Cláudio Valente planeou morte de Nuno Loureiro e tiroteio em massa durante anos devido a fracassos pessoais
O antigo estudante da Universidade de Brown, Cláudio Neves Valente, 48 anos, não agiu de forma aleatória no homicídio do físico português Nuno Loureiro e no tiroteio em massa no estabelecimento de ensino em que estudou. Pareceu visar lugares e pessoas pelo que representavam na sua vida, instituições e indivíduos que associava ao fracasso pessoal, oportunidades perdidas e injustiça percebida, revela um relatório de avaliação comportamental divulgado esta quarta-feira, 29 de abril, pelas autoridades norte-americanas.
O FBI diz que o cidadão português passou anos a planear o ataque isoladamente antes de matar dois estudantes e ferir outros nove dentro de um edifício de engenharia no passado dia 13 de dezembro. Dois dias depois, matou o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Nuno Loureiro, na sua deste em Brookline, Massachusetts.
Cláudio Neves Valente foi posteriormente encontrado morto, vítima de um aparente ferimento provocado por arma de fogo autoinfligido dentro de um armazém em Salem, no estado de New Hampshire, no culminar de uma busca interestadual.
O FBI descreve Neves Valente como um homem que passou anos em isolamento e que raramente permaneceu num lugar, sem que família, colegas ou figuras de autoridade pudesse ter reconhecido sinais de alerta.
Com o passar do tempo, acreditam os investigadores, o português construiu uma narrativa de queixa e inadequação, com "pouca ou nenhuma oportunidade para que quem estivesse à sua volta observasse e contextualizasse a importância dos seus comportamentos".
"Parecia ter dificuldade com a forma como via as suas conquistas de vida e sentia-se consideravelmente marginalizado pelos outros," indicou o FBI no relatório.
"À medida que os seus fracassos superavam os sucessos, a sua paranoia aumentava, agravando a sua contínua incapacidade de prosperar e levando-o a ficar mentalmente doente e decidido a morrer", lê-se no documento.
A violência dos atos de Neves Valente foi "de natureza simbólica", pois a Universidade de Brown e Nuno Loureiro representavam para o atirador "os seus fracassos pessoais e as injustiças que percebia terem sido infligidas por outros ao longo do tempo", de acordo com os investigadores.
"Ao atacá-los, Neves Valente provavelmente conseguiu superar a "sua vergonha e inveja, usando a violência para punir aquelas comunidades que ele entendia serem contribuintes para a sua queda", acrescentou o FBI, que notou que fatores de stress, relacionados com a saúde mental, não podem por si só explicar totalmente a razão por detrás dos ataques.
Após os ataques, Neves Valente gravou uma série de vídeos e mensagens de áudio nas quais confessava os tiroteios, sem qualquer expressão de remorsos.
Os investigadores dizem que o português agiu sozinho e que os ataques não tiveram ligação conhecida com o terrorismo.
As autoridades lembram que o autor dos ataques frequentou a Universidade de Brown, como estudante de doutoramento, no início dos anos 2000, mas não completou o grau académico, facto que terá influenciado a forma como passou a olhar para esse estabelecimento de ensino.
As armas de fogo usadas nos ataques eram legais, compradas na Flórida vários anos antes.

