Segurança foi reforçada em Moscovo antes da parada deste sábado.
Segurança foi reforçada em Moscovo antes da parada deste sábado.FOTO: EPA / SERGEI ILNITSKY

Sem mísseis e sem tanques. Parada militar em Moscovo avança sem medo de drones após cessar-fogo de Trump

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deixara alerta a aliados de Moscovo que tencionassem assistir ao desfile de sábado, dia 9. Autoridades russas tinham aumentado segurança, com receio de ataque de drones de Kiev.
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O drone ucraniano que na noite de segunda-feira (4 de maio) embateu num prédio residencial em Moscovo, a menos de 10 quilómetros do Kremlin, foi um sinal de alerta para as autoridades russas de que a tradicional parada militar que todos os anos assinala o final da II Guerra Mundial na capital russa podia estar sob ameaça de Kiev.

Apesar do cessar-fogo unilateral decretado pelos russos para os dias 8 a 10 de maio, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recordava na quinta-feira à noite (7 de maio) que "eles querem que a Ucrânia lhes conceda uma autorização para realizar o seu desfile, para que possam sair para a praça em segurança durante uma hora, uma vez por ano, e depois continuar a matar". E depois de lembrar que a Rússia não respeitou a trégua unilateral que Kiev declarou no dia 6, aproveitou para deixar o alerta aos aliados de Moscovo que tencionam assistir ao desfile - "é um desejo estranho nesta altura, não o recomendaria".

Apenas três líderes estrangeiros participarão no desfile de sábado: os presidentes da Bielorrússia, Malásia e Laos, anunciou o Kremlin.

Mas na sexta-feira ao fim do dia, o anúncio do presidente dos EUA de um cessar-fogo de três dias na guerra entre a Rússia e a Ucrânia permitiu a Moscovo respirar de alívio.

O desfile deste ano já foi reduzido em escala, não contando com mísseis, tanques, nem blindados, num reflexo do cada vez mais intenso esforço de guerra da Rússia na Ucrânia. E se tanto Moscovo como São Petersburgo exibem por estes dias as bandeiras e cartazes azuis, brancos e vermelhos alusivos à vitória dos aliados sobre os nazis em 1945, esta parada surge num momento em que os russos não só sofrem o impacto do esforço de guerra, como lidam com uma economia em desaceleração, tendo contraído 0,3% no primeiro trimestre.

"Tenho o prazer de anunciar que haverá um cessar-fogo de três dias (9, 10 e 11 de maio) na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. A celebração na Rússia é pelo Dia da Vitória, mas o mesmo acontece na Ucrânia, pois ambos os países também tiveram um papel importante na Segunda Guerra Mundial. Este cessar-fogo incluirá a suspensão de todas as atividades militares e também a troca de 1000 prisioneiros de cada país. Este pedido foi feito diretamente por mim e agradeço imenso a concordância do presidente Vladimir Putin e do presidente Volodymyr Zelensky. Espero que este seja o princípio do fim de uma guerra longa, mortífera e árdua. As negociações para o fim deste grande conflito, o maior desde a Segunda Guerra Mundial, continuam e estamos cada vez mais perto de uma solução", revelou o presidente dos Estados Unidos na rede social Truth Social.

O Ministério da Defesa russo confirmou que as suas tropas suspenderão "todas as ações militares" desde as 00h00 deste sábado em Moscovo (menos duas horas em Lisboa) até ao final, na segunda-feira, das comemorações do 81.º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazi.

Esta cessação de hostilidades, segundo o Ministério da Defesa, inclui a suspensão temporária de ataques com mísseis, ataques com armas de alta precisão e longo alcance, peças de artilharia, bem como ataques com 'drones' contra infraestruturas ucranianas.

O governo russo tinha apelado antes, sem sucesso, à Ucrânia para que fosse declarado um cessar-fogo no dia do desfile e confirmara a adoção de "medidas de segurança adicionais" para proteger o presidente Vladimir Putin. Segundo o New York Times, o Kremlin tinha proibido a presença de quase todos os jornalistas no evento, alegando "ameaças terroristas provenientes de Kiev".

As negociações para pôr fim à guerra encontram-se neste momento num impasse, precisamente quando as sondagens revelam que um número recorde de russos, cansados da guerra, deseja a paz.

Na segunda-feira, dia 4, Zelensky deixara entender que Kiev poderia enviar drones para Moscovo neste sábado, dia 9. "A Rússia anunciou um desfile a 9 de maio em Moscovo sem equipamento militar", afirmou o presidente ucranianos durante a Cimeira da Comunidade Política Europeia, em Erevan, na Arménia. E acrescentou: "Não têm meios para adquirir equipamento militar — e receiam que os drones possam sobrevoar a Praça Vermelha. Isto é revelador. Mostra que, neste momento, não são fortes."

Na quinta-feira (7 de maio), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, garantiu estarem a ser tomadas medidas de segurança adicionais devido à "situação operacional bastante complexa". As medidas que estão a ser tomadas "são necessárias para garantir a segurança dos cidadãos, o que constitui uma prioridade absoluta", disse Peskov aos jornalistas.

A imprensa estatal russa informou ainda que todos os serviços de acesso à Internet móvel e de mensagens de texto serão suspensos na capital russa no dia 9 de maio.

O feriado do Dia da Vitória é o mais importante do calendário russo, com o Kremlin transformou o triunfo soviético na II Guerra Mundial num momento de orgulho nacional. Estima-se que 27 milhões de soviéticos — soldados e civis — tenham morrido na guerra, o maior custo humano entre os países que participaram. A vitória que conferiu à União Soviética o estatuto de potência mundial é uma força unificadora na Rússia.

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