Protestos em França. Confrontos entre manifestantes e polícia na Praça da Bastilha, em Paris
Vários milhares de pessoas estão esta quinta-feira, 8 de outubro, reunidos na Praça da Bastilha, em Paris, em mais um dia de concentração de manifestantes em várias cidades francesas, em protestos impulsionados pelo descontentamento dos estudantes do ensino secundários.
A praça parisiense tem estado a ser palco de um ambiente de grande tensão entre polícia e manifestantes, que arremessaram pedras da calçada e artefactos pirotécnicos. Ainda não há registo de feridos, mas foram feitas várias detenções.
Os agentes têm procurado tentar dispersar os manifestantes, tendo já usado gás lacrimogéneo e canhões de água, mas a atuação da polícia nestes protestos tem sido muito criticada por organizações de direitos humanos, que alegam excesso de violência.
Em Marselha, organizações estudantis e sindicais garantiram que as manifestações vão prosseguir até ao presidente francês, Emmanuel Macron, ceder.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, vai falar esta quinta-feira à noite ao país durante o noticiário do canal TF1. O governante, que afirmou que "cerca de 96%" das escolas secundárias (de um total de 3700) tinham voltado à normalidade esta quinta-feira e que o ministério tinha recebido mais de 50 mil contribuições na plataforma que criou, deverá dar um primeiro feedback sobre as reivindicações apresentadas pelos aluno e anunciar medidas.
O protesto começou há cerca de duas semanas numa escola secundária da região de Paris, mas rapidamente se transformou num movimento nacional de pressão sobre o Governo do presidente cessante Emmanuel Macron, marcado por confrontos com a polícia e tumultos.
Os constantes boicotes às aulas e bloqueios de escolas, juntamente com uma forte resposta policial que levou a mais de 6.100 detenções, a maioria das quais de menores de idade, tornaram-se um ponto crítico nos primeiros dias da campanha eleitoral presidencial.
Os protestos dos adolescentes encontraram eco no meio do descontentamento generalizado em França, cujas frustrações vão para além das dificuldades imediatas, como os preços dos combustíveis que dispararam por causa da guerra com o Irão, e abrangem preocupações mais amplas sobre as restrições à despesa pública, o aumento da pobreza e a desigualdade de riqueza.
As autoridades começaram a fechar escolas na semana passada para diminuir a intensidade das manifestações após os danos generalizados e o crescente número de feridos entre funcionários, alunos e polícias.

