Após um último mês marcado sobretudo pelos impactos provocados pela guerra no Médio Oriente no custo de vida, o barómetro DN/Aximage de abril indica que aumentou a percentagem de inquiridos que dão nota negativa ao Governo – 54%, juntando os que avaliam a ação do Executivo como má e os que a consideram mesmo muito má, que subiram para (17%). Um descontentamento que o Partido Socialista consegue capitalizar em intenções de voto, abrindo uma margem superior a seis pontos percentuais face à coligação de governo PSD-CDS e ao Chega, que surgem praticamente colados na disputa pela liderança da direita. O PS de José Luís Carneiro lidera as intenções de voto, nesta altura, com uma margem inédita no último ano, recolhendo 30,6%, após distribuição de indecisos, posicionando-se à frente de uma disputa renhida pelo segundo lugar. A coligação PSD/CDS-PP, que sustém o governo liderado Luís Montenegro, obtém 24,3%, enquanto o Chega, de André Ventura, surge muito próximo, com 23,6%. . Estes resultados refletem já a distribuição dos 8,3% de indecisos no universo de 500 pessoas inquiridas pela Aximage entre 10 e 15 de abril. A margem de erro é de 4,4%, pelo que, em rigor, os três principais partidos se podem considerar ainda em situação de empate técnico, já que o limite inferior da margem de erro do PS é mais baixo do que o limite superior da margem de PSD e Chega.Confirmado o cenário de tripartidarismo que domina atualmente o espetro da Assembleia da República, destaca-se, contudo, essa subida do PS face ao barómetro de março, em que os socialistas já lideravam as intenções de voto, com 27%, mas então com os três principais partidos separados por apenas 1,2 pontos percentuais. Em relação ao estudo anterior, PSD e Chega têm caídas semelhantes, superiores a dois pontos percentuais cada.Entre os restantes partidos, destaque para a subida do Livre, dos 4,2% em março para 5,8% das intenções de voto registadas em abril, consolidando o partido liderado por Rui Tavares como quinta força partidária – atrás da Iniciativa Liberal, que recua ligeiramente para os 7% - e cada vez mais destacado à esquerda do PS, deixando bem atrás CDU (2,5%), PAN (1,8%) e Bloco de Esquerda (0,8%).. A análise territorial continua a mostrar fortes clivagens geográficas no comportamento eleitoral. A suportar o crescimento do PS está sobretudo o reforço da intenção de voto socialista nas áreas metropolitanas de Lisboa (AML), com 29,4% (+7,2 pontos percentuais face a março) e Porto (AMP), com 37,8% (+6,5). Já a coligação PSD/CDS tem uma queda generalizada em quase todas as regiões, à exceção da região Norte, onde reforça para 39,4%, liderando de forma incontestada. O seu pior resultado surge na AML, onde regista apenas 13,8%, atrás de PS e Chega. O partido de Ventura lidera à volta de Lisboa (31,7%) e no Sul e Ilhas (29,1%), mas colapsa no Norte (apenas 8,1%).No plano social, o PS regista maior força entre eleitores mais velhos (41,2% nos maiores de 65) e classes mais altas (33% nas classes A/B), enquanto o PSD/CDS ultrapassa o Chega na classe mais baixa entre os inquiridos (35,9% na classe D) e domina também entre os mais jovens (25,5% nos 18-34). O Chega, por sua vez, apresenta maior apoio na faixa etária dos 35 aos 49 anos (35,8%).Ventura lidera oposição, Montenegro é o mais confiável para PMApesar do crescimento do PS nas intenções de voto, o seu líder, José Luís Carneiro, tem mais dificuldade em convencer o eleitorado das suas capacidades quer para liderar o governo, quer para liderar a oposição.Quanto ao desempenho do cargo de primeiro-ministro, a dose maior de confiança dos inquiridos vai para o atual chefe do Governo, Luís Montenegro, que recolhe 27%, contra 23% de Carneiro e 22% de André Ventura. O dado mais expressivo, contudo, talvez seja o nível de desconfiança global: 20% dos inquiridos afirmam não confiar em nenhum dos três.Já em relação à liderança da Oposição, a escolha dos inquiridos é bem mais óbvia: o presidente do Chega surge destacado, reunindo 53% das respostas, muito à frente do secretário-geral do PS, com 24% - ainda assim, Ventura perde seis pontos percentuais face a março, enquanto Carneiro sobre três.Na avaliação aos líderes partidários, o líder do PSD e primeiro-ministro Luís Montenegro surge com a maior percentagem de avaliações positivas (44% - face a 47% negativas), mas o líder socialista consegue a avaliação mais equilibrada (41% positivo vs. 42% negativo), enquanto Ventura é o que reúne mais avaliação negativas (61%). Nenhum líder obtém rácio positivo e Paulo Raimundo (PCP) é o mais penalizado (20-52). .Ficha técnica.Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage – Comunicação e Imagem Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade. ▪ Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.▪ Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 500 entrevistas CAWI; 246 homens e 254 mulheres; 111 entre os 18 e os 34 anos,132 entre os 35 e os 49 anos, 136 entre os 50 e os 64 anos e 121 para os 65 e mais anos; Norte 185, Centro 117, Sul e Ilhas 64, Área Metropolitana de Lisboa 134.▪ Técnica: Aplicação online – CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) – de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 10 e 15 de abril de 2026. Taxa de resposta: 89,77%.▪ Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%. ▪ Responsabilidade do estudo: Aximage – Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio