Polícia Municipal de Lisboa vai ser reforçada com 100 agentes da PSP.
Polícia Municipal de Lisboa vai ser reforçada com 100 agentes da PSP.Orlando Almeida / Arquivo DN

Moedas vai receber 100 polícias da PSP em plena falta de efetivos

Após pressionar o Governo por mais segurança para Lisboa, Carlos Moedas conseguiu a abertura de um procedimento para recrutar 100 polícias para a Polícia Municipal - o número que tinha pedido ao MAI.
Publicado a
Atualizado a

A Polícia de Segurança Pública (PSP) publicou esta semana uma ordem de serviço que formaliza a concretização de um desejo assumido há muito pelo presidente da autarquia de Lisboa: o recrutamento na PSP para a colocação de 100 polícias na Polícia Municipal de Lisboa (PML), através de mecanismos de mobilidade em comissão de serviço. O processo surge após meses de pressão política de Carlos Moedas, que tem alertado para a quebra de efetivos e defendido um reforço urgente da polícia municipal.

Segundo a ordem de serviço, em Lisboa estão previstas quatro vagas para comissários e 96 para agentes coordenadores e agentes principais. A mesma ordem de serviço, formaliza também a medida já anunciada pela autarquia do Porto. O procedimento agora aberto prevê a colocação de 72 polícias municipais - quatro comissários, 16 chefes coordenadores e chefes principais e 52 agentes coordenadores e agentes principais. Em dezembro chegou a ser anunciado que a Polícia Municipal do Porto iria receber 80 novos efetivos. Na altura, o presidente da câmara, Pedro Duarte, classificou o reforço como “uma grande notícia” e um passo importante para a segurança da cidade, apontando a meta de 100 efetivos.

O prazo de candidatura é de 20 dias úteis e a colocação é feita em comissão de serviço por três anos, renovável até ao limite de nove.

A abertura do procedimento para Lisboa coincide com o número de reforços pedidos por Moedas ao Governo. Em dezembro, numa carta enviada à ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, o autarca pediu um “reforço imediato e com caráter de urgência” de 100 polícias municipais.

Segundo dados então divulgados pela autarquia, a PML conta atualmente com 390 agentes, quando o quadro legal prevê 700. Em 2018 tinha 582, o que representa uma quebra de cerca de 33% de efetivos. Na mesma comparação temporal, Moedas sublinhou que o Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS) da PSP teria registado apenas uma redução de 4%.

image-fallback
Moedas defende aumento de efetivos da Polícia Municipal de Lisboa

Na verdade, de acordo com relatórios públicos, em 2010 o COMETLIS tinha um efetivo de 8000 profissionais e atualmente tem 6600 (menos 17,5%), contraindo a tendência crescente da população na cidade, principalmente turistas e imigração.

PSP com novas funções e falta de efetivos

O reforço das polícias municipais ocorre num momento em que a própria PSP, designadamente o COMETLIS, enfrenta limitações de recursos humanos, particularmente nas funções de controlo de fronteiras herdadas após a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

No parlamento, em dezembro, a ministra da Administração Interna admitiu que faltavam 34 agentes no aeroporto Humberto Delgado para cobrir as necessidades operacionais — estavam colocados 236, quando seriam necessários 270. A governante explicou que os agentes precisam de formação específica certificada pela Frontex, estando previstos dez cursos de guarda de fronteira em 2026, cada um com sete semanas de duração.

Atualmente, a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP integra cerca de 1300 polícias, número que o Governo prevê elevar para 2000 ao longo de 2026. Esta unidade assegura o controlo de fronteiras aéreas, os centros de instalação temporária e as operações de afastamento e retorno de cidadãos em situação irregular, competências que transitaram do SEF.

As dificuldades de recursos humanos levaram mesmo a PSP a pedir à Polícia Judiciária para manter nos aeroportos inspetores que tinham transitado do antigo SEF e que estavam em comissão de serviço de apoio. A saída desses inspetores estava prevista desde 2023, com data-limite fixada em outubro de 2025, mas acabou por ser prolongada por pelo menos mais seis meses por falta de substitutos.

Entre as medidas sucessivamente adiadas contam-se a reorganização do dispositivo policial e a substituição de polícias por civis em funções administrativas. A isto soma-se uma crise de recrutamento, com vagas por preencher nos cursos de formação.

A opção de reforçar as polícias municipais através da mobilidade de elementos da PSP surge num contexto em que o autarca lisboeta tem alertado para a perceção de insegurança e para a necessidade de mais policiamento. Os convites implicam a passagem de efetivos da PSP — força com competências de prevenção e investigação criminal — para polícias municipais cuja atuação é, por lei, sobretudo administrativa e de fiscalização.

Em 2024, Moedas defendeu que a polícia municipal pudesse proceder a detenções por prática de crimes, posição que motivou pedidos de pareceres jurídicos, ao gabinete jurídico do ministério da Administração Interna e ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República. Ambos reiteraram o entendimento já fixado em 2008 pelo Conselho Consultivo da PGR: as polícias municipais são serviços vocacionados para funções de polícia administrativa e não constituem forças de segurança, estando-lhes vedado o exercício de competências próprias de órgãos de polícia criminal.

Polícia Municipal do Porto também reforçada

A mesma Ordem de Serviço, formaliza também o convite a o Porto, o procedimento agora aberto prevê a colocação de 72 polícias municipais, depois de em dezembro ter sido anunciado que a Polícia Municipal do Porto iria receber 80 novos efetivos. Na altura, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, classificou o reforço como “uma grande notícia” e um passo importante para a segurança da cidade, apontando a meta de 100 efetivos.

O DN contactou o Ministério da Administração Interna para obter mais explicações sobre este tema, mas até ao momento não obteve resposta.

(em atualização)

Polícia Municipal de Lisboa vai ser reforçada com 100 agentes da PSP.
Polícia Municipal: Governo homologa parecer que contraria Moedas, IGAI abre averiguação
Polícia Municipal de Lisboa vai ser reforçada com 100 agentes da PSP.
“Acho um disparate e um perigo.” Rui Moreira sobre ordem de Moedas à Polícia Municipal para fazer detenções

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt