Putin afasta intenção de atacar Europa mas avisa que diálogo de paz com Ucrânia está ameaçado
O Presidente russo declarou esta sexta-feira, 25 de setembro, que Moscovo "não se está a preparar para qualquer tipo de conflito com a Europa”, mas avisou que os últimos grandes ataques ucranianos deixaram mais longe a possibilidade de voltar ao diálogo com Kiev.
“Gostaria de sublinhar mais uma vez que não nos estamos a preparar para qualquer tipo de conflito com a Europa", afirmou Vladimir Putin, em declarações aos jornalistas à margem do Fórum Internacional de Cultura em São Petersburgo,
O líder do Kremlin comentou que “muitos na Europa dizem esperar uma agressão da Federação Russa e, por isso, devem eles próprios preparar-se para lutar, para uma guerra", antes de negar que seja sua intenção visar o espaço europeu.
A reação de Putin chega um dia depois de o jornal espanhol El Mundo ter avançado que a CIA terá alertado para a eventualdade de um ataque russo com drones contra vários países mediterrânicos, nomeadamente Espanha, França e Itália.
O jornal citou uma fonte próxima do Ministério da Defesa da Lituânia, que garaantia que os serviços de informação dos Estados Unidos emitiram este alerta na sequência da visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo no final de agosto.
França e Lituânia negaram a existência desse relatório da CIA, mas os alertas sobre uma eventual ação provocatória de Moscovo contra um país da NATO têm vindo a suceder-se nas útimas semanas.
O Presidente russo disse ainda esta sexta-feira que vai reavaliar um possível reatamento das negociações de paz para pôr fim à guerra com a Ucrânia, após os recentes ataques em grande escala das forças de Kiev em território russo.
“As propostas para retomar as negociações estão em cima da mesa […) Mas depois de tudo o que eles [ucranianos] fizeram, vamos considerar cuidadosamente o que devemos fazer em troca", afirmou.
EUA tentam relançar negociações tripartidas com Rússia e Ucrânia
Entretanto, os Estados Unidos estão a tentar recuperar o diálogo entre Moscovo e Kiev, com Rússia e Ucrânia a confirmarem esta sexta-feira a intenção americana de retomar negociações trilaterais. A proposta prevê uma nova ronda de contactos com a participação norte-americana e poderá ter os Emirados Árabes Unidos como palco.
“O lado americano propôs uma reunião a nível técnico num formato tripartido”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, citado pela Reuters.
Também o Kremlin confirmou posteriormente que uma reunião poderá realizar-se em breve. O porta-voz Dmitri Peskov, contudo, disse não dispor ainda de mais pormenores.
Ataques russos fecham a maior fábrica siderúrgica da Ucrânia
Enquanto os contactos diplomáticos decorrem nos bastidores, a guerra continua a provocar vítimas diariamente. Em Kiev, pelo menos sete pessoas morreram esta sexta-feira na sequência de ataques russos, segundo o presidente da Câmara, Vitaly Klitschko. Outras 46 ficaram feridas, 15 das quais foram hospitalizadas.
Na região de Odessa, um ataque atingiu uma zona residencial e instalações logísticas, provocando uma morte e um ferido, de acordo com o governador Oleh Kiper.
Os ataques russos provocaram também o encerramento da maior fábrica de siderurgia da Ucrânia, a fábrica da ArcelorMittal em Kryvyi Rih, que esta sexta-feira anunciou a paralisação das suas operações devido aos persistentes ataques russos.
“Nas últimas cinco semanas, a ArcelorMittal Kryvyi Rih foi alvo de quatro ataques com mísseis, resultando em mortes, feridos e extensos danos às instalações de produção”, anunciou a empresa. “No total, os quatro ataques causaram cinco mortes e feriram 17 funcionários, um dos quais permanece em estado crítico.”
Também a Rússia reportou ataques ucranianos. As autoridades disseram ter abatido dezenas de drones em várias regiões. Na região de Perm, o governador Dmitri Makhonin afirmou que uma pessoa morreu na sequência de um ataque, enquanto em Voronezh 13 pessoas ficaram feridas.
* Com Lusa

