Teerão pede “sangue sionista” e de Trump. Irão diz que EUA vão arrepender-se "amargamente" de afundar navio

Ao sexto dia de guerra, continuam as hostilidades no Médio Oriente após a operação conjunta dos EUA e Israel contra o Irão, que provocou a morte do líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei.
Teerão pede “sangue sionista” e de Trump. Irão diz que EUA vão arrepender-se "amargamente" de afundar navio
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Guarda Revolucionária avisa que navios fora do protocolo em Ormuz serão afundadas

A Guarda Revolucionária da República Islâmica iraniana declarou hoje o estreito de Ormuz, entre golfos Pérsico e de Omã, sob seu controlo de acordo com o direito internacional e que quaisquer navios fora do protocolo serão afundados.

"De acordo com as leis e resoluções internacionais em tempos de guerra, as regras de trânsito pelo estreito de Ormuz estarão sob o controlo da República Islâmica", disse o brigadeiro-general Kiumars Heidari, vice-comandante da base Khatam al-Anbiya, o comando central unificado das forças armadas iranianas, às televisões locais.

O responsável militar frisou que alguma quebra das normas por parte das embarcações que cruzem a zona pode implicar que sejam “atacadas e afundadas”.

Lusa

Ministro da Defesa britânico vai deslocar-se às bases militares no Chipre

O secretário da Defesa britânico, John Healey, vai deslocar-se hoje ao Chipre, quatro dias depois de um ataque com um drone ter atingido a base britânica de Akrotiri.

Quando contactado pelos jornalistas, o Ministério da Defesa não confirmou de imediato a viagem, que acontece numa altura em que Londres enfrenta críticas das autoridades cipriotas pela demora no envio de reforços para proteger as duas bases que mantém na ilha.

As instalações militares britânicas no Chipre, país da União Europeia, foram visadas por mísseis e drones de fabrico iraniano, supostamente lançados pelo Hezzbollah (Partido de Deus), movimento apoiado pelo Irão no Líbano.

A Grécia e a França enviaram meios militares para a zona. Espanha anuncou que vai enviar uma fragata.

Lusa

Espanha envia fragata para Chipre

Espanha vai enviar uma fragata para Chipre, para se juntar ao porta-aviões francês "Charles de Gaulle" e outros navios da Grécia, revelou hoje o Ministério da Defesa espanhol.

A fragata "'Cristóvão Colombo' juntou-se ao Grupo Naval do 'Charles de Gaulle' no dia 03 de março para realizar trabalhos de escolta, proteção e treino avançado no mar Báltico. Agora, o conjunto seguirá para o Mediterrâneo, com chegada prevista às costas de Creta por volta do dia 10 de março", disse o Ministério da Defesa de Espanha, num comunicado.

Segundo a mesma nota, esta é a fragata "tecnologicamente mais avançada" que tem Espanha e "a sua missão no Mediterrâneo será oferecer proteção e defesa área, complementando desta forma as capacidades" do sistema espanhol antimísseis 'Patriot' instalado na Turquia.

A fragata espanhola poderá também apoiar operações de retirada "de pessoal civil que possa ser afetado pelo conflito" no Médio Oriente, acrescenta o Ministério da Defesa de Espanha, que defende que o país mostra assim "o seu compromisso com a defesa da União Europeia e da sua fronteira oriental".

Este anúncio segue-se a dias de tensão entre os governos de Espanha e o dos EUA por causa da guerra no Médio Oriente, iniciada com ataques dos EUA e de Israel ao Irão, que o executivo de Madrid condenou.

A Grécia e a França enviaram meios militares para a zona.

Lusa

Guarda Revolucionária do Irão reclamou ataque a petroleiro dos EUA

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou hoje que um míssil iraniano atingiu um petroleiro norte-americano no Golfo Pérsico, no sexto dia da guerra.

Segundo a Guarda Revolucionária, o navio foi atingido por um míssil no norte do Golfo Pérsico e está em chamas.

O comunicado sobre o suposto ataque contra o petroleiro norte-americano foi divulgado através da televisão estatal iraniana, sem adiantar mais pormenores.

O ataque, que ainda não foi confirmado por fontes independentes, ocorre numa altura em que a Guarda Revolucionária afirma ter "controlo total" do Estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o comércio global de petróleo.

Lusa

Teerão ameaçou atacar instalações nucleares israelitas

As Forças Armadas do Irão ameaçaram hoje lançar um ataque contra as instalações nucleares israelitas em Dimona caso os Estados Unidos e Israel tomem medidas para alcançar uma "mudança de regime" em Teerão.

Um alto responsável militar iraniano afirmou que se os Estados Unidos e Israel procurarem uma mudança de regime no Irão, Teerão admite atacar o reator nuclear de Dimona, nos territórios ocupados por Israel.

A ameaça foi divulgada hoje pela a agência de notícias iraniana ISNA.

As instalações israelitas, localizadas no deserto do Negev, são cruciais para Israel e, por isso, estão entre os locais mais fortemente protegidos do país.

Lusa

Itália pondera enviar baterias anti-aéreas

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou hoje estar em ponderação o envio de baterias antiaéreas para ajudar vários países do golfo Pérsico, entretanto visados por retaliações iranianas aos ataques conjuntos israelo-americanos.

"A Itália, assim como o Reino Unido, a França e a Alemanha, pretende enviar ajuda aos países do Golfo. Estamos a falar claramente de defesa, defesa aérea, não apenas porque são países amigos, mas também porque dezenas de milhares de italianos vivem na região, além de aproximadamente dois mil militares que precisamos proteger", declarou à rádio RTL 102.5.

Meloni acrescentou que aquela região do Médio Oriente é economicamente "vital".

Lusa

Teerão pede “sangue sionista” e de Trump

O ‘ayatollah’ Abdollah Javadi Amoli convocou hoje um “derramamento de sangue sionista” e “do sangue de [Donald] Trump”, através da televisão estatal do Irão, na sequência dos ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos da América (EUA).

“Estamos agora à beira de um grande teste e devemos ter cuidado para preservar plenamente a unidade, para preservar plenamente a aliança”, disse, apelando ao “derramamento de sangue sionista, ao derramamento do sangue de Trump.

O atual imã diz: ‘Lutem contra a América opressora, o sangue dele está sobre meus ombros’”, afirmou.

O Irão lançou hoje uma nova onda de ataques contra bases israelitas e norte-americanas, avisando que os EUA se vão arrepender "amargamente" de torpedear um navio de guerra iraniano no oceano Índico, ao passo que Israel anunciou nova ofensiva "em grande escala" contra Teerão.

Segundo a agência noticiosa norte-americana AP, as sirenes de aviso de ataque aéreo soaram em Telavive e em Jerusalém e as Forças da Defesa de Israel (IDF) lançaram mais ataques no Líbano, dirigidos a posições do grupo islamista radical Hezbollah, além de uma "onda em grande escala de ataques contra infraestruturas" na capital iraniana.

A Marinha dos EUA afundou um navio de guerra iraniano na noite de terça-feira no oceano Índico, matando pelo menos umas dezenas de elementos da guarnição, ato classificado como "uma atrocidade no mar" pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

“A fragata Dena, convidada da Marinha da Índia e com quase 130 marinheiros a bordo, foi atingida em águas internacionais sem aviso prévio. Fixem estas palavras: os EUA vão arrepender-se amargamente do precedente que criaram”, escreveu o responsável nas redes sociais.

Israel considerou que a aliança com os EUA está a mudar a história

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, disse ao secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que a aliança militar entre os dois países está a mudar a história, referindo-se aos ataques contra o Irão.

Israel Katz esteve em contacto na noite de quarta-feira com o homólogo norte-americano tendo analisado a campanha conjunta contra o regime de Teerão. 

Para Katz, a cooperação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, contra o Irão está a mudar a história tendo o secretário da Defesa pedido a Israel para continuar "até ao fim".

Na quarta-feira, o Senado norte-americano, de maioria republicana, rejeitou uma resolução que procurava interromper a intervenção militar ordenada por Trump contra o Irão, por não ter sido autorizada previamente.

A resolução do Partido Democrata perdeu por 47 votos contra 53 do Partido Republicano.

De acordo com o comunicado divulgado pelo ministro da Defesa de Israel, Hegseth realçou que os Estados Unidos têm munições suficientes para concluir a campanha contra o Irão, sugerindo que a guerra contra a República Islâmica poderá durar até oito semanas.

Lusa

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Estado-Maior iraniano nega lançamento de missil contra Turquia

O Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou hoje ter lançado um míssil contra a Turquia, depois de ter sido noticiado que as defesas da NATO neste país-membro da Aliança Atlântica teriam intercetado um projétil iraniano.

"As Forças Armadas da República Islâmica do Irão respeitam a soberania da Turquia, país vizinho e amigo, e negam qualquer lançamento de mísseis contra o seu território", indicou o Estado-Maior iraniano num comunicado divulgado pelos meios de comunicação social do país.

As defesas da NATO na Turquia informaram na quarta-feira que tinham intercetado um míssil iraniano sobre o Mediterrâneo oriental e que estilhaços da munição caíram no extremo sul do país, sem causar vítimas, conforme confirmado pelo Governo turco.

"Um míssil balístico disparado do Irão, que se dirigia para o espaço aéreo turco depois de atravessar o Iraque e a Síria, foi neutralizado pelas defesas antiaéreas e antimísseis da NATO estacionadas no Mediterrâneo oriental", indicou o ministério turco da Defesa num comunicado.

Lusa

Forças iranianas anunciam ataque com mísseis contra grupos curdos no Iraque

O Irão afirmou hoje ter disparado mísseis contra os quartéis-generais das forças curdas no Curdistão iraquiano, informou a agência estatal de notícias iraniana, IRNA.

"Atacámos os quartéis-generais dos grupos curdos opostos à revolução no Curdistão iraquiano com três mísseis", indica um comunicado militar citado pela IRNA no seu canal Telegram.

Desde o início da ofensiva americano-israelita contra Teerão, a região autónoma do Curdistão, onde estão estacionadas tropas norte-americanas, tem sido alvo de ataques com drones iranianos.

Na segunda-feira, um ataque aéreo atingiu um acampamento militar pertencente ao grupo pró-Irão Kataib Hezbollah, no sul do Iraque, segundo fonte da fação armada.

A base de Jurf al-Nasr, um dos principais bastiões deste grupo apoiado por Teerão, foi alvo de repetidos ataques no início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, que resultou em retaliações por parte da República Islâmica.

O Iraque, que tinha regressado recentemente a um certo grau de estabilidade, é há muito tempo palco de guerras por procuração entre os Estados Unidos e o Irão, e sublinhou já que não deseja ser arrastado para o conflito.

Porém, diversos grupos armados iraquianos apoiados pelo Irão, conhecidos como Resistência Islâmica no Iraque, declararam logo no início dos ataques no passado dia 28 de fevereiro que não permanecerão "neutros" e reivindicaram desde então a responsabilidade por dezenas de ataques com drones contra bases americanas.

Lusa

Primeiro-ministro do Canadá afirma que "apoiará os aliados", mas "com algum pesar"

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou hoje que "não pode excluir" a participação militar do país na guerra que se intensifica no Médio Oriente, manifestando apoio aos seus aliados, porém "com algum pesar".

"Estamos a enfrentar ativamente o mundo como ele é, não esperando passivamente por um mundo que desejamos. Mas também assumimos essa posição com algum pesar, porque o conflito atual é mais um exemplo do fracasso da ordem internacional", disse em declarações na capital australiana, no terceiro dia da visita oficial ao país, uma viagem que visa atrair investimentos e aprofundar os laços com Camberra.

Quando instado, porém, pelos jornalistas a responder sobre se o Canadá encara a hipótese de se envolver no conflito, Carney deixou claro que "nunca se pode excluir categoricamente uma participação".

"Apoiaremos os nossos aliados", acrescentou, ao lado do homólogo australiano, Anthony Albanese, em Camberra.

Nas primeiras declarações que proferiu sobre o assunto desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Carney sublinhou ainda que o Canadá não foi informado antecipadamente dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.

"Não fomos informados com antecedência, não nos foi pedido para participar", deixou claro, em declarações aos jornalistas que o acompanham na visita à Austrália.

"À primeira vista, parece que estas ações são incompatíveis com o direito internacional", afirmou, acrescentando no entanto que, se os ataques aéreos dos EUA e de Israel violaram o direito internacional, é "uma decisão que cabe a outros tomar", afirmou.

"Geoestrategicamente, as potências hegemónicas estão cada vez mais a agir sem restrições ou respeito pelas normas ou leis internacionais, enquanto outros sofrem as consequências. Agora, os extremos dessa rutura estão a ser vividos em tempo real no Médio Oriente", disse Carney.

Lusa

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Teerão lançou durante a madrugada nova vaga de ataques contra Israel e países do Golfo

O Irão lançou durante a madrugada de hoje uma nova vaga de ataques contra Israel e países do Golfo aliados dos Estados Unidos.

No sexto dia da guerra na região, a Guarda Revolucionária iraniana revelou uma décima nona vaga de bombardeamentos, numa “operação combinada de mísseis e drones contra as posições” de Israel e das bases norte‑americanas na região.

Jornalistas da agência France-Presse (AFP) ouviram explosões em Jerusalém esta madrugada, após mais uma série de lançamentos de mísseis iranianos. Os serviços de emergência israelitas não reportaram vítimas imediatas.

Duas horas antes, o exército israelita acionou três alertas para mísseis iranianos.

As Forças de Defesa de Israel alertaram várias vezes para o lançamento de mísseis a partir do Irão e garantiram estar a trabalhar para “intercetar a ameaça”.

Até ao momento, não há registo de vítimas.

Entretanto, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou ter intercetado três drones.

Um petroleiro também sofreu uma explosão ao largo do Kuwait, provocando derrame de petróleo mas sem vítimas nem a ocorrência de incêndios. O incidente ocorreu fora das águas territoriais kuwaitianas, perto do estreito de Ormuz — rota vital para o comércio energético mundial.

O episódio segue-se ao ataque de um porta-contentores por mísseis na mesma zona, com o Irão a afirmar controlar totalmente esta passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito global.

Lusa

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Três pessoas mortas em ataques israelitas perto do aeroporto de Beirute

 Três pessoas morreram e seis ficaram feridas em dois ataques israelitas que visaram dois carros que seguiam na autoestrada para o aeroporto da capital do Líbano, Beirute, indicaram na quarta-feira à noite as autoridades libanesas.

O ataque ocorreu na estrada do aeroporto, segundo a agência de notícias libanesa Ani.

O Exército israelita indicou em comunicado no Telegram que tinha como alvos dois "terroristas" nos arredores da capital libanesa.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram o primeiro carro a incendiar-se após ter sido atingido, antes de um segundo carro ser visado pouco depois, do outro lado da autoestrada.

Um fotógrafo da agência de notícias francesa AFP no local viu camiões de bombeiros a dirigirem-se para o local.

O sul de Beirute, bastião do Hezbollah, foi alvo de um novo ataque aéreo na manhã de hoje, após um apelo de retirada de pessoas das localidades pelo exército israelita, segundo imagens da AFPTV.

Depois de pedir aos habitantes que abandonassem a zona, o exército israelita declarou no Telegram que "começou a atacar a infraestrutura do Hezbollah em Beirute", enquanto o fumo subia no céu por cima do sul da capital libanesa, descreve a AFP.

Israel, que alarga o campo dos seus ataques no Líbano, ordenou na quarta-feira que todos os habitantes de uma parte do sul que deixassem as suas localidades.

Antes dos ataques perto do aeroporto, as autoridades libanesas tinham registado 72 mortos e 83.000 deslocados desde segunda-feira, na sequência dos ataques israelitas.

Lusa

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Portugueses retidos no Qatar queixam-se de falta de soluções viáveis para repatriamento

Um grupo de portugueses retido no Qatar devido ao conflito no Médio Oriente manifestou ontem à Lusa descontentamento com a falta de "soluções viáveis" para sair da região pelo Governo português.

Em resposta à Lusa, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros garantiu que há solução e que esta está "justamente a ser tratada e que não será divulgada publicamente para garantir a segurança dos cidadãos nacionais".

A Lusa procurou obter mais esclarecimentos sobre a situação dos portugueses retidos no Médio Oriente, incluindo no Qatar, mas não foi possível obter resposta.

Três portugueses que chegaram ao Qatar dia 27 de fevereiro, mas que acabaram retidos devido ao início do ataque israelo-americano ao Irão, que resultou na resposta de Teerão contra vários países do Médio Oriente, incluindo o Qatar, manifestaram insatisfação com a proposta apresentada hoje pela Embaixada de Portugal em Doha.

De acordo com a comunicação aos cidadãos portugueses retidos, a que a agência Lusa teve acesso, é proposto transporte terrestre para Riade, disponibilizado "especialmente aos portugueses retidos no Qatar, ou seja, que se encontravam aqui em turismo ou em trânsito no momento do encerramento do espaço aéreo".

A embaixada portuguesa salientava na mesma comunicação que o transporte "leva apenas até Riade" e que os cidadãos devem efetuar uma reserva num voo comercial "marcada com possibilidade de alteração de data", antes da viagem de autocarro.

"Tendo em conta as instruções das autoridades do Qatar para que se mantenham abrigados em casa e evitem sair à rua, a Embaixada pode organizar e assegurar o transporte terrestre até Riade, mas não pode garantir a segurança durante o percurso ou em qualquer ponto da viagem. A decisão de participar neste transporte é, portanto, de caráter estritamente pessoal e da exclusiva responsabilidade de cada cidadão, devendo ser ponderados os riscos associados à circulação na região neste momento, incluindo as eventuais alterações relacionadas com o espaço aéreo da Arábia Saudita. A participação implica a assinatura prévia de um termo de responsabilidade individual", pode ler-se ainda.

José Camilo, um dos três portugueses retidos no Qatar que falaram à agência Lusa, frisou que desde o início do conflito e o encerramento do espaço aéreo que estão num hotel por sua conta e que têm estado em contacto com a diplomacia portuguesa para encontrar uma solução.

Na quarta-feira à noite, a embaixada enviou para um grupo na rede social WhatsApp com 56 pessoas esta proposta, que José Camilo considera "completamente impraticável".

"Há responsabilidade efetiva do Governo português, agora e futura, porque nos induziu a ficar nesta passividade. Se nós estamos mal, temos familiares muito mais preocupados graças à postura que o Governo português está a ter", apontou, questionando como o Ministério dos Negócios Estrangeiros "não tem capacidade para tratar de 56 repatriamentos".

Estes portugueses, que estavam numa viagem de turismo e pararam no Qatar antes de regressarem a Lisboa, consideram a proposta da embaixada descabida por arranjar apenas transporte terrestre para Riade numa fase em que não há garantia de saída da Arábia Saudita.

"Nesta fase existe a probabilidade de as coisas de agravarem mais. O Qatar ainda tem meios de defesa, mas percebe-se que esses meios não são infinitos", realçou José Camilo.

Este português contou ainda que respondeu à proposta manifestando as suas preocupações, e adiantou que mais portugueses pediram explicações adicionais no mesmo grupo do WhatsApp, mas referiu que até às 23:00 (hora portuguesa) estavam "há quatro horas sem resposta".

O grupo de portugueses que falou à Lusa pediram ainda uma "solução com um risco menor" para regressar a Portugal.

Lusa

Ataques contra Irão já duram há duram há seis dias

Bom dia,

Siga aqui os principais desenvolvimentos da operação militar lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, a decorrer há seis dias. Como retaliação, o regime de Teerão tem atacado bases militares norte-americanas e países da região.

Veja aqui como foi o dia de ontem:

Teerão pede “sangue sionista” e de Trump. Irão diz que EUA vão arrepender-se "amargamente" de afundar navio
Israel ataca várias posições do Hezbollah no sul do Líbano e lança nova vaga de ataques aéreos contra Teerão
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