França suspende uso de granadas de atordoamento pela polícia após aluno ter perdido a mão
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou esta quarta-feira, 07 de outubro, que as forças de segurança vão deixar de utilizar as novas granadas de atordoamento "no contexto do movimento estudantil do ensino secundário", dois dias depois de um estudante de 15 anos ter ficado sem uma mão numa explosão em Lens.
O ministro declarou na estação RTL que a suspensão da granada de atordoamento, que é usada há apenas um ano pela polícia, mantém-se "até que se esclareça o que aconteceu neste caso". É uma das 18 investigações abertas pela polícia relacionada com o movimento de protesto estudantil.
"Solicitei ainda ontem [terça-feira, 6 de outubro] que esta granada deixasse de ser utilizada no contexto do movimento estudantil do ensino secundário", disse o ministro, sublinhando existir uma "forte possibilidade" de o ferimento do menor ter sido provocado por este tipo de "arma de força intermédia".
Segundo o Le Monde, a "EF-SON é fabricada pela empresa francesa Alsetex, parceira comercial de longa data do Ministério do Interior. Está à disposição das forças de segurança desde o verão de 2025, juntamente com outro modelo também de efeito atordoante, o GL-304, fabricado pela brasileira Condor. A EF-SON pode ser disparada através de um lança-granadas".
Não é claro se o jovem foi atingido diretamente pela granada ou se pegou nela para a atirar de volta contra as forças de segurança, durante a manifestação que reuniu entre 200 e 250 estudantes diante de uma escola em Lens, na segunda-feira (5 de outubro). Os alunos tinham atirado já pedras e outros engenhos contra os agentes.
"Roubaram-lhe a vida. Acabou, já não tem a mão. É um miúdo de 15 anos. Porque é que atacam crianças assim?" disse a mãe do jovem em declarações à BFMTV, confirmando que a mão tinha sido amputada e que ele continua hospitalizado (e em choque com o que aconteceu).
"É horrível o que aconteceu ao meu filho. Ainda estamos em choque. Estão a circular muitas mentiras. O meu filho não apanhou a granada do chão", acrescentou, indignada. "Foi atingido por uma arma de guerra. Não é normal usarem isso contra os jovens."
O ministro da Educação, ouvido na Assembleia Nacional, rejeitou o termo "repressão policial" para descrever as intervenções das forças de segurança nas mobilizações de estudantes do ensino secundário e universitário, considerando-o "excessivo". "Quando há violência e depredação, nós intervimos; esta é a regra", repetiu várias vezes.
Núñez disse ainda que este movimento estudantil é "inédito", tanto pelo número de escolas e participantes mobilizados como pelo facto de ter "descambado rapidamente para actos de violência graves".
Os estudantes continuam entretanto nas ruas, mas o ministro da Educação alega que a mobilização é hoje menor e que "nove em cada dez escolas" estão abertas. Ainda assim, as aulas estão suspensas parcial ou totalmente em 459 escolas e 80 campus universitários também estão bloqueados.
Vários sindicatos da área da educação convocaram entretanto uma greve e manifestações para quinta-feira (8 de outubro) de apoio ao movimento estudantil do ensino secundário.

