Numa altura em que o surto de ébola continua a "evoluir rapidamente", o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), chegou este sábado, 30 de maio, à República Democrática do Congo (RD Congo). No epicentro do surto, Tedros Adhanom Ghebreyesus, vai acompanhar a "resposta" à propagação do surto de ébola, com visitas a instalações de saúde e reuniões com autoridades locais e provinciais. "Estamos aqui para dialogar com a comunidade, compreender como a resposta está a ser implementada e identificar quaisquer potenciais desafios para que possamos prestar apoio”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, que aterrou no Aeroporto Internacional de Bunia - capital da província de Ituri, um dos principais focos do surto -, encerrado aos voos comerciais devido à propagação da infeção.À chegada à RD Congo, o responsável pediu mais ajuda da comunidade internacional para travar a doença. "Mais apoio logístico e financeiro", detalhou, tendo afirmado que a OMS recebeu até agora apenas um terço do financiamento necessário.Também neste sábado o diretor adjunto de operações dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), reconheceu, em comunicado, que “nunca antes um surto de ébola registou tantos casos nos primeiros dias após a sua declaração”. Alan Gonzalez alertou que o número de organizações médicas especializadas e o nível de apoio prestado no terreno ainda está muito aquém do que é necessário para travar a propagação da doença infecciosa.Até 29 de maio, foram reportados 134 casos confirmados, incluindo nove no Uganda, com 18 óbitos entre os casos confirmados, nos dois países, segundo o último balanço da agência de saúde da ONU. Estão, no entanto, a ser analisadas suspeitas referentes a 223 mortes e a 906 casos, segundo a OMS, enquanto as autoridades da RD Congo falam em mais de mil casos suspeitos.Num ponto da situação, divulgado na sexta-feira (29 de maio), a OMS assume que o surto de ébola está a "evoluir rapidamente" e refere que os últimos números da infeção apontam para um "acréscimo de 49 casos confirmados, oito óbitos confirmados, 160 casos suspeitos e 47 óbitos suspeitos" desde a última atualização a 21 de maio. "Além disso, há um caso confirmado, um indivíduo dos Estados Unidos da América, que tratou doentes na República Democrática do Congo e está atualmente a receber tratamento na Alemanha", lê-se no documento.Sobre a situação na República Democrática do Congo, a agência de Saúde da ONU indica que a "transmissão está concentrada em Ituri, bem como nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul", reconhecendo "desafios no rastreio e acompanhamento de contactos, insegurança, isolamento inadequado, cuidados e sistemas de encaminhamento para os doentes, o que complica os esforços de resposta"..Ébola. Canadá suspende emissão de documentos de viagem para residentes na RDCongo, Uganda e Sudão do Sul.Ébola. RDCongo enfrenta epidemia "extremamente grave e difícil de gerir", alerta OMS