defender os interesses da Ucrânia".
"E por mais que a Rússia queira limitar todos os nossos direitos, é claro que temos o direito de nos defendermos", sublinhou, apontando que é Putin que "não procura negociações sob qualquer forma" e que todos os seus esforços de paz são uma "paródia" deles mesmos.
Segundo o The Guardian, Zelensky disse que não pode assim aceitar acordos com os EUA sobre o petróleo e o gasóleo russos, apontando um possivel efeito bola de neve quando às outras sanções que ainda estão impostas na economia russa.
"Se eu não me opuser a isto, se não o defender, quem mais o fará diplomaticamente?", perguntou de forma retórica o líder ucraniano.
Uma pergunta de um jornalista presente na sala de imprensa sobre se Zelensky estaria a ser usado como "bode expiatório" de Trump antes das eleições intercalares nos Estados Unidos, o presidente da Ucrânia não disse nada e, ao mesmo tempo, o seu silêncio valeu como resposta.
Olhando para baixo durante uns segundos, Zelensky levantou a cabeça e sorriu, dizendo apenas: "Esta é a minha resposta. Próxima questão".
À chegada ao edifício do Conselho Europeu, o Presidente ucraniano agradeceu também aos "verdadeiros líderes da União Europeia", ladeado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
"Estou muito grato por termos um apoio tão grande por parte dos líderes da UE, verdadeiros líderes", disse Volodymyr Zelensky. E António Costa, ao seu lado, deixou uma mensagem de que o apoio europeu "permanece tão forte quanto nunca".
Já Von der Leyen deixou um apoio direto à decisão de Zelensky, criticada pelo presidente dos EUA. "Apoiámos o cessar-fogo energético proposto por Trump, mas constatamos que a Rússia não o respeitou e, por isso, temos de aumentar a pressão", disse a responsável.
"Caro Volodymyr, pode contar connosco não só para o apoiarmos na guerra, mas, acima de tudo, no que diz respeito ao seu futuro como membro da UE", afirmou ainda Costa.

