Suspeito de tentar assassinar Trump tirou 'selfie' armado antes do tiroteio em Washington
Memorando do gabinete de Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia

Suspeito de tentar assassinar Trump tirou 'selfie' armado antes do tiroteio em Washington

Procuradora distrital dos EUA defende que Cole Tomas Allen, suspeito do tiroteio no Jantar de Correspondentes da Casa Branca, deve permanecer detido até ao julgamento.
Publicado a
Atualizado a

A olhar para o espelho e armado. É assim que Cole Tomas Allen, aparece na selfie que terá tirado momentos antes do tiroteio no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, em Washington. Suspeito de tentar matar o presidente dos EUA, o californiano, de 31 anos, terá tirado a fotografia no seu quarto, cerca de meia hora antes de ter sido intercetado pelos Serviços Secretos no hotel Washington Hilton, junto ao salão onde decorria o evento.

A imagem foi divulgada esta quarta-feira, 29 de abril, pelo gabinete de Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, num memorando enviado ao tribunal, no qual é pedido que o arguido se mantenha detido até ao julgamento. Cole Allen enfrenta a acusação de tentativa de assassinato do presidente republicano e acusações relacionadas com posse de armas.

O documento, divulgado pelos media norte-americanos, como a CBS News, refere que o suspeito "viajou pelo país com o objetivo explícito de matar o presidente dos Estados Unidos".

"O arguido, armado com uma espingarda caçadeira calibre 12, uma pistola calibre .38, duas facas, quatro punhais e munições suficientes para ceifar dezenas de vidas, foi detido por agentes dos Serviços Secretos dos EUA a poucos metros do salão de baile onde se encontrava o seu principal alvo [Donald Trump]", juntamente com outros membros da administração, refere o documento.

Para os procuradores, "este foi um ataque planeado de insondável malícia que pôs em risco a vida de centenas de pessoas". "Foi, na sua essência, um ato antidemocrático de violência política", resumem.

"Semanas de premeditação e planeamento"

"A prisão preventiva justifica-se com base na natureza extremamente grave e altamente premeditada dos crimes do arguido, nas provas esmagadoras da sua culpabilidade", defendem, indicando que "a escolha dos alvos pelo arguido demonstra a natureza profundamente perigosa da sua conduta". "A tentativa de homicídio é sempre um crime grave, mas quando a vítima pretendida é o presidente dos Estados Unidos, bem como outros membros de alto nível do governo americano, as potenciais consequências são de grande alcance", consideram os procuradores.

Estes indicam ainda no documento que o suspeito teve "semanas de premeditação e planeamento". "A partir da sua casa nos arredores de Los Angeles, Califórnia, o arguido escolheu o jantar no Washington Hilton como o evento onde tentaria matar o presidente e reservou um quarto no Washington Hilton algumas semanas antes do evento".

A acusação refere que a 6 de abril Allen procurou informações sobre a iniciativa - "utilizou o seu telemóvel para pesquisar 'jantar dos correspondentes da Casa Branca" -, tendo depois reservado por duas noites um quarto no Washington Hilton para o fim de semana do evento. Acedeu a uma série de artigos online, entre os quais o programa do jantar.

É referido no documento que Allen transportou depois "um verdadeiro arsenal pelo país, da Califórnia a Washington, D.C., de comboio".

O dia do tiroteio

No dia do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, a 25 de abril, indicam os procuradores, o arguido saiu do seu quarto no Washington Hilton várias vezes.

"Por volta das 20h03, já de regresso ao quarto de hotel, o arguido utilizou o seu telemóvel para tirar uma fotografia de si mesmo ao espelho", lê-se no documento. Na imagem (que reproduzimos no topo desta página) aparece armado.

Antes do tiroteio, terá consultado online vários vídeos dos media que estavam a acompanhar a chegada do presidente ao evento. Os procuradores referiram que o suspeito terá programado o envio de emails a explicar as razões das suas ações, tendo como destinatários familiares, amigos e um antigo patrão.

"Pouco depois das 20h30, o arguido aproximou-se de um posto de segurança dos Serviços Secretos dos EUA localizado no terraço do hotel", um piso acima do salão onde se encontrava Donald Trump, os membros da sua administração e elementos da comunicação social.

Antes de se aproximar do posto de segurança, já no piso do salão, "o arguido descartou um casaco preto comprido que escondia uma espingarda de calibre 12". "Correu então por um dos detetores de metais do posto de segurança" e depois na direção das escadas que conduziam ao salão, "enquanto segurava a espingarda com as duas mãos, numa posição elevada e paralela ao chão". O momento foi registado em vídeo, entretanto divulgado.

Um agente dos Serviços Secretos observou o suspeito a "disparar a espingarda na direção da escada que conduzia ao salão" ao que ripostou, disparando "cinco vezes" contra Allen, que "sofreu um ferimento ligeiro no joelho, mas não foi baleado", indicam os procuradores.

Suspeito de tentar assassinar Trump tirou 'selfie' armado antes do tiroteio em Washington
Vídeo mostra atirador a correr pelo meio dos seguranças
Suspeito de tentar assassinar Trump tirou 'selfie' armado antes do tiroteio em Washington
Quem é Cole Tomas Allen, suspeito do tiroteio em Washington?
Suspeito de tentar assassinar Trump tirou 'selfie' armado antes do tiroteio em Washington
Trump diz que atirador é "um louco". Presidente retirado do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca
Diário de Notícias
www.dn.pt