Tensão alta no Báltico. Drone abatido na Lituânia, foguetes disparados contra helicóptero dinamarquês
Nos primeiros minutos desta terça-feira, os cidadãos lituanos residentes na capital Vilnius, bem como noutras cidades, receberam uma mensagem no telefone: "Possível drone detetado. Encontre um local seguro. Se vir algo suspeito não se aproxime." Mais tarde, no Facebook, o exército da Lituânia informou que a “ameaça foi neutralizada”. A publicação adiantava que o "drone identificado foi abatido a partir da base aérea em Siauliai por aliados de Itália”. Mais um incidente vindo de leste, desta vez horas depois de a Alemanha ter anunciado o envio de mil soldados para a Lituânia, como parte do reforço de segurança do flanco oriental da NATO.
Segundo o diretor do Centro Nacional de Gestão de Crises (NKVC) Vilmantas Vitkauskas, o drone entrou no sul da Lituânia oriundo da Bielorrússia, e seguiu em direção ao centro do país. Confirmou também que o drone destruído caiu numa zona rural perto do lago Kaunas, perto da central hidroelétrica de Kruonis. Desconhece-se o tipo de aeronave não tripulada em questão.
O presidente lituano agradeceu aos parceiros da Aliança Atlântica pela resposta pronta. "Com a Rússia a intensificar a sua agressão contra a Ucrânia, essa prontidão é vital para a nossa região", escreveu Gitanas Nauseda no X. Este é mais um incidente com drones a entrarem em espaço aéreo lituano. Num deles, em maio, o próprio Nauseda foi levado para um bunker enquanto aviões de caça saíram para intercetar o drone.
Em meados de julho, Nauseda disse que a Rússia poderia estar a planear ataques a infraestruturas críticas nos estados bálticos ou na Polónia, baseando-se em relatórios dos serviços de informações.
O abate do drone acontece horas depois de o tabloide alemão Bild ter noticiado que, face ao baixo número de voluntários, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, vai mobilizar cerca de mil soldados para a Lituânia durante o outono. No ano passado, a Alemanha assumiu a responsabilidade de constituir uma brigada com 4800 militares até ao final de 2027 naquele país báltico. A 45.ª Brigada Panzer opera tanques e drones e tem como objetivo dissuadir qualquer tipo de ameaça russa.
Se necessário fosse mais uma prova das ações cada vez mais imprudentes por parte da Rússia, a Dinamarca acusou a Marinha russa de ter disparado dois foguetes sinalizadores contra um helicóptero militar seu. Em comunicado, as forças armadas dinamarquesas disseram que, na segunda-feira, um dos seu helicópteros Fennec foi "alvo de disparos com foguetes sinalizadores durante uma operação fotográfica de rotina de uma fragata russa, que se encontrava em águas internacionais junto a Gedser", a cidade mais a sul da Dinamarca. Acrescentou que um dos foguetes "passou a curta distância" da aeronave.
A primeira-ministra Mette Frederiksen qualificou o sucedido de "uma ação imprudente da Rússia". No X, escreveu: "As ações da Rússia pretendem intimidar e dividir. Não vão conseguir. Não vamos ceder." Já o ministro dos Negócios Estrangeiros Lars Lokke Rasmussen considerou que "a Rússia está gradualmente a alterar os limites do que considera comportamento aceitável", algo que Copenhaga não vai aceitar.O ministro disse ter chamado o embaixador russo ao Ministério para pedir explicações. Mas o diplomata, Vladimir Barbin, já se adiantou: numa declaração à AFP culpou a Força Aérea dinamarquesa por praticar "manobras perigosas" junto dos navios de guerra russos.

