Em plena discussão sobre uma possível revisão constitucional, o antigo presidente do Tribunal Constitucional (TC) José Manuel Cardoso afirmou que não está entre os que querem alterações radicais à atual Constituição. "Não será, provavelmente, o caso de uma alteração radical ou de alterações radicais à nossa carta fundamental nos diferentes planos em que a sua ordenação se projeta. E, por mim, não estarei, por certo, entre aqueles que assim possam pensar", afirmou.O constitucionalista falava na abertura do Colóquio 50 Anos da Constituição Portuguesa, que decorre esta sexta-feira, em Lisboa. "A Constituição da República, repito ainda uma vez, vem cumprindo uma condição e uma função que são essenciais a qualquer Constituição Democrática", vincou.Um dos méritos da Constituição está relacionado com o sistema político. "A condição da sua sintonia básica, da sua rede de valores, dos seus princípios orientadores, sejam relativos à relação política, sejam relativos aos fins, à função do Estado e à sua relação com a sociedade, com a cultura e o sentimento coletivo dominante da comunidade nacional, e a função ou a capacidade de, ao mesmo tempo, viabilizar tanto a governabilidade como a alternância política, permitindo que no mesmo tempo se afirmem ou se tenham afirmado orientações políticas diferenciadas, diversas e mesmo contrastantes", lembrou.Ao mesmo tempo, vincou não ser contrário a alterações. "Não será ilegítimo perguntar se a Constituição não carecerá, também ela, de mudança ou de alguma revisão. Não será, provavelmente, o caso de uma alteração radical ou de alterações radicais à nossa Carta Fundamental nos diferentes planos em que a sua ordenação se projeta", destacou.Isso porque, acredita, o marco dos 50 anos exige reflexão. "Justifica-se que não apenas se olhe para trás, fazendo o balanço da sua vigência, mas, igualmente, para diante, perspetivando, dentro do possível, como poderá ela cumprir os desafios do futuro e, em particular, do futuro mundial", argumentou.."Um debate sobre o controlo, precisamente, destas questões, cingido à Constituição portuguesa, teria, pois, todo o sentido", complementou. Mas deixou um alerta sobre como deve ser este debate. "Seria mais virtuoso se esse debate se projetasse numa mais alargada reflexão, numa mais alargada visão das coisas, situando-o do Constitucionalismo em geral", analisou.Enquanto membro da Associação Portuguesa de Direito Constitucional, defende uma discussão ampla, que envolva diferentes gerações e até mesmo académicos de outros países, como o Brasil. Inclusive, o colóquio que hoje decorre conta com a presença de autoridades brasileiras na matéria, como o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Luís Filipe Salomão, vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça (STJ).O evento também contou, na sessão de abertura, com a participação de João Carlos Loureiro, vice-presidente do Tribunal Constitucional (TC). Na assistência, estavam autoridades como o procurador-geral Amadeu Guerra, a deputada Paula Cardoso, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais e a antiga ministra da Administração Interna Maria Lúcia do Amaral..São organizadores a Associação Portuguesa de Direito Constitucional, a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), com o Alto Patrocínio da Presidência da República. No final, o antigo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa vai prestar homenagem a Jorge Miranda e Gomes Canotilho.amanda.lima@dn.pt."Absolutamente inaceitável". Chega acusa Tribunal Constitucional de “ativismo político”.Perda de nacionalidade de quem cometer crimes é inconstitucional, declara novamente o TC