Kristalina Georgieva, chefe máxima do FMI. Washington, 9 de abril de 2026.
Kristalina Georgieva, chefe máxima do FMI. Washington, 9 de abril de 2026.Foto: SHAWN THEW / EPA

FMI corta crescimento de Portugal para 1,9% e vê inflação galgar para mais de 3% este ano

Inflação portuguesa vai superar média europeia. FMI também mostra que o pressuposto de crescimento em que assenta o Orçamento deste ano (OE 2026), de 2,3%, está totalmente desatualizado.
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A guerra no Médio Oriente vai travar o crescimento da economia portuguesa e agravar bastante o poder de compra dos consumidores, indica o Fundo Monetário Internacional (FMI), no novo estudo Perspetivas Económicas Mundiais (World Economic Outlook), divulgado esta terça-feira, em Washington, EUA.

O crescimento previsto para Portugal em 2026 foi cortado em duas décimas de pontos percentuais (p.p.), para 1,9%. A previsão do FMI há seis meses dizia 2,1%. É o primeiro embate do choque petrolífero e da guerra no Médio Oriente, ainda sem fim à vista, e de toda a incerteza que a rodeia.

Em todo o caso, a nova previsão é ligeiramente superior à do Banco de Portugal que, em dezembro, apontou para 1,8%.

Estes valores do FMI também mostram que o pressuposto de crescimento económico em que assenta o Orçamento do Estado deste ano (OE 2026), de 2,3%, está totalmente desatualizado.

Na inflação, na subida dos preços em Portugal, a situação é mais grave. Há seis meses o FMI previa uma inflação normalizada em linha com as metas do Banco Central Europeu (BCE) para a Zona Euro.

Em outubro, o Fundo dizia que o ritmo dos preços do consumidor seria de 2,1%, mas agora, no novo outlook, a inflação vê a inflação subir bastante rápido, para uma média de 3,1% em 2026, ficando assim bem acima do ritmo prevista para a área do euro (2,6%).

Esta última, a inflação da Zona Euro, também fica assim fora dos limites do BCE e, portanto, a previsão do FMI sinaliza que terá de haver subidas de taxas de juro, algo que a presidente do BCE, Christine Lagarde já deixou implícito e que os analistas e mercados estão a contar que aconteça já no final deste mês.

A taxa do BCE deve subir dos atuais 2% para 2,25%, devendo haver mais duas ou três subidas até ao final deste ano.

O FMI também indica que já conta com vários agravamentos das taxas de juro, definidas em Frankfurt, até ao final deste ano, pelo menos, mostra o WEO.

"A taxa de juro de referência na zona euro deverá aumentar 50 pontos base [o,5 pontos percentuais] ao longo de 2026", assume o FMI. Isto, os juros do banco central chegam ao final deste ano nos 2,5%.

Ainda no caso de Portugal, há uma noa notícia. A taxa de desemprego é a única variável que parece melhorar. Em outubro, o Fundo via um peso da população desempregada no total da população ativa na ordem dos 6,3% este ano. Agora prevê ainda menos, cerca de 5,9%.

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