Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)EPA/SALVATORE DI NOLFI

Ébola. RDCongo enfrenta epidemia "extremamente grave e difícil de gerir", alerta OMS

"Estamos a intensificar urgentemente as operações, mas, de momento, a epidemia avança mais rápido do que nós", admite o diretor-geral de OMS que planeia viajar esta terça-feira para a RDCongo.
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O líder da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira, 25 de maio, que a República Democrática do Congo (RDCongo) enfrenta uma epidemia de Ébola "extremamente grave e difícil de gerir" e que os países vizinhos devem agir imediatamente.

Ao falar numa reunião ministerial 'online' organizada pela Agência Sanitária da União Africana (Africa CDC), Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que vários aspetos desta epidemia "a tornam particularmente difícil de gerir".

"Em primeiro lugar, o atraso na deteção da epidemia significa que estamos agora a tentar recuperar o atraso face a uma epidemia que avança muito rapidamente. Estamos a intensificar urgentemente as operações, mas, de momento, a epidemia avança mais rápido do que nós", acrescentou.

O diretor-geral de OMS planeia viajar esta terça-feira para a RDCongo com o diretor-executivo responsável pelo Programa de Emergências de Saúde da OMS, Chikwe Ihekweazu, um epidemiologista especializado em doenças infeciosas.

A RDCongo declarou a 15 de maio uma epidemia da doença do vírus Ébola causada pela estirpe Bundibugyo, contra a qual não existe atualmente vacina nem tratamento específico, e que apresenta uma taxa de letalidade até 50%.

A OMS acionou um alerta sanitário internacional.

"Até ao momento, foram confirmados 101 casos na RDCongo, com dez mortes confirmadas. Mas sabemos que a epidemia na RDCongo é muito maior. Existem agora mais de 900 casos suspeitos e 220 mortes suspeitas", detalhou Tedros.

"Mas nós conhecemos este vírus e sabemos como pará-lo (...). A questão é apenas saber quão rápido o conseguiremos fazer e quantas vidas adicionais serão perdidas antes de o alcançarmos", continuou.

Esta epidemia de Ébola, com epicentro provável na província oriental de Ituri, é a 17.ª a atingir a RDCongo, que entretanto já se alastrou pelo menos até ao vizinho Uganda.

O Ministério da Saúde do Uganda anunciou hoje que dois novos casos foram detetados no país, o que eleva o total para sete.

"Os dois novos casos confirmados são profissionais de saúde ugandeses que trabalham num centro de saúde privado em Kampala", afirmou o diretor-geral de Serviços de Saúde, Charles Olaro, num comunicado.

Olaro precisou que ambos os pacientes "foram admitidos na unidade de tratamento designada e estão a receber cuidados médicos", e que "todos os contactos vinculados aos casos confirmados estão a ser registados para acompanhamento pelas equipas de resposta".

O Ministério da Saúde recomendou à população que informe "de imediato" o centro médico mais próximo sobre qualquer pessoa que apresente "sintomas compatíveis com a doença".

Uganda com três novos casos

No sábado, as autoridades sanitárias ugandesas relataram três novos casos de Ébola, entre os quais "um condutor ugandês que transportou o primeiro caso confirmado no país" e que "atualmente está a receber tratamento".

Os outros dois correspondem a "uma profissional de saúde ugandesa que se expôs ao vírus enquanto atendia o primeiro caso confirmado no país" e que "também está a receber tratamento" e a uma mulher congolesa, residente na RDCongo, que entrou no Uganda.

Na sexta-feira, a OMS elevou a sua avaliação de risco para a saúde pública na RDCongo de "alto" para "muito alto", o nível máximo. No entanto, para já, a OMS continua a considerar este risco como "alto" a nível regional e "baixo" a nível mundial.

Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)
Ébola. Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo
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