Protestos dos alunos do secundário em Saint-Denis, a norte de Paris.
Protestos dos alunos do secundário em Saint-Denis, a norte de Paris.FOTO:EPA/Firas Abdullah

Alunos nas ruas em França. Governo acusa esquerda radical de incitar à “violência urbana”

Contestação estudantil agrava-se em momento crítico da apresentação do orçamento para 2027.
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A contestação estudantil ganha força em França, com os estudantes universitários a juntarem-se esta quinta-feira (1 de outubro) aos alunos do secundário que estavam nas ruas desde a semana passada. Pelo menos duas escolas foram incendiadas e um diretor ficou ferido após lhe terem lançado gasolina.

O governo francês reuniu uma célula de emergência para lidar com o problema, com o gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu a dizer que o movimento de contestação se transformou em “violência urbana”. E a apontar o dedo à extrema-esquerda. “É uma manobra organizada pela França Insubmissa e pelos seus representantes”, acusam.

O partido reagiu de imediato: “Peço ao governo que não ceda a teorias da conspiração nem à infantilização dos estudantes do ensino secundário. Este movimento espontâneo surgiu da exasperação com condições educativas absolutamente inaceitáveis”, disse à AFP o coordenador da França Insubmissa, Manuel Bompard. “É tempo de o primeiro-ministro abandonar esta estratégia de desgaste e provocação”, acrescentou.

Os protestos já causaram centenas de detidos e feridos, com choques entre os estudantes e a polícia, com o ministro da Educação, Edouard Geffray, a anunciar que irá receber esta sexta-feira (2 de outubro) os representantes dos alunos.

A contestação agravou-se num momento delicado para o governo, que esta quinta-feira (1 de outubro) anunciou uma série de cortes de despesas profundamente impopulares no seu orçamento para 2027.

O objetivo do executivo é poupar cerca de 54 mil milhões de euros e reduzir o défice para 5% do PIB, justificando as medidas com a forte subida dos custos da dívida pública.

O plano prevê sobretudo contenção da despesa, incluindo poupanças nas pensões e na função pública, enquanto protege o aumento das despesas de defesa, num contexto político delicado (a poucos meses das presidenciais que vão eleger o sucessor ou sucessora de Emmanuel Macron) e de crescente contestação da oposição.

Os socialistas dizem não ver “qualquer mão estendida” no orçamento, que classificaram como uma “provocação”, defendendo que o esforço deveria recair mais sobre os mais ricos e as grandes empresas.

Já a França Insubmissa denunciou um orçamento que “vai aumentar as desigualdades” e prometeu opor-se ao texto, com o deputado Éric Coquerel a dizer que haverá “obviamente” uma censura caso o Governo recorra ao artigo 49 da Constituição para forçar a aprovação sem o voto dos deputados.

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França. Lecornu alerta contra instabilidade antes de apresentar orçamento
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