Os convidados do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca estavam a terminar o primeiro prato quando se ouviram tiros no hotel de Washington onde decorria o evento. Os agentes do Secret Service apressaram-se a retirar o presidente Donald Trump do local, onde devia discursar mais tarde. O suspeito foi mais tarde identificado como Cole Thomas Allen, de 31 anos, originário de Torrance na Califórnia. Antes de ser detido, o homem atingiu a tiro um dos agentes de segurança, que usava colete à prova de bala e foi entretanto hospitalizado. Segundo Jeffery W Carroll, o chefe da polícia de Washington, o suspeito era hóspede no hotel onde decorria o jantar. Os motivos para o tiroteio não foram imediatamente identificados. Donald Trump partilhou na sua rede Truth Social uma imagem do momento em que o atirador é detido..Em declarações aos jornalistas pouco depois de ter sido retirado do local - onde se encontravam, além da primeira-dama Melania Trump, vários membros da Administração, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, ou o secretário da Defesa, Pete Hegseth -, Donald Trump, descreveu o suspeito como um "potencial assassino", que tinha várias armas."Esta não é a primeira vez nos últimos anos que a nossa República é atacada por um potencial assassino que procurava matar", disse o republicano, numa conferência de imprensa, realizada na Casa Branca. O presidente explicou que o homem estava na posse de várias armas, facas e armas de fogo, quando foi detido pelos Serviços Secretos, no exterior do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca.O Washington Post partilhou no Instagram um vídeo do momento em que o presidente é alertado de que algo se passa e é retirado do local..Trump lembrou que esta não é a primeira vez, nos últimos dois anos, que um republicano é alvo de um ataque por parte de um "aspirante a assassino". O presidente recordou as duas ocasiões em que alguém tentou assassiná-lo antes de ser reeleito, incluindo num comício em Butler, na Pensilvânia, onde foi atingido a tiro numa orelha, e noutra ocasião enquanto jogava golfe em Palm Beach, na Florida.Os Serviços Secretos retiraram os membros do Governo e a primeira-dama Melania Trump do salão onde se realizava o evento, que foi depois evacuado, e a associação acabou por adiar o jantar.O Secret Service disse que o atacante atingiu um membro das forças de segurança, que usava colete à prova de bala, e que o agente deverá recuperar sem sequelas."Foi baleado à queima-roupa com uma arma muito potente, e o colete fez o seu trabalho", referiu Donald Trump. O republicano descreveu o atirador, um residente no estado da Califórnia, como "um louco" e "uma pessoa com problemas graves", garantindo que agiu sozinho e chamando-lhe "lobo solitário".Antes da conferência de imprensa, Trump publicou na Truth Social um vídeo e imagens que mostram o suspeito a correr em direção a uma barricada de segurança enquanto agentes do Secret Service correm na direção do homem..Na mesma conferência de imprensa, a presidente da Câmara de Washington, Muriel Bowser, disse que o suspeito terá agido sozinho. "Não temos motivos para acreditar, neste momento, que mais alguém esteja envolvido", disse Bowser.Já Jeanine Pirro, a procuradora geral dos EUA para o Distrito de Columbia, onde fica a capital federal, disse que o suspeito foi acusado de posse ilegal de armas e agressão e que vai comparecer em tribunal na segunda-feira.Trump enquanto presidente sempre boicotou o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, com exceção deste ano. O jantar, que reúne centenas de jornalistas e executivos dos média, juntamente com convidados das esferas política e económica, realiza-se anualmente no final de abril e angaria fundos para bolsas de estudo e prémios.Este tiroteio teve lugar no mesmo hotel, o Washington Hilton, onde em 1981 o presidente Ronald Reagan foi alvejado por um atirador, tendo ficado ferido mas sobrevivido à tentativa de assassínio. Líderes mundiais condenam "violência políticaForam vários os líderes mundiais que reagiram ao tiroteio no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, condenando um episódio de "violência política" e mostrando-se aliviados por pelo facto de Donald Trump, os funcionários e os jornalistas terem saído ilesos,O primeiro-ministro canadiano Mark Carney, cujo governo se encontra em tensas negociações comerciais com os EUA, disse no X: "Sinto-me aliviado por saber que o presidente, a primeira-dama e todos os convidados estão bem, na sequência das notícias de tiros durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, esta noite, em Washington." E acrescentou: "A violência política não tem lugar em nenhuma democracia e os meus pensamentos estão com todos aqueles que ficaram abalados por este acontecimento perturbador."Também a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse ser "bom que o presidente Trump e a sua esposa estivessem bem após os recentes acontecimentos". "Enviamos-lhes o nosso respeito. A violência nunca deve ser o caminho", disse.O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, quanto a ele, disse também estar satisfeito por saber que todos os participantes estavam bem. "Aplaudimos o trabalho do Secret Service e das forças policiais pela sua ação rápida", afirmou em comunicado.Com Lusa