Ao quinto dia, a guerra continua a expandir-se do Irão para os países da região e além, com um míssil a ser intercetado no espaço aéreo da Turquia e um navio de guerra iraniano afundado por um submarino dos EUA em águas internacionais ao largo da costa do Sri Lanka. Enquanto Teerão se envolve em argumentos com os vizinhos, os Estados Unidos estão em crer que as defesas do regime teocrático estão a ceder. Mas há também quem aponte para a falta de reservas de mísseis de defesa aérea dos Estados Unidos. Um sistema de defesa aérea da NATO derrubou um míssil balístico disparado a partir do Irão e que se dirigia para o espaço aéreo turco, o que levou à imediata condenação do ataque por parte da Aliança Atlântica. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia Hakan Fidan protestou ao telefone com o homólogo iraniano Abbas Aragchi. Também chamou o embaixador iraniano em Ancara. A Turquia tinha condenado a operação militar israelo-norte-americana, mas também, pela voz do seu chefe da diplomacia, havia dito que a estratégia iraniana de atacar os países vizinhos é “incrivelmente errada”. Noutra latitude, os Estados Unidos revelaram ter afundado com um torpedo num navio de guerra iraniano no oceano Índico.Numa questão de cinco dias, as forças armadas dos EUA já usaram centenas das suas munições mais sofisticadas, incluindo intercetores para os sistemas de defesa aérea Patriot e Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), além de mísseis de cruzeiro Tomahawk. A informação foi prestada por quatro fontes ao The Washington Post, alertando para a hipótese de as forças norte-americanas estarem a “dias de distância” de terem de começar a racionar as defesas aéreas. .“Isto nunca esteve destinado a ser uma luta justa, e não é uma luta justa. Estamos a bater-lhes enquanto estão no chão, que é exatamente como deve ser. Eles estão acabados e sabem disso.”Pete Hegseth.Durante uma conferência de imprensa conjunta com o secretário da guerra, o chefe do Estado-Maior conjunto desvalorizou esse cenário. “Temos munições de precisão suficientes para a tarefa em questão, tanto na ofensiva como na defensiva”, disse o general Dan Caine. Disse ainda que o seu país vai recorrer a reservas de armas tecnologicamente menos sofisticadas à medida que as defesas iranianas forem sendo derrubadas. Caine descreveu o que considera um declínio significativo nos lançamentos de mísseis e drones iranianos desde o início da Operação Fúria Épica. “Os disparos de mísseis balísticos do Irão no teatro de operações diminuíram 86% desde o primeiro dia de combates, com uma redução de 23% apenas nas últimas 24 horas. Os disparos de drones de ataque diminuíram 73%”. A seu lado, Pete Hegseth vangloriava-se de que “a força aérea iraniana já não existe e que a “marinha iraniana repousa no fundo do Golfo Pérsico”. Em resumo: “Controlamos o destino deles.” Mas nem todos concordam com esta análise. Behnam Ben Taleblu, do grupo de reflexão Foundation for Defense of Democracies, com sede na capital dos EUA, lembra que o Irão tinha mais de 2000 mísseis balísticos antes do início do conflito e “drones em muito maior número”. A sua tática, diz, é tentar esgotar as defesas aéreas com os drones para depois aplicar ataques de mísseis balísticos em Israel. “O Irão está consciente da matemática dos mísseis, talvez mais do que nunca”, comentou ao Post.Macron em várias frentesQuem tem estado muito ativo é o presidente francês, que conversou com Donald Trump ao telefone sobre os últimos desenvolvimentos. Numa mensagem na rede X, disse ter conversado com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, bem como com o presidente libanês Joseph Aoun, e o primeiro-ministro Nawaf Salam, para discutir a situação no Líbano. Emmanuel Macron informou ter apelado ao líder israelita “para preservar a integridade territorial do Líbano e abster-se de uma ofensiva terrestre”, ao mesmo tempo que reafirmado a necessidade de o Hezbollah cessar imediatamente os seus ataques contra Israel e além. .O chefe de Estado francês revelou ainda, sem explicar como, que o seu país vai avançar com “iniciativas imediatas para apoiar as populações libanesas deslocadas”. Há cerca de 700 militares franceses no Líbano enquanto parte da força de observação da ONU (UNIFIL). Segundo o Ministério da Segurança Social libanês, mais de 83 mil habitantes, fugidos das povoações do sul por ordem de Israel, ou dos subúrbios a sul de Beirute, inscreveram-se nos serviços dos centros de acolhimento oficiais. Mas o apelo de Macron deverá cair em saco roto, principalmente depois das declarações do líder do Hezbollah. Nas primeiras declarações públicas desde o início do ataque de Israel e dos EUA ao Irão, Naim Qassem declarou que a milícia xiita vai enfrentar a “agressão israelo-americana” e não se renderá. “A nossa escolha é enfrentá-la [a agressão] até ao sacrifício final, e não nos renderemos”, disse o sucessor de Nasrallah em discurso transmitido no canal de TV do Hezbollah. Qassem justificou o lançamento de mísseis contra Israel como uma retaliação por “15 meses de violações”. Referia-se ao acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em novembro de 2024, mas que não foi cumprido por Israel - segundo a UNIFIL foi violado mais de 10 mil vezes.