Mário Machado esteve envolvido em confrontos nas celebrações do 25 de Abril
Mário Machado esteve envolvido em confrontos nas celebrações do 25 de AbrilFoto: Leonardo Negrão

O que fez o neonazi Mário Machado e o que é o grupo 1143, sob suspeita de ser uma organização criminosa?

Associação criminosa, Incitamento ao ódio e à violência são os principais crimes investigados nesta investigação titulada pelo DIAP de Lisboa contra o grupo liderado por Mário Machado.
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O grupo 1143 e os seus dirigentes, entre os quais Mário Machado, neste momento a cumprir dois anos e dez meses de prisão efetiva pelo crime de incitamento ao ódio e à violência, são o alvo da mega operação que a Polícia Judiciária está a executar esta terça-feira, 20 de janeiro, no âmbito de um inquérito titulado pelo DIAP de Lisboa.

O 1143 surgiu inicialmente no final da década de 1990, associado ao universo das claques do Sporting Clube de Portugal, em particular a setores da Juventude Leonina.

Apesar de nessa altura Mário Machado já militar nos skinheads, designadamente na fação mais violenta dos hammerskins, que veio a liderar, a sua ligação efetiva ao 1143, só se torna visível mais tarde, quando o grupo se passa a identificar como um grupo político ultranacionalista.

Ao longo da década de 2010, a referência ao 1143 passou a surgir de forma mais consistente, nomeadamente em espaços digitais e em iniciativas políticas informais.

A partir de 2020, o Grupo 1143 ganhou maior visibilidade pública, sobretudo através das redes sociais, onde passou a divulgar conteúdos políticos centrados em temas como imigração, identidade nacional e oposição a partidos e movimentos de esquerda. Paralelamente, alguns dos seus membros começaram a participar de forma mais regular em ações de rua, concentrações e manifestações, já desligadas do contexto desportivo.

Em 2025, vários membros associados ao Grupo 1143 estiveram envolvidos em manifestações em Lisboa e noutras cidades, algumas das quais resultaram em intervenções policiais, identificações e detenções no contexto de distúrbios da ordem pública.

Durante uma manifestação realizada em abril de 2025 na zona da Baixa, elementos ligados ao grupo, entre os quais Mário Machado, foram detidos pela polícia após confrontos registados no decurso das ações.

Entre 2023 e 2024, foi noticiada a existência de uma organização informal em núcleos regionais, com coordenação realizada através de plataformas digitais.

Ao longo de 2024 e 2025, foram noticiadas na imprensa investigações em curso relacionadas com a atividade de membros ou simpatizantes do Grupo 1143, incluindo averiguações sobre comunicações digitais, contatos entre membros e eventuais preparações de ações violentas.

O longo cadastro de Mário Machado

Mário Machado tem um historial criminal com várias condenações ao longo de mais de três décadas, relacionadas com crimes de violência, discriminação, armas e ilícitos cometidos em diferentes contextos.

A primeira condenação relevante do longo cadastro de Mário Machado aconteceu na sequência da violência da noite de 10 de junho de 1995, em Lisboa, qua causaram a morte a Alcindo Monteiro.

Nessa noite, um grupo de indivíduos ligados ao movimento skinhead agrediu várias pessoas negras, agressões que culminaram no espancamento de Alcindo Monteiro, um português de origem cabo-verdiana, que viria a morrer dois dias depois.

No processo judicial que se seguiu, Mário Machado foi um dos arguidos e foi condenado, em 1997, a quatro anos e três meses de prisão por ofensas à integridade física agravadas praticadas contra várias vítimas naquela noite. Não foi condenado pelo crime de homicídio relativo à morte de Alcindo Monteiro.

Nos anos seguintes, foi condenado em diferentes processos por crimes como discriminação racial, ameaça, coação, ofensa à integridade física qualificada e posse ilegal de armas.

Em 2007, foi condenado por detenção de arma proibida, com pena suspensa. Em 2010, foi condenado a pena de prisão efetiva por difamação agravada, em processo relacionado com declarações dirigidas a uma magistrada do Ministério Público.

Em 2009, foi condenado a sete anos e dois meses de prisão por crimes de sequestro, roubo e coação. Parte dos factos que deram origem a processos posteriores ocorreu durante períodos em que se encontrava a cumprir pena de prisão.

Em 2012, o Tribunal Criminal de Loures procedeu a um cúmulo jurídico das penas aplicadas em diferentes processos, fixando uma pena única de cerca de 10 anos de prisão.

Após o cumprimento dessa pena, voltou a ser condenado em processo relacionado com a sua atividade nas redes sociais. Em 7 de maio de 2024, o Tribunal Local Criminal de Lisboa condenou-o a dois anos e dez meses de prisão efetiva pelo crime de incitamento ao ódio e à violência, com base em publicações de acesso público. Em maio de 2025, foi detido para cumprimento dessa pena.

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