Cinco dos suspeitos de pertencerem ao Grupo neonazi 1143 detidos pela Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira, no âmbito da operação "Irmandade", vão ficar em prisão preventiva. A decisão do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) foi conhecida pelos arguidos na manhã deste sábado, no Campus de Justiça e teve como fundamento nos perigos alegados pelo Ministério Público de perigo de continuação da atividade criminosa, perturbação grave da tranquilidade e ordem públicas.Outros 28 arguidos sujeitos a proibição de contactos entre si e apresentações periódicas no posto da força de segurança da área de residência e um com apresentações semanais.Na apresentação ao tribunal, o Ministério Público (MP), os 37 detidos do grupo, liderado pelo antigo líder dos "cabeças rapadas" Mário Machado, foram indiciados por um total de 94 crimes, a maioria dos quais de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, mas também posse de armas proibidas, ofensa à integridade física qualificada..Uma radiografia ao Grupo 1143 — Origens, protagonistas, ambições e modus operandi, em 10 pontos. O inquérito, titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa investiga, entre outros, crimes de incitamento ao ódio e à violência, enquadrados pelo artigo 240.º do Código de Penal que determina pena de prisão a quem incite à violência, difame, injurie ou ameace pessoas ou grupos por motivos de raça, cor, origem étnica, nacionalidade, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência..Mário Machado – 30 anos de condenações em crimes de tortura, sequestro, ódio e muita violência. Segundo o comunicado da PJ, os suspeitos "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes". Ambicionavam ser uma “milícia” para uma “guerra racial” e já faziam treino paramilitar, de acordo com a investigação.Os visados são suspeitos de terem "fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções".O MP tinha pedido prisão preventiva para 11 dos arguidos. Um deles era Gil 'Pantera' Costa, a quem o juiz aplicou esta medida de coação mais gravosa. Gil Costa substituiu em parte das funções Machado desde que este está a cumprir pena de prisão efetiva. 'Pantera' estava indiciado por um total de 12 crimes. O MP imputa nove coautorias de crimes de incitamento ao ódio e à violência, dois crimes de ofensa à integridade física qualificada e um crime de roubo. .Grupo neonazi tinha núcleos por todo o país, na Suíça e em França. Outros arguidos para os quais o MP pedia esta medida de coação mais gravosa são os suspeitos de terem agredido os imigrantes na estação de serviço de Aveiras, em outubro passado. Neste grupo de cinco suspeitos que terá participado neste ataque a dois imigrantes - e que ficou em prisão preventiva - estão Jorge Bento (que também esteve envolvido em confrontos na manifestação do 25 de abril de 2025 e agrediu uma pessoa), Mário Moreira, João Carvalho e Bruno Rodrigues - além de Gil 'Pantera' que estava presente.No processo, o MP registou alguns momentos das agressões aos imigrantes. Moreira terá pegado numa cadeira e atirado contra a cabeça da vítima; depois ele e João Carvalho terão desferido pontapés e socos em várias partes do corpo do imigrante, tendo Rodrigues, alegadamente, colocado um pé na cabeça deste e calcado contra o solo.Fizeram-no, em local público e perante o público, apenas por estes serem indostânicos e imigrantes em Portugal, alegou o MP.O mesmo pedido de prisão preventiva tinha sido feito pelo MP para os outros membros da cúpula do Grupo 1143, Paulo Magalhães e Bruno Araújo - que ficaram apenas sujeitos a apresentações periódicas e proibição de contactar com outros arguidos - que com "Pantera" e Mário Machado eram internamente designados como "Os Quatro Mosqueteiros". Alguns dos líderes de núcleos regionais vão também ficar presos.De acordo com a investigação da PJ conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) foi identificada a existência de cerca de duas dezenas de núcleos regionais, de norte a sul do país, e filiais também na comunidade de emigrantes portugueses na Suíça e em França. .O que fez o neonazi Mário Machado e o que é o grupo 1143, sob suspeita de ser uma organização criminosa?.Porto, Santo Tirso, Aveiro, Maia, Coimbra, Guimarães, Odivelas, Sintra, Cascais, Setúbal, Faro, foram alguns dos núcleos objeto de buscas e os seus líderes detidos. Entre os suspeitos estão um agente da PSP, da esquadra da Bela Vista em Setúbal - que ficou sujeito a Termo de Identidade e Residência - e o sargento da Força Aérea, que terá de se apresentar semanalmente no posto policial da sua área de residência e com proibição de contactar outros arguidos. .Grupo neonazi 1143 alvo de mega operação da PJ. Há 37 detidos, entre os quais um agente da PSP de Setúbal e um sargento da Força Aérea.O militar tinha em sua casa nove escudos antimotim, com o número 1143 inscrito, que foi usado num vídeo promocional do grupo, no qual vários elementos vestidos de preto e com balaclavas no rosto marchavam com palavras de ordem, tais como “Somos o escudo e a espada da Nação” e “Estamos em guerra contra o sistema e já não é uma guerra de palavras”, numa demonstração, no entender do MP, das suas características paramilitares e objetivos bélicos. Está indiciado pelos mesmos crimes que o polícia. Ambos, alega o MP, tinham uma participação regular nas atividades do grupo, que as autoridades consideram ser uma associação criminosa.