Sem prolongamento, mas com direito a 110 minutos de jogo. Um verdadeiro sufoco para qualquer dos adeptos, português ou croata. Sorriu a Portugal o bilhete para os oitavos de final do Mundial 2026, com uma vitória por 2-1 garantida por Gonçalo Ramos. Com Rafael Leão na esquerda, a principal novidade, Roberto Martínez corrigiu a falta de reação à perda de bola e Portugal foi mandão, sem enorme velocidade, mas sempre capaz de negar a Kovacic ou Modric esquadrarem passes longos para o contra-ataque. Foram os melhores 30 minutos deste Mundial: a equipa trocou a bola, procurou espaços e interpretou melhor os papéis. Faltou o golo. Bruno Fernandes na área teve uma enorme chance que Livakovic negou, depois Ronaldo falhou dois desvios na área, já depois de também num canto os centrais subirem e assustarem a Croácia. Leão, aos 45'+2', falhou um remate acrobático, a meia altura, já quando os últimos minutos do primeiro tempo eram de perda de capacidade coletiva, desposicionamentos vários. Avisos sérios à navegação que se confirmaram pesadelos na segunda parte. Dalic foi buscar Matanovic e o avançado mexeu com a defesa portuguesa. Diogo Costa fez uma grande intervenção aos 48 minutos, mas Perisic encontraria a baliza aos 53 minutos. Finalização impecável do veterano, que adiantava a Croácia, aproveitando que Leão e Pedro Neto pouco corressem para defender. Não foi notória a reação de Portugal. Houve, porém, num ressalto a chance soberana para Rafael Leão. Remate tremendo em cheio na barra aos 58 minutos.Depois, um golo anulado a Cristiano Ronaldo, com um fora de jogo tirado a milímetros. Martínez arriscou tudo, ainda antes dos 65 minutos. Puxou de Gonçalo Ramos, Francisco Conceição, Bernardo Silva e Nélson Semedo e tirou Vitinha e Bruno Fernandes, dois inegociáveis. Bernardo e João Neves no meio-campo, sozinhos, sofreram num 4x2x4 e a Croácia passou a cavalgar com facilidade. Bafejou alguma fortuna a Portugal quando Renato Veiga, um dos melhores deste Mundial nas Quinas, foi travado, amordaçado na área por Vlasic. Um penálti para o capitão, eleito depois melhor em campo, concretizar. Ronaldo fez aos 68 minutos o empate.A partir daí, Portugal agarrou-se ao terço. O meio-campo dominado, Leão e Conceição sem ritmo ou interesse em ajudar a defesa e Diogo Costa em trabalhos. Kovacic fugiu à marcação e atirou ao ferro, Matanovic tirou os centrais da frente e valeu o guardião português e só faltava mesmo mais uma bola na baliza, mas Sucic estava adiantado por uma nesga.Soaram campainhas de alarme, Martínez retirou Ronaldo de campo pela primeira vez neste Mundial, viu a frustração contida de CR7, deu-lhe um abraço e estancou o meio-campo com Rúben Neves. O jogo fechou, meio que a entreolhar para o prolongamento. O cabeceamento de Veiga foi ao lado, no outro lado o mesmo para Pasalic.Vale o que vale atribuir a Ronaldo o prémio de melhor em campo. É simbólico. Injusto, provavelmente. Certo é que ao primeiro remate Gonçalo Ramos fez o 2-1 para Portugal. Leão engendrou uma bola amaldiçoada, curvilínea, e o algarvio, entre dois centrais, saltou, prolongou-se no ar e anichou o cabeceamento. Esplendoroso, talvez como tantos de Ronaldo na carreira no United ou no Real Madrid. O camisola 9 aproveitou a oportunidade para mostrar que combinou melhor com os colegas e que, chamado a finalizar, não falhou. À primeira. Um golo aos 90'+3' costuma significar vitória, mas com as pausas para hidratação há mais para contar. E depois de dez minutos de compensação, houve mais três de bónus e nesse a Croácia chegou ao golo. Gvardiol empurrou para o 2-2 ao segundo poste, mas havia adiantamento anterior. O VAR sinalizou a dúvida de um fora de jogo que existe, de facto. A questão é se Matanovic tocou, efetivamente, na bola antes de esta seguir para um companheiro. Porque se toca apenas em Renato Veiga a Croácia tem razão e sai com um amargo de boca ainda maior do Mundial. Visto e revisto, continua sem ser claro. Há, pelos vistos, sensores que o detetaram. A tecnologia foi ajudante.Portugal arreda a vice-campeã mundial de 2018, que caiu nas meias-finais em 2022, e que se encontra em fase de despedida do ídolo e ex-melhor do mundo Modric. As Quinas enfrentarão a Espanha nos oitavos de final, equipa que derrotou na final da Liga das Nações. Ramos jogou bem com o tempo que teve, Portugal melhorou a entrada em campo, mas voltou a mostrar que sem a mesma intensidade a defender durante todo o encontro se sujeita a ser superiorizado. Leão, Félix, Neto ou Conceição têm de defender. E houve desequilíbrio tático e emocional, corrigido em dez minutos pelo selecionador. É para afinar, mas o Mundial segue. .Gonçalo Ramos coloca Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026.AC Milan anuncia a contratação de Gonçalo Ramos por um valor recorde 74 milhões de euros