Luís Montenegro conduz o Governo de Portugal há mais de dois anos.
Luís Montenegro conduz o Governo de Portugal há mais de dois anos.ANDRE KOSTERS/LUSA

O país está melhor? Maioria discorda de Montenegro e acredita que a situação vai piorar

Primeiro-ministro considerou que “país está melhor e os portugueses também”, mas 68% dos inquiridos no barómetro DN/Aximage não partilham dessa visão. Nem os que votaram PSD e CDS nas legislativas.
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No passado dia 2 de abril, para assinalar os dois anos que leva enquanto primeiro-ministro, Luís Montenegro juntou os ministros do atual Governo (que resultou das legislativas antecipadas de maio de 2025) e também alguns do anterior elenco, para, a partir dos jardins de São Bento, falar ao país e fazer uma espécie de autoavaliação dos resultados obtidos, comparando-os aos que existiam antes sob a governação do PS. “Há dois anos acabou um período em que o país teve demasiada teimosia ideológica a que corresponderam resultados demasiados escassos. Hoje o país está melhor e os portugueses também estão melhor”, afirmou Luís Montenegro, acrescentando ainda que Portugal é, neste momento, “um exemplo de estabilidade política e social e uma referência económica e financeira da Europa”.

No entanto, de acordo com o barómetro da Aximage para o DN, a visão do primeiro-ministro não encontra respaldo na opinião dos portugueses. Questionados sobre se concordam ou não com a ideia de que “hoje o país está melhor e os portugueses também estão melhor”, 68% dos inquiridos dizem discordar (40%) ou discordar totalmente (28%), contra 25% que dão razão ao governante, divididos entre os que concordam (23%) ou concordam totalmente (2%).

Os dados mostram, aliás, que nem entre os eleitores que votaram nos partidos da AD (PSD e CDS), nas legislativas de maio de 2025, há uma maioria que se reveja na análise de Montenegro – são 49% os que discordam (40%) ou discordam totalmente (9%); enquanto 42% concordam (41%) ou concordam totalmente (1%). Em relação às principais forças políticas da oposição, 76% dos eleitores do Chega repudiam a visão do primeiro-ministro e essa percentagem sobe para 78% entre quem votou PS, partido liderado por José Luís Carneiro que, como adiantou quinta-feira o barómetro DN/Amimage, está atualmente à frente na intenção de voto dos portugueses.

Por outro lado, a Área Metropolitana de Lisboa destaca-se como aquela onde residem mais inquiridos a discordar de Montenegro (75%), enquanto que a região Norte é onde existe uma visão mais próxima do governante (36% dizem concordar ou concordar totalmente).

De notar ainda que são os inquiridos com estatuto económico mais elevado (status A/B) que mais se contestam as palavras do primeiro-ministro (78%), sendo que não houve um único dos entrevistados deste segmento a dizer que concorda totalmente com a ideia de que o país e os portugueses estão melhor. Por faixas etárias, são os mais velhos (+ de 65 anos) os mais discordantes (74%).

Economia do país vai piorar. Finanças pessoais nem tanto

O pessimismo dos portugueses não diz apenas respeito ao momento atual, já que também se nota em relação ao que esperam sobre a evolução da economia nacional. A maioria dos inquiridos neste barómetro (55%), cujo trabalho de campo decorreu entre 10 e 15 de abril, acredita que a situação vai piorar, 30% estão convictos que vai permanecer igual e apenas 8% veem, nesta altura, motivos para que a economia do país avance favoravelmente nos tempos vindouros. Os eleitores da AD são únicos que, na sua maioria, não temem um cenário pior no horizonte, pois 43% dizem que a evolução das contas vai manter-se igual, contra 37% que preveem uma degradação e 16% que esperam uma melhoria.

A mais recente projeção do Fundo Monetário Internacional, divulgada a 14 de abril, no estudo “Perspetivas Económicas Mundiais” (World Economic Outlook), baixou de 2,1% para 1,9% a previsão de crescimento da economia portuguesa em 2026, sobretudo devido ao impacto da guerra no Médio Oriente. Esta projeção do FMI fica bastante abaixo dos 2,3% de crescimento do PIB em que assenta o Orçamento do Estado deste ano. Mas é, ainda assim, 0,1 pontos percentuais acima do que estima o Banco de Portugal, que em dezembro apontou para 1,8%. Já o Conselho das Finanças Públicas, no novo estudo semestral das “Perspetivas Económicas e Orçamentais 2026-2030”, divulgado a 15 de abril, antecipa que a economia cresça apenas 1,6% em 2026, menos duas décimas em relação ao que projetara em setembro.

Regressando ao barómetro da Aximage para o DN, os inquiridos têm uma expectativa um pouco menos cinzenta quando desafiados a prever a evolução das suas finanças pessoais. Aqui, são mais os que acreditam que a sua situação vai, pelo menos, manter-se igual (44%) do que aqueles que temem perder poder de compra (39%). Por outro lado, 11% dos inquiridos estão otimistas e projetam uma evolução positiva nos rendimentos.

Esta visão de estabilidade na contas pessoais é maioritária entre eleitores de PSD (62%), PS (46%), Chega (46%) e Iniciativa Liberal (41%). Nas restantes forças políticas, vinga, principalmente, a ideia de que o cenário vai piorar, embora no caso destes partidos a Aximage faça notar que os dados devem ser lidos a título meramente indicativo devido ao valor reduzido da respetiva base de inquiridos.

Avaliação negativa nos apoios às regiões nas tempestades

O barómetro de abril procurou também a opinião dos portugueses em relação à atuação do Governo no apoio às regiões afetadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro. Aqui, 42% classificam essa atuação como má, 24% como muito má, 25% como boa e 3% como muito boa (6% não responderam). Ainda assim, na região Centro, a mais afetada pelas intempéries, há uma percentagem de 32% de inquiridos que elogia o Governo, número que apenas é superado pelo registado no Norte de Portugal (39% de opiniões favoráveis).

FICHA TÉCNICA

Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage – Comunicação e Imagem Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.

Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.

Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 500 entrevistas CAWI; 246 homens e 254 mulheres; 111 entre os 18 e os 34 anos,132 entre os 35 e os 49 anos, 136 entre os 50 e os 64 anos e 121 para os 65 e mais anos; Norte 185, Centro 117, Sul e Ilhas 64, Área Metropolitana de Lisboa 134.

Técnica: Aplicação online – CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) – de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determi-nadas. O trabalho de campo decorreu entre 10 e 15 de abril de 2026. Taxa de resposta: 89,77%.

Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%. ▪ Responsabilidade do estudo: Aximage – Comunica-ção e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.

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