Hospital Curry Cabral, em Lisboa, é um dos hospitais de referência para casos suspeitos de Ébola.
Hospital Curry Cabral, em Lisboa, é um dos hospitais de referência para casos suspeitos de Ébola.Orlando Almeida / Global Imagens

DGS revê orientações para dar resposta a suspeitas de Ébola

Hospitais Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto, são os centros de referência para casos suspeitos de febre hemorrágica provocada pelos vírus Ébola e Marburg.
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A Direção-Geral de Saúde (DGS) publicou no sábado, 30 de maio, uma nota informativa que atualiza os procedimentos relativos a suspeita de contração de febre hemorrágica provocada pelos víros ébola e marburg, estabelecendo como hospitais de referência, em Lisboa, o Curry Cabral, para adultos, e o dona Estefânia, para urgências pediátricas, e, no Porto, o São João, tanto para adultos como para crianças.

A DGS explica que, "de acordo com a literatura científica e as recomendações mais atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), os países não diretamente afetados como Portugal devem reforçar a deteção precoce e a gestão de eventuais casos importados". No entanto, o documento também remete para um relatório do ECDC de 29 de maio (em inglês) que garante que o risco de contágio para pessoas residente na Europa é "muito baixo".

Num resumo histórico desta doença, a DGS lembra que "nos últimos 30 anos têm ocorrido surtos de febre hemorrágica (FH) por vírus da família Filoviridae (filovírus) em África, com destaque para os surtos de doença por vírus do género OrthoÉbolavirus (vulgarmente conhecida por doença por vírus Ébola) em 2014-2015 na África Ocidental, em 2018- 2020 na República Democrática do Congo (RDC) (ambos associados à espécie vírus Ébola) e por vírus do género Orthomarburgvirus como o surto de doença por vírus Marburgo em 2024 no Ruanda. A 16 de maio de 2026 foi declarado um novo surto de FH por vírus Bundibugyo na RDC e Uganda".

No que diz respeito ao ébola, o comunicado refere que a doença "apresenta um curso clínico grave e progressivo que se inicia após um período de incubação médio de três a dez dias (podendo variar entre dois e 21 dias), durante o qual o doente se mantém assintomático e não contagioso".

No entanto, explica a DGS, "a evolução da doença divide-se em fases bem definidas", sendo que os pacientes, na fase inicial, apresentam "'sintomas secos' e inespecíficos, caracterizados por febre, cefaleias, dores musculares e articulares, e uma astenia [fraqueza ou cansaço] marcada que serve como um forte indicador precoce da infeção".

"Por volta do quarto dia de doença, evolui-se para a fase gastrointestinal ou de 'sintomas húmidos', onde imperam as dores abdominais, os vómitos e uma diarreia aquosa grave que pode ascender aos dez litros diários, provocando desidratação grave, acidose e desequilíbrios eletrolíticos", explica o documento da DGS.

De acordo com a DGS, quem tiver febre acima dos 38 e náuseas, vómitos, diarreia, anorexia, dor abdominal, hemorragias e outros dos sintomas acima descritos, e que tenha estado em áreas com circulação do vírus deve ser considerada como caso suspeito de infeção.

Os hospitais de referência na região de Lisboa e Vale do Tejo são os de São José (Hospital Curry Cabral para doentes em idade adulta) e Hospital Dona Estefânia, "para doentes em idade pediátrica", e, na região Norte e Centro, a Unidade Local de Saúde de São João, para doentes de idade adulta e pediátrica.

"A equipa de Infeciologia do hospital de referência articula com a equipa do INEM para a receção e transferência do doente", conclui o documento.

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