A Ucrânia atingiu com drones na madrugada de desta quarta-feira, 29 de abril, o que alega ser uma estação de bombeamento de petróleo a uma distância em linha reta superior a 1500 quilómetros dentro da Rússia, perto dos Montes Urais, um ataque que Volodymyr Zelensky classificou como “uma nova etapa no uso de armas ucranianas para limitar o potencial de guerra da Rússia”, acrescentando que “continuaremos a alargar estes alcances”.De acordo com o serviço de segurança ucraniano (SBU), a operação foi levada a cabo pela unidade de forças especiais Alpha e os drones atingiram durante a madrugada a estação de produção e distribuição linear de Perm, pertencente à empresa russa Transneft, dando origem a incêndio de grandes proporções na estação de bombagem de petróleo. Informações preliminares referem que quase todos os tanques de armazenamento de petróleo estavam em chamas.O SBU descreveu esta estação como um local “estrategicamente importante” para o transporte de petróleo russo, com distribuição em quatro direções, incluindo para uma refinaria também em Perm. O governador de Perm, Dmitry Makhonin, confirmou um ataque de drone ucraniano a um dos complexos industriais da região, levando à retirada de todos os trabalhadores, mas sem registo de vítimas. Este responsável, segundo o Kyiv Independent, informou ainda que deflagrou um incêndio numa das instalações.O presidente ucraniano fez esta quarta-feira ainda um balanço das perdas nas exportações de Moscovo resultantes dos ataques de longo alcance levados a cabo por Kiev contra portos ocidentais russos, apontando que o volume de petróleo movimentado em Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, caiu 13% e 43%, respetivamente, e que no porto de Novorossiysk, no Mar Negro a queda foi de 38%. “Acreditamos que esses números internos russos possam estar subestimados. Da nossa parte, continuaremos a operação para reduzir as receitas de petróleo da Rússia e os volumes de exportação”, escreveu Zelensky no X. Um outro balanço das autoridades ucranianas, este feito pelo Ministério da Defesa, mostra que Kiev usou sistemas intercetores para abater mais de 33.000 drones russos de diversos tipos em março, um número mensal recorde desde o início da guerra. De Bruxelas chegou esta quarta-feira mais uma boa notícia para Kiev, com a presidente da Comissão Europeia a revelar que seis dos 90 mil milhões de euros emprestados à Ucrânia se destinam a comprar drones. “O primeiro pacote de defesa incidirá sobre drones provenientes e destinados à Ucrânia, num valor de cerca de seis mil milhões de euros”, disse Ursula von der Leyen no Parlamento Europeu, reafirmando ainda que a primeira metade do empréstimo será desembolsada este trimestre. “Enquanto a Rússia duplica a sua agressão, a Europa duplica o apoio à Ucrânia”, salientou.O conflito, que entrou no seu quinto ano, levou o Ministério da Defesa russo a anunciar esta quarta-feira que Moscovo vai celebrar este ano a vitória sobre a Alemanha nazi com um desfile militar na Praça Vermelha sem a tradicional exibição de equipamento militar devido à situação operacional na Ucrânia. “Devido à atual situação operacional, os alunos das escolas militares Suvorov e Nakhimov, do corpo de cadetes e da coluna de equipamento militar não participarão no desfile militar deste ano”, afirmou o ministério em comunicado, confirmando que “militares de instituições de ensino militar superior de todos os tipos e de diferentes ramos das Forças Armadas da Federação Russa participarão no desfile como parte da coluna de marcha”.Além destes estudantes militares, participarão do desfile de 9 de maio veteranos da guerra na Ucrânia e fuzileiros navais, estando ainda prevista uma demonstração de aviação militar.Números da Oryx, um grupo neerlandês de investigação militar sobre as perdas ucranianas e russas durante a guerra (apenas as verificadas e visualmente confirmadas), revelam que, até 1 de abril, Moscovo tinha perdido mais de 24.487 tipos diferentes de equipamento militar na Ucrânia, 19.123 dos quais destruídos, com destaque para a perda de 8815 veículos de combate blindados. .Rússia perdeu mais militares em janeiro do que recrutou, alega Kiev