A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina GeorgievaAFP

Irão: Líder do FMI diz que economia mundial volta a ser "posta à prova"

Para Kristalina Georgieva, "este conflito, se vier a prolongar-se, poderá obviamente afetar os preços mundiais da energia, o sentimento dos mercados e a inflação".
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A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou hoje, em Banguecoque, que a economia mundial está "novamente a ser posta à prova", desta vez pela guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

"Vivemos num mundo onde os choques são mais frequentes e inesperados, e há algum tempo que alertamos os nossos membros de que a incerteza é agora a nova norma", afirmou durante uma conferência que debate a Ásia em 2050, que decorre na capital tailandesa, de acordo com o portal de notícias económicas FX Street.

"Este conflito, se vier a prolongar-se, poderá obviamente afetar os preços mundiais da energia, o sentimento dos mercados e a inflação", acrescentou a diretora-geral do FMI.

Desencadeada no sábado por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a guerra alastrou-se rapidamente com a resposta de Teerão aos vários aliados dos dois países na região, ameaçando igualmente a navegação no Estreito de Ormuz e Golfo Pérsico, fazendo disparar os preços mundiais do petróleo e mergulhando os mercados na turbulência.

"Os mercados têm evoluído como uma montanha-russa nos últimos dias", descreveu Kristalina Georgieva, asublinhando que "o conflito colocará novas exigências aos decisores políticos em todo o mundo".

"Quanto mais cedo esta calamidade terminar, melhor será para o mundo inteiro", continuou, concedendo porém que o mundo está "potencialmente num período prolongado de instabilidade".

A Ásia é o continente mais afetado pela crise no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo.

De acordo com dados da Kpler e da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA), entre 84% e 90% do petróleo bruto que passa por Ormuz tem como destino a Ásia, onde também chega 83% do GNL proveniente dessa rota crucial, cujos principais compradores são China, Índia, Coreia do Sul e Japão.

Apesar do contexto de incerteza energética, a Ásia continua a ser um dos grandes motores da economia mundial, uma vez que a região gera "dois terços do crescimento global e concentra cerca de 40% do comércio", o que faz com que "não seja possível falar do futuro económico global sem mencionar a Ásia", segundo Georgieva.

A economista também destacou que o continente enfrenta vários desafios fundamentais para manter essa liderança no crescimento, entre eles, o aumento da produtividade através do desenvolvimento da inteligência artificial (IA), e salientou que países como Singapura lideram os índices de preparação para a adoção desta tecnologia.

Da mesma forma, Georgieva observou que a China e a Coreia do Sul estão entre os líderes no desenvolvimento e implementação da IA. A Índia, acrescentou, está a impulsionar iniciativas para democratizar o acesso à inteligência artificial, enquanto a Indonésia, Malásia e Tailândia avançam na sua aplicação nos setores comerciais.

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