A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, visitou esta segunda-feira, 25 de maio, a Ucrânia, numa altura em que Kiev (e não só) tem mostrado preocupação sobre alegados planos da Rússia para envolver Minsk mais profundamente na guerra. “A retórica de Lukashenko está a mudar: estamos a preparar-nos para a guerra, claro, queremos a paz, mas estamos a armar-nos para a guerra. E isso, obviamente, é muito alarmante para as pessoas”, disse Tsikhanouskaya após uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha. Esta foi a primeira “visita de trabalho” de Tsikhanouskaya, que se apresenta como presidente eleita da Bielorrúsia, a Kiev, e teve lugar um dia após um ataque massivo da Rússia contra território ucraniano, que envolveu o uso do míssil hipersónico Oreshnik e teve como principal alvo a capital ucraniana. Volodymyr Zelensky tem vindo a alertar para um maior envolvimento da Bielorrússia na guerra iniciada pela Rússia, adiantando que Kiev irá reforçar as suas defesas no norte do país em preparação para uma possível nova ofensiva de Moscovo, incluindo a partir de território bielorrusso. Na semana passada, a participação de Minsk em exercícios nucleares táticos liderados pela Rússia aumentou as preocupações de Kiev.De recordar que a Bielorrússia serviu de plataforma de lançamento para a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, mas não enviou tropas para o campo de batalha. Por outro lado, o regime de Alexander Lukashenko tem funcionado como um apoio de Moscovo, nomeadamente através do fabrico de mantimentos militares numa área protegida de ataques de drones ucranianos e da transferência dos seus stocks de armamento da era soviética para a Rússia.Durante exercícios nucleares conjuntos com a Rússia, que Lukashenko e Vladimir Putin acompanharam por videoconferência, o bielorrusso rejeitou a possibilidade do seu país ser arrastado para a guerra na Ucrânia, mas deixou claro que Moscovo e Minsk se defenderiam conjuntamente em caso de agressão. “Quanto às declarações de [Zelensky] de que a Bielorrússia será arrastada para a guerra, como acabei de dizer, isso só ocorrerá num caso: se houver agressões no nosso território”.Segundo a agência de notícias bielorrussa BELTA, Lukashenko disse ainda estar pronto para se reunir com Zelensky, caso o ucraniano queira “ter uma discussão ou outra coisa, estamos abertos a isso. Qualquer lugar, Ucrânia, Bielorrússia, estou pronto para o encontrar e discutir os problemas nas nossas relações.”A preocupação sobre um potencial maior envolvimento de Minsk não se limita a Kiev. No domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, telefonou a Lukashenko para “enfatizar os riscos para a Bielorrússia caso o país se deixe arrastar para a guerra agressiva da Rússia contra a Ucrânia”, disse uma fonte próxima do Eliseu à AFP. Esta foi a primeira conversa telefónica entre os dois líderes desde o início do conflito e nela Macron disse ainda a Lukashenko para “tomar as medidas necessárias para melhorar as relações entre a Bielorrússia e a Europa.”Comentando esta conversa, Tsikhanouskaya descreveu-a como “um aviso” da Europa. “Se tomar qualquer medida para agravar a situação haverá uma resposta da nossa parte”, disse a líder da oposição bielorrussa, parafraseando o que acreditava ser a mensagem da Europa a Lukashenko. .Aliados de Putin reunidos. Lukashenko e Kim Jong-un encontram-se na Coreia do Norte